Citações de Filósofos
O equilíbrio de forças que inocentemente chamamos de “Bem e Mal” é algo notório na natureza e detectável tanto nas ciências exatas quanto nas biológicas. Todos buscam o bom e o belo... quando lhes é possível (sendo que naturalmente nem sempre é possível). As ações colaborativas ganham em número, mas as ações predatórias ganham em força: 1000 ações corretas podem não ter a eficácia colaborativa que repare uma única ação predatória. O esgotamento das possibilidades colaborativas levará a estratégias predatórias, e vice-versa, numa eterna busca pelo equilíbrio que nunca chegará ao fim. Porque é desta forma que se constitui o Universo que conhecemos.
A angústia é a outra face da miséria. Se a miséria nos deixa angustiados, devo lembrar que a angústia também nos deixa miseráveis.
Com tanta gente interessada em política, esta deveria progredir. Mas não progride e suponho o motivo: tal massa está de fato interessada no jogo político, não na política em si.
Enquanto o povo tiver mente religiosa, não adiantará nenhum pensador lhe dar ideias. A maioria converterá tais raciocínios em liturgia e tal autor em mito. Tem sido assim, e dificilmente deixará de ser.
Não pode haver estupidez mais pura do que julgar o outro estúpido apenas não compartilhar de seu universo simbólico.
Não quero cantarolar falsas esperanças mas vejo o veganismo como norte sem volta para a humanidade porque os argumentos estão vindo de origem bem diversa (espiritual, ética, ideológica, ambiental etc ). Nesse movimento, muito atrapalha querer que o outro seja vegano pelos mesmos motivos de si, mas isso é da natureza humana. Boicotando a desgraça dos animais já bastaria por ora, diferenças resolveríamosno caminho.
Costumo dizer que a humanidade segue uma linha natural de evolução só alterada em períodos de catástrofe. E quais são as catástrofes que mais se assomam no horizonte? Colapso de recursos e colapso do capitalismo. E ambas as hipóteses tem a tendência de reforçar o veganismo (talvez como nunca antes). Não sei se é pra 2050 ou 2300, mas exploração não tem como prosperar indefinidamente. Estamos chegando ao pico, e dele cairemos.
A crença é prima-irmã do preconceito. Bom seria que não as tivéssemos desde o início, visto que ambos só distorcem a realidade e uma vez inculcados são difíceis de remover.
A ideia de autossuficiência para um ser gregário como o humano é a falácia capitalista mais propriamente dita possível: finge trazer a verdade para lucrar em cima da infelicidade.
A maioria de nós participa simbolicamente da religião grega reformada. A crítica do fundador de cidade à religião grega e a crítica de Nietzsche a Sócrates contribuíram para o desenvolvimento dessa concepção reformada e simbólica da religião grega.
Como a fé cristã pode ser considerada fomentadora do amor quando é totalmente sua corruptora? (amar a Deus por medo do castigo, amar ao próximo esperando recompensa eterna, etc). Isto não é óbvio? A honestidade requer pequeno esforço intelectual, mas grande esforço voluntário.
O Deus e o Diabo reais (se quisermos chamar assim) não cabem em 1 milhão de páginas, mas cabem inteiramente em único ser humano.
O médico deve acalmar os sofrimentos e as dores não apenas quando este alívio possa trazer cura, mas também quando pode servir para procurar uma morte doce e tranquila.
Como se a multidão ou os mais sábios em nome da multidão não estivessem prontos a dar passagem muito mais àquilo que é popular e superficial do que ao que é substancial e profundo; pois a verdade é que o tempo parece ter a natureza de um rio ou correnteza, que carrega até nós tudo o que é leve e inflado, mas afunda e afoga tudo aquilo que tem peso e solidez.
"Pode ser que se fabriquem máquinas graças às quais os maiores navios, dirigidos por um único homem, se desloquem mais depressa do que se fossem cheios de remadores; que se construam carros que avancem a uma velocidade incrível sem a ajuda de animais; que se fabriquem máquinas voadoras nas quais um homem (...) bata o ar com asas como um pássaro. (...) Máquinas que permitam ir ao fundo dos mares e dos rios."
A compreensão humana não é um exame desinteressado, mas recebe infusões da vontade e dos afetos; disso se originam ciências que podem ser chamadas “ciências conforme a nossa vontade”. Pois um homem acredita mais facilmente no que gostaria que fosse verdade. Assim, ele rejeita coisas difíceis pela impaciência de pesquisar; coisas sensatas, porque diminuem a esperança; as coisas mais profundas da natureza, por superstição; a luz da experiência, por arrogância e orgulho; coisas que não são comumente aceitas, por deferência à opinião do vulgo. Em suma, inúmeras são as maneiras, e às vezes imperceptíveis, pelas quais os afetos colorem e contaminam o entendimento.
A argumentação não é o suficiente para a descoberta de novos trabalhos, pois a sutileza da natureza é muitas vezes maior do que a sutileza dos argumentos.
