Coleção pessoal de AlmaViolada

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Família


"O Ano Novo não os transforma; apenas os força a usar, por algumas horas, a máscara de humanidade que guardam para ocasiões especiais. A tragédia é saber que a máscara existe, está disponível, e ainda assim preferem mostrar o rosto nu da própria amargura."

O ‘Feliz Ano Novo’ é a única mentira que a sociedade permite que você grite em uníssono. Um pacto para fingir que o calendário tem poder de apagar vidas tiradas, dívidas pendentes e dor. Uma farsa necessária para que o motor do mundo, movido a esquecimento, continue girando.

O amor é um verbo de acumulação. O ódio, um verbo de subtração. Você é a soma viva do verbo que mais frequentemente conjuga.

Ódio


Volte-o para si: você será a cidade queimada, o império em ruínas.
Dirija-o para fora: você se tornará o fogo que consome tudo o que toca e, inevitavelmente, a mão que o segura.
Ódio é o combustível definitivo.
E a escolha mais importante da sua vida pode ser se você o usará para se incendiar ou para incendiar o mundo ao seu redor.

"Todos estão ocupados demais tentando parecer inteiros para os outros para notar que estão em frangalhos por dentro.Use essa informação não para desprezá-los, mas para se libertar da tirania do olhar alheio."

"Existe um plano onde tudo o que você disse é lei:
Sentimentos são inúteis como ferramentas para consertar um motor.
Perguntas são brechas por onde entra o caos.
E seguir o coração é uma rendição da fortaleza da razão.
Mas a vida não habita nesse plano.
Ela transita no espaço estreito e vasto entre a utilidade e o inútil, a certeza e a pergunta, a razão e o delírio.
O não poeta olha para esse espaço e vê apenas erro e confusão.
O poeta olha para o mesmo espaço e vê a única coisa que vale a pena ser chamada de verdade."

O ignorante, o sábio e o sensato não são três homens diferentes. São três momentos de um mesmo homem em sua jornada pelo conhecimento.

Sim, sou um tanto ruim.
Mas prefiro minha ruindade autêntica
a uma bondade emprestada.
Pelo menos assim,
quando alguém me amar,
saberá exatamente o que está abraçando: um ser intrinsecamente ruim.

A vitória solitária


A medalha foi o meu abraço de metal.
Frio, brilhante e dado por uma mão que não conhecia meu nome.

Inúmeras vezes, a porta se abriu para o teu recolhimento,
fossem males do corpo, da alma ou do pressionado bom desempenho na escola
Eu só desejei o teu bem, e em cada regresso, foi festa e contentamento,
o abraço que esperou, sempre sincero, sempre aberto.
Mas quando a minha alma vestiu o casulo protetivo por certo tempo,
buscando um porto, um silêncio para curar a própria dor,
Vi a rede social, palco de frias indiretas,
e a espera em que me puseste, desprovida de qualquer calor.
Essa é a nossa cicatriz mais funda, a cruel diferença:
Minha primavera em teu inverno, teu gelo na minha presença.

O reconhecimento dos incapazes é a censura disfarçada.
Prefiro o desprezo sincero dos simplórios
à aprovação mentirosa que mancha o que sou.
A vaia, ao menos, não pede que eu me rebaixe a ser compreendido.

Há um cárcere pior que a solidão:
É o corpo que respira contra a vontade da alma que já se apagou.
Maldito quem é dono de um coração que bate
e de um espírito que já assinou sua rendição,
sem permissão para que um silêncio definitivo
sepulte o que a vida já consumiu.

Eu sou a regra. Você foi o erro. E ainda me assombra como, mesmo sabendo disso, aceitei a exceção.

Amei como uma pergunta, exigindo uma resposta. Esqueci que o amor verdadeiro é um verbo sem objeto indireto.

Um fantasma sabe que é um fantasma.
Eu nem essa certeza tenho.
Será que fui sequer um susto passageiro,
um arrepio na sua tarde?
Ou fui como o ar que você respirou
e nunca percebeu?
Até para ser uma lembrança ruim
é preciso ter deixado marca.
E você me nega até isso:
o privilégio amargo
de ter sido uma má lembrança.
Fui o nada que nem como nada
foi lembrado.

Palavras me elevam a um pedestal.
Ações me mostram a escada: um estranho sobe, eu desço.
O tempo que você nega a um laço antigo é a tradução definitiva do meu verdadeiro lugar na sua vida.

A espiritualidade moderna é líquida: escorre pelo cano digital do cartão de crédito. Dar gorjeta no Uber é o novo ato de fé: rápido, indolor e com recibo.

O golpe trocado não dói na carne, dói no mito. É o som do ego se espatifando no chão da realidade.

Quando a história é uma farsa, o vilão é sempre aquele que a verdade incomoda.

Te exigem perfeição, mas não oferecem um exemplo perfeito.