Coleção pessoal de EvelynFaheina
Ambiguidade
Não confunda alhos com bugalhos!
Ontem eu encontrei você.
Estava linda,
pronta pra sorrir.
E lembrei da carta
que lhe escrevi.
Eram só palavras,
sem qualquer significado especial.
Mas você nem leu.
Nem sorriu pra mim.
Era só um sonho.
Gira mundo
Gira mundo, vai girando, gira, gira, sem fim.
No desejo infinito que vai crescendo dentro de mim.
Numa hora quero a ‘bola’, mas o que essa ‘bola’ é para mim?
Não pergunto, não questiono, só a quero junto a mim.
Quem não sabe o que quer, perde o caminho de si.
Deseja o que é do outro, numa roda-viva sem fim
Fica tonto, fica mudo, fica só, mas não pergunta:
O que isto é para mim?
Escrita
Ontem, escrevi um poema. Um poema cheio de palavras insignificantes que transbordavam pelas linhas de minha memória.
No primeiro momento, entreguei-me à fantasia.
Depois, rememorei o que ainda não havia acontecido.
Senti a emoção e o arrepio dos deuses com as palavras que não eram só minhas.
Troquei o ponto final pela vírgula.
E, apesar de inacabado, o publiquei.
Escute meus silêncios!
No murmúrio dos pensamentos indizíveis.
Na cabeça vaga, vazia, cheia de ideias borbulhantes.
Nos não ditos sarcásticos, risos soltos, disfarçados.
Na experiência vivida, sentida na pele.
Na doença repentina, dores de prazer que se repetem.
Nas falas soltas, palavras jogadas ao vento.
No choro intercalado, intenso e frio.
Na fuga das relações, refúgio do medo, da raiva e do amor
Escute seus silêncios!
Olho o mundo com lentes que não são minhas,
e chamo de meu o que ecoa do outro,
como quem tece, no fio imaginário,
uma pele compartilhada.
