Coleção pessoal de antoniojusto

21 - 40 do total de 135 pensamentos na coleção de antoniojusto

LUZ

A mesma luz que glorifica o teu lado lança sombra sobre o outro, mas a sombra não é a realidade inteira.
António da Cunha Duarte Justo

HERÓI
O herói que veneras tem falhas que não vês e o vilão que condenas tem virtudes que não queres ver.

PACIÊNCIA


O coração é a caverna onde a realidade como semente se demora para aprender a ser relação.




⁠

PARA LÁ DA ESPUMA DA ONDA

A verdadeira felicidade nasce da transparência. Nasce de sabermos quem somos, o que nos envolve e o que nos condiciona. Mas não basta conhecer esses limites, é preciso tentar ir além deles, com a lupa dos sentidos, da intuição e da alma. Só assim poderemos intuir a luminosidade que, como um véu, ainda os encobre. E só então trilharemos um caminho verdadeiramente nosso.
António da Cunha Duarte Justo
⁠

⁠POLÍTICA-MORAL-JUTIÇA


Na política, a justiça e a moral obedecem ao Estado e às elites que o forjam. A regra é dura; mas a única brandura possível é que os homens bons ascendam aos cimos do mando.

Sem o mal não existiria o bem, sem o bem não existiria Deus, sem Deus não existiria demônios, sem demônios não existiria forças de vontade de não ir para o desconhecido inferno..

⁠CULTURA DE PAZ

Numa cultura de paz, os conflitos resolvem-se como no desporto: vence-se, mas não se aniquila o adversário.

DISFUNÇÃO POLÍTICA
Um Estado que vive sobretudo de serviços (turismo, hotelaria, beleza) está condenado à subserviência face a países com indústria de ponta e a ver os seus governantes reduzidos a meros administradores de diretrizes e agendas externas.

DECLÍNIO
A sociedade arde e os especialistas procuram nas cinzas os fósforos já queimados.
⁠

⁠PROPAGANDA

A melhor propaganda é aquela que nos faz esquecer que estamos a ser convencidos. A TV torna-se no próprio écran.

LEITURA


Quem lê só por um livro, ou só livros de que goste, depende demasiado da própria convicção.

VERDADE E IMAGEM

A verdade tornou-se um espelho partido; cada fragmento reflete a vontade de quem o segura, e a imagem do todo é apenas a soma das nossas solidões.
No reino da imagem fabricada, o maior acto de rebeldia é ainda procurar a porta da realidade, mesmo sabendo que, para a abrir, talvez seja preciso derrubar a nossa própria imagem refletida.


⁠

Perdoa para que a mágoa não te envenene, mas não confundas a paz que conquistaste com a inocência que o outro perdeu.

⁠“Vejo a política, esquerda e direita,
a discutir a margem do rio
enquanto milhões de seres humanos
se afogam no centro da corrente.”

Em Poesia “Fotografia da Ferida” de António CD Justo

SOCIEDADE
Enquanto os do Olimpo se alimentam da claridade que fabricam, os da Névoa navegam na bruma que lhes deixam e ambos, sem o saber, são reflexo um do outro: o poder feito mito, o povo feito abstração, numa dança onde o alto e o baixo são dois movimentos do mesmo rio parado.

ELEIÇÕES


Longe do centro do poder, o voto deixa de ecoar e começa finalmente a falar.




⁠

⁠LIBERDADE

A liberdade não é o espaço onde estás, é a paisagem que carregas dentro das grades que te dão. Sou livre, dentro da prisão!

⁠ POLÍTICA NA DIÁSPORA

Não é de novos astros que precisa a astronomia política da emigração, mas da antiga gravidade da vergonha e do peso terrestre da responsabilidade.
António CD Justo

O Elixir do Poder
O poder não é uma ferramenta, é um alquimista. Ele não transforma o mundo; transforma primeiro a alma de quem o segura. O homem que toca no cetro acredita estar moldando o metal, mas é o metal que, silenciosamente, molda sua mão e depois seu coração. A embriaguez começa com o primeiro gole da ilusão: a de que se é diferente dos que estão abaixo, imune à própria corrupção. No ápice, o bêbado de poder já não ouve os gritos do vale; só ouve o eco de seus próprios decretos.

A Lei do Sonambulismo

Chamam-lhe sonambulismo: o sono é pesado e voluntário da sociedade. Não é a ignorância dos factos, mas a vontade férrea de não os ver. É o pacto não assinado: ‘Deixai-me o meu sono, e eu deixar-vos-ei o vosso poder’. Enquanto houver mais medo de acordar do que de ser governado, o ciclo alimenta-se a si mesmo. O embriagado de poder e o adormecido pela preguiça são cúmplices numa dança milenar: um precisa do outro para existir.