Coleção pessoal de bodstein
O acúmulo de conhecimento, puro e simples, é irrelevante, já que não agrega valor algum. É feito o saber atribuído à Esfinge, que não é útil a ninguém e nem a ela mesma. O “conhecimento de esfinge”, portanto, reflete o hermetismo simbólico do histórico monumento: uma testemunha apática do tempo que não gera transformação nem crescimento – propósito maior do saber – e que existe apenas para ser vista, não para ser ouvida.
Não escrevo para massas humanas, mas para cérebros que pensam. Odiaria ter um livro meu na lista de “best-sellers”, pois meus escritos têm dois propósitos viscerais: desafiar meu próprio pensamento crítico e descobrir pérolas entre milhares de ostras estéreis. Um dia uma dessas pérolas raras topa inadvertidamente com um texto meu, e pensa nele como uma fonte escondida entre rochas cobertas de limo. É pra elas que escrevo.
Se ser mãe é padecer no paraíso, ser pai é trocar um paraíso limitado por outro tão rico em descobertas que nenhum dos dois conseguiria explorar sozinho.
Quem prima pela Justiça não temerá os próprios equívocos, mas quem quer apenas estar certo vai odiar que lhe mostrem a verdade.
SER INDOMAVEL
Sou qual cavalo selvagem: lépido, livre, indomável,
que jamais aceita freios,
Que não permite os arreios ou sela sobre a pelagem.
Sou mesmo esse ser rebelde contra antolhos
Que me imponham sobre os olhos
Direcionando-me o andar, retendo meu cavalgar…
Sou esse ser sempre arisco que não teme correr risco
Quando o preço é a liberdade…
Um ser que faz da verdade e da luta o desafio,
Que se faz sempre arredio ao menor som de chibata
Pois que tal som nunca acata, por mais que lhe custe a vida
Já que não mede a ferida
Causada na retomada da busca pela saída
Contra a rédea que o revolta,
Contra o estribo entre seus dentes
Contra todas as correntes
Que o impeçam de ser livre e correr pela campina
Sentindo o vento na crina.
Mas esse ser indomável sabe ser doce e suave
Se tratado com açúcar…
Sabe ser o mais amável, mais terno do que uma ave
Quando lhe coçam a nuca.
Ele se faz meigo e brando se não for subjugado…
E, mesmo sem ser domado, se deixa ser amansado
Ao perceber-se acolhido!
Ah! Esse ser destemido se aconchega com um afago…
Se aquieta como a imagem que se faz calma, serena,
Na superfície de um lago…
Sabe ser tal qual um servo por toda a sua existência
Se lhe passarem a certeza de respeito à natureza
De se dar sem ser servil…
E que, se houver dependência,
Que seja um acordo gentil, opcional, desejado,
Nunca subserviência…
Pois que deve ser tratado com tal zelo e consciência
Como um presente ofertado a quem não só conquistou
Como se fez conquistado.
Mas, se sentir-se oprimido sob o peso do selame
Se sentir que, de parceiro, passou a ser propriedade,
Por mais que o peito reclame, rechaça a ponta da espora:
Já ficar não tem sentido!… e bravio faz-se inteiro
Enquanto não se faz tarde! Corcoveia, rompe o reio,
Transpõe a última cerca e – pra sempre
A aparente inexistência de vinculo com um crime não significa exatamente “falta de provas”, mas apenas que o criminoso pode ter sido esperto o bastante para apagar todos os seus rastros. E é quando o acusador devera se mostrar mais cientista que juiz para focar no “horizonte de eventos”, que afasta qualquer hipótese de não vinculação.
O vicio dos elementos acusatórios só ocorre quando o juiz forja um horizonte de eventos, que sabe ser inexistente, para retirar do réu as possibilidades de provar sua inocência.
A pior prisão não é estar atrás de uma porta fechada,mas acreditar que não temos mais portas para abrir.
Habitualmente confundidos, um homem maduro não será, necessariamente, uma pessoa madura. Esta se refere a um estágio mental avançado, enquanto o primeiro diz respeito apenas ao passar do tempo, em seu sentido cronológico. O que difere uma condição da outra? A pessoa madura desponta no momento em que o homem circunstancial cede lugar ao homem de consciência.
Mente e Consciência são coisas bem distintas: a mente é tresloucada, e atende facilmente aos apelos dos sentidos. Já a consciência escolhe entre muitas alternativas antes de optar por uma. Não dá, então, tanto valor aos que criticam tuas idiossincrasias, por mais inverossímeis que se lhes pareçam: toma por referência a alegria que despertam em ti, e por critério a autenticidade conferida por tua consciência.
Mente e consciência nem sempre são aliadas. Tua mente pode ditar rumos com os quais tua consciência não concordaria. Assim, teu foco deve se voltar para tua consciência: enquanto permanecer vigilante, ela estará trabalhando contínua e diuturnamente para que a mente permaneça saudável e garanta, por extensão, a saúde de cada uma das 30 trilhões de células do teu corpo.
É bem verdade que uma enorme parcela das pessoas ignora a ciência, mas também tem aqueles para quem as próprias crenças são ciência, e todas as dos outros são crendices.
Se você não sabe distinguir uma expressão de afeto da maliciosa cantilena dos aduladores, então não faz jus à admiração genuína que lhe devotam.
Velhice é aquele momento da vida em que você passa a viver de um passado que só pertence a você, e de um presente ao qual não mais pertence.
Num primeiro momento, ao me comparar com esse mundo louco a que assistimos, cheguei a pensar: "Será que algum papa, diante do que se vê, ficaria inclinado após minha morte a me consagrar como santo?" Mas logo em seguida a realidade se impõe: "Oh, nossa! Se o fizesse estaria reduzindo as escolhas de Deus a níveis absolutamente inaceitáveis!"
Falta no corpo um botão de “stand-by”. Deveríamos poder parar tudo quando as coisas “embananam”, e mais à frente retomar o ritmo sem prejuízo pela parada, dando tempo pra nos recuperarmos do “Burnout”.
Criar é obrigação dos pais, mas não é uma “dívida” contraída pelos filhos em troca da formação que lhe deram. Se você pensa em filhos como um investimento, no qual assinam uma “nota promissória” que você vai cobrar na sua velhice, em nada se difere de um abusador que obtém vantagens negando a outrem o direito às próprias escolhas. Cuidar dos pais no futuro não é uma espécie de “pecado original” que os filhos recebem ao nascer.
Seu papel como pai foi o de supri-los antes, e preparar-se para suprir a si mesmo depois. Não veja, portanto, como obrigação que seus filhos o supram, como se fosse uma dívida hereditária. Eles não puderam escolher entre ter você como pai ou não. Receber o cuidado dos filhos deve ser uma conquista – espontânea e voluntária – e não uma retribuição compulsória.
Parafraseando Giordano Bruno, a verdade não muda apenas por que se acredita ou não se acredita nela. O importante é que todos têm direito à própria versão, independente de qual seja a verdadeira, e quando defendendo as nossas nos mostremos honestos em relação aos outros, e coerentes em relação a nós mesmos.
Tomar um grande pensador como referência para moldar a sua maneira de pensar é extremamente inspirador. Mas descobrir que em sua época ele já pensava do mesmo modo que você, é trocar a simples inspiração por um tipo de validação interna que dispensa qualquer outra.
