Carta a um Amigo Especial

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ENTRE A MESA E A CAMA

Entre a mesa e a cama
Um espaço a ser percorrido
Com a imaginação do corpo
Com a cumplicidade dos olhos
Com as mãos e os dentes do vinho.

A boca saliva, degustando o amor
Em goles de suspiros e de saudade
Entre a mesa e cama há um limbo
Que purifica as almas “encarnadas”
Onde os amantes recuperam a santidade,

Entre a mesa e a cama, o prazer
O brilho do mundo e o encantamento
Entre a mesa e a cama, o sonho
A conquista, o delírio de estar vivo.
Evan do Carmo 21/07/2016

Inserida por EvandoCarmo

Sobre a verdade

A verdade não é relativa,
não a minha, nem a tua,
a verdade de cada um
é inexorável como o sol,
todos a verão...

Mesmo que a ignorem,
saberão da sua existência
cruzarão com ela
face a face...

Minha verdade
assim como a de Pilatos
não é relativa...
ela não é discurso de Cícero
nem retórica de Homero
ou banquete de Platão.

A verdade é transparente
e purificadora, na tragédia
e na comédia ela revela
a alma do seu agente
expõe o abismo das palavras
a verdade não é divina
a verdade é humana
é a soma das nossas ações.

Evan do Carmo

Inserida por EvandoCarmo

Sobre o ano - 2016/2017

Estamos fechando um ciclo velho, entrando noutro novo, mudança de um ano para outro, coisa importante para os crédulos, dizem até se tratar de algo muito significativo, emblemático e até místico para muitos. Contudo, a razão nos ensina o contrário... Nenhum evento especial separa um dia de outro, apenas uma noite, como nos demais dias do ano.
Nem mesmo existe um nascer e um por de sol, como criam os antigos ignorantes da ciência. É isso o que ocorre de fato, apenas o giro de número 365 da terra em torno do sol. Mas muitas coisas acontecem em volta desta débil superstição: festança e bebedeira, choro e ranger de dentes, arrependimentos e comemorações simultâneos. A maioria dos homens acha mesmo que algo de novo deve nascer com o primeiro dia do ano, ou que a roda da sorte deve girar a favor de uns e em desfavor de outros no ano que começa.
As ações concretas dos homens, tolos ou sábios é que determinam o caminhar da humanidade. Portanto as mudanças devem acontecer apenas para aqueles que, por erros e repetições percebam, que devem agir de outra maneira no decorrer do ano que começa e, caso estejam insatisfeitos com os resultados obtidos no passado, poderão fazer de outra forma o que até então têm feito sem sucesso.
Existe uma regra muito simples, porém muito difícil de por em prática, “para obter resultados distintos deve-se usar outra forma de calcular o tempo e o espaço que nos resta”...
Acredito que em 2016 tive a chance de fazer muita coisa do que fazia, de outra forma, foi o ano mais intenso de todos que vivi, foi o mais desafiador, o mais difícil, o mais pesado para transpor, mas foi ao mesmo tempo o mais transformador na minha forma de pensar e de agir.
Desejo aos amigos que nos acompanham e nos apoiam, que a nossa história de superação sirva de inspiração para muitos. Não há limites para o pensamento, logo também não há limite para se fazer o novo, para empreender novos projetos e trilhar novos caminhos.
Que a ideia de algo novo permaneça na mente de cada homem, durante todo o ano de 2017, mas que estes mesmos homens não se esqueçam de que sem as experiências vividas no passado, sem fazer uso correto delas como matéria de reflexão e como cimento para edificar novos castelos, não se pode esperar nada do futuro.
Resumo da ópera: que esta ilusão de um ano novo sirva para que possamos tirar proveito desta “nova chance” que nos dá o relógio do tempo, para reparar os erros cometidos em 2016 e evitar cometer os mesmos erros em 2017.

Por Evan do Carmo & Iranete do Carmo

Inserida por EvandoCarmo

Um diálogo entre o filósofo e o poeta- ambos habitam em mim

- A vida está passando, meu caro poeta, então o que foi que fizeste da vida?
- Fiz muitas coisas, aliás fiz mais poesia do que coisas, afinal as coisas se diluem com o tempo; já a poesia, esta flui como o rio de Heráclito, se transforma.
- Nada permanece para sempre, poeta, nem mesmo o rio, tampouco tua poesia se transformará em algo concreto.
- Mas o que queres dizer com isto, meu caro filósofo, tens tu produzido algo imortal, algum pensamento que suportará o crivo da eternidade, caso ela exista de fato?
- Creio que não, e, todavia, enquanto observo e descrevo o mundo sensivel, tu ficas aí com as tuas viagens metafisicas, tentando encontrar a razão para a existência do tudo e do nada.
- Quem de nós dois é mais alienado? As coisas são o que são, e isto não tem autoria intelectual, elas são como são, nós é que tentamos lhes dar outro sentido ou significado...

Inserida por EvandoCarmo

Um caso real da literatura brasileira

Seguindo a sua rotina, a de sempre ir ao supermercado no final da tarde, para fazer compras para o jantar, o Antônio não tinha muita pressa, vivia sossegado. Era metódico e organizado, sempre saia na mesma hora de casa, seguia seu ritual diário. Entrava em seu carro, um 4x4 esportivo, dava a partida, ligava o som, para ouvir as notícias do final do dia, seu carro não era exatamente um carro de playboy, mas era um carro bonito e possante, que chamava a atenção das pessoas, pelo seu tamanho e potência.
Eram seis e meia da tarde, ou da noite para alguns, o fato é que era noite para o Antônio, pois em sua região o sol se punha mais cedo. Neste dia, porém, em que relato os fatos ocorridos, fatos dignos de atenção do leitor desta coluna, o Antônio achava que seria apenas mais um dia como os demais, que iria ao mercado, voltaria em paz e segurança, e que faria sua costumeira comidinha caseira para agradar a sua esposa. Antônio era jornalista aposentado, na verdade vivia de renda, tinha lá um pouco de dinheiro aplicado, dinheiro que recebera por uma aposentadoria voluntária, que o governo brasileiro havia promovido e incentivado antigos servidores federais a se aposentar antes da hora.
Antônio estava na melhor fase de sua vida, tinha casado já seus dois filhos, vivia com esposa a sua terceira lua de mel. Era um casal ainda jovem para os padrões atuais, ambos com sessenta anos, fortes e saudáveis, tinha uma vida sexualmente ativa e muito satisfatória, não tinha muito com o que se preocupar, vida financeira equilibrada sem nenhuma grande causa para lutar, queriam apenas viver e aproveitar seus melhores dias.
Antônio, neste dia em questão, foi ao mercado, como sempre fez, comprou seus ingredientes para o jantar, verificou que havia chegado o seu vinho favorito, vinho que ele tomava sozinho, uma garrafa por semana, especialmente na hora de cozinhar. Conversou com a moça do caixa, falou da família e dos netos, incentivou a atendente do caixa a estudar, pois segundo ele, a vida tinha muito mais para oferecer do que um emprego simples de caixa de supermercado. A moça agradeceu, como sempre fazia, era solista, mas não tinha lá grandes chances de subir na vida, pensava o Antônio, que ela apesar de ouvir seus conselhos nunca deixaria de ser caixa, estava na verdade contente com seu trabalho.
Antônio pagou sua conta e se despediu de todos, entrou em seu carro e seguiu para sua casa, que ficava a duas quadras do supermercado. Antônio morava em um condomínio de classe média, tinha seus privilégios quanto ao luxo de morar bem, morava em numa cobertura, seu prédio tinha área de lazer e segurança 24 e horas por dia. A garagem era como sua sala, não tinha a menor chance de ser abordado por estranhos.
Mas para tudo na vida sempre há, como dizem os mais velhos, sua vez. E este dia era a vez do ineditismo acontecer com Antônio. Ao sair do carro, foi surpreendido por um homem bem vestido, que lhe apontou uma arma e disse:
-Entre no carro, vamos dar uma volta.
Antônio calmamente lhe respondeu:
-Não vou a lugar nenhum. Se quiser me roubar, me roube aqui mesmo, e se por acaso deseja me matar, faça aqui, pois não costumo andar com estranhos, muito menos na hora sagrada de fazer o jantar para minha esposa.
O homem bem vestido, que ainda não sabemos ser um ladrão comum, balançou a cabeça e disse:
-Mas você é mesmo louco, não está entendendo o que lhe digo, ou está tirando onda com a minha cara? Estou lhe dando uma ordem, entre no carro e dirija para fora da cidade.
Antônio olha para o lado, não vê ninguém, está sozinho, apenas ele e o ladrão, ou o lunático que desejava dar uma voltinha de carro com ele. Antônio pensou, que seria mais um pervertido, pois o homem bem vestido não tinha as características comuns de um assaltante. O homem vestia um terno preto, mas de boa qualidade, não era um segurança do prédio, Antônio conhecia todos os empregados do seu condomínio, e, para estar ali, e ter entrado pela portaria, só podia ser um morador, alguém que premeditou cuidadosamente o evento.
Antônio diz para seu algoz, ainda com aparente calma:
-Não sei o que o senhor pretende com esta história de andar comigo de carro, poderia ser mais claro? Seja direto, o que realmente deseja? Como o senhor se chama?
O Homem abaixou a arma, se encostou no carro e começou a chorar. Entre lamentos dizia:
-Sou um desgraçado, me desculpe. Estou com uma doença terminal, moro aqui já faz alguns anos, sou viúvo há muito anos, e tenho observado a sua vida tranquila, sua rotina diária. Já pude ver o quanto é feliz com sua esposa. Então por viver só e abandonado, sem filho e parente por perto, e ainda condenado à morte, resolvi fazer alguma coisa para chamar a sua atenção. Veja, eu falo a verdade, esta arma, por exemplo, é uma arma de brinquedo, comprei com este intuito, o de lhe causar algum sofrimento e angústia. Mas sua reação me deixou ainda mais confuso. Quem em sã consciência, neste mundo perigoso, agiria desta forma ao ser abordado com uma arma na cabeça?. Qual é o seu segredo, por que leva a vida desta maneira incomum?
Antônio riu do homem, que ainda chorava descontroladamente e disse:
-Não tenho nenhum segredo, meu amigo, só penso que a vida não é assim tão complicada, como parece para a maioria das pessoas, e quanto a morrer nesta altura da minha vida, não me diz nada, tanto faz, estou satisfeito com o que fiz e vivi até aqui.
-Mas me conte mais sobre sua vida e doença, quem sabe eu não posso lhe ajudar.
O Homem de terno preto, marchou em direção a uma lixeira e jogou a arma de plástico. Voltou em direção ao Antônio e disse:
-Me desculpe, eu sou um homem desgraçado, mas poderia me fazer um grande favor? Não conte sobre isso para ninguém, nem me entregue para a polícia. Eu não mereço tanta consideração assim, esqueça este meu vexame.
Antônio olhou com piedade para o homem, que agora já estava mais calmo e disse:
-Não se preocupe, será o nosso segredinho, e se ainda quiser dar um volta no meu carro, podemos ir. O homem riu desconcertado e disse:
-Não, muito obrigado, tenho que voltar para casa já está na hora de tomar os meus remédios.
Antônio pegou suas compras, acionou o alarme do seu carro, entrou no elevador e entrou em casa sorrindo, como quem tivera uma visão de algo inverossímil.

Inserida por EvandoCarmo

A solidão e eu

Eu e a solidão somos um
um poema de desilusão,
solitário, a solidão e eu
somos um...

Um parto no deserto,
um náufrago em mar aberto,
eu e a solidão somos um,
um natimorto, sem mar
nem porto, a solidão e eu
somos um...

A solidão e eu somos um,
um poema de desilusão,
passageiro solitário
no abismo do desespero
eu a solidão somos um...

Inserida por EvandoCarmo

Enigma lírico

Em seu sorriso melancólico,
vi um fatalismo tácito
seguido de um silêncio morno
incompreensível

Subitamente
revelo-se o crepúsculo de um mito,
o fim da ilusão dolorosa...

A resseca dionísica do um festejo
carnal, onde quase virou apoteose
de um carnaval em Veneza...

Encenamos um ato da tragédia goethiana
a morte do sonho mascarado
que fez do mendico de Fausto
um Rei Lear, em seu apogeu
glorioso de terna insanidade e lucidez
antes da traição lírica da musa
ao poeta da divina comédia
do amor platônico.

Inserida por EvandoCarmo

Lírios de grego

Não escrevo mais melancolias
nem poemas de dores e de saudade
é um poeta novo que ressurge
das entranhas de uma cruel enfermidade.

Lírios de grego, mitos de flores
amor de musa morta,
gritos suspensos no âmago do absurdo,
poema mudo, ecos sem resposta.

Evan do Carmo

Inserida por EvandoCarmo

ANGÚSTIA SÍMIA

Não entendo muito bem o que sinto, mas sempre que vejo um homem branco ou um homem negro se exercitando ao ar livre, penso na hipótese remota de sermos de fato parentes muito próximo dos macacos, e isto me causa uma angústia dolorosa.
Sendo ou não verossímil esta teoria, penso que é um tema ainda muito árido e de difícil explanação, falta de fato muito mais discussão e estudo sobre o assunto.

Poucos estudos científicos foram realizados depois de Charles Darwin. Na verdade, a Origem das Espécies é um tratado infantil para os nossos dias. Contudo, ainda se ensina nas escolas a evolução do homem sobre o macaco.

Penso que nós poderíamos usar a mesma teoria da frente para trás, aplicando o inverso, sendo o macaco originário dos humanos, pelo menos será mais lógico, uma vez que os humanos se embrutecem a cada dia, estão retornando ao estado animal.

Todavia, isto me causaria uma angústia muito mais severa, a de saber, que olhando os macacos em seu estado de inatividade cerebral, estaríamos de fato olhando a nossa involução.

Inserida por EvandoCarmo

Qual é sua obra? Fogueira de vaidades.

Um bom tema, uma boa pergunta? Algum autor pode pensar que o que escreve contribui, de alguma forma para a melhoria do mundo. Mas isso todos acham, por isso se escreve tanto, no afã de dizer alguma coisa nova ou relevante para educar ou entreter o mundo.

Contudo, me pergunto, o que estamos fazendo com a nossa escrita? O que postamos nas redes sociais ou publicamos em livros, tem realmente algum valor cultural, é literatura, poesia, ou lixo?

Somos redundantes e prolixos, a poesia que tentamos escrever já foi escrita, e isso acontece nos melhores casos, nos autores mais sinceros, mas quem poderia concordar comigo, sem brigar com o resto do mundo?

Pergunto-me sempre, qual o valor daquilo que escrevo, e que por vaidade assino em baixo? Todavia, precisamos nos enganar, em qualquer ofício que medramos, somos apenas mais um tolo a se repetir, a iludir quem nos escuta, quem nos lê.

Inserida por EvandoCarmo

A CRENÇA DO HOMEM EM DEUS É ALGO MUITO POSITIVO.
Acreditar em um ser divino e superior aos homens é o mesmo que acreditar na boa vontade de muitos dentre a humanidade, em pessoas de bem, nas suas intenções de mudar o mundo para melhor.... É, sobretudo, ACREDITAR naqueles, que de certa forma se encontram perdidos e com conduta desvirtuada, fora do objetivo sublime da vida, que deve ser evoluir para um bem maior e comum.
Ressalto ainda, algo muito singular, no meu ponto de vista, que o homem fraco de caráter, como nos diz Dostoieveski, prefere sempre a máxima que lhe serve de modo ideal: "Se Deus não existe, tudo é permitido."

Inserida por EvandoCarmo

“O homem e o rio”

Um homem se depara com um rio em sua frente
O homem caminhava sem pressa,
Não pensava em rio nem em mar.
De repente, surge um rio
E a decisão de o atravessar,
Ou de voltar atrás, em busca de um atalho,
De outro caminho,
Por onde possa alcançar seu destino,
Sem rio, sem água, sem mar,
Apenas caminho de terra seca!
Mas o rio está lá, em sua frente,
Impávido, colossal, o rio de Heráclito.
O rio de sua aldeia, o rio que o ameaça,
Que lhe aterroriza, o rio que lhe pergunta:
“ Tu és um homem ou um verme?”

Inserida por EvandoCarmo

EXISTEM OUTRAS PEDRAS POR AÍ

Um poeta no meio do caminho
com uma pedra enorme na cabeça
que de tão pesada lhe faz sentar.

Atrás do poeta anda um filósofo
que tenta ajudar o poeta
a carregar seu fardo
o poeta, contudo, reluta
não aceita a razão nem a lógica
e permanece rígido, inflexível,
avesso à retórica
a pedra é imensa,
maior que a consciência do filósofo,
que perde o fôlego e o argumento...

O poeta e sua pedra,
continuam no caminho
a pedra, que de tão grande
poderia ser repartida em mil pedaços
a pedra, se dividida entre mil poetas
saciaria a fome de todos eles
a pedra é a poesia,
e se fosse compartilhada
poderia amenizar as dores do mundo.

Evan do Carmo

Inserida por EvandoCarmo

O amor é uma amizade que deu certo

Um silêncio perpétuo cerrou meus lábios,
não falarei mais sobre o espanto do amor
descobri tardiamente, ser a amizade,
de todos os sentimentos o maior.

A amizade está além de qualquer mito
dos que falam que o amor é sem igual
o que é o amor romântico incircunscrito,
pois que dura e não suporta um temporal?

O amor é uma dádiva de amigos a partilhar
quando almas generosas se permitem dividir,
uma cama, uma mesa ou mesmo um lar.

A amizade não se presta a vil conquista
como quer o encantamento dos amantes
não se compra, não se rende a uma bela vista.

Inserida por EvandoCarmo

Se um homem leva toda sua vida lutando contra a mediocridade contemporânea, em busca de se tornar grande, mas a sua grandeza só virá póstuma, que proveito teve este empenho...?

Assim, penso que Van Gogh está para pintura como Fernando Pessoa para poesia.... Gênios ignorados pelos estudiosos do seu tempo...

Inserida por EvandoCarmo

SONETO DO AMOR IDEAL

Que tipo de amor seria ideal entre nós
um amor que fosse como prece ao vento
aquele amor que tudo aceita, que tudo cala
calmo, lânguido, silencioso, passivo e lento?

Não tenho a pretensão de ser perfeito
não entendo amor assim, como novela
desejo amor náufrago, de barco à vela
sem certeza, sem destino, exposto ao sol

Quem ama vive em campo de batalha
lutando contra o egoismo e a vaidade
assim espera encontrar a ilha da felicidade.

Quem almeja a vida em paz foge da guerra
no amor os amantes travam luta com navalha
no fim todos perdem, ninguém ganha do amor.

Inserida por EvandoCarmo

AMOR INVENTADO

É preciso inventar uma paixão
para fazer um poema de saudade
que supere as odes ao amor
de Neruda, Vinicius ou Rimbaud...

Sem contudo, me valer da pobre rima
pois prefiro, em tese, a liberdade
sobre um vício que tem todo poeta
sucumbir à inflável vaidade.

Inventar uma paixão é coisa fácil e vulgar
ora em vida, quase tudo e inventado
mas o amor, aquele que faz chorar

Este sim, não se pode prescindir da poesia
só se vive uma vez, em vida ou morte
e com sorte, vamos atrás desta vã filosofia.

Evan do Carmo 31/03/2018

Inserida por EvandoCarmo

SONETO

A PONTE DA SAUDADE

Havia uma ponte sobre um rio,
Um rio que cortava uma cidade
A carne que gemia, um calafrio
Na ânsia de sentir uma saudade.

A ponte de tão frágil, caiu na` água
Só mágoa, num suspiro se afogou
Agora se travessa o rio a nado
Corrente dos desejos se quebrou.

As almas traspassadas em dores cruciantes
o rio e a cidade afastados hoje choram
a sorte esquecida, da ponte e dos amantes.

Mas a ponte da esperança não tem chão
na mente dos amantes que se encontram
distante da cidade do desejo e da ilusão.

Inserida por EvandoCarmo

Meu pai

Cresci admirando um homem
Que saía de manhã e voltava à noite
Ao sair, beijava minha mãe e eu
Ao regressar, beijava a mim e a aminha mãe.

Cresci observando um homem
Que tinha mais virtudes que defeitos
Um trabalhador incansável
Um modelo quase perfeito
Aprendi com este homem
Uma lição que jamais esqueci.

Este homem ainda está comigo,
Habita dentro de mim.

Cresci.... Agora sou eu quem sai
De manhã e volta à noite
Ao sair, beijo minha mulher
Ao regressar, à noite, beijo meu filho.

Me acostumei com a imagem de um homem
Entrando e saindo da minha casa
Mas que nunca saiu da minha vida.

Evan do Carmo, do livro, o Cadafalso, 2009

Inserida por EvandoCarmo

Da Presunção Humana

A primeira e mais decadente presunção humana é se achar importante, em um universo imponderável, de galaxias e universos ainda ignorados por nossa percepção simiesca e ciência atrasadas.

"Ser o único ser pensante, no vasto mundo dos instintos desconhecidos e indomáveis," caso seja isto a nossa supremacia entre os animais, o que determina esta superioridade? Somos todos feitos da mesma essência caótica, barro e água, submissos ao destino do acaso. Contudo, temos o dom de limitar as coisas e o espírito nelas, classificando-as como boas e más, de belas e feias. Por necessidade ou expertise emocional, aprendemos a inventar razões e adjetivos para o que não conhecemos.

Inserida por EvandoCarmo