Coleção pessoal de GilBuena
Tenho em mim a culpa da entrega, a intensidade do querer e a imprescindibilidade do amor dos apaixonados. Tenho em mim o vício da tua presença, a voz do teu silêncio e a imensidão do teu ser. Tenho em mim as declarações não ousadas, os beijos não sentidos, os toques apenas sonhados. Porque tenho em mim a ausência do que sou, quando de ti me ponho a pensar.
E que o teu amor seja como brisa que me refresca na caminhada. Nas dobras da vida, que ele me dê as mãos. Nas pausas de um andar tímido e quase fraco, que ele me impulsione a continuar. Que o teu amor dê vida aos meus olhos, motivos aos meus sorrisos, paz no agir e emoção para o coração. Que o teu amor seja o que nada se explica, apenas sente. E, por fim, que o teu amor seja o fim da partida e o início de um ficar, voluntário e permanente.
É sobre o amor, que tudo eu falo. É pelo amor, que tudo me calo. E é exatamente no amor, que me perco e me acho.
Gotas Mortas
São portas fechadas, o que eu sempre encontrei.
São janelas batidas no vazio... vazias de ti.
São sorrisos perdidos, abraços esquecidos.
São estradas contrárias dentro de um adeus.
São amores nunca revelados... estancados.
São olhares nunca vistos... imaginados.
São as incertezas impostas dos riscos.
São desejos certos para um medo infesto.
São músicas acabadas, sem danças ritmadas.
São as vozes do amor que se foram sem cantar.
São prantos, rastros de tristeza existente.
São toques solitários, mundos envolventes.
São tudo que senti: lembranças que não vivi.
São vontades que me definem, quando penso em ti.
São puras aflições, libertas emoções... utopias.
São gotas mortas de sentimentos vivos ainda em mim.
Foi diante das minhas fragilidades que aprendi a ser frágil. Não me permito ser outra coisa, sem ser aquilo que o momento atual decidiu que eu fosse. Quando o tempo de ser forte chegar, levanto e me refaço. Serei forte! Agora não, agora estou frágil e vou deixar até o momento estancar.
Você nasce em mim e lá fica, cresce, perfuma. Não esconde os seus espinhos, mas sabe, com cuidado, passear sobre mim sem me ferir. Entregar-me a você é como caminhar num jardim florido, num campo das flores, onde o beija-flor me beija a face e eu vou, florescendo-me em seu amor.
É no sentir dos versos ainda não acabados, que o amor amadurece. Mas é na doçura do teu olhar, que a poesia se completa. Porque todo amor é poesia. Porque tudo em ti me faz (a)mar.
Um dia, seremos capazes de enxergar tudo que os nossos olhos não conseguem ver. E quando este dia chegar, entenderemos, finalmente, o quão bela é a vida. Pois, é num canto inspirador do coração, que o oásis surge. É na delicadeza do sentir, que o encanto aparece, fazendo do amor o refúgio dos mais nobres dos quereres.
A vida sempre nos traz surpresas e decepções. A vida algumas vezes anda torta, mostra atalhos, faz barulho, toca o terror. A vida, esta menina faceira e tão bonita, acredite, ela sabe brincar com a gente; faz cócegas até! Mas também faz chorar. Ela nos faz subir, subir e sem mais nem menos, pronto, o chão faz doer. E de repente, ela nos joga pro alto novamente, como se fôssemos um brinquedo, com todas as suas regras e poderes. Não há quem a domine, não há quem passe por ela sem experimentar do seu tempero. E quando tudo parece sem motivos, ela cria um. Têm uns - alguém -, que absorvem e têm outros que os ignoram, mas todos os motivos estão lá, prontos para serem usados, aproveitados. Quando tudo fica azul, ela vem e nos mostra o cinza. E quando o cinza chega, o verde volta a imperar. Isso é para nos dizer que, tanto as tristezas quanto as alegrias passam e a vida fica espojada nos seus mais diversificados modos, fazendo do mundo uma grande aquarela oscilante entre surpresas e decepções. Assim é a vida, assim é viver!
Nem sempre estou inspirada pra falar de amor. Nem sempre o amor me toca nas palavras. Contudo, tenho o perdão dos instantes que te sinto, sem te ver; indulgência dos desejos, sem te ter; piedade das ausências preenchidas de você. Quanto à clemência? Ah, esta é devota com as letras de amor não escritas, transformadas em atitudes. Quisera eu não saber falar de amor. E na verdade não sei falar de amor! Palavras são apenas palavras. Mas, você... você sempre está em mim, com ou sem inspiração.
E o mundo melhora a cada passo que você dá sorrindo. Pois, os sorrisos são vozes que ecoa sinfonia de felicidade. São toques da alma, feixes de luz que ilumina; frestas de paz.
Nem toda busca é encontro.
Nem todo encontro é ficar.
Nem toda fala diz algo.
Nem todo silêncio faz calar.
Nem toda ausência é partida.
Nem toda chegada é estar.
E, se todo amor é divino,
Divino mesmo é amar...
(E ser igual amado.)
Sentimentos
O dia seria esse número de horas sem mais nada,
Caso da trêmula esperança fosse fato, vazio.
Que culpa tenho eu em ver cores ao vento?
Sentimentos...
Nada me comporia sem toques cheios de luz
Nem sobraria pedaço feliz, nalgum sorriso sequer,
Se eu não expurgasse a bruta realidade.
Que procuras errantes, livre farsante corre gente,
Onde pousa em gaiolas do destino, morte quente.
Não sabe das horas fazer, de tempo senão morrer.
No chão endurecido que amoleço ao viver...
Meus sonhos!
Sem contar do tempo que se foi, nem do que se vem,
Quantos de mim decidem então renascer?
Somos filhos dos sonhos. Raízes da liberdade.
Flor que nasce no pomar dos que aprecia borboletas e festeja alegria.
Somos o que decidimos ser, quando a coragem resolve sair da toca e esquece o comodismo, abre caminhos, arranca os espinhos, aduba sementes e faz o acontecer florescer. Porque, só os que se arriscam, vão longe. Só os que não temem o escuro, conseguem ver a luz. Só os que não se assustam com o tombo, sabem voar. Só os que erram, aprendem a acertar. Não desejo pra mim uma vida fria e nem quente. Gosto da temperatura certa. Adapto-me ao momento e faço o meu tempo brilhar. E por mais que queiram me cegar a esperança, não deixo de ter sonhos, de ter liberdade e de plantar as minhas raízes em pomar de tronco que não se quebra, nem se dobra. Minha maior marca é eu ser eu, díspar em vida dos muitos (e tantos) iguais.
As mais belas palavras se perdem diante da nobreza dos gestos puros, envolvidos por atitudes carregadas de amor.
