Carta a um Amigo Especial

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Quando um pensamento desagradável surge em nossa mente, a questão não é se ele apareceu, mas o que fazemos com ele.

Nem tudo que pensamos foi escolhido por nós. Às vezes, surgem de forma involuntária, assim como quando alguém nos manda imaginar algo, e imediatamente uma imagem se forma em nossa mente.

Mas, ainda que não possamos impedir todos os pensamentos, podemos escolher quais permanecem, correto?

É aí que entra a sabedoria que vem de Deus: discernir o que deve ser acolhido e o que deve ser rejeitado. Entretanto, nem todo pensamento merece abrigo em nossa mente.

Assim diz, em Filipenses 4:8 (ARC)

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.

Amém?

Se existe um dilema que acompanha o Direito desde suas origens, é a tensão entre seguir a forma e alcançar o que se entende como justo.

Essa tensão não é um problema recente. Ela aparece desde os sistemas jurídicos mais antigos e continua viva no cotidiano de qualquer operador do Direito. De um lado, o formalismo garante previsibilidade, segurança e estabilidade. De outro, a busca por justiça exige sensibilidade, interpretação e, muitas vezes, certa flexibilidade diante do caso concreto.

Na prática, o Direito vive exatamente nesse equilíbrio instável.

O formalismo jurídico cumpre uma função essencial. Ele organiza o sistema, estabelece regras claras e limita arbitrariedades. Sem forma, o Direito se tornaria imprevisível, dependente exclusivamente da vontade de quem decide. É a forma que impede que decisões sejam tomadas de maneira puramente subjetiva.

Mas o excesso de formalismo pode gerar um efeito colateral importante: decisões tecnicamente corretas que parecem, sob a ótica humana, desconectadas da realidade.

Essa tensão aparece de maneira muito clara em situações processuais em que um detalhe formal pode impedir o exame do mérito. Para alguns, isso representa rigor necessário. Para outros, uma barreira que impede o acesso efetivo à justiça.

Aqui, vale lembrar que o Direito não existe em um vácuo. Ele está inserido em uma realidade social concreta, onde pessoas lidam com conflitos reais, expectativas frustradas e consequências práticas. É nesse ponto que a ideia de justiça ganha relevância.

Uma referência clássica para pensar essa tensão é a obra de Antígona. No conflito entre Antígona e Creonte, temos de um lado a lei do Estado, representada pela ordem formal, e de outro um senso de justiça que transcende a norma escrita. A tragédia não resolve a tensão, mas a expõe de forma profunda: seguir a lei nem sempre elimina o conflito moral.

No mundo moderno, essa discussão ganha novas camadas.

Autores como Lon L. Fuller destacaram que o Direito não é apenas um conjunto de comandos, mas um sistema que depende de certas qualidades internas, como coerência, clareza e aplicabilidade. Para ele, existe uma moral interna do Direito que precisa ser preservada para que o sistema funcione adequadamente. Isso mostra que o formalismo, por si só, não é neutro, ele precisa servir a um propósito maior.

Por outro lado, a busca por justiça também não pode ignorar completamente a forma. Se cada decisão fosse tomada apenas com base em percepções subjetivas de justiça, o sistema perderia consistência e previsibilidade. O Direito deixaria de ser um instrumento de organização social para se tornar um conjunto de decisões casuísticas.

É nesse ponto que a tensão se torna produtiva.

Na prática jurídica, essa dualidade aparece o tempo todo. Um advogado precisa saber quando insistir em um argumento estritamente formal e quando construir uma narrativa que evidencie a justiça material do caso. Um juiz, por sua vez, precisa equilibrar a aplicação da norma com a análise das circunstâncias concretas.

Essa dinâmica pode ser comparada, em termos culturais, a um bom romance realista, como os de Machado de Assis. Em obras como Memórias Póstumas de Brás Cubas, não há respostas simples ou absolutas. As situações são construídas a partir de ambiguidades, contradições e nuances humanas. Da mesma forma, o Direito lida constantemente com casos que não se resolvem apenas pela aplicação mecânica de regras.

Outro ponto relevante é que o formalismo muitas vezes funciona como um filtro institucional. Ele impede que decisões sejam tomadas de forma arbitrária ou influenciadas por fatores externos indevidos. Nesse sentido, a forma protege a própria ideia de justiça, ao garantir que casos semelhantes sejam tratados de maneira semelhante.

Ao mesmo tempo, quando aplicada de forma rígida e descontextualizada, a forma pode se afastar do seu objetivo original. É nesse momento que surge a percepção de injustiça, mesmo quando a decisão está tecnicamente correta.

Essa tensão também pode ser observada em sistemas processuais contemporâneos, onde princípios como razoabilidade e proporcionalidade passaram a ter maior relevância. Eles funcionam como ferramentas que permitem ao intérprete dialogar com a norma, sem romper completamente com o formalismo.

Na prática, o profissional do Direito precisa desenvolver uma espécie de sensibilidade dupla.

De um lado, dominar a técnica, compreender regras, prazos, procedimentos e estruturas formais. De outro, ter capacidade de interpretar o caso concreto, entender os interesses envolvidos e construir soluções que façam sentido não apenas juridicamente, mas também do ponto de vista humano e social.

Talvez a melhor forma de enxergar essa tensão não seja como um conflito a ser resolvido, mas como um equilíbrio a ser administrado continuamente.

O formalismo garante que o Direito exista como sistema. A busca por justiça garante que ele permaneça relevante para a vida das pessoas.

E é exatamente nessa interseção que a atuação jurídica ganha profundidade.

Quando se fala em advocacia, muita gente ainda pensa apenas na ideia clássica de “defender um cliente” em um processo. E isso, embora não esteja errado, é uma visão incompleta.

No mundo contemporâneo, a advocacia assume um papel que vai muito além da atuação individual em conflitos. Ela se posiciona como um elemento de equilíbrio dentro da sociedade, funcionando como uma ponte entre o cidadão, o Estado e as estruturas jurídicas que organizam a vida em comunidade.

Na prática, isso significa que o advogado não atua apenas como representante de interesses privados. Ele também exerce uma função que impacta diretamente a forma como o Direito é aplicado, interpretado e vivenciado na realidade social.

Se pensarmos com um pouco mais de profundidade, o Direito só faz sentido porque organiza relações humanas. E a advocacia é uma das engrenagens que mantém esse sistema em funcionamento. Sem a atuação do advogado, muitos direitos permaneceriam inacessíveis, não por inexistirem, mas por falta de efetividade prática.

Existe aqui um ponto que muitas vezes passa despercebido no início da formação jurídica. O acesso à justiça não é apenas uma questão formal. Não basta que o Direito exista no papel. É necessário que ele seja compreendido, invocado e aplicado de maneira concreta. E o advogado é um dos principais responsáveis por transformar normas abstratas em soluções reais para problemas concretos.

Nesse sentido, a função social da advocacia está diretamente ligada à concretização de direitos.

Quando um advogado orienta um cliente, ele não está apenas prestando um serviço técnico. Ele está ajudando alguém a compreender sua própria posição dentro do sistema jurídico. Quando elabora uma peça, ele não está apenas redigindo um documento. Ele está participando da construção de uma decisão que pode impactar a vida de pessoas, famílias ou organizações.

Essa responsabilidade exige mais do que conhecimento técnico. Exige consciência do papel que se ocupa dentro da sociedade.

Se olharmos para obras clássicas que tratam da condição humana e das relações sociais, como os romances de Dostoiévski, percebemos que os conflitos humanos raramente são apenas jurídicos. Eles envolvem moral, contexto social, limitações econômicas e dilemas existenciais. O Direito, nesse cenário, funciona como uma tentativa de organizar e dar resposta a essas tensões. A advocacia, por sua vez, atua como mediadora entre essas complexidades e a estrutura normativa.

No mundo contemporâneo, esse papel se torna ainda mais relevante.

Vivemos em uma sociedade marcada por relações cada vez mais complexas, por mudanças rápidas e por uma crescente judicialização de conflitos. Nesse contexto, o advogado precisa não apenas dominar normas, mas também compreender dinâmicas sociais, econômicas e comportamentais.

A função social da advocacia também se manifesta na preservação do equilíbrio institucional. Ao atuar dentro dos limites éticos e legais, o advogado contribui para a legitimidade do sistema de justiça. Ele ajuda a evitar abusos, garante que as partes sejam ouvidas e assegura que decisões sejam tomadas com base em um contraditório efetivo.

Isso significa que a atuação do advogado tem impacto não apenas no caso específico, mas no funcionamento do sistema como um todo.

Outro aspecto importante é o papel do advogado na redução de assimetrias.

Nem todos os indivíduos possuem conhecimento técnico suficiente para compreender plenamente seus direitos e obrigações. O advogado atua justamente como um agente que reduz essa desigualdade informacional, permitindo que mais pessoas tenham condições reais de acessar a justiça e tomar decisões conscientes.

Na prática, isso se traduz em orientar corretamente o cliente, explicar cenários possíveis, apontar riscos e sugerir caminhos viáveis. É uma atuação que combina técnica com responsabilidade social.

Também vale destacar que a advocacia contemporânea exige uma postura mais ampla do que no passado. Não basta ser apenas um operador técnico do Direito. É necessário desenvolver habilidades de comunicação, empatia, análise estratégica e compreensão do contexto em que o cliente está inserido.

No fim, a função social da advocacia não é algo abstrato ou distante da prática. Ela está presente em cada atendimento, em cada orientação, em cada peça e em cada decisão tomada pelo profissional.

Talvez a forma mais simples de resumir essa ideia seja a seguinte: o advogado não atua apenas para resolver problemas individuais, mas também para contribuir com a manutenção de um sistema que busca organizar a convivência social de maneira justa e funcional.

E quanto mais consciente o profissional estiver desse papel, maior tende a ser não apenas a qualidade da sua atuação, mas também o impacto que ele é capaz de gerar ao longo da sua carreira.

Caso deseje bater um papo mais aprofundado sobre isso, poste um comentário e eu entrarei em contato com você.

A amizade deve ser cultivada por todas as partes:
Enquanto um planta o outro rega as sementes.
Se um só trabalhar, poderá vir o cansaço, o desânimo e a morte do jardim.
Mas ainda haverá esperança: mesmo com a jardim abandonado, morto, se o terreno for bom e fértil, basta a iniciativa para um plantar, o outro regar e recomeçar!

Amei-te muito.
Esperei de tudo um pouco,
dei muito de mim,
minha pele, meu suor,
minhas palavras sussurradas,
dias e noites fui tua ,
minha alma,
meu coração,
dei meu perdão,
pedi perdão ,
mantive quietinha as palavras delicadas,
mantive cerrados lábios recém beijados,
coração e pés gelados.

Tem um momento curioso da vida em que a gente percebe que algo mudou, mas não houve fogos de artifício, nem anúncio no alto-falante do universo. Simplesmente aconteceu. Um dia eu acordo, preparo um café qualquer, desses que parecem conversar com a gente enquanto sobe o cheiro pela cozinha, e percebo que aquilo que antes pesava no peito já não ocupa tanto espaço. Não é esquecimento, não é indiferença, é outra coisa. É como trocar um móvel enorme de lugar e descobrir que a sala respira melhor.

Eu lembro de quando certas lembranças doíam como quem pisa descalça em pedra quente. Tudo parecia recente demais, vivo demais, quase insolente. O passado às vezes se comporta como visita inconveniente, entra sem bater, senta no sofá da memória e ainda pede atenção. E eu, naquela época, ficava olhando para dentro de mim como quem procura um botão de desligar emoções. Não achava. A vida, sábia e meio irônica, nunca entrega manual de instruções.

Mas então chega um tempo. E esse tempo não avisa que chegou. Ele se instala devagarinho, como luz entrando pela janela no final da tarde. O que antes era ferida aberta vira cicatriz. E cicatriz é uma coisa interessante, ela não some totalmente, mas também não manda mais na história. Eu olho para trás e penso que sobrevivi a mim mesma. Parece filosófico demais para uma sexta-feira comum, eu sei. Ainda assim é verdade.

Existe um tipo de silêncio que aparece quando a dor se transforma em superação. Não é o silêncio do vazio, é o silêncio da paz. Como se o coração finalmente sentasse numa cadeira confortável depois de caminhar quilômetros carregando malas que nem eram dele. E aí eu percebo que muita coisa ficou para trás não porque eu quis forçar, mas porque simplesmente deixou de me pertencer.

É estranho como a gente acredita que algumas dores vão morar para sempre dentro da gente, pagando aluguel emocional atrasado. Só que a vida tem essa mania de renovar contratos internos sem pedir opinião. Quando vejo, já não dói. E não doer mais não significa que não importou. Significa que eu cresci o suficiente para não sangrar toda vez que a memória passa.

Eu gosto de pensar que superar é um tipo de maturidade silenciosa. Não é aquela pose de quem venceu tudo, até porque ninguém vence tudo. É mais como quem aprendeu a caminhar sem tropeçar nas mesmas pedras. E quando olho para frente agora, existe um espaço novo dentro de mim, um espaço que antes era ocupado por perguntas, culpas e saudades que machucavam.

Hoje esse espaço virou paz. E paz, descobri, não é ausência de história. É presença de entendimento. É seguir adiante com o coração mais leve, quase sorrindo para o próprio passado, como quem diz obrigada por tudo, até pelo que doeu, porque no final das contas foi justamente isso que me ensinou a continuar.

Nós somos um pé-de-feijão! Ao menos assim me pareceu quando as mãos daquela criança seguravam o broto como se cuidassem de um bebê. Seus olhos eram estrelas brilhando. Ele me revelou que deveria regá-lo, como atividade escolar. Dessa forma, eu lhe disse:
"Esse broto que você está criando, você precisa ter fé de que ele vai crescer um dia. Também, por essa fé, cuidar dele, nutri-lo e regá-lo sempre. E saiba que, se por alguma razão este pé-de-feijão murchar, você estará sempre livre para poder plantar outro. Tenha certeza de que, no momento oportuno, vai crescer algum."
E ele, com o cenho confuso, assentiu com a cabeça. Assentiu, de fato, como todos nós, que, mesmo sem certezas, continuamos regando a vida - nós, que esperançamos.

⁠Não vi quando cair !


Três metros de altura,
foi um impacto atordoante.
Mas se hoje estou aqui,
porque Deus; me fez triunfante.

Não vi quando cair, quando
do chão levantei; ouvir o meu
espírito agradecendo a Deus,
isso sim: eu escutei.

Deus muito obrigado
pelo o que o Senhor
fez por mim.
Se não fosse o seu amor
eu não estaria mais aqui.

Não sabemos a hora,
devemos pois nos preparar,
aliançados com Deus;
pra quando a morte chegar.

⁠"Andando pelas ruas sobre a luz do Luar, me deparei com um casal apaixonado sentado em um banco na praça, parei um instante, sentei-me e fiquei a observá-los... Cara de apaixonados com o olhar sereno e entrecortados. Nenhuma palavra saia da boca deles, também nem precisava, o olhar falava por si só.

Tantas coisas para serem ditas, mas que preferiram ficar ali se enamorando sobre a luz do Luar. De repente, meu celular tocou, acordei para atendê-lo, sentei na beirada da cama e percebi que aquele casal apaixonado éramos nós;

Nesse momento, um sorriso tomou conta do meu ser, voltei a deitar e fiquei ali te enamorando pela noite toda."

Às vezes eu penso que a vida tem dessas ironias que dariam um capítulo inteiro em qualquer livro, mas como eu estou aqui, no meio do café da tarde imaginário com as amigas, eu conto do meu jeito mesmo, com aquele sorriso meio torto de quem já viveu coisa demais para fingir que nada aconteceu. Porque bullying e cyberbullying, minha amiga, só entende mesmo quem já sentiu o golpe vindo sem aviso. Não é drama de internet, não é frescura moderna, é dor que entra silenciosa e demora para sair.

Eu já passei por isso. E não foi em um tempo em que a gente sabia lidar com tecnologia, redes sociais, essas coisas. Era o começo do Facebook, aquela fase em que parecia novidade, quase uma praça virtual onde todo mundo chegava curioso. Só que enquanto eu vivia minha vida sem entender muito daquele mundo digital, outra história estava acontecendo nas minhas costas. Uma garota que também se envolvia com o rapaz que na época era meu namorado acabou criando uma página sobre mim. Sim, dessas páginas feitas para atacar, expor, diminuir alguém como se fosse entretenimento.

Eu só fui descobrir três meses depois. Três meses. Parece pouco quando a gente fala, mas imagina existir um lugar na internet onde estão falando de você, usando suas fotos, inventando coisas, colocando apelidos cruéis, e você vivendo normalmente sem nem saber que aquilo existe. Até que um dia alguém chegou em mim e perguntou o que significava aquilo tudo. E eu fiquei com aquela cara de quem não entendeu nada, porque realmente não entendia.

Quando eu fui ver… foi como levar um soco silencioso. Um texto enorme falando da minha vida como se eu fosse um personagem ridículo, dizendo que eu não tinha onde cair morta, inventando apelido inspirado em um ser de ficção para zombar de mim, distorcendo meu nome, expondo fotos minhas, e o pior, comentários de pessoas que eu conhecia. Pessoas que já tinham conversado comigo, que já me olharam no rosto em algum momento da vida, estavam lá rindo, participando, me chamando de coisas que ninguém merece ouvir.

Tinha mais de duzentas pessoas seguindo aquela página. Duzentas. Parece número pequeno para quem olha hoje a internet gigante, mas naquele momento era como se uma multidão estivesse parada olhando para mim no meio da rua, apontando o dedo. Eu lembro exatamente da sensação de dignidade sendo arrancada, como se alguém tivesse decidido que eu não merecia respeito.

Eu quis processar, claro que quis. Aquela revolta que sobe pelo peito quando a gente percebe que foi injustiçada. Só que a pessoa que fez aquilo era menor de idade na época. E aí a vida tem dessas burocracias que parecem um balde de água fria na indignação da gente. Não daria em nada. Foi o que eu ouvi. E quando a gente ouve isso, fica uma mistura de frustração com silêncio.

Mas tem uma coisa curiosa sobre as memórias. Elas não desaparecem. Até hoje, quando lembro de alguns rostos que estavam ali participando daquilo, ainda dói. Não dói como antes, não é aquela ferida aberta, mas é aquela lembrança que faz a gente suspirar fundo e pensar como as pessoas podem ser capazes de machucar alguém só porque a internet dá palco.

Ao mesmo tempo, olhando hoje, eu percebo outra coisa também. Eu não enlouqueci, eu não desapareci, eu não virei aquilo que disseram que eu era. Na verdade, eu segui vivendo. E talvez seja isso que incomode quem pratica esse tipo de coisa. A pessoa espera que você se quebre. E quando você continua existindo, crescendo, contando sua história, algo muda de lugar dentro da narrativa.

Hoje eu falo disso sem vergonha, porque quem deveria sentir vergonha não sou eu. Eu sei exatamente o que vivi. Sei o que senti naquele dia em que descobri tudo aquilo de uma vez só. E sei também que muita gente já passou por algo parecido e nunca contou para ninguém. Então se alguém estiver lendo isso e reconhecendo um pedaço da própria história, eu digo uma coisa bem simples e bem verdadeira. Aquilo que tentaram fazer com você não define quem você é. Define quem eles escolheram ser naquele momento. E isso diz muito mais sobre eles do que sobre nós.



ALINNY DE MELLO 30/03/2026

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⁠“⁠Suas curvas são como as curvas de um rio composto de águas serenas, mas que ao ser tocada provoca calafrios e arrepios...
Seu olhar é um olhar de menina e ao mesmo tempo de uma mulher. Olhar doce, sereno e macio, misturado a um olhar firme e forte de quem sabe o que quer. Olhares que se misturam e formam uma menina-mulher, que quer ser amada e tocada. Tocada na alma e não apenas em seu corpo...
Seu aroma é como o aroma de um café saindo na manhã de um domingo chuvoso, aroma que penetra os poros e que arranca suspiros...
Como és linda. Dona das mais lindas curvas e do olhar mais firme e doce que os meus olhos já viram, como não te amar e não te enamorar?
Ah se tu soubesses o quanto eu te enamoro, me deixaria beija-lá até despir a tua alma.”

"Carrego um chamado"


Carrego marcas que o tempo não levou,
feridas que a infância deixou sem cura,
silêncios que o mundo nunca escutou,
e um coração que aprendeu a ser forte na dor mais dura.


Não sou culpado das sombras que caminham comigo,
sou apenas alguém que tentou ser luz no meio delas.
E mesmo tropeçando no mesmo antigo perigo,
Deus insistiu em me levantar,
como quem recolhe estrelas.


Faltou pai… faltou mãe… faltou abraço.
Mas sobrou presença divina nos espaços vazios,
sobrou Cristo nos cantos do meu cansaço,
sobrou fogo no meio dos meus dias frios.


E quando eu penso que sou nada,
que não mereço, que não carrego talento,
Deus sopra em mim aquela voz calada:
“Filho, Eu faço morada no teu sofrimento.”


Porque o chamado é maior do que o peso que sinto,
é maior do que o erro que insiste em voltar.
E quando Ele me usa, eu só pressinto
que o céu inteiro começa a respirar.


Eu não sou grande,
não sou forte,
não sou perfeito.
Sou só barro nas mãos do Rei.


Mas mesmo assim Ele escolheu meu peito
pra acender um fogo que eu nunca acendi.


E hoje entendo:
não sou culpado,
sou escolhido.
Não por mérito…
mas por graça.


E onde o mundo me feriu,
Deus construiu estrada.

"Entre Ondas, Conversas e Silêncios"


Houve um tempo
em que nossas conversas não tinham fim,
como o mar diante de nós,
como o vento que passava
enquanto a gente falava da vida.


Na praia,
entre risadas e pensamentos profundos,
você foi me ensinando sem perceber.
Não só sobre a vida…
mas sobre a fé,
sobre esperança,
sobre continuar quando tudo parecia pesado demais.


Tudo que eu entendia sobre caminhar com Deus,
nasceu em muitas daquelas conversas.
Sem púlpito,
sem formalidade,
só amizade…
e palavras sinceras.


Você me ensinou a enxergar além,
a acreditar quando eu não via saída,
a encontrar paz quando tudo dentro de mim
era confusão.


E teve aquele momento…
em que minha mente escureceu,
em que pensei na dona morte,
em que parecia existir apenas um túnel,
frio, silencioso, sem volta.


Mas você estava ali.
Com palavras simples,
com presença,
com amizade verdadeira.


Você me puxou de volta.
Me fez ir para longe daquele túnel.
Me trouxe paz,
me trouxe alegria,
me trouxe de volta para a vida.


E talvez você nunca saiba
o tamanho disso.
Talvez nunca imagine
o quanto foi importante.


Porque não foi só amizade…
foi cuidado,
foi luz,
foi vida.


Hoje,
o mar ainda existe,
as praias ainda estão lá,
mas nossas conversas ficaram no tempo.


E eu sei…
assim como eu guardo cada memória,
você também guarda.


As risadas,
as caminhadas,
as conversas incessantes,
os dias que pareciam simples
mas que hoje carregam tanto significado.


Eu sei que você também lembra…
só escolhe não lembrar.


E isso dói,
porque algumas histórias
não deveriam virar silêncio.


Mas mesmo assim,
tudo que você me ensinou
continua vivo em mim.


Cada passo em paz,
cada momento de alegria,
cada vez que escolho viver…


carrega um pouco
da amizade que tivemos,
das conversas à beira do mar,
e de alguém que,
sem perceber,
me ajudou a voltar para a luz.

Deus teria deixado um manual. A Bíblia. Não como um livro de frases motivacionais ou promessas fáceis, mas como um mapa de funcionamento da condição humana. Um texto que expõe padrões, consequências, limites. Um manual que muita gente carrega sem ler e muita gente lê sem aplicar. E, segundo essa lógica, Deus ainda teria feito algo mais radical. Entrou no próprio jogo. Vestiu um corpo humano. Experimentou fome, cansaço, rejeição, medo. E jogou diante de todos. Esse humano foi Jesus.


Isso muda a leitura da existência. Porque se o próprio criador entrou no jogo e também teve um fim, então o fim não é falha do sistema. É parte dele. O problema não é morrer. O problema é viver como se não fosse morrer. O problema é adiar decisões essenciais achando que haverá tempo. O problema é gastar energia tentando construir uma imagem eterna dentro de um corpo provisório.


Você, homem ou mulher, não escapa dessa matemática. Não importa o quanto produza, o quanto acumule, o quanto seja amado ou odiado. O seu tempo aqui é finito. E isso não deveria gerar desespero, mas foco. A clareza de que cada dia é uma página que não volta a ficar em branco. Você escreve com ação ou com ausência. Ambos contam.


Quando você entende que ninguém além de um círculo muito restrito lembrará de você, algo interessante acontece. A necessidade de provar valor para o mundo começa a perder força. A pergunta muda. Deixa de ser como serei lembrado e passa a ser como estou vivendo agora. Não para aplauso futuro, mas para coerência presente.


Jesus não construiu legado no sentido comum. Ele não trabalhou para ser lembrado. Ele viveu aquilo que acreditava ser verdadeiro, mesmo sabendo que isso o levaria ao fim. E talvez seja aí que esteja o ponto mais desconfortável da história. A ideia de que o sentido não está em durar, mas em alinhar. Não está em permanecer, mas em atravessar com integridade.


Você vive em uma época obcecada por visibilidade. Likes, registros, arquivos, perfis. Tudo precisa ser documentado, compartilhado, validado. Como se o esquecimento fosse a maior tragédia possível. Mas o esquecimento é o destino padrão. O esforço para ser lembrado muitas vezes serve apenas para evitar a pergunta mais incômoda. Estou vivendo de acordo com aquilo que digo acreditar?


O fim chega para todos. Para o anônimo e para o reverenciado. Para o justo e para o injusto. Para quem construiu impérios e para quem mal conseguiu sobreviver. A diferença não está no fim, mas no percurso. E não no percurso externo, mas no interno. No modo como você lida com o tempo que recebeu.


Se Deus criou o jogo, o manual não promete vitória fácil. Promete sentido. Promete direção. Promete que viver com consciência custa, mas viver sem ela custa mais. Jesus não escapou do fim. Ele atravessou o fim. E isso redefine o valor da sua própria travessia.


Você não controla quanto tempo tem. Controla apenas como ocupa o tempo que passa. E isso não exige heroísmo histórico. Exige lucidez cotidiana. Exige parar de viver como se tudo fosse ensaio. Não é. É ato único. Sem replay.


Quando você entende que até o perfeito teve um final, você para de exigir eternidade de si mesmo. Para de adiar vida em nome de uma promessa futura que talvez nunca chegue. Começa a viver com mais presença, menos ilusão, menos teatro.


O fim chega para todos. E justamente por isso, cada escolha importa mais do que parece.

eu me sinto como um pássaro que não só teve as asas cortadas… mas como se tivessem arrancado pela raiz, deixando feridas abertas que nunca cicatrizam, como se cada batida do coração fosse um lembrete de que algo essencial foi perdido, algo que nunca deveria ter sido tirado e isso dói de um jeito que não cabe em palavras, dói como se o ar pesasse, como se respirar fosse um esforço, como se existir tivesse se tornado um castigo lento, porque não é só sobre não poder mais voar é sobre olhar pro céu e sentir ele distante, frio, inalcançável, é sobre lembrar, e ao mesmo tempo começar a esquecer, como era ser livre, como era sentir o vento, como era subir cada vez mais alto sem medo, sem limites, sem essa dor cravada no peito e o pior… o pior é sentir que isso está escapando, que aos poucos a memória vai se apagando, que um dia talvez eu nem lembre mais como era voar
e então nem a dor vai fazer sentido, só vai sobrar esse vazio estranho, esse silêncio pesado, essa existência quebrada, é como se eu estivesse preso em um corpo que ainda vive, mas tudo que fazia ele ter sentido já não está mais aqui, e agora não resta escolha eu preciso aprender a viver assim com essa dor que não grita, mas corrói, que não sangra por fora, mas dilacera por dentro, que maltrata, desgasta, consome… devagar, todos os dias, como um pássaro que ainda olha pro céu…mesmo sabendo que nunca mais vai voltar pra lá.

A humanidade desfila na beira do precipício,
Não que seja novidade, para nós é quase um vício.
A mesma ciência que ajuda salvar vidas
É a que estuda formas mais eficientes de atirar para a tirar.
É fato que o conhecimento não tem lado,
Mas o que fazemos é acelerar com o freio de mão puxado.




É fato que amamos odiar, a guerra nos motiva a avançar.
O caos é uma festa em que adoramos dançar;
Somos atraídos por ele, à meia-noite uma bomba nuclear.
O tempo passa e buscamos motivos para nos isolar.
Povo diferente? Mais um souvenir.
Pouco importa discernir,
Troca de presentes — às vezes nem é isso,
Só consumismo barato, disfarçando xenofobia e racismo. No fim turismo,
Aproveitando a feira do outro lado da fronteira.




Um mesmo ser, detalhes nos impedem de conviver.
Assim que as bombas estourarem, não haverá mais divisão,
Finalmente a igualdade: o fim de toda a civilização.
Não é o ideal, mas é a sentença do tribunal
Onde somos réus, carrascos e vítimas.
O lobo correndo atrás do próprio rabo,
Pois, bem como disse Hobbes: “O homem é o lobo do homem”.
No fim todos morrem.

Poema Eutes de peixes

És um sol que nunca se apaga, és a mais bela de todas estações, brilho, conforto e amor, a saudade saciada de inúmeras perguntas, perguntas que não cessamos ao nos olhar,
Tus és a privamera de todas as cores uma paisagem sem fim. É a força da raiz que resiste à tempestade, balança mas não se abala.
Luzia Delmondes
By Luzia Dellmon

Tinha comigo a melhor das rosas,
A mais linda das flores.
Junto ao meu corpo, conduzia um regador.
Regava-a até o seu florescer.

A rosa, ainda tímida, encolhia-se quando via perigo.
Contudo, levantava as pétalas quando via seu amigo.
Faça Sol, faça chuva, ele sempre estava lá para a regar.
Quando a tristeza batia, a flor, de sua mão, nunca saía.
Ela dava-lhe o seu olhar.

A lua cheia daquele mês avisou da sua chegada;
O rapaz - com ânimo excepcional - beijou-lhe a mão para irem ao encontro da convidada.
A flor aceitou com um grande pulo de alegria, chocando assim os olhos daquele que lhe propôs o divertido encontro.
A flor e o rapaz correram pelo vale campestre e escorregaram no campo.
A moça - comovida com tudo aquilo - gargalhou um canto.
O rapaz - com os olhos presos ao fio que a prendia - sorria para a situação.
Ela levou-lhe sua mão; ele beijou-lhe mais amavelmente que antes.
Eles dançavam,
Eles se amavam,
Eles riam,
Eles se viam.
A noite se foi como o sopro de uma forte ventania;
Os dias - carregados por um coche - não paravam para deixar seus cavalos aspirarem o ar, que lhes dava energia.
A moça não o via mais com tanta frequência;
O rapaz - tomado por um ato de desespero - pedia-lhe a mão para correr pelo céu.
Ela não o respondia da mesma maneira.
Ele enviava-lhe cartas recheadas, mas, de sua querida, recebia meia dúzia de letras.
Os pássaros pararam de gorjear, mantiveram-se quietos em respeito à lucidez daquele que, com sua voz, ajudava-lhes a cantar das mais diversas canções.
As árvores - cuidadas e podadas todo ano por ele - encontravam-se turvas, em luto por aquele que lhes dedicava tanto zelo; suas folhas murcharam e destacam-se dos galhos que lhes davam sustentação.
O campo - que costumava ser rodeado e cuidado pelos lindos animais e pela cadeia alimentar destes - perdeu suas gramíneas, sua vivacidade e aquilo que mais temia: aqueles que, em seu solo, desfrutaram da mais bela benção que o ser humano é capaz de ser presenteado; em compasso com os outros, observava o rapaz e o lia.
O jovem - em prantos com a vida que levava - prostrou-se no chão e suplicava a Deus com a mão no coração.
“Por que me deste aquilo que tanto Te pedi para que, com uma frieza cruel, tirar-me?”
O cenário convergia sua visão àquele que implorava por respostas. A partir deste momento, tudo estava íngreme.
“Por que quando experimento da felicidade dada pelas Tuas mãos, tu a tiras de mim? Então, Pai Celestial, meu Deus, por que me concedeste a dádiva do amor se tinha em Tuas mãos, Pai, um fio amarrado em Teu mindinho para puxá-la de volta a Ti?”
As aves - com as penas caídas e descoloridas - aconchegaram-se no rapaz, que, naquele instante, com as lágrimas na mão e regando o chão com elas, era dominado pela mais intensa sanha.
Ele batia contra o chão; o campo soltava um gemido doloroso a cada vez que sofria, mas não se importava, pois aquele que mais lhe regou se sentia desconexo com aquele que lhe deu a vida.
“Diga-me, Senhor dos Céus, com qual objetivo Tu me sopraste com a vida? Fora para teres o luxo de me ver o sofrimento alheio?”
“Por qual razão, Deus, Tu, com um arsenal infinito de força, fazes da minha vida um grande paraíso para o Diabo?”
O campo, as aves e as árvores, todo o meio campestre derramava o gelo derretido de suas faces.
O jovem - ainda prostrado - prosseguiu com um longo silêncio.
Ele estava sem meio,
Enxugando as lágrimas, caminhou para longe.
Não se sabe em qual sege adentrou, mas que a razão não é mais aquilo que o tange.
Ele desmoronou sua estrutura no campo;
Este - gentilmente - enrolou-o num grande cobertor que lhe protegeria do frio que ali costumava a castigar.
As aves lhe beijaram o lábio;
As árvores, suor que escorria em seu olhar;
O campo, o braço que costumava regar.
O céu, cansado de tanto azul, se esvaiu.

UM CONTO ITALIANO🇮🇹



As colinas da Toscana ondulavam sob a luz prateada da lua, como um mar silencioso de vinhedos. O ar tinha cheiro de alecrim e uvas maduras quando Giulia, filha de viticultores, atravessou o campo carregando um pequeno caderno de couro preso ao peito.


O caderno não era dela. Era do avô, morto há poucos meses — o homem que guardava segredos tão antigos quanto as oliveiras que cercavam a casa da família.


Giulia só o encontrara naquela tarde, escondido dentro de uma gaveta trancada.


Quando chegou ao topo da colina, avistou Marco, o restaurador de igrejas que trabalhava na vila vizinha. Ele estava sentado no muro de pedra, observando o brilho da lua sobre os vinhedos.


— Non riesci a dormire? — perguntou ele.


Giulia respirou fundo e mostrou o caderno.
— Encontrei isto… e acho que há algo aqui que meu avô queria que eu descobrisse.


Marco se aproximou, curioso. Giulia abriu o caderno e revelou um desenho: um mapa simples, feito a carvão, marcando um ponto entre duas fileiras de cipestres. Ao lado, havia apenas uma frase:
“A verdade floresce apenas à luz da lua.”


Intrigados, caminharam até o local indicado. Quando chegaram, perceberam que o chão estava mais solto ali, como se alguém tivesse cavado recentemente.


Marco ajoelhou-se e removeu a terra, descobrindo uma caixa de madeira antiga. Giulia abriu com as mãos trêmulas.


Dentro havia cartas — dezenas delas — escritas pela avó de Giulia para um homem cujo nome ela nunca ouvira antes: Alessandro.


Em cada carta, uma história de amor proibido.
Em cada frase, a dor de ter escolhido um casamento arranjado em vez do homem que realmente amava.


Giulia engoliu seco.
— Minha avó… ela nunca falou disso.


Marco colocou a mão no ombro dela.
— Talvez ela tenha querido que você soubesse agora. Para entender que a vida é curta demais para esconder sentimentos.


Giulia levantou o rosto na direção da lua. As colinas pareciam sussurrar histórias antigas.


Ela olhou para Marco, percebendo naquele instante algo que tentava ignorar há meses:
os sentimentos que cresciam entre eles, silenciosos como as noites toscanas.


Marco sorriu, suave.
— La luna custodisce segreti… ma rivela anche ciò che conta davvero.


E ali, sob o luar da Toscana, enquanto as cartas antigas balançavam ao vento, um novo segredo começou a nascer — não para ser escondido, mas para ser vivido.

Era ela
Estava triste, cabisbaixo, as lágrimas escorriam lentamente pelos meus olhos; um vazio profundo. Mas, de repente, uma voz doce e suave me perguntou: por que choras, poeta? Por que choras, poeta? Ah, meu deus, era a moça do sorriso lindo! A moça das flores, a musa dos meus versos. Ah, meu deus, era ela! Era ela! Era ela!