Cecilia Meireles nem tudo e Possivel
A infância é doce:
Um doce sem exagero
De um gosto saboroso
De um suave cheiro...
Quando os erros são acertos
Quando os acertos são risos
Quando a reclamação é choro
Quando um grito é um bico
Tombos são esforços
Esforços são passos
Passos é liberdade...
Inocência...
Doce infância.
Toda instituição quer funcionar como uma família, mas são poucas as pessoas que sabe valorizar o afeto e a convivência familiar.
Nada a esconder
Se sou o que sou
Tenho o que digo
E faço o que digo fazer
Se vivo o que sou!
Nada a perder
Se já vivo como se deve
Se já confesso meus pecados
Se pago o que devo.
Nada mais a esperar
Nada mais a temer
Nada mais a buscar...
Maduro estou, pronto pra partir.
DESENCANTO
Na vida se perde
Se ganha...
Envergonha-se.
Se tira vantagens
Se engana...
Se encanta.
Se sorrir e gargalha
Se chora, soluça
Se engole o choro..
Se tem esperança
Se desencanta
Se ama
Se apaixona...
Perde-se
Viver é enigmático
Mágico
Fantástico...
Sem ânimo é trágico.
Viver é conquistar
Aventurar
Desvendar o dia...
É com medo encarar a realidade.
Viver não é só respirar
É existir
É se mover
É acordado sonhar
Respirar e se inspirar.
Viver é amar
Amar é sorrir
Amar é chorar
Chorar é alegria
Chorar é agonia...
Viver é desvendar o dia
É respirar na esquina
É duvidar na encruzilhada...
É sentar na beira da estrada.
Viver é surpreender
Segregar devaneios
Surpreender a si mesmo...
Viver é guardar segredos
COISAS E LÁGRIMAS
Traze-me tristezas...lágrimas
Quando páginas são rasgadas, de bons livros;
Quando as histórias da gente são mau explicadas;
Quando as palavras são jogadas ao vento, não confirmadas.
Traze-me aborrecimentos... Lágrimas:
Quando brinquedos são levados pela enxurrada e crianças sem;
Quando vejo comida em lixeiras, e por perto gente faminta
E quando se tira o pouco de quem já não tem quase nada.
Fico em lágrimas quando... Lamento:
Quando o destino se torna incerto, por escolhas erradas;
Quando as histórias mentirosas se tornam verdades.
Quando as vinganças que não curam, são executadas
E quando a religião esconde seus Judas.
Trazem-me a garganta gritos de raiva:
Quando os bons contos são esquecidos e não mais contados;
Quando as belas poesias não são mais declamadas;
Quando os lindos poemas não são lidos em voz alta.
E jogos são perdidos por lances errados.
Essas coisas deixam-me
De coração apertado, espremido;
Mãos suadas e alma angustiada.
COISAS DE DONO DO MUNDO
Há dias em que acordo poderoso
Parece que tenho o globo nas mãos;
Esse dia vivo com a intenção
De ser o dono do mundo.
Mas há dias em que acordo com medo do desconhecido;
Sinto raiva do que Deus permite;
Eu amarro os demônios, desdenho-os;
Piso nas tentações e xingo os anjos.
Entretanto, no dia em que acordo de boa:
Tenho o humor à flor da pele;
E oro agradecido por ser cheio de vida.
Faço projeto e traços novas metas.
Então, agradeço a Deus da alma...
Por ser um humano completo
Frágil...
COISAS DE MENINO DE RUA
Um menino de rua pode ser doutor?
No meu tempo podia..
O menino de rua era o dono do lugar;
Ele podia ser o que bem queria.
O menino de rua no meu tempo:
Tinha termo, se divertia;
Tinha vida, sorria e gargalhava;
Tinha casa e cama macia.
O menino de rua no meu tempo
Ia pra escola, fazia fila;
Cantava o hino nacional;
Jurava devoção à pátria mãe.
Memorizava as cores da bandeira;
Rezava de mãos posta no peito;
Chorava e não se envergonhava...
Pois, amava a pátria que nasceu.
O menino...
usava uniforme azul e branco,
Meias brancas, branquinhas,
Conga azul ou kchute preto...
No pescoço tinha uma gravata.
Fui menino de rua...
A mãe sabia, o pai espiava sisudo;
A vizinhança sentada na porta da casa
Da meninada, cuidava.
Menino de rua do meu tempo...
Se quis virou doutor, professor, jogador
Por isso sou poeta ...
Em versos escrevo história.
DIA DE COISAS
Há dias que ninguém nos ouve,
Por mais alto que se grite;
Há dias que por mais que se mostre:
Ninguém nos ver;
Há dias que por mais que se corra,
Parece não se chegar a lugar nenhum.
O que parece ser um dia ruim,
É o dia, um dia qualquer;
Apenas um dia diferente na vida da gente.
É apenas um dia em que requer:
Mais esforços, mas atenção:
De se considerar o que quer:
Grita-se: quer ser ouvido, no quê?
Mostra-se: quer ser visto, por quê?
Corre-se: busca algo importante?
Há dias que parece de coisas
Dia de decisões,
Dia de escolhas,
Dia de sentenças,
Dia do juízo final...
Mas a coisa que vale a pena, é viver!
COISA DE GENTE DIGNA
Há aqueles que o mundo não é digno,
Aqueles que pouco dizem e se dizem é inaudível;
Aqueles que pouco reclamam e só veem favores.
Aqueles que esquecem de si mesmos, em causas
E por outros se entregam em troca de nada.
Há aqueles que em meio a uma multidão,
Que não se nota, passam despercebidos
Pois não buscam a glória;
Não buscam a fama e o status.
São e querem ser apenas, o que são: humanos.
Estes que não são copiados, não são interessantes;
Não tem uma marca, não são lembrados;
Não ocupam páginas, não são contados;
São e querem ser sempre o que os outros veem.
Nada exigem, nem o respeito e nem a honra.
Nascem, crescem e andam entre nós,
Fazem muitos, transformam gente,
Mudam a história e muda o rumo do mundo.
São por muitos amados, por outros odiados.
Tem seus tempos curtos e estão sempre ocupados
Parecem fazer valer, cada dia de vida.
Ou percebem que tem os dias contados.
Confunde-nos se são anjos, enviados;
Se são seres encantados, missionários;
Mas dos seus jeitos mudam o mundo
E se vão como chegam, sem serem notados...
COISA DO DIREITO DE SER
Há tempos que se deve ser para outros,
O que elas querem que se seja, é acordo
É respeito, é por um tempo;
Sempre se é, o que se quer ser!
Será perda de energia se não for...
Calo-me para não desperdiçar-me;
Sou a resiliência, sou multiforme...
Discutem, discordam e insistem, logo se vão!
Volto sempre a ser eu, quando estou só;
Volto a ser eu quando estou pensando;
Volto sempre a ser o que gosto de ser.
Volto a ser eu quando encontro pessoas que amo;
Volto a ser eu , perto de quem sabe quem sou
Volto a ser eu, quando durmo, reinvento-me!
COISA DO TEMPO
Pensa-se: só hoje importa!
Ontem não existirá jamais.
Amanhã talvez nunca chegue...
Sempre se espera e ele nunca vem!
O que fazes hoje ?
Recordarás com alegria?
Tempos bons, boas aventuras...
Recordarás com remorsos ?
Ou coleciona erros e loucuras...
Na sorte de ontem terás saudades,
Se fez muitos amigos, sorrisos...
Viveu bem todas as fases, celebrar-se-á...
Envelheceu, cuidou e aproveitou cada dia.
E na sorte - agora curte o tempo restante!
OPORTUNIDADES NAS COISAS
Oportunidade se agarra, nunca se pendura;
Algumas quando não voltam, lamenta-se
Talvez não seja a mesma, quem se importa?
O bom mesmo é que mesmo passando,
A vida continua..
Oportunidade é boa...
A pequena é demais para alguém,
Vem o desdém...
A grande não vem para ninguém,
Se vem, é para tão poucos...
A perdida, essa é sempre boa para todo mundo
E há muito tempo se foi,
Pensou, passou e na mente pesou.
DEPENDÊNCIA DAS COISAS
Que se dite as inúmeras regras,
Que se achem os jeitos certos, mágicos...
Nem sempre valerá para todos, serão erros?
Somos todos diferentes, se é gente!
Ainda que grite os mandamentos;
Que os repita de dia e de noite,
Mas só o impacto na alma,
Fará - se abraça-los...
Ou será a carência?
Que se escreva os melhores livros;
As mais melancólicas histórias de amor.
E os mais quentes romances,
Mil e uma estórias de terror.
Cada qual sabe o que sente...
É incerta a dependência das coisas
É repentina,
É eterna...
RESPEITO PELAS COISAS
Não me incomoda o incômodo;
Sei aonde é meu lugar no mundo.
Atiro-me só no que espero e quero,
E esmero-me para ser o melhor humano.
Se o meu lugar no mundo incomoda,
Peço, não se preocupe, a ocupação é breve.
Um tempo e já não sou...
Num estalar de dedos e já não estou.
A vida é breve...
O tempo corre e voa;
Muitas coisas passam, e já não voltam mais;
De outras que ficam, nada é demais.
Não me incomoda o incômodo;
Sei onde é o meu lugar ao sol...
Sei também aonde é o lugar das coisas
Pra ficar peço licença!
A PAIXÃO DO POETA
O poeta é apaixonado, é vidrado na vida;
Por cada dia e todas as noites.
Pelas horas que escreve suas poesias;
Pelas letras que usa nos seus versos;
Pelas palavras que formam suas frases
E por tudo que o inspira viver.
É apaixonado pelo branco do papel;
Pela pena e tinta preta.
Pela luz da vela de noite,
Pela claridade que entra pela janela durante o dia,
Que ilumina a sua escrivaninha.
É apaixonado pela sua musa inspiradora,
Por sua história de amor.
Por seu mundo e sua gente;
Pelos que estão sentados na praça à tarde
Pelos transitantes da rua.
A paixão do poeta é por tudo:
Tudo de bom que existe;
Por todas as coisas que consegue ver,
Pelas sete cores do arco-íris
E por sua cor preferida, o verde.
- MORTO DA SILVA
Não sei para quem faz algum sentido, morrer?
Pelos menos aos que ficam.
Aos que se despedem da gente...
Depois que a gente se vai.
Parece que tanto faz, pois, já se foi.
Nunca mais querem nos ver.
Engraçado? Mesmo dizendo que amam.
Que amam aquele que se foi não o quer mais...
E preferem morrer de saudades.
a tê-los por perto, uma vez, que já se foi.
Morrem de medo da ideia de desenterrando
Não se encontre os ossos.
Morrem de medo de se ter saído do túmulo
e voltado para casa;
Onde não se será mais bem vindo.
Se estiver vivo se morre de medo dos mortos;
Se estando morto, se mete medo nos vivos.
Ainda que não se faça nada, estando morto.
Que se pareça está todo o tempo ali deitado,
Parado...sem piscar.
Morto da Silva!
Se com a primeira cicatriz, não se aprendeu, que se tenha mais narvalha na carne, e sangrar seja a sorte.
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