Coleção pessoal de alfredo_bochi_brum

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⁠AFEGANISTÃO
Afe! Gana! Estão!
A"Cabul" irmão!
Mãos pro céu em vão!
Dor que perde o chão!
Mundo em compaixão!

⁠SUSPENSO
Hoje estou propenso
Pra algo mais denso
E por isso eu penso
Melhor o silêncio.

⁠BAGAGEM
Em algum revôo sobre o Oceano
Num bater de asas do pensamento
Lá se vão os dias e também os anos
E mais se aproxima o firmamento
Ficam os sonhos e ficam os planos
Que as atitudes em algum momento
Possam realizar o que almejamos.

⁠CONDESCENDÊNCIA
No ímpeto efervescência
No caráter a transparência
Temperado pela experiência
Com uma dose de paciência
Vai em busca da eficiência
Faz prática beneficência
E suplica alguma indulgência
Belas sejam reminiscências
Lá no portal da transcendência.

⁠AQUILO QUE PRANTO
Quanto mais eu avanço
Menores são meus ranços
Cá dentro do meu rancho
Saudades eu arranjo
A vida é um gancho
Certa como carancho
Lá pelo Campo Santo
Alegre seja o pranto!

⁠CIRCUNSTACIAL
Estava pronto pro retorno
Um coração o meu contorno
E a saudade saltou do forno
A circunstância deixou morno
Foi no caminho algum transtorno
Na paciência me transformo
E no acaso eu me conformo
Mas é no amor que eu me reformo.

⁠ANDARILHO
Enquanto aqui o sol se esconde
Em algum lugar não sei onde
Já vai estar cruzando um bonde
Alguém pergunta e tu respondes
Juntos onde quer que se ande!

⁠ORELHA EM PÉ
Hoje em pé está a orelha
Fiquei mais perto das estrelas
Não sei voar como as abelhas
Estou nas asas da Centelha
Incinerando "nóias" velhas
Deixando a vida mais parelha
E embarcando as coisas belas.

⁠CONFUSORÁRIO
Quando resolvi ir embora
Até o tempo avançou hora
Pra compensar minha demora
Seguindo assim estrada afora
Renovação em cada aurora.

⁠LÁ TEJO
Queria ter um lampejo
Te emprestar o que eu vejo
Sonho de mãe pelo Tejo
Nas correntes meu desejo
Nesse corpo em desapego
Rumo ao mar e ao sossego.

⁠HOMEOPATIA
Deserta via árida
Aqui me sinto um pária
Aos imensos pecados
Vai-se um rastro de mágoas
E a vida sem nódoas
Como um paiol sem pólvora
Ao fraco apavora
Ao forte lhe devora
Mas ali sem demora
Lição doída agora
Remédio pra aurora!

⁠EXÍCIO DIÁRIO
Pode alguém dizer que é sorte
Pra que se tenha boa morte
Buscando vida em próprio corte
Lasca o vício em deporte
Não é finito nesse norte
E onde quer que se aporte
Algum exemplo te reporte.

⁠CENTELHA JOANINA
De onde vindes São João?
Pouco importa a região
Pelas águas do Jordão
Lá se viu um João Batista
No solstício de verão
Outro era Evangelista
Qual será o seu mister?
A do São João Esmoler?
Predisposto em auxiliar
Peregrinos do buscar
Qualquer deles é São João
Sejam Todos combustível
À chama do coração!

⁠SUA"SUMA"
Tu és como fina bruma
Perspicácia que é só uma
Quando a vida está lubuna
Com alegria tudo arruma
Teu dom aplaina e apruma
Simples é a tua "suma"
Grande mestre Suassuna.

⁠SURPREENDE
O verdadeiro homem entende
Que pela vaidade não se prende
Aquele que muito se defende
É comum que ao outro recomende
E talvez nem a si próprio emende
Muita Força e Luz pra quem aprende
É no silêncio que bem se empreende
Evolução que ao vulgo transcende.

⁠LENHA NA FOGUEIRA
“Deixou” de estar ao lado
Ver o “amigo” falado
Avil ao maltratado
Deu lenha ao incendiado
Junto a seus predicados
Cruel assim julgado
Que ardeu ali calado
Tal o Crucificado
Silêncio Iluminado
Com Ele Unificado.

⁠POR UM FIO
Cá no sul está frio
E na pele arrepio
Sentimento vazio
Sem falar nem um pio
O sossego anda esguio
Busca forças bravio
Desancora o navio
Mundo a fora no rio.

BANDEIRADA
⁠A vida é uma largada em que não temos o domínio sobre a bandeirada final! Mesclar controle, estabilidade e arrojo faz parte do que se pode fazer no percurso! Que possamos deixar marcados muito mais os rastros dos bons impulsos do que algum tropeço!

⁠POSITIVEI
Hora de trocar angústia
Pela força da fidúcia
No abrir de uma janela
Vai buscando o encontro dela
Tem quem pense que é sorte
Sem mirar em nenhum norte
Vida linda que fascina
Vento em sopro que anima
Ergue velas para a busca
O destino não te assusta
Em teus rastros vai avanço
E sem queixas e nem ranços
Vai assim sem perceber
Aguarda a hora sem temer
Do sinuoso se faz reto
E da base vai ao teto.

⁠VIRTUOSO CINISMO
Muitos são incisivos
Sobre o que é preciso
Num conceito nocivo
Refletindo Narciso
Em vaidoso sorriso
Ao herói consumismo
Vão jogando no abismo
A virtude de amigo
Só pensando no umbigo
Egoísmo esculpido
Coração raquitismo
Em honesto otimismo
Não se julgue o cinismo.