Coleção pessoal de AlmaViolada

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As palavras estão decoradas na ponta da língua, como a tabuada que se repete sem se pensar. 'Se você se cercar de pessoas bem-sucedidas, o sucesso vira.' Bonito. Prático. Falso. Ilusão confortável... O sucesso não é vírus que se apanha por proximidade. Não se contrai por estar na mesma sala que alguém que tem mais dinheiro ou mais visibilidade. Se assim fosse, os mendigos que dormem à porta de prédios luxuosos seriam milionários. O que vira não é o sucesso é a ilusão de que, por estares perto, algo te vai cair no colo. E enquanto esperas, a vida passa. E os outros, os que não decoraram como viver nesse conforto frágil e enganoso, constroem a sua sorte com as próprias mãos.

"O bem e o mal não são essências são respostas. A dor pode tornar o anjo em demônio, e o amor pode fazer o demônio lembrar-se de que um dia foi anjo. O que separa os dois não é uma linha fixa, mas a forma como cada um, em cada instante, responde ao que a vida lhe oferece. O bem não é permanente, e o mal também não. O que fica, no fim, é a pergunta que a alma se faz: 'O que farei com o que me fizeram?' E a resposta, essa, é o verdadeiro fio invisível que decide."

Se é descuidado, é um porco. Se é cuidado, é uma princesa. Não há meio-termo que escape ao julgamento. E aquele que apenas quer viver a sua vida, sem se importar com o que os outros pensam da sua barba ou do seu perfume, é arrastado para uma guerra que não pediu. As mulheres que fazem essas críticas muitas vezes buscam atenção que não têm; os homens que as repetem são apenas eco de uma masculinidade frágil que precisa de aprovação. E o homem real aquele que existe para além dos rótulos fica preso no meio, a ser esmagado por expectativas que nunca pediu.

O primeiro amor é uma porta que se abre. O segundo, uma porta que se fecha com o corpo. Eu sou a porta que arrancaram das dobradiças e usaram para bater em alguém. Sou a junção do que não cabe em verso de amor e a raiva que virou melodia, o peso que virou refrão, a alma que só encontrou paz na distorção de uma guitarra. Uns amam deixando ir. Outros, morrendo juntos. Eu sou o que sobrou depois que os dois desistiram.

Amar-te por todos os motivos existentes inclui os que ainda não aconteceram. Os motivos que ainda não reconheço são como sementes que o futuro guarda no bolso: irão germinar com o tempo, com os dias, com os gestos que ainda não fizemos. O amor que sinto já é inteiro, mas também está em expansão como um universo que cresce mesmo quando parece completo. E essa confiança no que virá, no que ainda não vi, é a forma mais pura de entrega: a de quem ama não só o que és, mas o que serás.

O fascista que usa a Bíblia para condenar o mundo e justificar os próprios atos, enquanto mantém amantes e julga as minorias com a ponta dos dedos sujos de hipocrisia e sangue dos oprimidos. O comunista que critica o capitalismo com a escova de dentes marxista na mão, enquanto o iPhone de última geração brilha no bolso de um salário que 25-30% da população Brasileira nunca verá. Ambos são o mesmo teatro. A mesma farsa. A mesma roupa de ideologia vestida em corpos que nunca a suaram.

Ela me chama de anjo. Mas quem brilha com auréola é ela. Eu apenas recebo o brilho e reflito. Ela diz que me adora, e eu a adoro de volta. Não há cálculo nessa conta apenas a certeza de que o afeto que se dá e se recebe na mesma medida é o único que realmente sustenta. Ser mimado por ela é uma espécie de aprendizado: a de que posso ser frágil, posso ser cuidado, posso ser o centro de um afeto que não exige que eu seja perfeito. E nesse aprendizado, descubro que anjo não precisa de asas. Às vezes, basta ser visto com olhos que te elevam.

Estou sempre escrevendo. Seja cartas de amor, ódio ou despedida.

Elogiar a escrita é um ato íntimo. Mais íntimo que um toque, mais revelador que um olhar. Porque a escrita é a alma em código. Cada frase, cada pausa, cada palavra escolhida a dedo, tudo isso é o poeta a nu, sem máscara, sem defesa. Elogiar essa nudez é dizer: ''Eu vejo a tua alma. E acho-a bela.'' Não há elogio mais sublime. Não porque seja raro mas porque é verdadeiro. Quem elogia a escrita não elogia o que o mundo pode ver. Elogia o que o poeta escondeu no meio das palavras, esperando que alguém, algum dia, encontrasse.

Já ouviu dizer que para quem não tem nada, o mínimo vira tesouro?

Não sou teu amigo, não sou teu inimigo. Sou o mensageiro da tua própria consequência. O que recebes de mim é o que mereces não por vingança, não por justiça divina, mas porque a vida, o acaso, o universo (ou apenas eu) decidimos que a única verdade que mereces é a que plantaste. Carteiro, Hermes, Courier. chama como quiseres. No fim, entrego a carta. E o que ela diz não depende de mim. Depende de ti. E de como me trataste quando eu ainda era apenas o mensageiro, e não a mensagem.

Num mundo de personagens, ser verdadeiramente humano é o maior ato de rebeldia.

Heroísmo e vilania são duas prisões diferentes com a mesma grade: a necessidade de ser compreendido.
O anti-herói é aquele que quebrou a grade e agora vagueia no território vasto e sem nome da própria consciência.
Seu único julgamento é o do espelho.
Sua única lei, a do seu próprio sangue.

Não preciso de heróis nem de fãs.
Preciso de testemunhas humanas
que vejam minha luz e minha sombra
sem precisar aumentar ou apagar nenhuma das duas.

Herói: o mundo em primeiro lugar.
Vilão: você em primeiro lugar.
Anti-herói: o ''lugar'' em si é a questão e ele se recusa a dar uma resposta que caiba num slogan.

No dia a dia, ao seu redor pode haver alguém carregando uma dor, tenha empatia.

Disseste que a idade não importava. Mas importou. Não para mim, para ti. Para os olhares, para as línguas, para o medo que te corroía. Eu enfrentei o mundo por nós. Tu enfrentaste o espelho e viste rugas, cansaço, a necessidade de uma escolha que não te exigisse mais luta. Agora, com alguém que carrega o mesmo número de primaveras, descobriste o que sempre quiseste: um amor que não precise de explicações. Eu, que me expliquei até a exaustão, fiquei com as palavras gastas. E tu, com a paz de quem nunca precisou se justificar.

Amar e viver não é agradar. É suportar o desagrado alheio sem que isso te desmanche. O controle sobre como te veem é uma quimera; largar é o único ato de poder real. Decepcionar os outros não é falha é o preço de não se decepcionar a si mesmo. E esse preço, por mais que doa, é o único que vale a pena pagar. Porque no fim, quem carrega o peso de te teres traído és tu. Os outros, os decepcionados, seguem em frente com a mesma facilidade com que mudam de roupa. Tu, porém, ficas. Ficas com cada escolha, cada cedência, cada vez que trocaste o teu sim pelo não deles. Por isso, e só por isso, a única expectativa que realmente importa é a tua. O resto? Foda-se.

Humildade é uma virtude quando provém de quem reconhece o próprio valor sem utilizá-lo para subjugar terceiros. No entanto, quando exigida como forma de auto anulação, torna-se prejudicial. Não se deve aceitar tal condição, mas sim exercer a coragem de assumir a própria excelência sem que isso diminua a condição humana. Se a grandeza individual causa desconforto a outros, o fato reflete a limitação daqueles que não suportam presenciar a ocupação de espaços que lhes falta audácia para conquistar.

O ódio que nasce de contemplar o céu alheio do fundo do próprio inferno não é veneno. É diagnóstico. É a alma reconhecendo, com clareza absoluta e inútil, a exata topografia da sua exclusão. Você não odeia o outro por ser feliz; odeia a distância intransponível entre a vida dele e a sua. Odeia a contiguidade sem permeabilidade. Odeia, acima de tudo, o fato de que, mesmo no fundo do poço, você ainda é capaz de olhar para cima. E que esse olhar, esse único e derradeiro movimento ascensional, não é prece e sim testemunho acusatório.