Cecilia Meireles nem tudo e Possivel
O nosso Amor
Acho que o nosso amor nasceu assim:
Eu te olhei e não liguei.
Sua voz me irritou...
Suas gargalhadas estrondosas e altas,
Fizeram-me te evitar.
Teu jeito de menina descabelada;
Teu jeito de andar moleque;
Tuas traquinagens sem limites;
Tua raiva de maruá...
Era para mim muita regatada.
Mas, porquê não deixei de te observar?
O tempo passou, você cresceu;
Para mim era a mesma:
A mesma que evitei.
Sempre observei.
Reprovei.
A mesma cara,
o mesmo cabelo,
as mesmas gargalhadas,
e as mesmas traquinagens.
Descobrir porque sempre te olhei:
Te amei desde de que a conheci;
Só não dei ouvido ao meu coração.
Você deu o troco, pondo meu coração à provas.
Não te esqueci.
Meu amor não morreu, apenas se escondeu.
Quero você, como na infância, por toda a vida.
Chega, chega de experiências com o nosso amor.
É verdade que este amor nunca vai morrer.
Eu te amo...
SEM NADA
Pernas bambas, frouxas;
Nó na garganta, esganado...
Coração apertado, falta de ar;
Engasgado com palavras.
Saudades de tudo, sem ter a falta de nada...
sabendo o significado da vida,
mas vivendo sem sentido;
Dono do destino...
E agora dono de nada.
Aos olhos do mundo, radiação.
E os dias são vazios...
Mil ideias na cabeça.
E nada que encanta a alma.
Amado, amando...
Ainda assim o vazio.
Cansado do caminho, do pé na estrada,
dos versos, das rimas.
Cansado da procura na vida...
Sem sentido válido.
A música que toca insistente,
e não embala, não marca os passos;
Nem fixa na mente, não diz nada.
Gente que grita, vende de tudo...
Nada que supre,
nada que mata a fome,
nem sacia a sede.
Um tudo que não é bastante.
O dinheiro não compra o que se procura, a felicidade...
Uma eterna busca, e às vezes, tateando se procura.
- MEDO DO MEDO
Todos os dias eu sigo um caminho.
Por trieiros novos e as vezes por calçadas velhas;
Enquanto ando percebo portas fechadas...
E janelas abertas... Sinto o cheiro do medo.
Vejo pessoas que me espiam...
Pessoas que olham para a rua
E parece que se escondem de tudo...
Outras vezes, parece que buscam inspiração para a vida.
Eu passo devagar, tento adivinhar o que sentem...
São prisioneiras de seus próprios medos?
Ou os seus medos são só do mundo?
Janelas que se abrem e fecham todos os dias;
Por trieiros novos e calçadas velhas.
Ando logo que o dia começa...
Também tenho meus medos;
Não é o medo do mundo.
Sinto o medo de me tornar prisioneiro dos meus medos.
SEM DESCULPAS
Ah, morte...
Não se acanhe sempre te esperei.
Não quero justificar...
Se é a hora?
Não quero desculpas para a causa.
Não é ruim, ter que morrer...
Acho difícil é não ter existido;
Ou existido sem ter vivido.
Meu medo, não é por partir.
Tenho medo da despedida;
Tenho medo da dor, dores fortes;
Minhas lágrimas ardem...
Medo de deixar os meus amores.
Ah, morte...
Chorei a vida inteira...
Pelas palmadas, perdas e amores.
Nunca me com acostumei com a vida;
Existi, vivi e amei...
Nunca deixei de sofrer...
Chorei as lembranças das perdas;
Chorei diante das bruscas mudanças...
Até chorei de alegria, a alegria também doía.
MULHER
Um mundo complexo,
Segredos e mistério sem intenção;
Um mundo desconhecido, à vista,
Um mundo surpreendente.
Decidindo ser feliz, cria os meios;
Se quer mudar a historia, virá a página;
Tem argumentos, se diz inocente, a culpa é de outro;
Encontrá-la como esposa é como procurar tesouro.
Depois de amá-la profundamente,
Perde-la é deprimente, tristeza.
Mulher é flor de laranjeira...
É dama da noite, perfumes e arranjos...
É lágrima de emoção, dor, saudades;
Usurpadora, dona de corações e invasora da alma.
OLHAR PELA VIDRAÇA
No olhar pela vidraça a minha visão embaça;
Dos outros enxergo somente as proezas.
Não atino as mazelas;
Coloco-me de costa a minha realidade
E a vida fica sem graça!
Pela vidraça há sempre uma ilusão lá fora
E o medo pelo lado de dentro.
Pela vidraça não ouço soluços,
Não percebo as lagrimas
E não escuto os lamentos.
Pela vidraça penso:
Que vida boa o vizinho tem?
É bem melhor que a minha...
Cria-se as ilusões, as fantasias.
Mas não se pode medir uma dor
Alojada no coração.
ASSIM É QUE É BOM
Comer apressado um churrasco mal passado;
Uma ideia entre amigos com vaquinha magra.
Pedaços contados, porções marcadas,
E atentamente vigiadas;
Assim é que é bom!
Levantar cedo, mesmo assim se está atrasado;
Vestir as roupas às avessas...
Na pressa se veste cuecas por cima das calças;
Calçar sapatos com pé para o mato;
Meias de cores diferentes, de pé trocado;
Assim é que é bom!
Vestir a calça apertada muito ligeiro:
Fechar o zíper na pele errada;
Perder mais tempo, pois é difícil a decisão,
E nem se tem a coragem de puxá-lo,
Nem para cima e nem para baixo.
Assim é que é bom!
Tomar café apressado que de tão quente fumaça,
Deixa o copo trincado;
Num gole só, se manda para dentro,
Pois, se está no limite do tempo,
Só ai se sente, que se fez a coisa errada,
Depois de se ter a língua queimada.
Assim é que é bom!
Pegar um trânsito engarrafado,
Chegar no serviço atrasado...
Encontrar o chefe na porta plantado,
Balançando o pé e a cabeça
E confirmando o que já se sabe.
Assim é que é bom!
Enfim, todo mundo passa por isso:
Não tem escolhidos;
Não se têm melhores...
Em situação de gafes, micos e embaraços.
A vida continua aos trancos e barrancos.
Num dia acontece de tudo,
N'outro não acontece nada.
Assim é a vida, é com a gente, é com o mundo.
Assim é que é bom!
Um dia as coisas mais simples e insignificantes que se faz hoje, serão os desejos ardentes de amanhã.
A DOR POR AMAR
Se nunca percebeu que amar dói...
Então nunca amou alguém de verdade;
Se a ausência do amado não te traz
uma certa inquietação, uma eterna espera,
não é relevante o teu sentimento.
Se saudades não sente...
Um vazio no teu peito não arde?
então não digas juras de amor.
Se não amas com medo da dor,
se arrasta-te nas margens vida,
vegetas e já não vives...
E jura que os teus dias não tem cores,
e sua vida é vazia por amar:
Pois, ainda que sinta dores por amar:
Amar vale a pena.
Se fugires da dor, se foges de amar...
É desistir de viver;
Pois no fim se descobre que
amar é indispensável à vida;
Pode-se fugir, esconder-se...
Inventar-se mil desculpas,
mas sem sofrer a dor por amar a vida não tem graça.
AMAR É O QUE IMPORTA
Não importa a flor, que trazes;
Não importa a cor da flor, se é vermelha;
Não importa o valor, se foi caro...
O que importa então?
Amar!
Não importa a mensagens que declaras;
Não importa o conteúdo do bilhete que escreve;
Não importa o desenho de coração no cabeçalho e rodapé;
Não importa o perfume destilado no papel.
O que importa então?
Amar!
Não importa as loucuras de amor que fazes;
Não importa os sacrifícios convenientes;
Não importa as tuas juras inerentes;
Não importa se estás de joelhos no chão;
O que importa então?
Amar!
Não importa imitar os contos de fadas;
Não importa simular a vida toda num dia;
Não importa ir morar num palácio;
Não importa viver de fantasia;
O que importa então?
Amar!
POLITICAGEM
O cúmulo da hipocrisia é se valer da desgraça de uma pessoa, para denunciar suposta negligência de outra e daí tirar o status de bondade, de humanista.
Quero chegar a um nível
De ouvir com os olhos,
De ver com os ouvidos
De perceber com o coração,
De sentir com a razão,
Porque nem tudo que se ver,
Nem tudo que se ouve,
E nem tudo que se sente é...
Quero viver na razão,
Na minha razão de viver.
Entre a formalidade com falsidade, é preferível a neutralidade. Pelo menos, em silêncio seus sentimentos pertencem só a você.
Cale-se antes que os outros emudecam perto de você ou se façam de surdos, por não quererem mais te ouvir.
MEU SILÊNCIO GRITA
Oh silêncio ensurdecedor!
Oh burburinhos que vem da alma!
Quando os pensamentos ardem dentro crânio;
Quando os verbos são alfinetes na boca;
E as palavras ferem mesmo sem serem ditas.
Quando se entra falando, mas mudo;
Quando se sai mudo, mas se sai gritando;
Quando os passos criam
O som de um exército.
Quando os olhos discursam,
Elaboram sermões
E lança m rajadas de verbos.
Quando minha inteligência dar conselhos
Conselhos de vida abundantemente.
E a felicidade não vem com regras
Mas na cautela de ser.
Quando os conselhos são rejeitados
Como se fossem insultos...
O meu silêncio grita...
Grita os gritos dos acertos
Nas experiências vivenciadas.
É o barulho que sei fazer
Diante da insanidade de gente
Que quer ser feliz na dependência do outro.
Silêncio... silêncio
Bendita felicidade
Ah, a felicidade! Pensada e repensada desde o travesseiro até a mesa redonda...
Desejada mais que tudo, desde a alma até o estômago...
Buscada incansável todos os dias, desde os trabalhos forçados até as grandes celebrações...
Confundida com as grandes emoções, desde da alegria de uma conquista até a aceitação do terceiro lugar e de uma derrota...
Entendida no bastante da existência, dos contados dias vividos, de todas as experiências de vida...
Estendida desde as lágrimas pelas palmadas pra se respirar, até às últimas das despedidas...
Quando tudo faz parte da vida; Quando o dia é apenas o dia, tanto um como o outro; Quando os gestos são vontades e fatos; Quando a humanidade é a humanidade; Quando a eternidade pertence ao divino; Quando amar é desejar e empreender o melhor... Enfim a felicidade, bendita felicidade.
Talvez, se é feliz e não se sabe!
A arrogância e a ignorância são características de quem está perdido dentro de si mesmo, está sempre armado sempre contra o mundo.
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