Coleção pessoal de Isaaas
Alguns meses atrás, me peguei te olhando estranho.
Pensei: “o que é isso? No que estou pensando?”
Com o passar dos dias, me vi te admirando.
Admiração é algo tão normal, não é?
Depois de algum tempo, nos imaginei juntos
e me perguntei por que a nossa criatividade vai tão longe.
Que coisa ridícula.
E quando me dei conta, estava querendo te ver.
Estava reparando no que você fazia,
em como cortou o cabelo,
no livro que estava lendo,
até nas músicas que costuma ouvir.
Percebi que não tinha como voltar atrás.
Já estava eu submersa nas minhas emoções,
querendo sair correndo,
talvez gritando: um “eu te amo”.
Aí me veio a pergunta:
grito bem alto
ou abafo essa voz no fundo do peito?
Mas, mesmo que eu tente esquecê-lo,
meus pensamento colidem com meu coração e a minha alma.
E, quando vejo, estou refém de um alguém
por quem anseio a todo momento.
Uma pessoa com quem me preocupo.
Olho e pergunto:
“está tudo bem?”
E esse alguém responde:
“sim, tudo ok.”
Quando sei que não está.
Mas o que eu queria mesmo
era estar ali ao seu lado, oferecendo-lhe um abraço.
Só não sei se tenho esse direito,
até porque somos meros amigos
ou, melhor dizendo, conhecidos.
E logo depois me repreendo
e digo:
“pense em você, somente em você.”
E por esse motivo me engano,
dizendo que isso vai passar,
que é algo tão supérfluo,pra que se preocupar? por que se importar.
Mas, quando penso que deixei pra lá,
meus olhos se encontram com os seus
e esse sentimento tão avassalador e imprudente
me lembra que menti para todos…
inclusive para mim.
Solidão
Todos nós somos sozinhos,
uns um pouco menos, outros um pouco mais,
mas mesmo assim, somos sozinhos.
A solidão é uma dádiva,
quando se sabe aproveitá-la,
ou pode ser um peso,
carregado por uma dúvida:
o porquê sou tão sozinho?
Essa pergunta não sei responder,
só o que falta é tentar entender.
Ser só pode doer até ver que consegue viver em um mundo onde,
só houver você .
Talvez a resposta não seja fugir,
mas aprender a existir em mim,
porque no silêncio que eu tanto temi,
encontrei partes que ainda não vi.
Isadora de Lima
Hipócritas
Quando você já experimentou os dois lados da moeda,
você percebe o quão hipócrita é.
Em um dia sendo oprimido, no outro, opressor.
Em um dia te olham torto, no outro, quem olha é você.
De um lado da moeda,
te deixam de lado, formam suas panelas, e o intrometido é você.
Quando senti esse sentimento tão vazio,
parecia o fim do mundo.
Só torcia para que alguém olhasse, sorrisse e puxasse algum assunto.
Pensei comigo mesmo: “Será que estou tão errada em tentar interagir?”
Mas daí nós vemos, de repente, do outro lado da moeda,
e percebemos que o que mais temi, cometi,
e vi tarde demais que excluí uma das várias pessoas
que passaram por mim.
