Cartas para Melhor Amiga Distante

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Sempre é melhor ter alguma
direção do que nenhuma,
mesmo que peça tempo.
Assim sempre tem sido na vida,
e quando o assunto é sentimento.


A tempestade quando toca
na Palma-real jamais
diminui a beleza da memória.
O Rio Cauto canta
para não apagar a história
de Cuba, a minha e a tua.


Pátria ou morte até a última
consequência, assim ensinou
José Martí a resiliência.
No toque de Son cubano,
somos a famosa resistência.


Seguindo no ritmo que deu
origem à Salsa e a outros ritmos,
enquanto quem roeu a corda
nem nunca houve,
vamos criando à consciência,
porque quem quer viver
em liberdade precisa de paciência.

A ventania traz a notícia
no Médio Vale do Itajaí
da memória de Marco Pola,
és a melhor contradição
que com cada fibra dialoga
entre a existência amorosa
e o mistério que enamora.


De prontidão para escrever
a poesia onde há vales
e cavalos coincidentes,
declaramos afinidades
com reverências subliminares,
impulsos e intensidades
que nos são inerentes.


No inverno aqui em Rodeio,
onde nos antevejo
nas ruas vazias descritas
no outono do poeta,
e ainda em vocal silêncio,
reverencio e por ti espero
como quem espera um
milagre com o céu aberto.


[Nos nossos corações nunca
nem por um instante fomos ausentes,
porque nunca nos apagamos
diariamente das nossas mentes.]

Tingi os meus lábios
com o rubro do ceibo,
para vir a declamar
com o melhor jeito
enraizado e o olhar
voltado para a Via Láctea.


Não estou distante de ti
porque moro dentro,
como rezam as lendas
dos amores eternos
e o chamamé patagônico,
com os passos certos.


Ouvirei sobre a Raihué,
colheremos frutos do pé,
quando fizer dos teus
braços a minha casa,
e quando tornar-me
a tua preservada marina.


Dos teus lábios doces
provarei o michay,
cantarei aquecida
contigo: Neuquén e Limay.


Lembramos como foram
reunidos e juntos formam
o majestoso Rio Negro;
e assim, entre nós, não faltarão
razões para um novo desejo.

Esperar qualquer coisa do outro é nadar de braçada num oceano de subjetividades.


A melhor inspiração é a da figura dos faroleiros, eles não abandonam os faróis nem durante as tempestades.


Se o outro for visita será bem-vindo e quando se for receberá a despedida a altura.


A permanência lado a lado compensa só se fizer sentido, e a rotina do farol segue sendo a mesma.

"Ai de quem está sozinho"


É melhor estarem dois juntos do que um sozinho, porque tiram vantagem do seu trabalho, se um cair será apoiado pelo outro. Aí do que está sozinho: quando cair, não terá quem o ajude a levantar-se. Se alguém prevalecer contra um que está sozinho, dois juntos resistirão ao agressor. A corda tripla não se arrebenta facilmente.
(Eclesiastes)

POR QUE TER MAIS INFORMAÇÃO NÃO SIGNIFICA COMPREENDER MELHOR?

Nunca tivemos acesso tão rápido a tanta informação.

E talvez nunca tenha sido tão fácil confundir acesso com conhecimento.

Uma pessoa pode acumular dados, assistir a dezenas de vídeos, consultar diferentes especialistas, conversar com uma inteligência artificial, ler centenas de publicações e terminar o processo mais informada sem estar necessariamente mais preparada para julgar.

Existe uma diferença entre receber informação e saber o que fazer cognitivamente com ela.

Duas informações verdadeiras podem ter relevâncias completamente diferentes para uma decisão. Dez informações secundárias não necessariamente superam uma evidência central. Uma informação memorável pode ser menos importante do que outra aparentemente banal.

Quantidade e relevância não são sinônimos.

É aqui que surge um problema pouco percebido: informações podem competir por nossa atenção como se o simples fato de estarem disponíveis lhes concedesse direito de participar igualmente do julgamento.

Não concede.

Conhecer exige selecionar, relacionar, hierarquizar, contextualizar e, em determinados momentos, desautorizar.

Em meus estudos sobre discernimento, essa questão aparece na distinção entre pistas que efetivamente ajudam a resolver determinado problema e elementos que apenas acompanham o processo sem possuir a mesma capacidade diagnóstica.

A pergunta deixa de ser apenas “O que eu sei?”

Passa a ser: “Qual parte daquilo que sei realmente importa para aquilo que preciso decidir?”

Essa mudança parece pequena, mas altera profundamente a relação com o conhecimento.

Informação pode aumentar sem que a compreensão aumente na mesma proporção. E, em determinadas circunstâncias, o excesso de elementos secundários pode até dificultar a identificação daquilo que realmente importa.

Por isso, alfabetizar para o século XXI talvez exija algo além de ensinar pessoas a encontrar informação.

Precisamos ensiná-las a não conceder a toda informação encontrada o mesmo direito de influenciar uma conclusão.

Informação acumulada ocupa espaço.

Informação discernida produz conhecimento.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

*Estafeta*

Você quer algo sério?
Porque se não quer,
é melhor a gente seguir um rumo.
Não um rumo juntos.
Um rumo cada um pro seu lado.
Eu me apego fácil.
Eu já tô me apegando agora
só de escrever isso.
E isso vai me fazer mal.
Vai me fazer virar boneco de novo,
coleção, diversão.
Eu não quero ser teu quase.
Eu não quero ser teu depois a gente vê.
Então me diz agora, sem soslaio, sem arapuca:
Você quer algo sério?
Se não,
segue tua vida
que eu juro que tento seguir a minha.
Mesmo com a porta encostada.
Mesmo com teu cheiro no travesseiro.
Mesmo sendo nada pra ti.
Eu sigo.
Mas se for pra ficar,
fica direito.
Porque meu coração não sabe ficar pela metade.
Ou ele fica inteiro,
ou ele se quebra inteiro.
(Saul Beleza)

— Posso dormir aí?
— Melhor não.
Vamos nos ofender,
vamos nos ferir sem querer,
e eu não tô afim disso.
Não agora,
não assim.
A gente tem afeto demais
pra se machucar de bobeira.
Não podemos ser assim,
tão perto a ponto de doer,
tão longe a ponto de fazer falta.


Saul Beleza

⁠Talvez o melhor lugar para se Demonizar a dúvida seja o aconchego das Verdades Aveludadas.


É curioso como o ser humano, em nome da paz interior, constrói castelos de certezas com tijolos de incertezas mal resolvidas.


E, uma vez confortavelmente instalado, passa a olhar com desdém para qualquer sopro de dúvida que se atreva a bater à sua porta.


A dúvida, porém, é visita nobre — é ela quem areja as salas abafadas da mente, quem desmancha o mofo dos dogmas e faz circular o ar do pensamento.


Mas o aconchego das verdades aveludadas é macio demais!


E poucos se arriscam a trocar o travesseiro da convicção pela cama fria da reflexão.


Talvez por isso se demonize tanto a dúvida: porque ela incomoda os que aprenderam a amar o próprio engano.


Mas, ai daqueles que o fazem…


Ai daqueles que, embriagados pelo perfume das próprias certezas, caminham pelas estradas espinhosas da arrogância intelectual.


Renunciam à graça de poder se questionar, mas se julgam aptos a questionar o mundo — esquecendo que a mente que não duvida — não floresce — apodrece em Silêncios.


Aprendamos a fugir do aconchego das verdades aveludadas!
Amém!

⁠É muito Feno para tão pouco sal...


Talvez seja melhor temperar com uma boa pá de cal.


Haja sal para a quantidade assustadora de Feno necessário...


Quando a desproporção chega a esse ponto, já não se trata mais de tempero, mas de engano.


Talvez seja mesmo melhor recorrer a uma pá de cal, não para enterrar expectativas, mas para sepultar de vez as ilusões que insistimos em alimentar.


Porque certas mesas, por mais que pareçam fartas, só servem palha; e certos banquetes, por mais barulho que façam, não sustentam ninguém.


No fim, a verdadeira sabedoria está em abandonar o que só ocupa espaço e buscar o que, ainda que pouco, de fato, nos alimente.

⁠Às vezes, a melhor festa na laje é aquela em que a convidada de honra só faz barulho para lavar nosso dia.


Noutros tempos, só pensávamos em churrasco na laje, agora, só pensamos em chuva na laje.


Agora as melhores festas na laje são aquelas em que a convidada de honra não traz música alta, nem risadas forçadas, nem fumaça de churrasco.…


Ela chega silenciosa na intenção, mas barulhenta na presença: a chuva.


E faz festa não para entreter, mas para lavar — o dia, a alma, o cansaço acumulado nos cantos que a gente já não alcança.


Noutros tempos, a laje era sinônimo de encontro, carne na brasa, conversa atravessada pelo riso fácil.


Hoje, ela se tornou mirante da espera.


Espera por nuvens carregadas, por um céu que se compadeça do pó, do calor excessivo, da exaustão que já não se resolve só com celebração.


Mudamos o cardápio: trocamos o excesso pelo alívio.


A chuva na laje não exige anfitrião, nem lista de convidados.


Ela chega quando pode, fica o tempo que quer e, ao partir, deixa tudo diferente — não necessariamente resolvido, mas respirável.


É uma festa sem fotinhos, sem brindes, sem sobras…


Só o som da água lembrando que nem todo barulho é invasão; alguns são cuidados.


Talvez o tempo tenha nos ensinado isso: há dias em que não queremos comemorar, apenas lavar.


E, nesses dias, a laje continua sendo lugar de encontro — não com os outros, mas com aquilo que sabe nos escutar e ainda nos permite recomeçar.

⁠⁠A gente só para de flertar com a m0rte todos os dias quando descobre que o melhor dia para se viver é hoje.


Há uma espécie de suicídi0 muito silencioso que pouca gente se atreve a nomear como tal.


Ele não acontece apenas nos gestos extremos, nas decisões finais ou nas manchetes trágicas.


Às vezes, ele se instala gradualmente, no adiamento crônico da vida, na rotina de empurrar para amanhã aquilo que já pede coragem no agora, na mania de sobreviver sem realmente habitar a própria existência.


Muita gente não quer m0rrer — quer apenas descansar da exaustão de existir sem sentido.


E é justamente aí que mora o flerte cotidiano com a m0rte: quando se abandona a urgência de viver.


Viver, porém, não é apenas respirar, cumprir tarefas, pagar contas e colecionar ausências disfarçadas de compromissos.


Viver é reconhecer que o tempo não faz promessas.


O amanhã é uma hipótese muito elegante, mas continua sendo hipótese.


O hoje, com todas as suas imperfeições, é a única matéria concreta que temos nas mãos.


E talvez amadurecer seja justamente isso: perceber que a vida não começa “quando tudo se ajeitar”, “quando a dor passar”, “quando houver mais dinheiro”, “quando a paz finalmente chegar”.


A vida está acontecendo agora — inclusive no caos, inclusive nas faltas, inclusive enquanto ainda estamos tentando entender quem somos.


Há quem flerte com a m0rte não por desejar o fim, mas por tratar a vida com permanente negligência.


Negligencia os afetos, as pausas, a própria saúde, os pedidos de socorro da alma, os sinais do corpo, os vínculos que importam, as palavras que deveriam ser ditas enquanto ainda há quem possa ouvi-las.


Age como se viver fosse um ensaio infinito, como se sempre houvesse tempo para recomeçar, pedir perdão, recalcular a rota, amar melhor, ou simplesmente descansar.


Mas nem todo adiamento é prudência; às vezes, é desistência parcelada.


Descobrir que o melhor dia para viver é hoje não é um clichê otimista — é uma revelação muito dura.


Porque obriga a gente a encarar a própria covardia, os próprios álibis e a confortável ilusão de controle.


Nos obriga a admitir que há muita m0rte disfarçada de rotina eficiente, muita apatia travestida de maturidade, muito medo chamado de prudência.


E, ao mesmo tempo, essa descoberta também liberta: porque devolve ao presente a dignidade que o imediatismo e a ansiedade roubaram.


Faz a gente entender que viver bem não é ter a vida perfeita, mas parar de oferecer o próprio tempo em sacrifício a tudo aquilo que nos afasta de nós mesmos.


Talvez a grande virada aconteça quando deixamos de esperar uma razão extraordinária para viver e passamos a reconhecer a grandeza escondida no ordinário: no abraço ainda possível, na conversa adiada que enfim acontece, no descanso sem medo e sem culpa, na lágrima que finalmente se deixa rolar, no riso que interrompe o peso do mundo — ainda que por alguns segundos.


O hoje não precisa ser grandioso para ser valioso.


Ele só precisa ser vivido com presença — e não desperdiçado como se fosse descartável.


No fim, flertar com a m0rte todos os dias talvez tenha menos a ver com desejar partir e mais com não se permitir ficar por inteiro.


E viver, em sua forma mais honesta, começa quando a gente decide parar de se ausentar da própria história.


Porque o melhor dia para viver não é o dia ideal, nem o dia fácil ou o prometido.


É este.


O único que realmente chegou — o agora.

⁠Talvez o que torne as Gestantes o melhor dos Colírios seja a personificação do Berço do Milagre.


Há algo nelas que reorganiza maravilhosa e silenciosamente o olhar humano.


Como se, diante de uma mulher que carrega uma vida, nossos olhos fossem obrigados a lembrar que a existência ainda sabe florescer, mesmo em meio ao caos.


A gestação não é apenas biologia; é anúncio.


É o corpo dizendo ao mundo que ainda vale a pena continuar.


Enquanto tantas coisas morrem todos os dias — esperanças, vínculos, inocências, versões de nós mesmos —, uma gestante caminha como quem contradiz a desesperança sem precisar dizer palavra alguma.


Talvez seja por isso que elas nos comovam tanto.


Porque nelas habita a mais antiga das linguagens: a Promessa.


Cada ventre é um horizonte arredondado de futuro.


Um lembrete de que a vida ainda insiste.


De que o amor, às vezes, começa invisível, em silêncio, antes mesmo de receber um nome.


E há uma beleza quase sagrada nisso tudo.


Não a beleza fabricada das vitrines, mas a beleza essencial das coisas que cooperam com o grande mistério: o princípio da vida.


Uma gestante carrega mais do que um filho; carrega tempo, continuidade, possibilidades.


Ela se torna ponte entre o que fomos e aquilo que ainda nem imaginamos ser.


Talvez os olhos encontrem repouso nelas porque, inconscientemente, reconhecem um abrigo.


Como se o simples ato de vê-las despertasse em nós uma memória esquecida: todos nós já fomos esperança habitando alguém.


E, no fim, talvez seja exatamente isso o milagre — perceber que a vida nunca chega ao mundo sozinha.


Ela sempre vem acompanhada de muita coragem.


A todas as mamães — biológicas ou não —, o nosso eterno carinho e gratidão!

⁠Viver
um dia de cada vez
pode ser a melhor maneira de colorir todos eles.


Às vezes, a gente se preocupa tanto com o amanhã que até esquece de perceber as cores que o hoje está oferecendo.


Queremos respostas para o que ainda nem aconteceu, soluções para problemas que talvez nunca cheguem e garantias para caminhos que ainda nem começamos a percorrer.


Mas a vida não pede que saibamos tudo de uma vez.


Ela nos convida, silenciosamente, a viver o dia que temos ao alcance das mãos.


Quem vive intensamente um dia de cada vez — como se fosse o último — um dia acerta.


Que hoje seja suficiente!


Que possamos olhar com mais carinho para as pequenas alegrias, agradecer pelo que permanece, aprender com o que dói e deixar ir aquilo que já não precisa nos acompanhar.


Cada manhã é uma nova tela.


Talvez não possamos escolher todas as circunstâncias, mas podemos escolher algumas das cores com que vamos pintá-la: serenidade, gratidão, esperança, gentileza e coragem.


Não precisamos ter pressa para chegar ao futuro.


Ele incerto.


O presente também é um destino.


Que hoje seja vivido por inteiro, sem a ansiedade do amanhã e sem o peso, às vezes desnecessário, do ontem.


E que, ao final do dia, possamos olhar para trás e perceber que deixamos nele um pouco mais de luz do que encontramos.


Bom e abençoado dia!?!

"A melhor e a pior desculpa são uma só: falta de tempo. Se há tempo como pode haver falta? O que existe é falta de prioridade, desorganização na agenda, mentira ou tudo isso, junto!"
Frase Minha 0015, Criada no Ano 2006

USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com

"O país é muito bom, mas poderia ser melhor se houvesse, espontaneamente, mais respeito ao próximo. Falta de respeito ao próximo é o que ocorre desde uso de banheiros públicos até os costumeiros atos de corrupção."


Frase Minha 0520, Criada no Ano 2011
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"A melhor maneira de comprovar que você é verdadeiramente humilde não é você ficar dizendo (e repetindo) que você é humilde. É ouvir de outras pessoas... De outras pessoas sinceras, claro!"
0726 | Criado por Mim | Em 2014


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"Eu disse para a filha da Minha Vizinha: 'Querida, Ninguém é Melhor do que Ninguém. Por isso, na sua Festa de 15 anos, vou contratar o Zé das Couves, ao invés do Brad Pitt, para dançar com você. Tudo bem, Querida?"
Texto Meu 0884, Criado em 2018

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"Não perca tempo com pessoas que não valem a pena. É melhor, por exemplo, pedir uma pizza. E antes de comer a pizza, dê bom corretivo nas pessoas que não valem a pena e diga que você tem pizza. Todos têm inveja de quem pizza!"
Texto Meu 0908, Criado em 2018




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"Tenha certeza de que seu dia hoje será melhor do que o que foi ontem. Por que a certeza? Quanto a isso não sei! Nem eu nem os Profetas ou os Videntes ou os Gurus. E ninguém reclama!"
Texto Meu 0955, Criado em 2019

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