Carta a um Amigo Especial
CARREGAR O CADÁVER
Viver é mais do que um peso
Viver é carregar o próprio cadáver nas costas
Lentamente...
Dilacerantemente...
Deixar putrificar substâncias entrópicas, fétidas e químicas...
Ao mesmo tempo ter consciência de que tudo pode acabar...
Num instante, num sopro, numa ventania...
Mas milagrosamente resta a fé do crente que descortina adiante as certezas, ou nas in-certezas do filósofo...
Tudo na vida será um fim...
Resta aproveitar a "viagem", o "intervalo" e esperar o fim...
ou não...
Amém!
DISTANTE DE MIM...
Resolvi caminhar...
Buscar novas paisagens...
Sair de mim...
Perder-me um pouco...
Fui para bem distante de mim...
Quis esconder de mim-mesmo...
Depois resolvi voltar...
Voltando a pé...
Num longo caminho...
Perdi de mim-mesmo...
Mas desejoso de voltar...
Será que me encontro?
SONHE PARA QUE O POEMA ACONTEÇA...
Esse ser estranho, estranhíssimo...
Senhor de um breve Nada filosófico: o homem
Executor de uma equação sinistra
Qual será seu destino?...
O homem vive in-ventando querer ser Deus...
Mas não pode sê-lo...
Do verso que vive em sua cabeça
Dorme... dorme... dorme...
Inventando, criando, fantasiando...
O homem é um im-prudente menino
Versos em sua cabeça, em sua atmosfera...
Dorme... dorme... dorme...
Sonha... sonha... sonha...
Para que o poema aconteça...
TUDO É UMA FARSA
Tudo é uma farsa
Toda cultura uma tragédia
Toda vida um teatro
Toda essência relativista
Toda crítica o último refúgio do indivíduo
Toda filosofia marca um cruel destino que se re-vela
Enfim: o homem ser escravo de seus anelos de poder, crueldade, criatura limitada e ignorante
Para assim: habitar, sofrer e morrer...
RESSIGNIFICAR
A vida é todo dia,
um re-começo, uma partida...
Porque já começamos e
vamos passo a passo re-começar...
Ressignificar...
Dar significado sempre...
Res-signi-ficar...
Sofrer sem re-clamar
Desesperar sem afundar
Sacudir sem derrubar
Filosofar sem posse
Progredir sem cristalizar...
NUNCA FUI ALÉM...
Sei que um dia
Nem serei mais lembrado, recordado
Um dia será meu fim...
Nenhum passo a mais será dado
Nunca fui além , aquém de mim...
Extensa é a caminhada
Se fui parte do caminho
Não deixo trilhas, mapas, pegadas
Assim foi o meu destino...
Bem mais simples e pensado
Foi o primeiro passo
Pois na vida tudo é transitório
Como num trivial velório
Chorando por horas mortas...
CRENÇAS VAZIAS
Num estranho fervor
Em crenças vazias
Fingindo coragem
Em estranhos enredos
Uma ruptura em meu existir
Compreendi que não preciso de conselhos
Para ensinar-me como pensar
A vida não é olhar espelhos
Gosto do meu jeito de errar
Também não existem erros nem acertos
Só existe o caminhar
O que parece não ter conserto
É o concerto que quero tocar
VERSOS DE OBITUÁRIO
Nos versos de um poema
Que não nasceu
Um obituário se faz
Pra morrer outras vezes
Se viver a morte
Num verso controverso
Num pensar disperso
Nos versos feito a corte
Já morri muitas vezes
Parece até controverso
Que não sei dizer
Foi a morte o derradeiro verso
Foi a morte o primeiro verso...
O TEMPO TODO PLUGADO (B.A.S)
O tempo todo plugado
Muita gente hoje vive
Com um chip programado
Já se vive de antemão
Nos primórdios dessa era
Engenhocas se fazem
Ao nascer serão chipadas
Formatados na quimera do existir
Ouçam a voz do profeta
Que declara, que decreta
O ser humano um dia
Ao nascer será chipado
Declara a ciência
Com sua voz destoada
Uma grande utopia sonhada
Livre do bem e do mal
O sistema não vai esperar
Vai deletar mais um dado
Se alguém conseguir pensar
É o destino que nos espera
A TRAMA DA POESIA II (Bartolomeu Assis Souza)
O poeta é um aventureiro, um bandeirante que caça esmeraldas do pensamento, lapidando-as à luz da dialética, da ciência e, principalmente, à luz de sua sensibilidade e de seu olhar profundo. É através dessa sensibilidade que ele pode tratar de elementos universais, como a dor, a paixão, a miséria, a esperança e muito mais...
Jornal Lavoura e Comércio, Uberaba, sábado, 09/06/2001
caderno Especial A-07
B.A.S, é professor, atendente de farmácia e agente funerário
CADA UM TEM UM PERCURSO A CONCLUIR (B.A.S)
Cada um de nós tem um percurso a concluir.
Deus tem um lugar para cada um de nós preencher, e um trabalho para cada um de nós executar, Os nossos tempos
estão em Suas Mãos. A alguns é dado um período curto para a sua obra; outros recebem mais tempo, mas não é o comprimento da vida que conta, mas a sua profundidade e força. Um dia a vida terminará para você e para mim, vamos cumpri-la bem e com fé...
ALÉM-DE-MIM... (BARTOLOMEU ASSIS SOUZA)
Inabalável!
Deve ser minha fé, um rochedo
Jamais uma fé manca
Traçada pelo destino
Buscar sempre o além-de mim...
Por mais que um "deus" vazio se apresente
Pois a vida segue o transitório
Sem mapas, trilhas, pegadas
Na vida tudo é transitório
Como num trivial velório
Cheio de preceitos e falatórios
Será que o morto ouvirá as lamúrias?
ISBN: 978-85-4160-632-5
PARTIDA (BARTOLOMEU ASSIS SOUZA)
Se um dia eu partir...
Nalgum horizonte findar...
Em alguma esquina de amanhã...
Um verso de ilusão quero deixar...
Fascinou-me querer ser poeta...
E é lá que quero estar junto da poesia da vida...?
Nesse último verso que a vida compor...?
Quero deixar meus sonhos e ilusões...
Amém!
ISBN: 978-85-7893-519-1
EXUMADO (BARTOLOMEU ASSIS SOUZA)
A nossa vida deve ser guiada
por um sentimento onde "exumado"
o Evangelho das cinzas, da cristalização
e do dogmatismo e tradição e do casuísmo
sacerdotal, adotemos o discernimento
filosófico-religioso que a vida
é triunfante, transformante, edificante
e bela e que o Amor a Deus é o que importa
e a Sua Justiça Divina se faça...
ENIGMA
(Bartolomeu Assis Souza)
Por que estamos aqui e como deveremos
ser?
A morte traz um enigma, pode o "amor" oferecer uma resposta ao doloroso mistério e enigma da morte?...
Só há uma forma e maneira...
Amar com intensidade e força o equivalente a nossa "mortalidade"...
Somos chamados de "mortais" é o que nós somos...
A nossa mortalidade é o que nos define...
Sonho Infantil
És um sonho, sonho infantil...
Feliz, terno, e com carinho;
lembranças de um doce, de um carrinho.
Talvez seja... ingênuo, juvenil.
Talvez seja assim, num mundo miudinho...
Pequeno alegre, feliz, longe da maldade;
Como um dia de Sol e borboletas pelo caminho.
Aproveite enquanto há tempo, depois, é só saudade.
Desculpe, mas eu mudei.
Se você me conheceu a um tempo atrás, então você conheceu uma versão de mim com menos sabedoria do que hoje. Sinto muito te dizer, mas eu mudei. Algumas coisas eu ganhei assim como outras eu perdi. Portanto, encontro-me numa versão mais sábia, mas não muito diferente do que já fui, algumas coisas não mudam. Ainda sou eu mesmo, o que muda são as regras a serem aplicadas, pois aprendi que nem todo mundo merece a nossa melhor versão.
Canção do Bardo - O Paladino e o Reino do Norte I-XIV
Sou um cavaleiro negro andante
Por trevas, vales e tormenta forte.
Um Paladino, buscando adiante,
O Reino florido, o vale do norte.
Jazo exausto e oscilante,
Deito-me aos braços desta sorte.
Rompo o encanto — paladino errante,
Sob névoa, tenho visto a morte.
Eis-me aqui, presente,
Sob dia e noite, viajante.
Sigo firme e persistente,
Até alçar meu fado distante.
Prefácio dos Deuses
A dama nívea, sob umbra prece, ora.
Um cântico aos velhos Deuses
Sob o seu pranto, o legado umbra aflora,
com um apetite que não sacia
Consumida em pecado de outrora.
Da antiga profecia, eis a proa
O antigo Deus há de tomar forma
Da mácula de alvor que ecoa,
A vergonha de sua graça esquiva.
Ecoa das ruínas em língua arcaicozoa.
A seu reino a noite sempiterna ativa,
sob o véu de breu que tudo cobre.
Um ancestral tornar-se-á carne viva,
com cheiro acre de terra e sangue pobre.
A dama nívea, sob umbra prece, ora.
Cantiga dos Deuses celestiais.
No seu pranto, o legado umbra aflora,
Qual trevas no âmago dos olhos,
Torna turva a vista, qual névoa que devora.
Tal negror de seus olhos caíra,
Que lhe maculam o vestido alvíssimo.
A profecia dos Deuses já se cumprira.
Sob sua formosura, destoa o desespero.
O eco dos antigos hinos ressurgira.
Ainda que finde por amor infame,
um laço de dor e volúpia impura.
Ungirá com prece o berço do infante,
sob a névoa fria que perdura.
Embora as sombras o mundo sele,
Lavar-lhe a alma em sangue e culpa
Saudando o ser das rúnicas delecele. *
Vindo à terra a noite oculta.
Vagando de seu lar, tão apartada,
A dama nívea, jaz sob sangue e pecado.
Sua alma sobre o abismo jaz deitada.
Donzela nívea, sob umbra orando ao lado.
No encanto de seus olhos de cristal,
Ao menos santa sua esperança é alçada.
Cantiga dos Deuses de outrora, afinal.
Em seu último pranto, a escuridão selada.
O Amor que Nos Torna Iguais
O verdadeiro amor não é um discurso bonito, nem um sentimento que aparece apenas quando convém.Ele é silencioso, constante e, muitas vezes, invisível.É aquele gesto que ninguém vê, aquela ajuda que não pede reconhecimento, aquele cuidado que não cobra retorno.
A essência que nos iguala
Amar de verdade é enxergar no outro um reflexo de si mesmo.É entender que, por trás de qualquer rosto, história ou condição, existe alguém que também sente, sofre, sonha e busca ser feliz — exatamente como você.Quando essa consciência desperta, desaparecem as barreiras que o mundo insiste em construir: cor, classe, religião, aparência.Tudo isso perde importância diante da essência que nos iguala.
A grande casa da humanidade
Imagine o planeta como uma grande casa.Não uma casa perfeita, mas uma casa viva, em construção constante.Dentro dela, bilhões de pessoas convivem — diferentes, imperfeitas, mas profundamente conectadas.Somos, todos, moradores do mesmo lar.E, no fundo, todos buscamos a mesma coisa: paz, dignidade e felicidade.
Cooperar em vez de competir
O amor verdadeiro nasce quando deixamos de competir dentro dessa casa e começamos a cooperar.Quando paramos de querer “ter mais” e passamos a querer “ser melhor”.Quando entendemos que ajudar o outro não é um favor — é uma extensão natural de quem compreende a própria humanidade.
O papel da humildade
A humildade é o alicerce disso tudo.Ser humilde não é se diminuir, mas reconhecer que ninguém é maior ou menor — apenas diferente.É saber ouvir, aprender, ceder, e principalmente, respeitar.A humildade nos tira do pedestal da razão absoluta e nos coloca no lugar certo: ao lado dos outros, não acima deles.
E não, não precisamos ser perfeitos.A beleza está justamente nisso.Erramos, falhamos, aprendemos e seguimos.A nobreza não está em nunca cair, mas em levantar com mais consciência e mais compaixão — por si mesmo e pelos outros.
Todos no mesmo barco
No final das contas, a verdade é simples: toda a humanidade está no mesmo barco.Não importa quem você é ou de onde veio — se esse barco afundar, afunda para todos.Mas se cada um fizer sua parte, com amor, humildade e respeito, ele segue firme, atravessando qualquer tempestade.
O segredo da vida
E talvez o segredo da vida seja esse: entender que cuidar do outro é, na verdade, cuidar de todos… inclusive de si mesmo.
Chico Uchoa
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