Coleção pessoal de AntonioPrates

81 - 100 do total de 758 pensamentos na coleção de AntonioPrates

⁠Aprendi a não valorizar os livros e as pessoas pelo preço, pelos títulos ou pela beleza da capa.

⁠O Homem é uma criatura tão estranha, tão diversa, que tem sempre uma postura muito perto da loucura e o resto é só conversa.

⁠Aos domingos a preguiça não me dá opinião sobre os que foram à missa e os que nem à missa vão.

⁠⁠⁠A verdade é uma bebida espirituosa que se entretém demasiado tempo na boca de alguns e não lhes chega a subir à cabeça.

⁠Neste mundo de vinganças, onde o homem pouco pensa, não me admira que as crianças chorem todas à nascença.

⁠A pensar eu me concentro...
E este mundo só melhora
se todos forem por dentro
como mostram ser por fora.

⁠Dizem coisas que não sentem
com palavras que não prestam
as pessoas que nos mentem
com os dentes que lhes restam.

⁠⁠Entre humanos o litígio
vem da inveja, da ganância,
e nem o maior prodígio
impede que o seu prestígio
aumente com a distância.

⁠⁠⁠É fácil resumir a história de Portugal do século XX e do início do século XXI: uma monarquia grande deu lugar a muitas pequenas monarquias, uma ditadura grande transformou-se em muitas pequenas ditaduras e a mãe do snobismo teve um ventre muito fértil nas últimas décadas.

⁠Nunca as coisas supérfluas foram tão indispensáveis e importantes como são agora.

⁠⁠⁠Anda tudo em pé de guerra
entre invejas e quebrantos,
e num afã que não se encerra
não há santos numa terra
onde todos são uns santos.

⁠São poucos aqueles que realmente acreditam nas palavras que dizem.

⁠Que Deus nos trate amanhã como nós tratámos os outros hoje.

⁠Vê sempre menos defeitos quem consegue ver as qualidades.

⁠Quem leva uma preocupação para a cama dorme com um peso nas costas.

Não é facil manter o equilíbrio num mundo desequilibrado.

⁠Na adega do Platão
anda tudo farto e contente,
há vinho pra toda a gente
a palpitar do garrafão...
Há convívio e união,
com pitéus de harmonia,
ante a branca poesia
nas árias improvisadas,
e nas talhas atestadas
tudo impera em alegria.

I
Nestas boas convivências
está o mundo aqui sentado
entre saias, rumba e fado
trovam-se estas apetências...
São diversas indulgências
a mandado do coração,
mais um copo, uma canção
sempre altiva e divertida,
- e assim se goza a vida
na adega do Platão.

II
Azeitonas de conserva,
misturadas com temperos,
e talhadas de alguns peros
ofertadas por Minerva;
há bom vinho de reserva,
que se sorve e se consente,
no gabar de toda a gente
há sempre um trinar castiço,
com bom queijo, bom chouriço
anda tudo farto e contente.

III
Após as dentadas míticas
nos petiscos que aparecem,
há os Ícaros que agradecem
o primor das santas críticas...
E nas farras analíticas
Prometeu é deus e crente,
porque não fica indiferente
aos conselhos de Japeto,
prevendo que no palheto
há o vinho de toda a gente.

IV
Mais um brinde é aviado
pelas honras de Hefesto,
arde como um manifesto
muito limpo e açucarado;
é condão todo encorpado
nos cantares de pé prá mão...
A tertúlia em comunhão
num lugar franco e elísio,
com as artes de Dionísio
a palpitar do garrafão.

V
Outro copo, mais uns migos
dão convite a outro deus,
o supremo e grande Zeus
entra em paz com os amigos,
venham outros mais antigos
ou de outra geração...
Poseidon traz o trovão
que achou por entre mares,
e com rimas e cantares
há convívio e união.

VI
Cantam Ninfas, dão-nos Graças
todo o bom e o bonito,
junto à paz de Hermafrodito
a encher de novo as taças;
há castanhas e há passas,
muitos risos e magia...
E entre a grande cantoria
este Outono é Primavera,
onde encanta a boa Hera
com pitéus de harmonia.

VII
Farinheira, vinho e bolo
para Héstia, mãe da Terra,
e até Ares deixa a guerra
nos poemas com Apolo,
o seu garbo é um consolo,
todo ele é simpatia,
como sábio que nos guia
no guião deste apetite...
E a beleza de Afrodite
ante a branca poesia.

VIII
Até Demeter está feliz
junto ao céu das talhas lusas,
bebe a meias com as Musas,
e com a bela Artemis.
Tudo o que este nume diz
sai da alma das rodadas,
e então as lindas Fadas,
sem manias ou critérios,
improvisam seus mistérios
nas árias improvisadas.

IX
Psique trinca a divindade,
Eirene sorri ao mundo,
Cronos parte moribundo
sem entrar na sociedade,
Hélios pede alacridade
pelas mesas alindadas,
com risotas avultadas
Zefiro ri do poente,
outros riem no consciente
e pelas talhas atestadas.

X
Entra Atena, emocionada,
como luz de um labirinto,
diz que vai beber do tinto
e fica até de madrugada...
Manda a deusa venerada,
tão divina e tão sadia...
A singular sabedoria
fala alto mundo afora,
e nestes filhos de Pandora
tudo impera em alegria.

António Prates

⁠Nasci ainda mais velho do que pensava, mas à medida que o tempo foi passando fui-me tornando mais jovem.

⁠Vivemos numa época em que tudo passa de moda no dia seguinte. Vivemos à pressa.

Falsas ladainhas saem sem rastilho,
outras lengalengas são sinais de fumo,
aos que neste mundo são sempre um codilho,
ou um fruto amargo, um limão sem sumo.

Ocultam na rama dúbias calhandrices,
que entre as pernadas deitam carapetos,
com picos maduros entre as pastelices,
germinando a seiva que sai dos carretos.

Depois, nos engaços do sumo perdido,
há ainda os bagos feitos por capricho,
e um coral sem nome, no mesmo sentido,
produzido a manha para cada bicho.

Mexem-se aranhóis, soltam-se as formigas,
pelo acerto a prumo dessa sociedade,
convivendo à rasca pelas vãs intrigas,
que os faz ser magros desde tenra idade.