Coleção pessoal de antoniojusto

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⁠ POLÍTICA NA DIÁSPORA

Não é de novos astros que precisa a astronomia política da emigração, mas da antiga gravidade da vergonha e do peso terrestre da responsabilidade.
António CD Justo

O Elixir do Poder
O poder não é uma ferramenta, é um alquimista. Ele não transforma o mundo; transforma primeiro a alma de quem o segura. O homem que toca no cetro acredita estar moldando o metal, mas é o metal que, silenciosamente, molda sua mão e depois seu coração. A embriaguez começa com o primeiro gole da ilusão: a de que se é diferente dos que estão abaixo, imune à própria corrupção. No ápice, o bêbado de poder já não ouve os gritos do vale; só ouve o eco de seus próprios decretos.

A Lei do Sonambulismo

Chamam-lhe sonambulismo: o sono é pesado e voluntário da sociedade. Não é a ignorância dos factos, mas a vontade férrea de não os ver. É o pacto não assinado: ‘Deixai-me o meu sono, e eu deixar-vos-ei o vosso poder’. Enquanto houver mais medo de acordar do que de ser governado, o ciclo alimenta-se a si mesmo. O embriagado de poder e o adormecido pela preguiça são cúmplices numa dança milenar: um precisa do outro para existir.

UM ALERTA

Cuidado, ó poderoso porque até o sono mais profundo tem um limiar. E cuidado, ó povo adormecido porque quem prefere o berço à estrada, um dia acordará num cárcere que ele próprio ajudou a construir. A única magia forte o bastante para quebrar o elixir e dissipar o sonambulismo chama-se consciência desperta. Ela não vem com rugidos, vem com o primeiro silêncio em que se ouve, afinal, o próprio coração bater.

Frustração

A frustração nasce quando o desejo de mudança encontra as circunstâncias que criámos e a esperança nasce quando assumimos autoria delas!
António CD Justo

ACORDA, PORTUGAL!


O horizonte encolheu. Trocaram o mar e as estrelas, que alargam a alma, por agendas estreitas e por um comercialismo triste, sem luz própria.


Desviámo-nos do rumo. Deixámos de ser a expressão audaz do espírito que descobriu mundos para nos perdermos em figurinos alheios, longe da nossa terra e do nosso povo.


É tempo de levantar o olhar. De voltar a sentir o sal e a nocturna claridade. De reencontrar, nas ondas e no céu, a perspectiva que nos foi roubada.
Acorda

MEDO

Um povo com medo aceita quase tudo.
Um povo que pensa o seu medo torna-se perigoso
não para os outros, mas para quem vive do medo deles.

PODER






A lei do mais forte só é suspensa por força igual; o fraco é o eterno terreno de batalha onde o mais forte desafia o igual.




AMIZADE




Amizade é o lugar onde Deus habita!

A verdade não se entrega pronta.
Ela precisa da dúvida para fazer de parteira.

CULTURA E INOCÊNCIA PERDIDA



Cultura é o manto com que o homem veste a sua nudez

CULTURA

Cultura é o pano com que a humanidade cobre a sua nudez e borda nela os seus sonhos.

Também se poderia dizer que cultura é fruto da inocência perdida.A cultura é o véu que o homem tece para esconder e revelar a sua nudez.

CULTURA

Cultura é o pano com que a humanidade cobre a sua nudez e borda nela os seus sonhos.

PALAVRA E SABER

Antes da palavra existe o saber, chama antiga e sagrada que ilumina o entendimento. As palavras não criam, apenas despertam o que já dorme em nós.

PARAÍSO

O Paraíso perde-se duas vezes: por quem o nega, e por quem o cerca de doutrinas.⁠

ESCRITURAS

As Escrituras são asas, quem as transforma em cova, expulsa-se do Éden.

Limitações:



O rio precisa das margens para ter direção; o ser precisa de fronteiras para ter forma.

Não há liberdade sem resistência, nem personalidade sem delimitação.

IDENTIDADES




IDENTIDADES

Como cordas tensionadas entre pontos fixos produzem música, também nós precisamos de limites para dar voz à nossa singularidade. É precisamente através das nossas fronteiras que descobrimos a vastidão do que podemos ser.




FRONTEIRAS DO SER

Somos a intersecção criativa entre o que carregamos e o que nos cerca. Os limites não nos aprisionam, são eles que nos permitem existir como únicos.