Coleção pessoal de AlmaViolada
Heroísmo e vilania são duas prisões diferentes com a mesma grade: a necessidade de ser compreendido.
O anti-herói é aquele que quebrou a grade e agora vagueia no território vasto e sem nome da própria consciência.
Seu único julgamento é o do espelho.
Sua única lei, a do seu próprio sangue.
Não preciso de heróis nem de fãs.
Preciso de testemunhas humanas
que vejam minha luz e minha sombra
sem precisar aumentar ou apagar nenhuma das duas.
Herói: o mundo em primeiro lugar.
Vilão: você em primeiro lugar.
Anti-herói: o ''lugar'' em si é a questão e ele se recusa a dar uma resposta que caiba num slogan.
Disseste que a idade não importava. Mas importou. Não para mim, para ti. Para os olhares, para as línguas, para o medo que te corroía. Eu enfrentei o mundo por nós. Tu enfrentaste o espelho e viste rugas, cansaço, a necessidade de uma escolha que não te exigisse mais luta. Agora, com alguém que carrega o mesmo número de primaveras, descobriste o que sempre quiseste: um amor que não precise de explicações. Eu, que me expliquei até a exaustão, fiquei com as palavras gastas. E tu, com a paz de quem nunca precisou se justificar.
Amar e viver não é agradar. É suportar o desagrado alheio sem que isso te desmanche. O controle sobre como te veem é uma quimera; largar é o único ato de poder real. Decepcionar os outros não é falha é o preço de não se decepcionar a si mesmo. E esse preço, por mais que doa, é o único que vale a pena pagar. Porque no fim, quem carrega o peso de te teres traído és tu. Os outros, os decepcionados, seguem em frente com a mesma facilidade com que mudam de roupa. Tu, porém, ficas. Ficas com cada escolha, cada cedência, cada vez que trocaste o teu sim pelo não deles. Por isso, e só por isso, a única expectativa que realmente importa é a tua. O resto? Foda-se.
Humildade é uma virtude quando provém de quem reconhece o próprio valor sem utilizá-lo para subjugar terceiros. No entanto, quando exigida como forma de auto anulação, torna-se prejudicial. Não se deve aceitar tal condição, mas sim exercer a coragem de assumir a própria excelência sem que isso diminua a condição humana. Se a grandeza individual causa desconforto a outros, o fato reflete a limitação daqueles que não suportam presenciar a ocupação de espaços que lhes falta audácia para conquistar.
O ódio que nasce de contemplar o céu alheio do fundo do próprio inferno não é veneno. É diagnóstico. É a alma reconhecendo, com clareza absoluta e inútil, a exata topografia da sua exclusão. Você não odeia o outro por ser feliz; odeia a distância intransponível entre a vida dele e a sua. Odeia a contiguidade sem permeabilidade. Odeia, acima de tudo, o fato de que, mesmo no fundo do poço, você ainda é capaz de olhar para cima. E que esse olhar, esse único e derradeiro movimento ascensional, não é prece e sim testemunho acusatório.
A atenção plena aquele estado glorificado é apenas o veículo. Amar completamente é direcionar toda a atenção plena para um único objeto. Sofrer completamente é o que acontece quando essa atenção, agora aguçada ao máximo, registra cada minúscula oscilação, cada sombra, cada afastamento ínfimo do objeto. Você não sofre apesar de amar. Sofre com a resolução de alta definição que o amor obriga você a usar para observar tudo, inclusive a própria possibilidade da perda. O amor não cria a faca. Apenas a afia até que seu fio seja atômico.
O mundo não teme o tirano. Tem pena do homem que precisou se tornar um tirano para sobreviver. E transforma essa pena em ódio, porque é mais fácil odiar a consequência do que enfrentar a causa.
O maior risco do amor não é amar e ser trocado. É desmontar-se por amor e, ao ser trocado, descobrir que não se lembra mais do projeto original de si mesmo.
Eu não queria que você fosse racional comigo. Queria que você fosse irracional por mim tanto quanto fui por nós.
”Sua mentira é fraca. Sua farsa, transparente. Se não tem capacidade nem mesmo de forjar uma boa ilusão, de me fazer desejar o engano, então cale-se. Não insulte minha inteligência com uma ficção de segunda categoria. Ou me engane tão bem que eu me perca no conto, ou me enfrente com verdade. Sem meio-termo.
Família
"O Ano Novo não os transforma; apenas os força a usar, por algumas horas, a máscara de humanidade que guardam para ocasiões especiais. A tragédia é saber que a máscara existe, está disponível, e ainda assim preferem mostrar o rosto nu da própria amargura."
O ‘Feliz Ano Novo’ é a única mentira que a sociedade permite que você grite em uníssono. Um pacto para fingir que o calendário tem poder de apagar vidas tiradas, dívidas pendentes e dor. Uma farsa necessária para que o motor do mundo, movido a esquecimento, continue girando.
O amor é um verbo de acumulação. O ódio, um verbo de subtração. Você é a soma viva do verbo que mais frequentemente conjuga.
Ódio
Volte-o para si: você será a cidade queimada, o império em ruínas.
Dirija-o para fora: você se tornará o fogo que consome tudo o que toca e, inevitavelmente, a mão que o segura.
Ódio é o combustível definitivo.
E a escolha mais importante da sua vida pode ser se você o usará para se incendiar ou para incendiar o mundo ao seu redor.
"Todos estão ocupados demais tentando parecer inteiros para os outros para notar que estão em frangalhos por dentro.Use essa informação não para desprezá-los, mas para se libertar da tirania do olhar alheio."
