Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
Com o Pai-do-Mato
caminho lado a lado,
da Criação Divina
ele cuida como se
fosse a própria filha,
E por ele também
me sinto protegida.
Com o Pai-do-Mato
caminho por onde
nunca ninguém
antes tinha imaginado,
Ele me livra inclusive
do teu mau olhado.
(O Pai-do-Mato é lançador,
dos arbustos é sacudidor
e da consciência alheia
que acha bonito andar
no meio da Natureza
insistindo fazer malvadeza).
Ao menor sinal teu
fico toda arrepiada
só de imaginar ser
por ti esquentada
como a mulher
escolhida para fazer
parte da tua vida,
Quando este dia
chegar será tão
animado que nossos
peitos fortes soarão,
e confundidos serão
com os Cabaçais do Cariri.
Sem sair do lugar,
sem hora e sem data marcada,
A poesia étravessia
mística que me leva
para onde eu desejo
e outros imaginam comigo estar.
Com o seu olhar de caçador
você entrou na roda
para dançar com o teu andor
caipira a Dança do Marimbondo,
Você chegou com aquele charme
maroto sem me dar desconto,
e fez o meu coração arrebatado.
Na zabumba você pendurou
a casa do danado,
Espantava o bichinho por
todos os lados,
Trocamos olhares apaixonados
e não importamos se seremos
por quem quer que seja reprovados.
Sim, dessa vez você deixou a garrafa
para equilibrar na cabeça de lado,
Sei que não dá para disfarçar,
que você está apaixonado,
que quer ficar comigo colado
e anunciar o orgulho de bem amado.
Neste mundo quase perdido
que a cabeça da gente pira,
Para viver o amor profundo
tenho certeza que chegou
a nossa tão esperada vez;
Nos meus braços você encontrará
o teu refúgio e toda a calidez,
e segura nos teus encontrarei
a sensatez e toda a magna poesia.
Não que eu não saiba
ou não queira amar,
Eu quero amar,
e no amor de verdade
não vou deixar de acreditar.
É que o meu coração
foi bastante bagunçado
sem eu ter procurado,
E chegou a hora que
não posso mais me dar
o desfrute de errar.
Aos bacamarteiros peço
de coração a boa mira,
a intervenção com saudação,
a dança, a oração e a canção.
Espero que até São João
o amor eu encontre
ou ele venha me encontrar,
E que os bacamarteiros
me acompanhem
para desta vez o alvo eu acertar.
Ninguém é obrigado a nada, mas se eu posso tentar melhorar o mundo pela via da persuasão, eu estarei sempre tentando mudar o mundo, sim!
Quem se mete
com os protegidos
do Nego D'Água,
do Minhocão do Pari
e do Pé-de-Garrafa
não sabe a ideia
que está arrumando,
Não ignore o quê
estou te avisando,
Depois não diga
que não te avisei.
O encontro das Cheganças
vem rompendo o silêncio
desta cidade romântica,
As pessoas pouco a pouco
estão aparecendo acenando
das janelas das suas casas,
Estas Cheganças nascidas
da fé e do nosso inspirado
povo que compõem
saudações ao Padroeiro
trazem o condão e a poética;
Um olhando para o outro
cumprem do mesmo jeito
o gostoso efeito de festa,
porque nossos corações
fazem música de orquestra,
e deixamos nos envolver por
este amor que a gente venera.
Por premonição vejo
o sangue de um fluindo
para as veias do outro,
Mudamos de lugar
neste Balandê Baião,
Começamos a dançar
no ritmo da sedução
até a hora do balancê
da paixão vir alcançar
os apelos do coração.
Poliglota dos idiomas
dos outros e dos idiomas
que criei mim mesma,
Vivo tentando traduzir
o quê está na cabeça.
Para não me transformar
no Arranca-Línguas
da lenda melhor mesmo
é escrever um poema.
Trancando o meu próprio
Diabo na Garrafa,
Dou boa noite para quem
é da noite e dou bom dia
para quem é do dia.
(Porque na vida tudo é nuvem).
Falar de paz nunca é demais. Falar em paz nunca é demais. Varrer o veneno da ofensa e a ironia na fala ajuda demais.
O meu nome há de ser a sua
música favorita quando menos esperar vai se pegar cantando
porque sei que o seu coração
está todos os dias embalando.
Entre Enfeitados e Mascarados
dançando com o Boi Calemba,
Sou eu a dama deste folguedo
vestida com este gentil poema.
Quando este folguedo for findado
a Lua estiver bem posta,
e sem precisar de aposta:
não me negue a serenata
amorosa de cavalheiro apaixonado.
Do centro da roda do Bambelô
ouvi você batucando,
eu tenho certeza que é amor,
Meu bonito Zambê,
O Bambelô tem o DNA
do Coco e do Batuque,
E eu te quero sem censura
e sem nenhum truque;
Você vem sem eu precisar
chamar porque colado
no meu coração é o teu lugar.
Quem controla demais é porque nada tem a oferecer ou oferecerá nada mais do que nada menos do que o Inferno.
Minha Mãezinha-de-Ouro,
nos caminhos do Brasil
profundo se a senhora
me ajudar encontrar
algum tiquinho de ouro
como prêmio desta andança,
ficarei muito agradecida;
embora seja outra a minha
verdadeira esperança.
Sabe, minha Mãezinha,
se a senhora resolver
me ajudar a encontrar o amor,
Daí sim! Eu vou ficar rica,
porque o ouro acaba
e o amor é que sempre fica.
Saúdo a Cabaceira porque
sem ela não há cabaça
para o Samba de Cumbuca,
Sem Samba de Cumbuca
eu não escuto você cantar,
E ficar sem te ouvir cantar
é a mesma coisa que deixar
de ler poesias por todo o lugar.
Do envelhecimento só tenho dois medos: medo de perder a vontade de aprender e medo de deixar de ser interessante para mim mesma.
No mais, cada segundo de vida conquistado pede gratidão e celebração mesmo de forma silenciosa.
A vivacidade intelectual é o mais importante, quando se cultiva isso penso que a exterioridade se torna um detalhe imperceptível. Pessoas inteligentes não envelhecem.
