Casa sem Teto
O dono da casa onde moro precisou realizar uma obra, o que me impedirá, por um tempo, de aproveitar a parte da casa de que mais gosto: o lugar onde faço minhas leituras, descanso e relaxo a mente. Por isso, precisei mudar algumas coisas de lugar.
Enquanto organizava meu cantinho de leitura, que é tão importante para mim, deparei-me com esta imagem.
E foi ali, em meio a algo tão simples, que enxerguei o cuidado de Deus. Percebi o quanto Ele prepara até os mínimos detalhes quando estamos dispostos a nos entregar aos Seus cuidados.
Pode parecer algo bobo, pequeno demais para ser mencionado, mas meu coração reconheceu, naquele instante, a imensidão do amor de Deus. Porque, às vezes, Ele nos lembra de Sua presença não por meio de grandes acontecimentos, mas nas pequenas coisas, naquilo que muitos talvez nem percebam, mas que, para nós, carrega um significado enorme.
Obrigada, Senhor, porque, mesmo em meio à minha fraqueza e sem merecimento algum, o Senhor continua cuidando de mim. Até nos detalhes mais simples, o Teu amor me alcança e me lembra que nunca estou desamparada.
Que eu nunca perca a sensibilidade de reconhecer a Tua presença nas pequenas coisas. Amém.
“A beleza á passageira, por isso que o casamento é temporário, mas quem se casa pela janela da alma sabe o que é a eternidade”.
"A mulher que não sabe ser feliz em casa, ao lado da família, não será nunca feliz. De fato, o pior inimigo que ela pode encontrar pela rua
será sempre ela mesma."
Do Álbum: Um Sábio Disse
Sim.
😅🤣
"A mulher que não sabe ser feliz em casa, junto da família, não será nunca feliz."
Um Homem
Sábio Disse Hoje__
-By - Marcélio
😜😝🤣
Temos a ilusão de ser “os donos da casa” e ver os outros apenas como visitantes; mas todos somos visitantes na história de Deus.
Tem amores que não chegam para ficar.
Chegam para bagunçar a casa, abrir algumas janelas, mexer em gavetas que a gente nem lembrava que existiam, e, de quebra, acordar partes da gente que estavam há muito tempo em modo silencioso.
Você foi assim.
Não foi o fim da minha história.
Foi, talvez, aquele capítulo inesperado que ninguém pediu, mas que, quando termina, faz a gente perceber que precisava ser lido.
Com você, eu voltei a sentir.
Voltei a acreditar que ainda havia coisas vivas em mim que eu tinha dado como perdidas.
E talvez tenha sido justamente por isso que doeu tanto.
Porque eu descobri, da maneira mais bonita e mais inconveniente possível, que sentir intensamente não significa necessariamente permanecer.
Nem todo vínculo profundo é destino.
Alguns são passagem.
Alguns são ponte.
Alguns são travessia.
E alguns, aparentemente, vêm com um curso intensivo de autoconhecimento que ninguém solicitou.
Você abriu uma porta em mim.
Mas atravessá-la era responsabilidade minha.
E hoje eu consigo olhar para tudo isso com mais maturidade.
Não escrevo para pedir que você volte.
Também não estou cobrando parcelas atrasadas de um futuro que nunca aconteceu.
Muito menos tentando transformar o que vivemos em algo que não foi.
Escrevo para agradecer.
Obrigada por me lembrar que meu coração ainda sabe amar.
Que ainda sabe desejar.
Que ainda sabe se entregar.
E, principalmente, que ainda sabe sentir mesmo depois de tudo.
Mas agora eu sigo.
Porque amadurecer também é entender que nem tudo aquilo que a gente quer precisa ser insistido até virar exaustão.
Às vezes, o amor continua existindo, mas a insistência precisa ir embora.
E existem despedidas que não acontecem porque o amor acabou.
Acontecem porque a consciência finalmente chegou no mesmo lugar onde o coração já estava há algum tempo.
Hoje, pela primeira vez, eu consigo me despedir de você sem transformar a despedida em tragédia.
Sem drama.
Sem porta batendo.
Sem textão às três da manhã bom, pelo menos não mais.
Eu me despeço com amor.
Com gratidão pelo que você despertou.
Com carinho pelo que vivemos.
E com respeito pelo que não conseguimos ser.
E talvez um dia você compreenda que a minha intensidade não era necessariamente um defeito.
Eu apenas sentia muito.
Às vezes, rápido demais.
Às vezes, fundo demais.
Às vezes, antes mesmo de a razão conseguir protocolar o processo.
Mas estou aprendendo.
Aprendendo que intensidade pode ser uma qualidade quando vem acompanhada de consciência.
Que impulsividade pode ensinar, desde que a gente tenha humildade para aprender com ela.
Você foi uma parte importante da minha história.
Não necessariamente porque ficou.
Mas porque, depois de você, eu descobri que ainda havia muito de mim para viver.
E isso, sinceramente, já foi um presente e tanto.
Então, obrigada.
Você não foi o meu destino.
Foi o encontro que me lembrou que eu ainda estava viva.
E agora, com o coração mais tranquilo e a consciência finalmente em dia, eu sigo.
Sem apagar você.
Sem esperar você.
E, principalmente, sem me perder de mim novamente.
Quando sair de casa com um guarda-chuva, lembre-se de que ele só será útil se você o abrir quando começar a chover. Não adianta carregá-lo o dia inteiro e se molhar justamente quando precisar dele.
O dinheiro constrói castelos de ouro, mas é a simplicidade do coração que transforma uma casa em um verdadeiro templo de amor.
A inveja, quando se instala em sua casa é como um mofo que se espalha aos poucos e você sente o cheiro do desconforto, mas se não elimina o foco, grande é o estrago que ela te causa.
— Jucelya McAllister
Devoto um segredo (somente)
Aos que conhecem o degredo
Distante de casa, e do seu mundo:
A Via Láctea é a casa dos poetas,
Dos mambembes e dos vagabundos.
Envolvo com fitas de cetim,
Faço uma rosa, um enfeite,
Para colocar no cabelo,
E lado a lado do seu cetro,
Sigo em frente...
Perpetuo um sonho (persistente)
Aos que desconhecem o inexorável
Distante dos olhos, e não do íntimo:
A poesia é capaz de aquecer a frieza
De qualquer coração autoritário...
Executo o conserto derradeiro
Do destino fora do trilho,
Caminho sobre cascas de ovos,
Levanto voo, e aterrisso eternamente.
Porque eu sou dona da minha loucura,
Se a minha poesia no firmamento fulgura,
Significa que de ti jamais sairá o anseio
De voltar para acariciar-me com ternura.
Imagine alguém entrar dentro da sua casa, se apossar de tudo o quê você tem e depois declarar a sua incapacidade civil durante séculos, foi o quê aconteceu com a população indígena. Preciso desenhar?!
Nos encontraremos
festeiros saindo
da casa de festas
na noite dos nossos
destinos porque
o amor está escrito
nos nossos caminhos.
Quando os homens
do arco acenderem
as luminárias você
me reconhecerá fácil
e feliz entre as damas.
Não tenho dúvidas
que te reconhecerei
ainda muito melhor
no meio dos nossos
amigos e galãs eleitos.
Na Entrada ou Cavalinho
o teu olhar de carinho
me segue sem desviar
sem titubear do caminho.
Na Primeira e Segunda,
o teu olhar me revista
inteira mesmo como
de fantasia ali na rua
frente não estivesse;
Para nos seguir nesta
Dança dos Mascarados,
Três homens formam
a baliza e assim se espalha.
A Trança Fitas nas nossas
mãos se desenrola,
por um momento sinto
a quentura da sua
mão roçando na minha,
o desejo e toda a poesia.
Entres as passagens
da Joaquina para a Arpejada,
É na Caradura que
aumenta a insinuação.
No Maxixe de Humberto,
flutuando de Carango
e juntinhos no Lundu,
Sentimos o perfume
do amor nos inundando.
Na Dança do Vilão
percebi o seu cuidado
comigo na medida
da potência do seu coração;
Vamos de Retirada
se despedindo da festa,
porque daqui para frente
só o amor é o quê interessa.
Meu jeito caboclo, na simplicidade em que escrevo... casa de taipa. Liberdade sem coleira, raiz da terra, identidade como povo.
𝓙𝓾𝓻𝓾𝓷𝓪j
Quando o Silêncio Aprendeu Meu Nome
A casa continuava inteira.
Era eu quem faltava nos cômodos.
Meu corpo atravessava o corredor, mas a alma insistia em permanecer na maçaneta da última porta que nunca tive coragem de abrir.
Descobri tarde que o silêncio não nasce da ausência de vozes.
Ele nasce quando nenhuma palavra aceita morar na boca.
Há dias em que converso com as janelas.
Elas entendem o idioma das pessoas que olham para longe porque perto demais também machuca.
Não espero mais respostas.
Coleciono perguntas como quem guarda sementes sem saber se ainda existe primavera.
E, curiosamente,
foi depois de perder quase tudo
que descobri
que algumas ruínas também sabem florescer.
_Lucci Santz
O menino dos limões
Eu estava voltando pra casa de bicicleta
carregando cansaço, dívidas emocionais
e uma vontade silenciosa de desaparecer do mundo por algumas horas.
Então ele me chamou.
“Tia… você tem alguma moeda?
Eu tô com fome.”
Era só um menino.
Magrinho.
Pele morena.
Olhos verdes que ainda não tinham desistido da vida.
Um pitózinho torto no cabelo
e uma dignidade dolorosa na voz.
Dei as moedas e fui embora.
Mas alguma coisa me atravessou no meio do caminho.
Quando voltei
ele estava em cima de um muro
tentando pegar limão pra comer.
E naquele instante
o mundo inteiro ficou pequeno.
Pequeno feito gente egoísta.
Pequeno feito orgulho.
Pequeno feito discussão inútil.
Pequeno feito pessoas que machucam outras por vaidade
enquanto uma criança tenta enganar a fome com fruta azeda.
Levei ele na padaria.
E o que mais me destruiu
não foi a fome dele.
Foi o cuidado.
“Se ficar caro, tia…
pode deixar o refrigerante.”
Criança nenhuma deveria saber o peso de um refrigerante no bolso dos outros.
Mas ele sabia.
E eu ali
sem dinheiro
sem rumo
emocionalmente quebrada
percebendo que talvez eu tenha gastado demais tentando salvar adultos
quando poderia ter alimentado mais crianças.
Ele foi embora sem saber meu nome.
E eu fiquei ali
vendo um pedaço da humanidade indo embora a pé
com pão nas mãos
e fome no mundo.
Ass: Lucci Santz
Ela sempre foi movimento.
Casa girando em torno dela.
Mão que fazia, boca que orientava, olho que via tudo.
Era dessas mulheres que acordam antes do sol
e dormem depois da vida.
Sabia onde estava cada coisa.
Cada conta.
Cada remédio.
Cada problema.
Ela era memória viva da família.
Era calendário, era agenda, era conselho.
E agora…
O tempo resolveu brincar ao contrário.
O nome das coisas escapa.
Os rostos às vezes embaralham.
As histórias ficam pela metade.
Mas tem uma coisa que não foi embora:
a essência.
O jeito de segurar a mão.
O olhar que ainda procura cuidado.
A doçura que aparece em lampejos.
O Alzheimer não apaga quem ela foi.
Ele embaralha caminhos,
mas não destrói o que foi construído em décadas de força.
Existe uma inversão silenciosa:
quem foi porto vira mar aberto.
Quem guiava agora precisa ser guiada.
E dói.
Dói porque a gente lembra de tudo.
E ela… às vezes não.
Mas amar alguém com Alzheimer é aprender outra língua.
É repetir sem irritação.
É contar a mesma história como se fosse a primeira vez.
É segurar firme quando o mundo dela fica confuso.
Ela continua sendo a minha mãe.
Mesmo quando não sabe dizer seu nome.
E talvez agora o papel seja meu:
ser memória por duas,
ser paciência por duas,
ser colo por duas.
O corpo pode esquecer.
Mas o amor não desaprende.
E isso, ninguém tira dela. Nem de mim.
