Coleção pessoal de himayrink
Eu fecho os olhos e estou andando, sabe? É um lugar escuro, frio, e no chão há muita água.
E sabe que eu, quando suspiro, escuto o eco do meu vazio, e é DE UMA IMENSIDÃO TÃO EXTENSA que chega a ser reconfortante estar em um lugar onde o vazio parece ser menor que o meu. Fecho os olhos e percebo que os meus pensamentos me consomem, que sentimentos me levam a caminhar cada vez mais por um caminho escuro, ao invés de procurar um apagador e acender a luz.
Estou sentada à mesa, cercada por um mar de papéis — folhas pálidas que se acumulam diante de mim como fragmentos de pensamentos mortos. Afundo-me entre papéis espalhados, como se cada folha guardasse um pedaço esquecido de mim. A madeira permanece em silêncio, testemunhando o caos que lentamente me engole. Me sinto completamente soterrada por papéis que parecem lápides de pensamentos que nunca encontraram descanso.
AVISO⚠️
não tire nada do lugar
estamos falando da minha mente, ok?
sei onde cada coisa está.
Nunca estive tão apegada ao que restou de mim!
Sinto como se eu tivesse ido embora e fizesse um esforço absurdo cada dia, para poder me lembrar das poucas coisas que ainda restam aqui. Alguns não compreendem e é algo completamente normal, mas passar por isso e entender ao mesmo tempo é o que eu mais sinto ser doloroso nesse processo de vida, principalmente quando estou em um L'appel du vide que parece ser eterno.
Todas as manhãs quando acordo, fecho os meus olhos novamente e penso:
"Será hoje o meu último dia?"
Há momentos em que eu sorrio o tempo todo demonstrando amar o meu lar, mas a verdade é que eu o odeio, e a certas datas do ano em que não suporto a visão desse lugar.
