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Cartas de Despedida da Namorada

Cerca de 39171 frases e pensamentos: Cartas de Despedida da Namorada

O amor é paciente, o amor é prestativo, não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais se passará. Quantos às profecias, desaparecerão. Quanto às línguas, cessarão. Quanto à ciência, também desaparecerá. Pois o nosso conhecimento é limitado, e limitada é a nossa profecia.

Paulo de Tarso

Nota: Trecho de 1 Coríntios 13:1-13.

Só no plano do indivíduo autoconsciente é que o conhecimento pode adquirir validade: só na consciência individual vivente se realiza a prova apodíctica, só o indivíduo tem acesso efetivo às verdades universais, enquanto a coletividade deve se contentar com fórmulas mais ou menos convencionais — ou consensuais — de uma verdade meramente potencial.

O que falta muitas vezes para a gente poder resolver os nossos problemas é a simplicidade em enxergá-los. Retirar os excessos. Não permitir que os nossos excessos venham obscurecer a nossa visão, ou até mesmo nos impedir de encaminhar uma solução para aquilo que nos faz sofrer. Isso é ter fé. É a gente acreditar que Deus está do nosso lado no momento da nossa luta, no momento da nossa dor. E que, portanto, a gente tem o direito de ser simples. Quem traz no coração a certeza de que Deus é por ele tem mais facilidade de adentrar nesse território da simplicidade. Porque não se sente sozinho sendo simples.

Quanto mais nos aproximamos de um princípio universal, mais vão ficando para trás e cada vez mais longe as realidades concretas cuja explicação buscávamos. E, ao voltarmos do topo, às vezes parecemos ter perdido de vista o propósito da viagem. O momento do reencontro passa, e nada nos resta nas mãos senão o enunciado abstrato e sem vida de um princípio lógico, que é a recordação melancólica de uma universalidade perdida. É preciso, portanto, descer novamente do princípio às suas manifestações particulares, e depois subir de novo, e assim por diante. De modo que a alternância sim-não, verdade-erro, que constitui para nós o início da investigação, é finalmente substituída pela alternância alto-baixo, universal-particular. Passamos, assim, da oscilação horizontal para a vertical. E é justamente o despertar da capacidade de realizar em modo constante esta subida e descida, que constitui o objetivo de toda educação tradicional.

VOCÊ SABE OUVIR?

Vendo de casa a quantidade de perguntas repetidas aos convocados para depor na CPMI dos Correios e mesmo algumas respostas destes, lembrei-me de uma velha convicção do que observei e fui aperfeiçoando em anos de debates, comissões e reuniões. Raras, raríssimas, são as pessoas que procuram ouvir exatamente o que a outra está a dizer. Vejamos:

1) Em geral não se ouve o que o outro fala: ouve-se o que ele não está a dizer.

2) Não se ouve o que o outro fala: ouve-se o que se quer ouvir.

3) Não se ouve exatamente o que o outro fala. Ouve-se o que já se incorporara antes a respeito do assunto falado que bloqueia a compreensão da fala alheia e faz ouvir o que já se achava ou discordava a respeito.

4) Raramente se ouve o que o outro fala. Ouve-se o que se imagina que ele iria falar.

5) Numa discussão, em geral, não se ouve o que o outro fala. Ouve-se quase que só o que se pensa para dizer em seguida.

6) Outros não conseguem ouvir o que o outro fala. Ouvem o que gostariam que o outro dissesse.

7) Não se ouve com disponibilidade interior o que o outro fala. Ouve-se apenas o que se está sentindo em relação ao assunto debatido.

8) Não se ouve o que o outro fala. Ouve-se o que já se pensava a respeito daquilo que o outro está a falar,

9) Não se ouve plenamente o que o outro fala. Retiram-se da fala dele apenas as partes que já estavam sedimentadas dentro de si mesmo.

10) Não se ouve o que o outro fala. Ouve-se o que confirme ou rejeite o seu próprio pensamento ou opinião pré-existente. Ou seja, transforma-se o que o outro está a falar objeto de concordância ou discordância.

11) Não se ouve o que o outro está a dizer Ouve-se o que possa se adaptar ao impulso de amor, raiva ou ódio que já sentia por quem está a falar.

12) Não se ouve o que o outro fala. Ouve-se da fala dele apenas os pontos que possam fazer sentido para as idéias e pontos de vista que no momento nos estejam influenciando ou tocando mais diretamente.

Ouviu?

Artur da Távola

Nota: Texto original do autor, que surge muitas vezes adulterado e com outros títulos: "Arte da Comunicação"; "O Difícil Facilitário do Verbo Ouvir"; "A difícil Arte de Ouvir".

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Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.

Artur da Távola

Nota: Trecho de um texto do autor, muitas vezes atribuído erroneamente a Carlos Drummond de Andrade.

VOCÊ SABE OU VOCÊ SENTE?

Você já reparou o quanto as pessoas falam dos outros? Falam de tudo. Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzices, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos.

Sobretudo falam do comportamento. E falam porque supõem saber. Mas não sabem. Porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente. Se sentissem não falariam.

Só pode falar da dor de perder um filho, um pai que já perdeu, ou a mãe já ferida por tal amputação de vida. Dou esse exemplo extremo porque ele ilustra melhor. As pessoas falam da reação das outras e do comportamento delas quase sempre sem jamais terem sentido o que elas sentiram.

Mas sentir o que o outro sente não significa sentir por ele. Isso é masoquismo. Significa perceber o que ele sente e ser suficientemente forte para ajudá-lo exatamente pela capacidade de não se contaminar com o que o machucou.

Se nos deixarmos contaminar (fecundar?) pelo sentimento que o outro está sentindo, como teremos forças para ajudá-lo? Só quem já foi capaz de sentir os muitos sentimentos do mundo é capaz de saber algo sobre as outras pessoas e aceitá-las, com tolerância.

Sentir os muitos sentimentos do mundo não é ser uma caixa de sofrimentos. Isso é ser infeliz. Sentir os muitos sentimentos do mundo é abrir-se a qualquer forma de sentimento. É analisá-los interiormente, deixar todos os sentimentos de que somos dotados fluir sem barreiras, sem medos, os maus, os bons, os pérfidos, os sórdidos, os baixos, os elevados, os mais puros, os melhores,
os santos.

Só quem deixou fluir sem barreiras, medos e defesas todos os próprios sentimentos, pode sabê-los, de senti-los no próximo. Espere florescer a árvore do próprio sentimento. Vivendo, aceitando as podas da realidade e se possível fecundando. A verdade é que só sabemos o que já sentimos. Podemos intuir, perceber, atinar; podemos até, conhecer. Mas saber jamais. Só se sabe aquilo que já se sentiu.

Artur da Távola
Alguém que já não fui: crônicas

A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes que
eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender.
Nessas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana.
De que só os ...diferentes são capazes.
Jamais mexam com o sentimento de um diferente.
Ele é sensível demais para ser conquistado sem
que haja conseqüência com o ato de o conquistar.

Artur da Távola

Nota: Trecho adaptado de um texto do autor.

SABES RECEBER O AMOR?

Do ponto de vista de quem recebe, o amor ganha contornos bem diferentes daqueles existentes do ponto de vista de quem dá. E é tão raro o empate entre dar e receber! Há pessoas absolutamente incapazes de receber o amor. Outras há que filtram o amor recebido segundo a sua maneira de ser, reduzindo (ou ampliando) o afeto ganho através de suas lentes (existenciais) de aumento ou diminuição. Quem pode dizer com segurança que sabe avaliar o amor recebido? Outras há, ainda, que só conseguem amar quando recebem amor, não admitindo dar sem receber. Há, também, o tipo de pessoa que não dará (amor) jamais, pois só sabe receber. E existe aquela outra que quer e precisa receber, porém não sabe o que fazer quando (e quanto) recebe e transforma-se, então, numa carência viva a andar por aí, em todos despertando (por insuspeitadas habilidades) o desejo de algo lhe dar.

Receber o amor é como saber gastar (gostar?). Já reparou que há pessoas que não sabem gastar? Muitas sabem ganhar muito dinheiro, mas depois não o sabem gastar. Receber o amor é como saber gastar (gastar o amor de quem lhe está dando). É necessário fazer com que o investimento recebido renda frutos, juros e dividendos em que o recebe, para novos investimentos e lucros humanos. Há quem o saiba fazer (ou seja, saiba receber). Há quem não o saiba e gaste o (amor) recebido de uma só vez, sem qualquer noção do quanto custou para quem o deu.

O problema de receber o amor é fundamental, porque ele determina o prosseguimento ou não da doação.

O núcleo do problema está na forma pela qual cada pessoa recebe o amor, modelando-o.

De que valerá um amor maior do que o mundo, se a forma pela qual se o recebe é diminuta? Um amor de pequena estatura doado a alguém pode ser recebido como a dádiva suprema. Será (soará), então, enorme!

Daí que amor está também, além de dar, em saber receber. Saber receber, embora pareça passivo, é ativo. Receber, se possível avaliando a intensidade com que é dado e, se for mais possível, ainda, retribuir na exata medida. Saber receber é tão amar quanto doar um amor.

Se todos soubessem receber, não haveria a graça infinita dos desencontros do amor, geradores dos encontros.

Receber o amor é tão difícil quanto amar! É que amar desobriga e receber o amor parece que prende as pessoas, tutela-as e aprisiona-as quando deveria ser exatamente o contrário, pois saber receber é tão grandioso e difícil quanto saber dar.

O VELHO TEMA DO EU E DO OUTRO

Veja se dá para entender: a gente, para a gente mesmo, é a gente. Raramente consegue ser o outro. A gente, para o outro, não é a gente, é o outro. Deve estar confuso. Tento de novo. Cada um de nós vive uma ambiguidade fundamental: ser a gente e ao mesmo tempo, ser o outro. Pra gente, a gente é a gente. Para o outro, a gente é o outro.

Temos, portanto, dois estados: ser o eu de cada um de nós e ser o outro. Na vida de relação, pois temos que saber ser o ‘eu individual’ e ao mesmo tempo, aceitar funcionar em estado de alteridade (outro vem de ‘alter’), ou seja, de ‘outro’.

O outro, raramente nos considera como a gente (como pessoa singular, peculiar, própria, única, desigual). Em geral, ele nos considera como o ‘outro’. Daí surgem os conflitos. Não apenas o outro em geral não nos considera como ‘a gente’. Também a gente não sabe aceitar, ou raramente aceita, ser tratado como ‘outro’. A gente quer ser tratado como a gente sabe que é, e não como o outro nos considera.

A gente sempre tem esperança que o outro descubra o que a gente é. Mas isso é muito difícil, porque o outro nos vê como ‘outro’ ou como qualquer projeção dele, jamais nos vê como a gente se vê ou quer ser visto ou gostaria de ser visto.

Uma relação de duas pessoas dá-se portanto, em quatro etapas: i) para Joaquim, Maria é o outro; ii) para Joaquim, Joaquim é Joaquim; iii) para Maria, Joaquim é o outro; iv) para Maria, Maria é Maria.

Mas Maria quer que Joaquim não a veja como ‘o outro’ e sim como Maria. E Joaquim não quer ser visto como ‘o outro’, ele quer ser visto como Joaquim. Mas nem Maria o vê como Joaquim (e sim como ‘o outro’), nem Joaquim a vê como Maria (e sim como ‘o outro’ na pessoa dela).

É essa a vontade de que nos vejam como individualidade que somos, o que nos leva a exigir talvez demais daqueles que se relacionam conosco. Eles talvez não estejam preparados (raramente estão) para nos ver como ‘eus’, como unidades próprias, como somos ou como queremos ser.

Exigir dos demais que nos vejam em nossa individualidade é um fato de pouca sabedoria. Raramente eles o conseguem, porque se somos ‘eu’ para nós mesmos, somos outro para eles. Em estado de ‘eudade’ (de eu), somos uma pessoa. Em estado de alteridade, somos outra pessoa.

Conseguir, sem exigir ou cobrar, porém, que o outro não nos veja como ‘o outro’ que somos para ele, mas como o ‘eu’ que somos para a gente, é ato de sabedoria. Significa saber ser nítido, saber colocar-se como pessoa e como individualidade, saber ocupar o próprio espaço sem qualquer invasão do espaço dos demais ou sem qualquer limitação do que eles são e nos agregamos, por inveja ou por admiração (coisas muito parecidas).

Para tal, é mister que saibamos ver o outro não apenas como o ‘outro’, mas como o ‘eu dele’ para ele. Mais claro: significa ver o outro como ele é, na condição de ‘eu’ ou seja, de indivíduo próprio, peculiar, semelhante sim, mas desigual e não na condição de ‘outro’, que é como ele chega até nós.

É no centro dessa relação que está a essência do problema da comunicação e da comunhão (que vem a ser a mesma coisa).

Eu devo ser ‘eu’ para mim e para o outro. O outro deve ser o ‘eu-dele’ para mim. Eu devo aceitar ser ‘o outro’ para o outro. Mas devo desejar e conseguir ser ‘eu’ para ele. Eu, em estado de ‘eu’, devo aceitá-lo como outro. Eu, em estado de ‘outro’, devo aceitá-lo como o eu dele. Eu e ele somos ao mesmo tempo ‘eu’. Eu e ele somos ao mesmo tempo ‘ele’. Ele é ‘eu’ mas também é ele. Por isso somos, ao mesmo tempo, semelhantes e diferentes. Por isso somos irmãos. Por isso a humanidade é uma só. Por isso a igualdade humana é uma verdade, na diferença individual.

E, para terminar, um outro alcance, paralelo ao principal, mas verdadeiro nas relações humanas: o outro nunca sabe direito o que ele é e representa para a gente. E a vida nos vai ensinando a ser cada vez mais sozinhos, pelo acúmulo de não correspondência daqueles que sempre nos significam algo, mas nunca o souberam ou perceberam na exata medida. Ou então, preocupados em excesso com os próprios problemas nunca atenderam ao potencial de afeto que por eles ou para eles havia em nós e foi desgastando em uso ou dispersão, já que não o souberam receber.

Às vezes esse ‘outro’ é mesmo o outro. Aí é a gente que fica com o próprio gesto de amor solto no ar à espera de aceitação, entendimento e correspondência. Em ambos os casos, dói. Mas isso já é outra crônica.

Amor e Ódio

Tema antigo. Ainda e sempre, ódio e amor, andam juntos através da facilidade através da qual o amor que não encontra resposta apodrece e vira veneno. O que salva e o que eleva é constituído da mesma matéria que fermenta, apodrece e mata.

Qual será a química explicativa da transformação súbita do que era busca, procura, sentimento de proteção e dedicação em imediata deterioração e ódio?

A química da transformação do afeto em raiva e da raiva em ação destrutiva, ainda não foi medida por nenhum laboratório da ciência. Apenas pela literatura e pela dramaturgia. Ou pelo jornalismo diariamente a espelhar os casos de amor terminados com a destruição de uma das partes.

A psicanálise também examina a questão. E com profundidade. Para ela, o mecanismo de auto destruição ou de destruição do próximo, já estava presente quando as pessoas resolveram se gostar. O mecanismo destrutivo está, já presente, quando as pessoas fazem o que supõem ser uma escolha livre. Não é escolha, diz a psicanálise: é o atendimento de uma pulsão inconsciente que faz adivinhar no parceiro as condições para o exercício dos impulsos mais fundos de destruição: ou a própria ou a do outro. Assim diz a psicanálise. Mas a questão continua de pé.

Se era amor, se era tanto, por que, diante da frustração ou da recusa de reciprocidade ele tem que virar ódio?

Se é amor não pode nunca ser ódio, proclamarão em coro os humanistas e os cristãos. Não era amor!

Quem ama e é rejeitado tem o impulso de ódio e de destruição. É esse impulso (que às vezes pode durar apenas um segundo) que essas histórias populares percebem e ampliam, traduzindo-o numa ação demorada, complexa, planejada, urdida. O público adere porque aí encontra a forma mais simples de ver-se ainda que através do outro; como na dramaturgia e na literatura.

Quem for capaz de conhecer o próprio impulso de ódio poderá talvez aplacá-lo, ou diminuir o seu efeito destrutivo.

Quem for capaz de controlar o próprio impulso de ódio talvez até aproveite a energia que está dentro dele (como nas forças da natureza) canalizando-a para obras e ações criadoras e positivas.

Quem for capaz de dirigir o próprio impulso de ódio, talvez despeje a força dele numa atividade artística ou empresarial, desviando-a do objeto amado passível de ser destruído.

Tudo bem. Magnífico que assim se faça, conforme o caso e conforme a pessoa! Terapêuticas e religiões (no fundo parecidas) aí estão a mostrar o sentido ético da vida e a importância de transformar a falibilidade e fraqueza humanas em objeto de meditação e de aprimoramento.

Solidão é lava
Que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo...

Solidão, palavra
Cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão...

Viu!
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão...(2x)

Camélia ficou viúva,
Joana se apaixonou,
Maria tentou a morte,
Por causa do seu amor...

Meu pai sempre me dizia:
Meu filho tome cuidado,
Quando eu penso no futuro,
Não esqueço o meu passado
Oh!...

Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão
Viu!
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão...

Quando vem a madrugada
Meu pensamento vagueia
Corro os dedos na viola
Contemplando a lua cheia...

Apesar de tudo existe
Uma fonte de água pura
Quem beber daquela água
Não terá mais amargura
Oh!...

Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão
Viu!
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão...

Danço eu, dança você
Na dança da solidão...(2x)

Grande parte (talvez a maioria) das pessoas procuram-se por causa de diferenças complementares (que existem, e como!) que depois crescerão até distanciá-las. Há uma percepção antecipada do que é falta, carência e insegurança nos nossos núcleos internos. Procura-se, então, quem tem ou parece ter o que nos falta. No começo é ótimo. Depois... babau, embora haja relações que se baseiam a vida inteira nessas diferenças que se complementam.

A união entre duas pessoas - quando não é amor, mas nele se camufla - é a complementação de necessidades que, num dado momento da vida de cada um, parecem essenciais para a solução de suas dores, mágoas ou carências. Amor é deveras confundido com "necessidades complementares".

O progresso interior ou amadurecimento de apenas um dos membros do par amoroso, torna ainda mais instável a relação porque dela retira o caráter complementar que a mantinha. Dois espelhos, um defronte do outro, geram imagem infinita. Um só espelho reflete apenas a imagem de quem se olha. Olhar e ver o outro aplaca. Olhar e apenas ver-se é, para muitos, insuportável.

Quando a evolução de uma das pontas do par amoroso dá-se de maneira
mais rápida que a da outra, esta não tem mais em quem projetar as suas ansiedades. Uma parte já não aceita as cargas da outra, antes assimiladas por imaturidade, medo ou dependência econômica. Aí o equilíbrio do par se abala. Ou rompe.

Por evolução não se entenda apenas a intelectual. Esta é importante,
porém não decisiva. Numa pessoa, há vários núcleos internos que
podem ganhar graus ou ritmos evolutivos diversos: emocional, sexual,
profissional, espiritual, físico, econômico, político.

Somos seres variados, plurais. Nossa arquitetura interior possui
elementos de vários estilos e escolas. Englobamos e amealhamos,
tendências díspares, propostas diferentes em nossos vários núcleos interiores. Assim, em nossa relação mais profunda, que é
a íntima, cada núcleo interior seja, intelectual, emocional, sexual, profissional, espiritual, econômico e político pode vir
a ter ritmos diversos de evolução.

Somos seres tão estranhos, que podemos passar por evoluções
intelectuais formidáveis e permanecer anos a fio estacionados ou
cristalizados em outro núcleo emocional. Podemos evoluir emocional,
profissional e politicamente e permanecer estacionados sexualmente, e
repetir antigas, estacionárias ou primárias formas de exercício do
instinto sexual. E assim por diante. É muito difícil evoluir por igual
em todos os nossos núcleos interiores. Por isso desandam tantos casos
de amor depois que se resolvem com a união das pessoas.

Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...

Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...

Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...

Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

Almany Falcão - Poeta do sol

Nota: Apesar de muitas vezes ser atribuído a Vinicius de Moraes e Fernando Pessoa, trata-se de uma adaptação de "Eram nossos amigos", cuja autoria é de Almany Falcão.

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O Adeus

Hoje eu sei porque a um tempo atrás eu não fui embora,
Não fui porque temia sentir essa dor que estou sentindo agora...
Temia dizer adeus...
Temia te perder.

Hoje a fome não me dói..
A cede não me importa...
O sono não me encontra...
As cores não existem...
Os sons não me agradam...
O tempo não passa...
A minha mente não descansa...
A sua falta me preocupa...
A saudade me consome...
A vida me perde....

Difícil e conseguir andar pra frente quando você perde o motivo pelo qual caminha...
Difícil olhar para trás e saber que o tempo não retorna...
Difícil não entender e tentar explicar...
Difícil e perder e não poder chorar...
Difícil e saber e não querer acreditar...

Quando eu partir, não se lamente.
Pode chorar, mas não desperdice muitas lágrimas.
Guarde nossos sorrisos.
Guarde nossos abraços.
Os momentos que pareceram eternos.
Tente lembrar de algumas brigas.
Mas só daquelas em que nos reconciliamos.
Lembre-se do "eu te amo".
E esqueça do "eu te odeio" dito impensadamente.
Sorria das piadas que fiz.
E esqueça dos palavrões que falei.
Deseje novamente meus carinhos.
Mas esqueça das feridas que abri em você.
Lembre-se dos sorrisos espontâneos.
Mas esqueça dos dias em que me pegou de mau-humor.
Lembre-se que fui humano.
Amei humanamente o quanto pude.
Vivi humanamente enquanto pude.
E errei mais do que gostaria.
Mesmo assim, esse momento não me é doloroso.
Tenho que ir.
Tenho mesmo que ir.
Mas levarei pedaços de você comigo.
Deixarei pedaços meus com você.
E quando quiser me encontrar, olhe pro céu.
Procure Deus entre as nuvens.
Procure-me entre Deus.
Você não O verá.
Mas eu te verei.
O simples fato de você procurar por Ele, fará minh'alma mais feliz.
E se em algum momento uma chuva fina banhar teu semblante, saiba que será Deus atendendo um pedido meu, derramando em você todo o amor de meu coração para sussurrar discretamente:
- Estarei sempre contigo.

Canção do Adeus

Mais uma vez,
lábios se abriram
e me disseram
adeus!

Um duro olhar viu
meu sim silencioso,
cheio de surpresa
e desapontamento.
Lábios que antes úmidos,
prometiam beijos,
secos e crispados
recusavam o amor.
E meu corpo tremeu
apertando a garganta.
E, engraçado, nada
havia mudado.
Nunca houve amor,
apenas farsa,
ilusão e dúvida.

Sua imagem
ressurgiu das sombras,
me acusando
os erros de outrora.
Sua boca, em outros lábios
me apontavam.
O destino por mim próprio
construído era, enfim,
a sua forma de vingança.
Todo amor
que desprezei um dia,
foi consumido
ao fogo do arrependimento.
Mas, creia que já não luto
e compreendo agora
que tenho de sofrer
o que lhe fiz.

Embora por outros lábios,
outras vozes e gestos
diferentes.
Tudo é você,
tudo é seu
e me condena.

A nossa caminhada apenas começou

E com muita alegria que nos apresentamos aqui hoje, embora seja para despedirmos-nos, a alegria permanece em nós. Somos pessoas completamente diferentes, mas com uma história em comum.

Hoje somos finalistas, mas nem sempre foi assim. Quando entramos nesta escola, foi acima de tudo uma fase de adaptação. Adaptação a uma escola maior, aos novos colegas, novas e muitas disciplinas e professores exigentes. Mas com a ajuda de todos aqui presentes, da nossa família, dos professores, dos funcionários, dos nossos amigos, ultrapassamos a cada dia esses desafios.

Nada foi fácil e aprendemos que nada será. Aprendemos, entre muitas coisas, que a pontualidade e assiduidade são importantes, que as regras são para ser respeitadas, que devemos ser solidários uns para com os outros, que devemos fazer valer a nossa voz, que sem esforço não se vai a lado nenhum, que o que alcançamos hoje é só uma pequena parte do que ainda podemos alcançar.

A nossa caminhada foi longa e difícil. Mas conseguimos chegar aqui e este é o fruto de nosso esforço. Portanto, colegas, tenhamos sempre em nós essa força de vontade e persistência que nos trouxe até aqui.

Hoje despedimos com a certeza de dever cumprido. Mas em breve tentaremos esconder de todos que sentimos saudades de nossa escola, afinal, é aqui que passamos maior parte de nossos dias. Não sentiremos saudades somente da sala, mas dos corredores, dos trabalhos que fazíamos no último dia de entrega, sentiremos saudades de todos os cantos da escola que de alguma forma fomos felizes.
Passamos de alunos que vão à escola porque alguém os mandou aos alunos que vão à escola a busca de um futuro promissor.

E daqui a alguns anos, não muitos anos, prometemos outro encontro como este, mas ao invés de uma faixa receberemos um diploma. E quando isso acontecer, lembrem-se que só foi possível pela interseção de cada um de vós. Não nos resta mais nada a não ser agradecer.

Os nossos agradecimentos vão...
Aos nossos pais: pois são os pilares de nossas vidas. O nosso primeiro incentivo para frequentar a escola e nos dão motivação a cada dia. Agradecer por olhar por nós em todos os momentos.
Achamos que sabemos muito, mas ainda não aprendemos nada que possa substituir o simples obrigado.

Aos pais ausentes: nossa homenagem àqueles que partiram, pais, mães, irmãos, parentes, deixando a lembrança de suas presenças. Que onde quer que estejam sintam-se orgulhosos dos grandiosos passos que demos e daremos.

Aos amigos e colegas: no início, unidos apenas por um objetivo comum. Com o passar do tempo vieram os compromissos, as amizades, as diferenças, mas soubemos conviver e respeitar-nos.
Colegas, muitos desafios nos esperam. Temos ainda muito a conquistar. E este é o momento de comemorar juntos nossa primeira conquista, que abre a porta de nossa mais nova importante etapa da vida. E por tudo a saudade há de ficar.

Aos professores: que em todos estes anos transmitiram-nos ensinamentos, não só didáticos, mas também da vida cotidiana. Que souberam dar-nos bases para prosperar em nossos caminhos, e as devidas sanções pelos nossos atos. Tivemos em vós não só professores, mas também amigos.

Agora com esperança de grandes sucessos, seguimos nesta nova etapa de nossas vidas, pois a nossa caminhada apenas começou.

Não guardo mágoa e nem cultivo ódio, só guardo o melhor de cada um.
Apago as dores e guardo lembranças.
Coleciono risadas e histórias.
Levo em mim um pedaço de cada um e a certeza de que todo sentimento é eterno quando repleto de verdade. Aquilo que toca o seu coração merece para sempre lugar dentro dele... Purifique seus sentimentos e entenda: seu coração é o único lugar onde pessoas especiais viverão para sempre!

Carta de até logo

Eu poderia escrever adeus, mas me prendo sempre em um até logo. Deve ser medo do peso de uma palavra que diz que o fim chegou. Que não dá espaço para vírgulas, muito menos reticências. Eu deveria te dizer adeus, mas por enquanto fico no "até qualquer hora". Isso te dá o direito de aparecer de vez em quando sem avisar. Apareça. Não fique muito. Conte as novidades e pode ir de novo. Não quero dizer adeus, mas também não quero prolongar histórias com você.

Preciso que saiba que não quero mais escutar seus problemas. Se não posso compartilhar contigo todos os seus risos. Não quero que me venha com as lágrimas. O meu ombro era seu, e sigo afirmando que ninguém te conhece tão bem como eu. Mas não me ligue mais. Confesso que ainda estarei ao lado do telefone. Uma parte de mim irá querer que toque. A outra que seja engano. Por agora não quero que me encontre. Mas você ainda sabe onde me encontrar.

Sabe que não quero que diga que se lembrou de mim. Sabemos que existem muitas músicas nossas por aí. Não precisa mais dizer o quanto sou legal ou engraçada. Minha mãe diz isso todos os dias. Não é um adeus. Mas vamos ficar nas boas noites e dias. No oi e no tchau. Não me pergunte se vou guardar o seu bom dia. E se estarei por você nas madrugadas. Talvez cansei de esperar que ache as respostas.

Sabe que isso tudo poderia ser um adeus. Mas não encare assim. Eu não sei viver pela metade, e não aprendi a andar de bicicleta sem as mãos. Talvez eu queira que me segure, que não me deixe ir. Que me deixe segura. Então, até mais ver. Acho melhor eu ir embora do que esperar o dia que você irá me querer.