Coleção pessoal de alfredo_bochi_brum
À FLOR DA CASCA
A semana passou e as atividades foram muitas.
Agito no trabalho e na família, seguindo em frente, sem lamentação.
A vida nos dá provas de que só vale a pena quando movimentada, cada um no seu ritmo, mas nunca parados.
Com isso, os cabelos vão branqueando mas a alma há de manter a energia da juventude.
Na carona de Fernando Pessoa: “Quem ama não tem calma”.
A prudência é sempre salutar, mas, demasiada, inibe o progresso.
Na “beleza” da calmaria, geralmente, se escondem os perigos.
O velho provérbio malaio já advertia: “Não pense que não há crocodilos só porque a água está calma”.
Teimo em querer discordar da afirmação de Woody Allen: “Oitenta por cento do sucesso é aparecer”.
O verbo aparecer significa, no português: o ato de se mostrar, de se exibir!
Porém, o que se vê nem sempre é transparente, do latim “transparentia”, que significa conhecer através da luz.
Ousaria devolver o percentual e reportar que oitenta por cento dos holofotes iluminam a casca e relegam a essência!
Balzac disparava: "Deve-se deixar a vaidade aos que não têm outra coisa para exibir".
"O homem medíocre é uma sombra projetada pela sociedade; é, por essência, imitativo e está perfeitamente adaptado para viver em rebanho, refletindo as rotinas, prejuízos e dogmatismos reconhecidamente úteis para a domesticidade" (José Ingenieros).
Erros? São um risco pra quem age, mas a boa intenção de propósito já me basta.
Para sentir a justa medida, nunca traduzida, é necessário conhecer, buscar, experenciar, enfim, emocionar-se.
“Viver é como andar de bicicleta: É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”, dizia o sábio Albert Einstein.
Por fim, encerro parafraseando Goethe: “A felicidade mais elevada é aquela que corrige os nossos defeitos e equilibra as nossas debilidades”.
Alfredo Bochi Brum
CONCHA DE RETALHOS
Entre o fluxo e o refluxo das ondas
Muitos cascos a vagar na linda praia
Ali porém a beleza é diferente
E saltaram lascas em suas árduas rondas
Protegendo a vida sem fugir da raia
Marcas de Glória: evolução ingente!
Quanto custa e quanto vale? Muitas coisas custam muito e pouco valem; outras nada ou pouco custam e são verdadeiros tesouros.
E DE PEITO ALERTO
E lá se vem mais um aperto
E não adianta mais conserto
E parecia estar tão perto
E fico aqui boquiaberto
E insistindo em estar certo
E caminhando no deserto
E a navegar em mar aberto
E um coração a descoberto
E num futuro que é incerto
E sigo aqui de peito alerto!
Um ideal evolucionista se constrói na percepção profunda de que o máximo de ontem se tornou básico e este pode ser a ruína do amanhã.
OSSOS DO OFÍCIO
Palavras dóceis
Transforma em fósseis
Uns corpos vivos
Pouco atrevidos
São mais nocivos
Que amor bandido
Pra plenitude
Sem fala rude
Mais atitude
É decisivo!
ARTE PANDÊMICA
No alto do palco da alma
Segue o artista da vida
Poesia que acalma
Encurtando avenidas
Harmoniza a plateia
Ainda que distante
Encoraja a peleia
E permite ir adiante
Mesmo em teatros vazios
Emoção não se negue
A provocar arrepios
Pois a tua arte prossegue.
TEMPOS DE AMOR
Hoje o dia amanheceu cinzento e ardor no coração
Tudo para estar certo e o sentimento é de prisão
Prescindindo de mim na empatia de alguma dor
Tentando abrir as nuvens para o sol de um amor
Por onde quer que estejas que te aflore natural
Sem pressa se apresente para Seres imortal.
LUSTRO FUSCO
Porque será que tem que ser assim
O que era eterno vai chegando ao fim
E as culpas recíprocas têm mão só
Sem compreensão que desate o nó
Com poeira em cima do que ali brilhou
Tardia faxina que já expirou
Disputas tolas em tudo complica
Que coisa estranha no vazio que fica
Se n'algum tempo tudo foi tão pleno
Duro aprendizado: plano terreno!
ESPERANDO NA VARANDA
Afinal o que se resta?
Onde antes era pressa
Vai lonjura que é funesta
Muito mais que uma fresta
Porta aberta é o que se quer
Emoção em se rever
Esperando na varanda
Quanto mais a gente anda
Vai deixando se perder
E assim já dá pra ver
O que era bem querer
Meio assim sem perceber
Escapando pelas mãos
Esvaindo o coração.
PORTO SEGURO
Vento passa
Tempo amassa
Brisa mansa
Gente cansa
Ascende vela
Rumo a ela
Mar aberto
Prumo incerto
Sai da sala
Porto e mala
Frio no peito
Dê seu jeito
Sem demora
Vida implora.
PROVAÇÕES
Nas areias do deserto
Sem saber se longe ou perto
Ali: de peito aberto
Num escaldante relento
Escassez para o sustento
Firme ideal como alento
Sem ceder nenhum momento
Apesar das tentações
Miragem de emoções
Nas mais diversas provações
Desafios diários na aridez
Onde a Fé não perde a vez
Luz e Trevas dualidade
Sacrifício à liberdade
Para o bem da Humanidade.
RECONSTRUÇÃO
Trepidante terremoto
Não me faz perder o foco
Pé no chão eu te suplico
Em tua força eu convoco
A firmeza de estar vivo
Mais atento ao alicerce
Invocado em minhas preces
Argamassa lá de cima
Sustenta fé inabalável
Não te peço menos ruínas
Ensinamento inefável
Das cinzas à obra prima.
PRESCRIÇÃO
No teu repouso
Observo e não ouso
Exigir mais de ti
Quem me dera existir
Alguém não desistir
Firme em insistir
Num amor de plantão
Prescrito com paixão
Pra acalentar o coração.
TUDO OU NADA
E o que era tudo foi pouco
E o que parecia nada foi demais
Em um nunca uma desculpa
Negação do equívoco
Veneno e não antídoto
E num sempre acusação
Aponta erros sem perdão
No amor inanição
Atitude acanhada
Não muda o tudo e nem o nada.
CEPA FRATERNAL
Perdido qual escuridão das matas
Eis o homem que aqui ancora
Imperfeições que lhe são natas
Nesse Campo Santo cabe agora
Abrir picadas em busca da clareira
Caminho de Luz, afia bem teu facão
E no topar com alguma aroeira
Benzedura pra evitar uma "grosseira"
Segue firme no rumo da Fronteira
Escuridão e Luz, zona cinzenta
Índio taura não se afugenta
Bimbarreia tua coragem
"Com tudo" pé no chão
Apoia bem a tua base
Na segurança de um Irmão
Evoluir sempre é preciso
Sem andar na contramão
Nada te basta nessa senda
Labuta diária em oferenda
Tanto embaixo quanto em cima
O calor do malho ensina
Do Trabalho não te afastas
Pois assim reforça o cerno
É no exemplo que se arrasta
Para um Pago mais Fraterno.
(Alfredo Bochi Brum)
ALTOS E BAIXOS
Só
Solo
Solitário
Nó
Nódoa
Noticiário
Ré
Retrô
Retrocesso
Pró
Prego
Progresso
Fim
Final
Firmamento.
VAIDADE
No auge de tua beleza
Talvez você não veja
E até possível não sinta
Uma maquiagem que pesa
Que num futuro se desminta
Muito pouco à alma agrega
Vai ao chão casca formosa
E o efêmero fica ao vento
Sobram riscos grosa do tempo
Lição exemplar da natureza
Com sua formosura na leveza
Que aproveita seus momentos
Da raiz vem sua essência
E independente da aparência
O seu cerne vem de dentro.
