Citações sobre a Vida
Tua vida, uma ilusão.
Se refaça
Procure
por um pouco de graça
Em sua vida
Olhe pra si mesmo
e responda
Se o caminho que trilhais
Não estará te levando
Pra demais distante
da alegria de viver a vida
Mira-te a ti mesmo
Diante do espelho
Reflita
Se a velha receita que jamais deu certo
E o infarto constante
Aquele que vem tentando derrotar-te
a cada instante
Na curta viagem indecisa e dividida
Será que tem visto
Miragens no espelho
Em vez da mesma imagem refletida?
Isso, é você quem deve decidir
Mas...
Decida
Talvez essa existência
Seja mesmo uma ilusão
Um tanto rude
Mas, até onde se sabe
É sua ainda
Portanto
Talvez seja sua hora de escolher
A ilusão
Que mais e melhor
Te ilude
Edson Ricardo Paiva
Já pensou
Se a imperfeição
Que se enxerga na vida
E em tudo que se vê
Pode ser simplesmente
A inversão refletida
do espelho da mente
Desvendando
Que na verdade era você
Se mirando ao contrário
E que o fim
Nem sempre precisa
Ser cinza
Se ... das cinzas ao pó
E do pó ao ser vivo
O nada ecoando
No silêncio que se escuta
Pense
Que em termos absolutos
Tudo é relativo, sempre
Inclusive o pensamento negativo
Que a tudo corrompe
E que a tantos atormenta
Quando de passagem
Pela ilusão desta vida
Um novo engano
Provisoriamente eterno
E que nunca funcionou direito
E pode ser que ela
Esteja sendo vista
Ao contrário
Como a tudo que se vê
Quando a gente olha no espelho
Sem saber
Que não se olha
Sua mente somente reflete
A imagem à sua escolha
E seu ser verdadeiro
Está do outro lado do espelho
Mirando você
Viva miragem
Vivendo iludida
E vendo a imperfeição
Em quase tudo.
Edson Ricardo Paiva.
Errei muitas vezes
Nesta curta vida
Acertei também
E muito
Foi muito além
daquilo que se costuma errar
Num único compromisso vivo
Vidas, erros e acertos
Agora eu olho pra isso
Como mero visitante
Quando olha uma foto antiga
daquelas que o tempo desbota
Ao passar por elas
Mas ainda dá
Pra enxergar nos detalhes
Aquelas reles coisas
Que ninguém nota, se a vê
Essa vida rota,
incrivelmente amarrotada
Que todos tem
E eu também tive
Olhares que não dizem nada
Pobres almas condenadas
Cobrando atitudes da gente
Percebo que não houve sorte
Não se vive o azar ao acaso
Só erros e acertos
Naturais
Quando a gente realmente vive
Vê
Que alguns prazos e compromissos
Terminam
Ou chegam bem perto disso
Vem aquela sensação
de olhar a vida
Como a vê-la de cima
e com certa isenção
Com a vivência
de quem olha e se cala
Quando sabe
Que é sim, possível, aprender a viver
Mas só depois da experiência
Entende que não há como ensiná-la
Perante os próprios tropeços
Compreende o valor das coisas
Cujos preços se descobre
Após muitos desdobramentos
E o coração nada fala
Aprendeu, ainda que vagamente
Que tristeza e alegrias
São coisas que o tempo apaga
Só restam lembranças
Pouco honestas, muito vagas
da procura pela cura
de uma loucura aparente
Existente ou não
Talvez tenha sido encontrada
Pra logo em seguida
Ser novamente perdida
e nunca ... jamais
Plenamente curada
Enquanto vivos
Até que um dia percebe
Que a lição melhor aprendida
Resulta
Em saber que no final
Apesar de tudo
Tudo continua exatamente igual
E tudo que nos cabe :
Aprender que não sabe nada.
Edson Ricardo Paiva
Eu fico aqui pensando
Pra onde será que vai
E de onde será que veio
Aquilo que compõe a vida
Pois a cada instante que passa
A gente tá sempre
em meio a dois tempos
Não há nada que nos faça
Nem ir junto e nem voltar
Um dia acaba, outro começa
O horizonte sai do prumo
Os assuntos tomando outros rumos
O vento sopra, a folha cai
E qual fosse uma espécie de magia
Haverá de nascer amanhã
Outro e outro e outro dia
Sem se dar conta ou atenção
A gente vai vivendo isso
E, enquanto vivo
Nem tenta entender o motivo
Simplesmente vai vivendo
Com tristeza ou alegria
Tudo depende
Se aprendeu
A enxergar o que olha
Quando vê que lá vem outro dia
Simples e prosaico
Rotineiro e nem por isso, menos raro
Raro, porque não volta
A vida parece
Nem sair do lugar
Mas a cada uma
dessas voltas que o mundo dá
Conta outro dia vivido
Você simplesmente o vive,
mas não compreende a vida
Num momento
Está de chegada
E num instante
Está de partida
Maldito presente
Sempre a dividir o nosso tempo
Em antes e depois
Além desses dois
Há outros dois milhões
de pedaços do seu coração
Que você despedaçou
Ao tentar juntar
As peças que não se encaixam
Tamanha pressa de viver
Os dois tempos
Trocando de lado
Você perdido lá no meio
Sem saber se vai ou já veio
No âmago da questão
Se esconde o encanto, o triste encanto
Em saber que a vida existe
Mas passa depressa como um relâmpago
Um raio que cai distante e de madrugada
Sempre na hora
Em que a janela estiver fechada
E quando decide olhar
descobre que não viveu
E nem há mais tempo pra nada.
Edson Ricardo Paiva.
"A beleza sutil
Desta vida é
Saber que não existe
A certeza de nada
Mas até
Que se prove o contrário
Eu, na dúvida ...
Mantenho minha fé"
Edson Ricardo Paiva
"A vida vai passando ... o tempo continua correndo. Pode ser que as coisas não pareçam eternas, ainda bem; isso faz parte do aprendizado, pois é preciso que o tempo passe, pra que a gente perceba que só o tempo não é eterno, ele apenas corre eternamente. Se as coisas que vivemos serão eternas, se as pessoas que passam pela vida da gente, se as amizades serão eternas ... tudo isso vai depender das nossas atitudes perante a vida. Tudo isso vai depender da gente e da maneira que a gente aprender, ou não, com a passagem do tempo. Mas o tempo vai continuar correndo eternamente."
Edson Ricardo Paiva.
A vida poderia ser nuvem
Sem haver necessidade
de chover ou trovejar
Apenas dividir
Esconder o Sol
Mas deixar passar a luz
Podia ser só lembrança
Daquelas que vão e vem
E não deixam sequer saudade
Um jardim por detrás de uma grade
Daqueles que a gente viu
Mas nunca foi lá
Só olhos despercebidos
Escondidos pela cortina
Nada além
Mas não
Ela foi escolher ser vida
E como se não bastasse
Colocou meu nome na lista
Agora
Enquanto vivo
Também faço parte da busca
Descobrindo o que o tempo revela
No pouco que penso
Penso que procuram
Como loucos
Poder dar um preço a ela
Quando a coisa mais certa
Seria não tratá-la como disputa
Uma luta a ser vencida
Qualquer coisa sem sentido
Pois a vida possui um valor
Um dia você há de perceber
Que as conquistas esperadas
Não foram jamais
As mesmas que eram antes
E o rio correu, despercebido
O que era importante
Passou bem perto
Mas agora já vai, bem distante
Vai, até se perder de vista
Evapora pra formar
A nuvem que podia ser
E não é.
Edson Ricardo Paiva.
Quão grandes desejos
A gente vive nesta vida
Estariam sempre ali
Ao alcance dos dedos
Ah, se você tivesse
Acordado mais cedo!
Mas o tempo, exauriente
Faz o medo da vida
Uma constante companheira
Um dia, os dias não são mais
Tão longos bastante
Estamos mais perto da partida
Que da hora da chegada
Os desejos, reluntantes, permanecem
Vontade em conhecer felicidade
Sempre ali, francamente retraída
Eu a pude sentir entre os dedos
Se todo mundo aceitasse o que procura
No momento certo em que vê
Mas prefere o deserto profundo
E coloca entre a gente e o mundo
Na ausência que fere
Essa dor que perdura
Parece que tiveste preferência
Em ferir-me de morte
De sorte que durasse a vida toda
Dividida entre desejo e sofrimento
O espaço de um abraço
Os laços do lado oposto
Sarcasmo em cuspir-me no rosto
Hoje pensa em falar-me de ofensa
Em sentir-se ofendida
Quão grande era o desejo
Eu pude senti-lo entre os dedos
Eu queria ter sido feliz
Esta vida foi tão rude
Vida, eu te juro que fiz o que pude
E de troco, recebi tão pouco!
Edson Ricardo Paiva
Vita.
Nesta pouca vida
Quase tudo é verdade inventada
Uma grande quantidade de ar azul
Deserto suspenso, que de perto, é nada.
.
Penso ser tudo olhar da mente
Todo dia é sempre dia
de partida, chegada e olhar desatento
O mundo gira pro mesmo lado, sempre.
.
Essa vida é um castelo de cartas
Uma folha no chão
Uma pluma no vento.
.
Pluma, vento, chão , mente que mente
A gente só vê ao que quer e inventa
Quando a lente do olhar aumenta: é o nada.
Edson Ricardo Paiva.
Relendo um pedaço de vida
Escrito qual fosse
Endereçado aos Céus
Redigido em dourado
Uma longa descrição de nada
De frase em frase
O sentido das coisas muda
Depois de alguns pontos finais
Na mesma linha, ainda tentava
Enquanto a ideia era a mesma
O mesmo fôlego, depois da virgula
Um aposto
Reticências
A vida seguindo entre aspas
Navegava
Dígrafos e interjeições
Transmutanto em novas
As mesmas sempre velhas sensações
Esperanças em letras maiúsculas
O parágrafo insistente
Uma pausa a cada nova esclamação
O sinal que interroga
Uma praga que rogam
Bem querer descrito
Um mal feito
O antônimo de tudo
Transformando agora em nada
O que parecia
Tão bonito no princípio
Quem leu
Pouco soube interpretar
Lentamente
Sem sentido
Eis que surge
O último ponto final
Se fecha o livro
Livre pra prosseguir
O verbo é viver sem destino
Despedida; substantivo feminino
Sem sínteses
Nem parêntesis.
Edson Ricardo Paiva
O tempo é ferrugem
No metal da vida
A água foi sob a ponte
Um pássaro que eu nunca vi
Cantando perto da janela
Outras flores que surgem
A vida passa
Seja ela
cheia ou vazia
A lenha queima na fogueira
Ofusca a estrela lá no Céu
Um dia
de todas as estrelas que se vê no Céu
Restarão somente cinzas
Outras estrelas surgirão
Outro chão
Outros Céus
Outras vidas
Devagar e lentamente
Mas a gente nunca dispõe
de tanto tempo assim
Pra prestar atenção que nosso tempo
Diante do tempo
é nada.
Edson Ricardo Paiva.
De tudo que sei na vida
Agora eu me pergunto
O que será que sei
Das coisas que eu aprendi
O que será que seria
Se não tivesse sido desse jeito
Dos caminhos onde andei
Onde será que eu estaria
Se nunca tivesse pisado
Nos caminhos onde andei
Sobre os sonhos que sonhei
Não me pergunto nada
Pois cada um de nós
Um dia desejou estar distante
de onde queria estar
E desse imensurável tanto
de nada que assimilei
Uma quantidade enorme de perguntas
Muitas
Cujas respostas
Não sei.
Edson Ricardo Paiva.
Ando apaixonado
Não pela vida
Pois essa foi sempre traiçoeira
Não pela noite
Que me deixa só toda manhã
Também não amo a poesia
Pois esta é feita
de pensamentos, palavras
e lembranças
nas quais pouco eu penso
Eu ando apaixonado
Pelo som do silêncio
Silêncio no qual vivo agora
Que ignora a voz do vento astuto
Atento ao coração
Pois hoje
Quando ele chora, eu escuto
No silêncio das coisas que ora penso
Mando embora toda e qualquer tristeza
Mas quando a tristeza vem
Ela também chega em silêncio
Me abraça, enquanto acordado
Explica e justifica
O sentido dessa vida
Nós dois nos viramos de lado
Abraçados, não dormimos
Dormitamos
Sem ouvir qualquer ruído.
Edson Ricardo Paiva
Não sei nada
Sobre a vida
Ou sobrevida
Sobrevivo
Sobre o trigo
Sob a sombra
Sobra escombros
Sobre os ombros
Chão
Escuridão
Pão
Perdido
Sobra
Outro pedido
Sempre
Desatendido
Vida
Sobre ela
Sei
Que acaba.
Edson Ricardo Paiva
Poema de compreensão.
Na vida nada se tem
Como o ar que te escapa entre os dedos
Vai rodando a longa estrada
Um dia há medo
Em momentos, coragem
A paisagem que sumiu pela janela
Coisas boas e ruins
As pessoas
Nada que se vive
A vida vem para mal ou para bem
Mas passa
Esvaindo igual fumaça
E nada se tem ou se leva
Até mesmo as lembranças evaporam
A tudo que tive
O momento mais suave da existência
Não se leva nada
Nesta estrada estreita
Só se deixa
Nossos passos vão ficando no caminho
A gente só precisa
Aprender o que não sabe
Atentar onde pisa
Para que os passos sejam leves
E as lembranças suaves
Pois
Nessa nossa breve existência
Nada se leva
Nada se deixa
Nada e ninguém nos pertence
A vida é uma curta experiência
De cujos resultados, nada saberemos
Diferente
De tudo que se pensa
Enquanto vive
Tudo passou por mim
Mas eu nunca nada tive.
Num momento qualquer
Dessa vida
Que a gente vive
Muitas vezes sem querer
Acontece de pensar na morte
Não na morte como um final
Porém como uma mudança
A Música acabou
Troca o passo da dança
E naquele pedaço
De tempo que passou
Numa tarde qualquer, a gente pensa
Nas muitas caras da morte
Pense em tudo que matou na sua vida
Antes que a vida acabasse
O que será que você faria
Se tivesse
Pelo menos mais um dia?
Edson Ricardo Paiva.
O maior desafio da vida
É vivê-la, sendo a quem nós somos
Na maior parte do tempo
Não somos quem pensamos ser
Nem aqueles a quem
Enxergamos em nós
Como sendo a nós mesmos
Mudanças acontecem
Baseadas no primeiro pensamento
Que lhe vem pela manhã
O mundo muda num momento
Pra depois a gente ver, ou não
Que tudo ainda é do jeito que era
Sem nunca mais poder ser de novo
Do jeito que um dia foi
Pensamentos são como folhas que vem e vão
Procure olhar pra si mesmo
Com a mesma isenção de quem o vê
De longe e pelo lado de fora
Perceberá
Nossas ideias e pensamentos
Não são quem nós somos
Mas podem e mudam a vida
Sejam eles bons ou ruins
Conduzem decisões
Fazem escolhas importantes
Tudo muda
Mas você ainda
É o mesmo de antes
Mas não tem como voltar a ser quem era
Não pense ser a parede
Nem veja a si mesmo
Como sendo a mancha na pintura,
A pesca generosa
E nem o buraco na rede
Alegria, euforia, melancolia, tristeza
Um pouco de cada coisa
Do brilho do ouro à leveza do pó
Para o qual fatalmente se volta
Mas, enquanto isso
Pense nisso
Conheça-se e ame-se
Pra poder ser um milhão
Sendo sempre uma pessoa só.
Edson Ricardo Paiva.
Dizem
Que muita coisa na vida
Não vale a pena
Quando eu ouço isto
Penso nas coisas que conheço
No preço que custou-me a vida
Eu olho pra mim e pras roupas que visto
Penso em cada manhã
Que acordei muito cedo
No jeito que fui tratado
E em cada trabalho bem feito
E até hoje
Ainda não me pagaram direito
E nem sequer agradeceram
Pois conheço a fundo
A solidão e ingratidão
Com que este mundo nos paga
Penso no quanto
Eu aprendi com tudo que passei
Enxergando que cada ser vivente
Possui uma lista de coisas
Pelas quais somente ele há de passar
Pra aprender o valor
Desta vida e do seu viver
Mas somente uma pouca parcela
Descobre que essa história louca
Compensa
E no fim
Dizer o quanto ela foi bela
Pois, por mais que se escreva essa história
No final descobre
Que fizemos apenas parte
Uma pequena parte dela
Mas que viver
Valeu a pena.
Edson Ricardo Paiva
Existe alguma coisa em minha vida
Que eu na verdade
Nunca soube entender muito bem
Parece que em algum momento
Eu devia ter caído em algum abismo
Um lugar que era frio
e não cai
mas deixei por lá uma parte de mim
O difícil em conviver com isso
É que as coisas que ficaram
Eram de lá
Me acompanha o vazio
Não das coisas que perdi
Pois nada nunca me pertenceu
Me acompanha o vazio
Do espaço oco reservado a mim
De um lugar que jamais foi meu
Mas em contrapartida
Aprendi com a vida
Não mais pertencer a um lugar
Nem a nada e nem ninguém.
Edson Ricardo Paiva
Vida Flor.
A vida é o dia de uma flor
Quando a chuva aproveita
Bota as pétalas de lado, assim
Se espelhando numa poça rasa
Detalhando os seus tim-tins
Orgulhosa da própria beleza
Ajeita luz do sol
Renovando a folia
Acredita, enquanto há tempo
Tempo é tudo quanto mais havia
Quando o tempo de já não mais crer vier
Ele vem, crer ela não quer...aceita
Bota espinhos, tenta defendê-la
Tristes mãos que, porventura, recolhê-la
Assim, como um sol que renasce
E que jamais se opõe
Ao orvalho das trevas
Escolhe uma melhor lembrança e a leva
Molha-te por molhar-se
Escolhe um ramalhete pra passar teus dias
Que, por ora, ornamenta e tenta e tenta
Tanto tenta que, quando desiste
Já não sente assim, tanta tristeza
Tenta, mas aprende a desistir também
Nem jamais te arrependa de nada
Desaprenda o sorrir
Mesmo assim, depois, aprende
Rir-se de si mesma.
Edson Ricardo Paiva.
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