Chimarrão
Chimarrão verdadeiro
O meu coração é feito
das cinco regiões
do meu Brasil Brasileiro,
minha Pátria de sangue,
destino e meu amor primeiro.
Eu sou poetisa do Sul,
as minhas rimas são do Sul,
a minha poesia é do Sul,
e por entre elas vive
perpétua a América do Sul.
O meu espírito e meu corpo
são feitos das cinco regiões
do meu Brasil Brasileiro
que encontram contentamento
na Craibeira que dá sombra
e a visão sublime enfeita.
Eu sou poetisa do Sul Brasileiro
que só tem o espírito saciado
com Erva-Mate Tradicional
para o meu Chimarrão bem feito
porque a qualquer hora ele é perfeito.
Em mim moram as cinco regiões
e toda minha poesia também
mora em cada uma delas
e esperando o florescer as Craibeiras,
a hora da colheita da Erva-Mate
para que o Chimarrão de verdade
jamais falte nas nossas mesas.
Poço
Quando preparo o Chimarrão
com o Mate eu faço o Poço,
Quem conhece a vida
sabe que mais cedo ou mais
tarde para tudo tem troco,
Por isso não me permito
me render ao desgosto.
Apaixonado
Um Mate com carinho
para preparar um bom
Chimarrão Apaixonado,
Dar um beijinho atrevido
para alegrar o meu amado,
No frio não existe melhor
maneira de tê-lo aconchegado.
Chimarrão de China pobre
O gaúcho sempre teve um
coração enlaçado pelo mundo,
olhando e meditando
para o Chimarrão de China pobre
na Cuia pode ser que
o nome dele remeta a memória
do doloroso período
Imperial que foi uma época
que o povo chinês vivia
condenado a pobreza brutal,
assim esculpido na Cuia o Mate
me fez lembrar da luta sem igual.
Mate doce
Um Mate doce bem colocado
na Cuia para o meu amado,
é com este Chimarrão que vou
fazer com que ele se sinta
por mim mais apegado a cada dia,
porque amar claro que é poesia.
Meia Lua
Para encantar te preparo
um Chimarrão Meia Lua
com um Mate perfumado,
Você sabe que não resisto
mais o seu charme que tem
deixado o coração apaixonado.
Homenagem
Um Mate bem posto
é oportuno para fazer
um bom Chimarrão Homenagem independente da hora
como manda o figurino,
Agradecer a quem
merece faz parte,
porque o destino
sempre ajuda mais o caminho
de quem busca ser agradecido.
Na minha cuia de Porongo
arrumei o meu Chimarrão Estrela
para me aquecer do frio extremo,
e escrever para ti um poema
que cante como o Sabiá-Laranjeira
para quem sabe o meu amor
te encante e a gente se mereça.
Pinhão assando na chapa,
Gaita manhosa tocando
na corda do meu coração,
Chimarrão que não pode
faltar em hipótese nenhuma
nem mesmo na Festa Junina,
Porque assim é que se festeja
também em Santa Catarina.
Um perfume de Chimarrão
diiz tudo misturado com
o perfume do Pinhão Cariová
nesta Festa Junina
que vamos nos encontrar,
E quando tocar um Vanerão
você vai me tirar para dançar,
Tenho certeza que na hora
certa todo o amor você vai me dar.
Um gentil Chimarrão decorado
com uma flor de Ipê-roxo,
O conhecido vento minuano
deste Rio Grande do Sul,
O meu lenço vermelho
conforme a tradicional pilcha,
O meu livro de Versos Intimistas
e o desejo de tê-lo na minha vida.
Chimarrão ou Tereré
tradicionais sempre
e sem misturas extras,
Ambos são poemas
postos nas cuias onde
quer que se encontrem
na nossa Pátria Brasileira,
nas nossas fronteiras
e nas Pátrias irmãs
que compartilhamos
das mesmas riquezas
da América do Sul cheia de belezas.
Vale dos Caminhos da Neve
A mudança de estação,
o Pinhão cozinhando no fogão,
Com o Chimarrão na mão
em plena manhã branca e fria
na Serra Catarinense é poesia
pelo Vale dos Caminhos da Neve
indicando a coxilha do coração
para o amor vir a galope
e não conhecer mais outra direção.
O mate é o próprio campo que se faz verde seiva para nutrir de esperança o peito de qualquer vivente.
“Sobre o Frio”. O trabalho desenvolve melhor na temperatura de 27º, mas pra espantar o frio matinal, só mesmo o chimarrão a quase 70º.
Meu coração como de costume é gelado, mas ao ouvir tua suave voz, ele aquece como um fogão a lenha no inverno, acompanho de um bom mate amargo para cultivar nosso amor.
Matear sozinho não é ruim.
É um momento só meu, refletir, acalmar, pensar...
Decidir o que faz bem pra mente e o que vai ficar no coração.
Ao descobrir da tua partida, para mim, precoce, é impossível não voltar no tempo em que a juventude banhava nossos corpos e avançávamos rumo as noites de POA, ou, nos encontros em tua casa para mais um chimarrão com uísque...
André Marchiori, espero poder voltar a te encontrar, em casa, quando a minha travessia por cá também terminar.
Até já, grande amigo. Isto do tempo passa muito rápido.
Nos encontraremos na eternidade.
Enquanto o Sol não raia no horizonte, mato a saudade do meu canto, com a cuia e a bomba, misturando a água, o mate e o pranto.
