Coleção pessoal de AlziraAquinoMendes

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Que o corpo diga a verdade
antes que a boca se arrependa.

Manual para perder o juízo
Primeiro, não apresse o desejo.
Ele gosta de ser cortejado, ainda
que finja o contrário
. Depois, escute o que não é dito: o suspiro que
muda de ritmo, o corpo que se aproxima, a mão que permanece.
Não confunda ousadia com descuido.
O verdadeiro libertino sabe
que a liberdade do outro é o que torna possível a sua própria.
Há mais prazer em conduzir uma chama que responde do que em
incendiar uma casa vazia.
Por fim, não peça desculpas por sentir.
Peça desculpas apenas se
ferir. O resto é vida ,e a vida, quando se despe, não costuma falar baixo.




Alzira Aquino Mendes.

Escrever é aceitar que certas inquietações jamais encontrarão repouso e, ainda assim, oferecer-lhes um lugar digno para permanecer.

Que cada novo caminho
te encontre com ternura,
e que a vida escreva em ti
poemas de paz e doçura.

A solidão não é estar só.


É ouvir o próprio coração
e não reconhecer
quem bate.

Seu silêncio também me toca.
Fica entre nós como uma mão.
Não sei se é medo ou desejo,
mas sei que me chama.
Aproximo o rosto,
espero sua decisão.
O amor é este lugar
onde o sim precisa ser inteiro.

A distância é uma parede fina.
Eu a atravesso com pensamento,
com lembrança, com desejo.
Você talvez nem saiba
quantas vezes chego à sua porta.
Mas quando fecha os olhos,
talvez sinta meu corpo
encostado no seu nome.

“A minha alma não cala. Ela apenas aprendeu a escolher para quem vale a pena falar.”

Eu quero você.
A frase é curta e não cabe em mim.
Quero seu cuidado e seu descontrole,
sua mão firme e sua dúvida.
Quero o homem por inteiro,
sem a máscara que o mundo exige.
E quero ser vista assim:
inteira, faminta, viva.
 

Eu te quis no inicioda manhã,
com o feijão no fogo
e o celular se nenhuma mensagem sua.
O desejo não respeita horários
nem a louça na pia.
Quase pecado, pensei.
Depois ri: pecado é passar pela vida
sem tocar o que nos chama.

Teus sussurros
brasa líquida,
vertigem de vinho
adocicando minha audição.
desce por mim
e acende, sob a pele,
uma procissão de estrelas.


Ah, não me fales de amor!
O amor, quando é puro,
ainda conserva distância.
Quero o desejo em sua forma impura:
a boca que insiste,
o corpo que reclama,
a respiração que se rompe
contra a minha.


Vem.
Que teus braços sejam laços,
que teu peito seja cárcere,
que a noite nos encontre
sem véus, sem nomes,
sem a pobre vigilância da razão.


Quero perder-me em ti
como um perfume se perde no ar,
como a lua se dissolve
no cálice negro da madrugada.


E quando o prazer
nos fizer tremer juntos,
não haverá pecado bastante
para nos condenar
porque a própria culpa,
ajoelhada aos nossos pés,
há de desejar
o que nós desejamos.


Alzira Aquino Mendes

Sou pele em alerta,
respiração aberta,
fome que aprende teu nome no escuro.
Cada aproximação tua me rasga por dentro,
sem ferir — só abrindo.

Não é pressa,
é necessidade.
Não é entrega,
é instinto.
Quando te chegas,
meu corpo se curva em silêncio,
porque deseja ser lido devagar,
linha por linha,
até que o desejo transborde
e não reste nada além de nós.

Teu olhar me despe antes da mão,
e a pele aprende a esperar.
Há um incêndio manso entre nós,
ardendo devagar, pedindo mais ar.

Meu corpo te chama em silêncio,
arqueja na beira do sim,
cada passo teu me invade,
como fome que sabe de mim.

Não me toques — ainda.
Deixa o desejo crescer,
porque quando enfim me alcançares,
não haverá retorno,
só o prazer de me perder em você.

“Meu corpo reconhece o teu antes do toque, treme de fome, se oferece inteiro, implorando para ser tomado no ritmo lento da tua vontade.”

“Teu corpo contra o meu dissolve qualquer pudor, e o que sobra é só a urgência de sentir, sem pressa, sem culpa, até perder o fôlego.”

“Seu toque acende em mim um fogo silencioso, que percorre a pele como um segredo quente pedindo para ser descoberto.”

Teu corpo pode até
tocar outro corpo
e transformá-lo
em um rio de águas claras.
Tua voz pode até sussurrar
outro nome
e também ama-la intensamente.
mas transforma-me em um vasto oceano
que na sua loucura mais suave destroi tudo, inclusive a si mesmo.

Cada toque é um feitiço que me desarma,
Um rio de fogo que na veia se inflama.
O sussurro na nuca, um frêmito leve. ⁠

Teu corpo é o mapa que eu anseio explorar,
Com a ponta dos dedos, sem pressa, a traçar
A linha secreta que a pele revela,
Onde a paixão arde e o desejo se sela. ⁠