Coleção pessoal de I004145959
Constantemente nos deparamos com cenas em que o auxílio é negligenciado, enquanto o foco está na publicação de conteúdo nas redes sociais.
Na era pós-moderna, o uso de analgésicos como "escudos emocionais" cresce, em resposta à crescente negligência moral que a sociedade acarreta.
No âmbito social, orbitamos em torno da intolerância aos desejos dos outros, especialmente os femininos, onde a angústia e o desconforto são evidentes.
Historicamente, a mulher foi retratada como símbolo de tentação e culpada pelas transgressões e descontroles refletindo os padrões patriarcais arraigados na sociedade.
Ao longo dos tempos, a percepção da presença do desejo autônomo nas mulheres sempre perturbou os homens, desencadeando casos de violência emocional, física e psicológica.
As expectativas pré-natais dos pais e os projetos que envolvem a criança podem exercer pressão sobre ela, afetando seu desenvolvimento e bem-estar ao longo da vida.
Nas metrópoles, a solidão tende a ser mais comum, e a indiferença, por vezes, é confundida com discrição, contrastando com os laços sociais mais estreitos nas comunidades pobres.
Cena digital
Nas redes sociais, a integridade perde o seu valor. Corpos não se encontram mais; a libido se desfaz, o amor pelos likes nos satisfaz.
Precisamos de habilidades digitais para evitar o cancelamento. E, simultaneamente, buscar o sucesso com o maior número de curtidas possível.
A política agora se faz entre cliques, pixels e bytes, onde robôs e falsas mensagens se multiplicam, prejudicando a integridade do debate político.
Nas redes sociais, a autenticidade se perde na hipocrisia do "parecer ser", onde a quantidade de likes é o que satisfaz.
Navegar disfarçado torna-se uma arte nesse espaço fabricado da internet.
Sentir-se bem-sucedido ao ganhar mais que os colegas de trabalho, apesar de ter um poder aquisitivo modesto, é cair na "armadilha da comparação relativa", ocultando a fragilidade financeira sob uma ilusão de sucesso.
O paciente de psicanálise tende a se envaidecer ao mencionar o tratamento, enquanto o paciente psiquiátrico prefere silenciar, temendo o estigma.
Será que o avanço da tecnologia, que beneficia os tratamentos médicos, torna as relações entre profissionais de saúde e pacientes mais impessoais e desumanizadas?
Juvenil sonha com tempos de serenidade e sabedoria, enquanto o senil suspira por dias de juventude e euforia.
O paradoxo sutil da incapacidade de viver o momento.
Com a popularização das câmeras digitais e smartphones, empresas de entretenimento agora preferem comercializar privacidade e intimidade em detrimento de produções ficcionais dispendiosas e complexas.
A psiquiatria ampliou seu foco para incluir o mal-estar cotidiano, além das doenças mentais, com o crescente uso dos 'elixires da alegria', o que impacta nossa percepção sobre tristeza e depressão.
