Coleção pessoal de demetriosena
O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a educação. E seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o país precisam passar a enxergar isso. A saúde é importante? Lógico que é. Mas a educação de um povo é muito mais.
No que tange as promessas feitas em campanhas políticas, que depois se tornam dívidas para os eleitos, o povo deve agir como agiota: cobrar impiedosamente, jamais disposto a perdoar o calote. Se todo político não pagador souber que será eliminado pelo povo, não ao pé da letra, mas na boca da urna, tenham certeza: em tempo recorde, o mundo que nos cerca será bem melhor.
Precisamos ter em mente que a vida ensina, é claro, mas que a tão propalada faculdade da vida não nos favorece quando resolvemos desprezar a escola.
Agora tens força
pra me derrubar...
É a vida. É a lei.
Foi de muito me dar,
que te amei dessa forma
com que te armei.
RECONSTRUÇÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
A estas alturas de minha vida, percebo que o mundo melhor com que sonhei na inocência da juventude, julgando achá-lo no futuro, estava lá: Nas pessoas queridas que perdi porque faleceram, nas que deixei por outras prioridades ou ainda nas tantas que desistiram de mim porque me amaram não sendo correspondidas.
Muita coisa está perdida, mas nem tudo. Preciso voltar ao passado e recompor o que ainda é possível. A partir de agora, deixarei um pouco de lado as conquistas, para finalmente priorizar as reconquistas. Neste momento, reconheço que pelo menos no meu caso, não há como construir um mundo melhor, e sim, reconstruir.
Uma indagação às operadoras de telefonia celular: Se meus credores me acham quando querem, por que os aparelhos de meus devedores estão sempre fora da área de cobertura?
BUSCA INSANA DA SANIDADE
Demétrio Sena
O todo veio do espaço, e nem o espaço existia. Mas ele veio assim mesmo: Da infinita inexistência, do nada ou da massa cinza que as massas pretensamente cefálicas tiraram de onde não sei. Talvez da própria loucura.
Quem sabe não veio mesmo de um Deus que não nasceu nem surgiu? Um ser que tinha espírito errante, não tinha corpo pro espírito, pairava sobre um abismo e nem abismo existia... Ou sobre as águas que desafiavam esse tal nada, essa inexistência, existindo sem existir, na fila de todas as coisas que seriam criadas. Alguém sem começo, meio e fim, sobre quem não há meio de saber, muito embora tantos pensem ter a fórmula, fôrma ou forma desse alguém.
Unamos Deus e a ciência: O todo veio de fato dessa massa cinzenta que nadava no nada quando não havia massa nem cor, mas um dia explodiu na inexistência do espaço. Deus fez a massa cinzenta e a nossa massa cefálica para não saber de nada.
Milagre é uma coisa que todo político fará quando está em campanha, mas, depois de eleito, político deixa de ser santo.
VIDA PLENA
Demétrio Sena
Cheguei ao ponto em que o ponto
já não exclama, interroga
nem salienta.
Estou em câmera lenta
e meu sorriso, meu pranto
vão ficando à meia-luz.
Cheguei ao ponto em que o ponto
faz ponto cruz.
Porque no fundo me sinto
alguém ou algo já pronto
pra dar partida.
Pois tive tudo que a vida
pudesse dar de mais vário,
agora o tempo me gasta.
Cheguei ao ponto em que o ponto
é ponto e basta.
PROFISSIONAL E MERCADO DE TRABALHO
Há na sociedade moderna uma demanda inestimável de talentos que se acotovelam em busca de uma chance. Quem quer de fato essa chance, tem que se renovar como profissional, sob pena de virar estátua. E não adianta ninguém – executivo nem artista; escritor nem atleta; médico, professor nem pedreiro – achar que sabe o suficiente para se dar ao luxo de viver dos resultados de sua estagnação, a menos que os resultados advenham de aposentadoria.
Todo profissional que se leve a sério precisa progredir como tal. Isto não sendo mais possível, quiçá viável, será bem-vinda uma troca de função (dentro da mesma área, para não machucar o orgulho vocacional nem gerar insatisfação, com vistas à infelicidade). Só poderemos nos manter no meio, se tivermos consciência de que o mercado até reconhece o que fomos, às vezes homenageia, mas invariavelmente nos contrata pelo que somos.
GROSSERIA NÃO É FRANQUEZA
À franqueza destrambelhada, que julga e condena sem o menor jeito - e por isso fere a tudo e todos -, prefiro aquela falsidade criteriosa, desgrudada e sutil.
É que o franco destrambelhado não tem ética; noção de hora, contexto e lugar. Além do mais, é franco apenas com os outros. Consigo próprio é falso, ao fazer apologia de sua maior virtude, a franqueza - que no fundo é seu maior defeito - e se orgulhar dos constrangimentos que gera em derredor.
Quanto ao falso criterioso, este pelo menos age de modo a não melindrar o próximo. Só o distante, que não tem como ser melindrado, justo por estar distante. Ter critério não lhe permite ser inconveniente, além de forçá-lo a ser bem educado; cuidadoso com gestos e palavras; discreto com tudo e todos sobre o que sente por esta ou aquela pessoa, pois sabe das saias justas que poderia sofrer por causa das línguas-de-trapo que o rodeiam, inclusive as dos francos destrambelhados, invariavelmente a postos e atentos.
Ao contrário do franco em questão, o falso criterioso - profundo conhecedor da própria falsidade - só é falso com os outros. Consigo mesmo é franco, pois reconhece que não saberia ser claro, direto e contundente sem se tornar um franco destrambelhado... Seu antônimo natural.
Em outras palavras, qualquer extremo é inconveniente; muitas vezes perigoso. Se acho que a falsidade sempre será uma praga, também não me deixo iludir por por aqueles que vivem armados de grosseria, intransigência e suas velhas certezas fora de validade, há muito mofadas, em nome da franqueza.
Eis a minha franqueza. Talvez, para muitos, com ares de falsidade, porque não a imponho. É que se trata de uma franqueza que tenta ser criteriosa e sutil.
Como só se educa se fazendo imitar, saibamos de uma vez por todas, que o ato simples de ser tem muito mais eficácia do que a canseira do ensinar com palavras.
Numa era em que a gente
Faz do amor um artigo
Em extinção,
Qualquer bicho é uma espécie
Em distinção.
Finalmente vi tu´alma. Rasguei o véu das apologias que fazes de quem nunca foste. Cá entre nós, agora que sabes que sei quem és – e quem és é uma ofensa para ti próprio – , já não podes brigar quando te xingo de ti.
Ter um marido ocioso é como criar um filho sem educá-lo para o mundo; a sociedade. É mimá-lo ao extremo; não exigir limites; fazê-lo sentir-se o centro do mundo - sem ideia de mundo real - e superior às pessoas que precisam fazer jus à sobrevivência. Em suma, um ser incapaz de compreender os valores éticos, legais e humanos dos quais um cidadão verdadeiro deve ser composto.
