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Apagar as pegadas do passado na esperança de seguir em frente é como tentar secar o mar com as próprias mãos. Tudo o que vivemos, os erros cometidos e as dores sentidas estão profundamente gravados na nossa estrutura. Não se trata de esquecer o caminho percorrido, mas de aprender a caminhar carregando a bagagem sem se curvar.


- Tiago Scheimann

Escrever é aceitar que certas inquietações jamais encontrarão repouso e, ainda assim, oferecer-lhes um lugar digno para permanecer.

Existe uma fome que nenhum alimento conhece. Ela nasce quando a consciência percebe que nada do que acumula consegue justificar o simples fato de existir. Desde então, cada conquista perde o sabor antes mesmo de ser alcançada. O homem continua avançando, não porque acredita no destino, mas porque a imobilidade o obrigaria a encarar o vazio sem distrações. A vida talvez seja apenas essa sucessão de movimentos inventados para evitar um encontro definitivo consigo mesmo.


- Tiago Scheimann

⁠Sábio é o pastor que conhece suas próprios ovelhas.
sfj,frases cristãs vol.10

O conhecimento é poder.
Diferentemente, o poder sem conhecimento é ruinoso.

⁠O conhecimento científico afasta o indivíduo do misticismo e do senso comum.

OLHAR DO TEMPO


Não posso, e nem quero, olhar a vida alheia, muito menos julgá-la: afinal, também tenho meu teto de vidro!
Eu observo, isto sim, o tempo que corre velozmente e me expõe nu...
A fadiga que hoje me pesa nos ombros, eu a criei. E das sementes que plantei, busco regá-las. Mesmo que não colha os melhores frutos, estarei pronto para a colheita, no tempo certo!
O tempo é o próprio jogo da vida. Rebuscar o passado requer coragem, exige nobreza; é uma questão de honra!
Ensinaram-me valores tais que me perdi neles. Não por culpa de outrem, mas pela minha própria visão tacanha sobre o mundo.
Eu vivo as ilusões que me foram ensinadas e busco aperfeiçoá-las, de modo que tudo que vejo se torne belo. Não para mostrar aos outros o caminho da felicidade, mas para provar a mim mesmo que também erro quando falho em entender os porquês da vida!
Eu ouço o despertar do relógio, e são 6 horas...
Logo mais, ouço o badalar dos sinos, e são 18:00 horas. Comprazo-me com o tempo: ele foi ajeitado em compassos lentos nos ponteiros do relógio... mas a vida... a vida passa, dando sinais de que o tempo que me resta jaz confinado neste corpo. Um corpo pueril e condenado à dor; a dor que eu não queria sentir, mas que, por consequência das horas, se desfaz involuntariamente nas veladas marcas do tempo.

Eu morro e renasço todos os dias. Eu acredito que estou bem e então eu fico.

⁠Qualquer homem pode conhecer o mundo sem sair de casa.
sfj,citações

⁠Quando uma mulher conhece um homem ela deixa de querer o moleque e quando uma mulher conhece uma mulher ela pode deixar de querer um homem.

“Foi Conhecendo Teus Abismos”



Diga-me o que queres que eu te faça,
e eu não a decepcionarei.


Não te esqueças: conheço todas as verdades que habitam em ti.
Nada me ocultas.
Nada em tua alma me surpreende,
porque antes mesmo que teus lábios aprendessem o peso do silêncio,
eu já decifrava a linguagem secreta das tuas dores.


Conheço tuas ruínas mais íntimas,
os corredores escuros onde escondes os fragmentos de ti mesma,
as memórias que perfumaste com indiferença
apenas para não admitir o quanto ainda sangram ao toque da lembrança.


Eu vi tua grandeza nos dias em que te chamaste insuficiente.
Vi tua delicadeza sobreviver em meio às brutalidades do mundo.
Vi-te recolher os próprios pedaços em silêncio,
com a dignidade trágica de quem aprende a sofrer sem testemunhas.


E ainda assim, permaneceste de pé.


Há em ti uma beleza severa, quase sagrada,
dessas que não pertencem aos olhos superficiais.
Tu carregas oceanos por trás da serenidade do rosto,
tempestades inteiras escondidas sob a elegância do teu silêncio.


Muitos tocaram tua pele,
Porém eu alcançei tua essência.
Sou o único sobrevivente em contemplar a vastidão que existe em ti sem se perder.


Porque tua alma não é rasa —
ela é abismo, catedral e incêndio.


E eu conheço cada parte tua:
a mulher que sorri enquanto desaba por dentro,
a criatura exausta de ser forte,
o coração que implora descanso enquanto finge independência.


Conheço o peso das ausências que carregas,
os nomes que ainda ecoam em tua memória,
os sonhos que enterraste vivos para sobreviver às estações da perda.


Ainda assim…
nunca vi miséria em ti.


Vi resistência.
Vi poesia tentando respirar entre destroços.
Vi uma luz indomável insistindo em existir mesmo cercada pela escuridão.


Por isso te digo:
não temas tua verdade.


Há majestade até nas partes de ti que julgaste indignas de amor.
Há uma sublime grandeza em tua vulnerabilidade,
porque somente almas raras conseguem permanecer sensíveis
num mundo que transforma dor em pedra.


E se um dia duvidares de teu valor,
recorda-te disto:


foi conhecendo teus abismos
que escolhi admirar tua imensidão.


Agora voa, borboleta minha.
Porque eu contemplei a solidão que os ignorantes, ainda presos aos próprios casulos, jamais compreenderiam.


Vai.
Atravesse céus que nunca tiveram coragem de te prometer.
Habita horizontes à altura da beleza que carregas.


E nunca mais permita que reduzam tuas asas ao medo de quem nasceu sem coragem de voar.


E quando o peso do voo cansar tuas asas,
quando desejares repousar do mundo e de suas brutalidades,
Eu estarei aqui.

"A verdadeira maestria não reside em vencer a tempestade, mas em conhecer o vento de tal forma que ele se torne o seu caminho, transformando a resistência do mundo na força do seu próprio passo."

O homem mais inteligente pode ser burro se não tiver sabedoria para administrar seus conhecimentos.

Que a dor se transforme em aprendizado e a esperança seja o alicerce para recomeçar.

A força da natureza nos testa, mas também nos ensina a valorizar a união e a esperança

Sou feliz apenas por existir, e se fosse julgado, seria absolvido por excesso de amor à vida

O amor é meu advogado, e a esperança, meu juiz.

O agora não espera, ele apenas passa, levando consigo tudo que não foi vivido.

O Capataz Querubim

Em alguns momentos da vida, cheguei perto de acreditar que a liberdade existia.

Não a liberdade vendida por filósofos, políticos ou vendedores de felicidade. Falo de uma liberdade absoluta. Daquelas que não deixam correntes, portas ou nomes para trás. Uma liberdade capaz de arrancar de um homem tudo aquilo que o prende à realidade que aprendeu a chamar de sua.

Durante muito tempo, pensei que meu maior inimigo fosse o sistema.

O trabalho.

O dinheiro.

As regras.

As expectativas.

Toda aquela arquitetura invisível que nos ensina, desde cedo, onde devemos estar, o que devemos desejar e até quando devemos chamar de sonho aquilo que alguém decidiu por nós.

Acreditei que liberdade fosse romper essas amarras.

Então passei anos tentando encontrar uma saída.

Até perceber que o sistema nunca foi o verdadeiro carcereiro.

Ele apenas administra a prisão.

O verdadeiro capataz é muito mais antigo.

Muito mais inteligente.

E, talvez, muito mais difícil de odiar.

O amor.

Demorei para entender isso.

Porque as correntes mais resistentes não fazem barulho.

Não enferrujam.

Não deixam marcas nos pulsos.

São feitas de afeto.

Às vezes têm a forma de um abraço.

Às vezes, de uma promessa.

Às vezes, de um rosto que você não consegue abandonar.

E há correntes que parecem tão quentes contra a pele que passamos a acreditar que foram feitas para nos proteger do frio.

Foi então que dei um nome àquilo.

O Capataz Querubim.

Ele não empunha chicotes.

Não grita.

Não ameaça.

Não precisa.

Ele chega devagar.

Senta ao nosso lado.

Escuta nossos medos.

Conhece nossas fraquezas.

E, quando percebe que estamos prestes a partir, simplesmente segura nossa mão.

Nunca com força.

Apenas o suficiente.

Enquanto sorri, fecha uma porta.

Enquanto acaricia nossos cabelos, reforça uma grade.

Enquanto nos faz sentir necessários, nos convence de que ficar é uma escolha.

E talvez seja.

Esse é o seu maior poder.

O Capataz Querubim nunca nos obriga a permanecer.

Ele nos faz querer ficar.

Durante muito tempo, procurei uma porta.

Uma única passagem escondida entre a razão e a loucura.

Acreditei que, se conseguisse encontrá-la, tudo faria sentido. As ilusões desapareceriam. As correntes cairiam. Finalmente saberia o que existia do outro lado.

Mas comecei a desconfiar de que não existem portas.

Existem apenas corredores.

Cada resposta abre uma pergunta.

Cada verdade revela outra camada.

E, quando pensamos finalmente ter chegado ao fim, percebemos que apenas encontramos uma prisão menor dentro de uma maior.

Às vezes, no silêncio absoluto, chego perto da liberdade.

São momentos estranhos.

As vozes desaparecem.

Os desejos se calam.

As lembranças parecem distantes.

Por alguns segundos, resta apenas a consciência olhando para si mesma, sem passado para carregar e sem futuro para desejar.

Nesses momentos, penso que talvez seja isso.

Talvez liberdade seja não precisar de nada.

Então alguma coisa acontece.

Uma memória.

Uma saudade.

Um rosto.

E eu volto.

O Capataz Querubim nunca está longe.

Ele conhece todos os caminhos de volta.

Sabe exatamente qual lembrança tocar.

Qual ausência despertar.

Qual nome pronunciar dentro do silêncio.

E talvez esse seja o verdadeiro paradoxo:

não estou lutando contra um inimigo.

Estou lutando contra aquilo que dá sentido à minha existência.

Porque, se um dia eu conseguir romper todas as correntes, quem sabe o que sobrará de mim?

Talvez a liberdade absoluta exija uma coisa que não estamos dispostos a entregar:

a capacidade de amar.

E, se para ser completamente livre eu precisar deixar de amar, talvez a prisão seja um preço pequeno demais para reclamar.

Toda liberdade cobra alguma forma de solidão.

Todo amor cobra alguma forma de renúncia.

Talvez seja por isso que continuamos caminhando entre as grades.

Não porque não enxergamos as portas.

Mas porque algumas portas dão para lugares onde ninguém nos espera.

Enquanto não descubro a resposta, continuo observando.

Não contra o sistema.

Não contra o mundo.

Mas contra a necessidade de transformar qualquer dúvida em certeza.

Ainda assim, existe uma pergunta que não consigo abandonar.

E se o Capataz Querubim nunca tiver sido meu carcereiro?

E se todas as correntes que passei a vida tentando romper forem justamente aquilo que me impede de desaparecer?

Talvez eu passe a vida inteira chamando de prisão aquilo que me mantém vivo.

Porque, quanto mais observo minhas próprias correntes, mais percebo o segredo mais terrível de todos:

nunca fui capaz de descobrir onde termina o amor e começa a liberdade.

Talvez não exista uma fronteira.

Talvez ambos sejam feitos da mesma matéria.

Talvez a diferença esteja apenas no nome que damos às coisas que escolhemos não perder.

E talvez o dia em que eu finalmente vencer o Capataz Querubim…

seja justamente o dia em que não reste ninguém para atravessar os portões da prisão.

Quando você não toma posse de nenhuma ofensa e acredita que todo mal é um livramento, você está agradando a Deus, que tudo pode, tudo sabe e tudo vê. Isso que é dar a outra face.