Coleção pessoal de areopagita

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O declínio da linguagem e a degradação do imaginário estão sempre de mãos dadas com a corrupção da sociedade e com a decadência da civilidade.

Ponto importante. Vale lembrar que os nossos inimigos nunca, nunquinha nos decepcionam; porém, algumas vezes esses lazarentos podem nos surpreender e isso faz parte da vida.

E isso assim o é porque, por incrível que parece, nossos inimigos, na maioria absoluta dos casos, não é um monstro babando ácido e vertendo sangue pelos olhos, desejando beber o que há em nossas vísceras.

Na maioria das vezes ele é apenas uma alma atormentada, tão atormentada quanto você.

Algumas vezes nossos amigos, particularmente nossos melhores amigos, pisam na bola e acabam nos decepcionando.

Detalhe: se algo assim acontecer, não fique fevoso não, porque isso faz parte duma amizade de verdade; e sua pessoinha não entende isso é porque você simplesmente é um babaca.

Um amigo, meu caro, é, e deve ser, tão somente um amigo; não um devoto de sua persona de geleia com esse seu coração tosco de papelão.

“Stálin matou foi pouco”, disse a jovem que diz lutar por um mundo melhor; “o feto não é uma vida, é um parasita no ventre da mulher”, disse o jovem que defende a tolerância e o respeito incondicional à vida; e ambos foram aplaudidos pelo rapaz que acredita ser a viva alma mais justa que há em toda paróquia, porque ele está convencido que é uma pessoa "criticamente crítica”.

Um dos traços mais soberbos que se faz presente nas teorias pedagogescas modernosas é aquela constante afirmação de que o objetivo da educação seria ensinar as pessoas a pensar. Ensinar as pessoas a pensar. Que coisa hein? Será que os caboclos que afirmam isso pararam pra matutar seriamente sobre as implicações e complicações disso? Provavelmente não. Essa gente julga-se muito "crítica" - criticamente crítica - pra fazer algo assim, não é mesmo?

No Brasil, podemos afirmar, com relativa tranquilidade, que o que se convencionou chamar de democracia, nada mais seria que a divisão de funções, papéis e, principalmente, o controle de “feudos estatais” entre oligarquias; oligarquias devidamente representadas pelas legendas partidárias que, no frigir dos ovos, não passam de ferramentas burocráticas que literalmente existem para impedir que a vontade popular possa se manifestar e, ao mesmo tempo, dar a ilusão de que o povo está sendo representado por eles, os caciques políticos e suas tribos, que cristalizam o domínio das oligarquias e sufocam a democracia. E, obviamente, qualquer um que ouse combater e expor publicamente as vísceras desse mostro multifacetado irá encontrar uma tremenda resistência; a resistência do atraso; a resistência daqueles que acreditam que são os donos do Brasil e senhores da vida dos brasileiros.

Se o caboclo se preocupa muito em causar sempre uma boa impressão, pode ter certeza que ele é um idiota.

Nos dias atuais, estamos nos tornando mais e mais incapazes de compreender a diferença que há entre um indivíduo conhecido e uma pessoa consistente.

O ponto fundamental não é tanto se devemos nos inclinar para a direita ou para a esquerda, nem mesmo se deveríamos saltar para frente ou rolar pra trás. Penso que a grande questão que devemos responder é se realmente queremos subir ou descambar de vez para a lata de lixo da história.

O nosso trabalho vale aquilo que, de nós, entregamos a ele.

A voz do velho
De tanto falar
E não ser ouvida
Resolver calar.

O velho quer parlar
Por acreditar que
Tem algo a dizer
E ensinar.

Ele acredita nisso,
Que tem algo a
Declarar, mas ninguém
Quer ouvi-lo.

Deixe-o então
Com sua rouquidão
Seguindo silente
Na contramão.

Todos os esclarecidos, e especialistas diplomados de plantão, dessa terra de desterrados, não se cansam de fazer aquela carinha de chateado e dizer que o Brasil está à deriva, desgovernado. Verdade seja dita: o nosso país está à deriva faz tempo e, qualquer um que hoje ouse tentar colocá-lo num rumo melhorzinho irá encontrar resistência, a tal da resistência, da parte daqueles que lucram com o lacre do atraso. Aliás, é mais ou menos isso o que está acontecendo, não é mesmo? E se é isso o que está ocorrendo é porque, sejamos francos, algo de certo está sendo feito por nosso país. Talvez o que o atual governo está realizando não seja o ideal; possivelmente não seja o modo mais eficaz para repaginar o nosso país, mas a nova direção apontada no momento não mais é o carreiro do brejo para o qual estávamos rumando até então e isso, por si só, já está de bom tamanho.

Uma coisa é mais do que certa: para podermos encontrar uma solução para um problema, por menor que ele seja, nós temos que, primeiro, admitir para que estamos perdidos. Que nos perdemos. Bem, em nosso triste país, todos aqueles que colaboraram ativamente, ou passivamente, no lazarentiamento do Brasil, não apenas não admitem que nos colocaram nesse atoleiro; eles acreditam, ou fingem acreditar, que sabem o que deveríamos fazer para deslazarentia-lo.

O analfabetismo funcional, por si só, já é um baita problemão. Mas, se pararmos pra matutar um pouquinho e considerarmos que ele foi cevado no correr de décadas através da aplicação inconsequente de concepções pedagógicas equivocadas, que foi utilizada uma quantidade imensa de recursos financeiros, materiais e humanos nessa empreitada, nós veremos, com tremor e temor, o quão profundo é o buraco em que nós, enquanto nação, nos metemos.

- Quem você pensa que é?
- Eu sou aquele que bebe café.
- Só isso? Nada mais do que isso você é?
-Não. Sou também aquele que passa o café.

Os gregos diziam que a sabedoria poderia ser encontrada no vinho. Bem, eu digo que a serenidade pode ser encontrada numa xícara de café.

Uma casa que exala o perfume do café é uma casa que transpira felicidade.

Nem sempre podemos contar com a companhia dum bom amigo, mas sempre podemos contar com a presença providencial duma boa xícara de café. Sem querer querendo, ela acaba por evocar a presença dos bons amigos.

Não há perrengue que não seja aliviado com uma xícara de café recém-passado.

Quando perguntamos, para uma alminha diplomada e cheia de títulos, qual livro ela está lendo e essa, desdenhosamente, responde que não está lendo nada porque, segundo ela, estaria meio sem tempo, ou que apenas lê [supostos] livros da sua área de [de]formação, francamente, essa é uma criaturinha indigna de respeito. Não há muito que dizer. Pode até merecer um cadinho de piedade, mas não merece nem uma dose - por mirrada que seja - do tal do respeito.