Carta a um Amigo Detento

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⁠Destruição, rancor, vidro despedaçado,
um fio de moeda que, ao vento da tristeza, se corrói.
Esse fio de metal, queimado pela fúria do fogo,
torna-se fragilidade, quase papel.

O papel vira cinza, e da cinza retorna à natureza.
A natureza, polissêmica, guarda o rancor de ter perdido,
lança-se aos ventos, e sob os ventos encontra o mar.

Mas o mar não é consolo, apenas abismo.
Ele toma tudo e faz afundar.

Inserida por gildersonsantos

Tic tac, o tempo passou,
Tic tac, o tempo nasceu.
Bloom, algo aconteceu, um novo sorriso surgiu,
Conquistas e oportunidades, um ano floresceu.

Tic tac, desafios tornaram-se vilões,
Vilões tornaram-se heróis, e o mundo tornou-se ilusório.
Assim, o ânimo virou comédia, mas o relógio não para,
Segue fluindo na correnteza das decisões e emoções.

Tic tac, os modos reiniciaram, o ciclo mudou,
O ambiente e as pessoas passaram, a nostalgia virou decisão.
Bloom, o relógio quebrou, mas outro tomou o lugar,
Um velho ano findou, para outro começar.

Inserida por gildersonsantos

⁠Aglomerado de folhas unidas por um elo,
Papel áspero que, fontificado, as protege.
No início e no fim, se tais palavras descrevem,
Apresento à vista: um caderno.

Um caderno, ou melhor, um diário que, simples,
Traz à lembrança uma época branda,
Quando a riqueza era lenda
Ou, por que não dizer, a liberdade, uma dádiva,
E estudar, uma oportunidade.
Tudo mudou, e com isso, o significado.

Hoje, o caderno é um recurso cuja importância se perdeu.
A riqueza se foi, o significado do significado
Desconfigurou-se. Pois tudo se pode ter,
Mas o porquê de ter não existe;
O para quê se dissolveu.

O altruísmo e a resiliência de outrora
Tornaram-se as lendas de hoje.
Sonhos escaparam dos sonhos para uma realidade medonha,
Onde significar é apenas alinhar-se
A uma linha percebida, que leva ao nada.

Inserida por gildersonsantos

⁠Um pedaço dilacera da alma perdida,
como sonhos aprisionados que, sem abertura, sufocam
em meio aos nãos, entre paredes que trancafeiam multidões.
Um anseio pelo fracasso que não chega,
mas que convida a procrastinação,
um anseio de não chegar,
que chega sem falar.
Suspiro que nasce deste mundo,
é simples, é se calar,
seguir a este tormento, fazendo este eco soar,
para que o sim, tão detido e distraído,
se possa enfim chegar,
fazendo alusão ao sucesso que, a todos, de forma diferente,
anseiam, desta vez, transbordar.

Inserida por gildersonsantos

⁠Conectando o mundo, podemos pessoas ver.
Mas conectar... será mesmo?
Para ver, basta um passo, um chamado, uma troca.
Se conectar é mais do que enxergar,
é deixar que o mundo nos toque,
é atravessar os muros invisíveis entre nós.

E, no entanto, a verdadeira conexão nunca chega.
Não porque está longe, mas porque a deixamos desluir.
Ela se dissolve entre os rostos —
amigos ou estranhos, conhecidos ou esquecidos.

Tristonho, enfim, lhes digo:
esta poesia é de nada,
mas, talvez, seja de tudo.
Entre versos doces ou amargos,
há um eco do que perdemos.

Simples é conectar.
Difícil é perceber que, entre os delírios do tempo,
fomos nós que nos perdemos...

Inserida por gildersonsantos

Um mundo irreal
cujo olhar é felicidade,
choro tristeza
se a ambiguidade é desprezo,
o mundo é irreal, afinal
a hipocrisia é ápice do final
que abres o início
de um ciclo vicioso,
onde a verdade se mascara
e o sorriso é duvidoso,
em corações que se calam
quando a alma dispara.

E se o tempo é um espelho
que distorce o essencial,
caminho entre sombras
de um querer tão irreal,
tateando o incerto
em busca do que é vital.

Mas se o mundo é ilusão,
que reste então a poesia,
como farol da contradição
e abrigo da utopia.

Inserida por gildersonsantos

⁠O mundo é perverso, mas encantador.
É triste perceber que o antes se passou,
mas um novo amanhecer nasce,
jogando fora o que passou.

Apesar de utopia e invisível ao olho nu,
ainda permanece o ontem enquanto o hoje se faz presente,
mas o futuro já passou e também é futuro agora.
Tudo está entrelaçado e sufocante,
como as amarras da jiboia na presa,
que vê a última imagem do fim.

Mas também é lindo,
pois foi uma experiência única.
Nada pode ser jogado fora.
O mundo é feito disso:
entre desastres de cataclismo e de criação.

E a lição que vem em meio a tudo é:
tudo vai passar
e será uma parte do que virá.

Mas os rostos, os sacrifícios,
as alegrias, os costumes... passaram.
E talvez o fim de tudo já tenha acontecido,
pois o mundo é cíclico.
Civilizações desapareceram
e você desaparecerá.

Então, seja o ser único que veio ao mundo
entre tantas possibilidades.
Traga a unificidade
que a presa, nas garras da jiboia,
viu ao encarar seu último dia.

Relembre, entre suas memórias,
o momento de euforia
que teve ao sobreviver
em um belo dia.

Inserida por gildersonsantos

⁠Em uma casinha de taipa, uma garota corre feliz,
E, rajado de som, o silêncio é interrompido em uma pausa feroz.
O céu celeste, em rosa, se transforma, e o som vem, cheio de sentido e coração.
A menina, que corre, é uma senhora em um campo no outono,
Sem uma casa, mas com uma lagoa entre pássaros.
O céu rosa é celeste, e o som, mais feroz, vem à tona.
Embora o correr da menina senhora sinta falta,
O bem te vi voa, voa, em um quintal entre risos

Inserida por gildersonsantos

Viver em um mundo onde o ódio é o que mais existe é difícil. É difícil saber que nem todos aceitam a imperfeição e a felicidade das outras pessoas. Machuca. Mas, sabe, machuca principalmente aqueles que, em algum momento, não se curaram de algo causado em algum momento de sua vida, por outros ou por eles mesmos. E viver nessa infelicidade, onde não se agrada a ninguém, e o fato é que, se é vivido, é vivido pelos outros e não por si mesma, isso é o que mais machuca.
Ninguém está feliz, e, ao estar infeliz, a infelicidade deixa os outros infelizes.
Então, que vivemos, no fim, em um mundo onde nossa própria felicidade importe mais do que a dos outros, porque, no final mesmo, é sobre a gente, e, ao sermos felizes e nós mesmos, os outros passam a ser também.

Inserida por laviniamanuelapereir

Longínquo
Passando na calçada nesse clima chuvoso lembrei me de um Amor Longínquo. Nessa vida de andante observo os detalhes banais e lembro do meu Amor Longínquo. Para os outros sou persona,mas para ele eu consigo expressar um pouco do meu eu sem armaduras . Eu sou o inferno e ele procura o céu ,porque os anjos o chamam. Meus lábios pintados de vermelho querem seu beijo . Meu corpo quer suas caricias . Renascer eu como eu .

CANTIGA DO BANJO

Não faça drama, faça um chá quente com biscoitos, e me leve na cama. Esqueça essa covardia, me beija e usa essa cinta-liga. Quem sabe a vida seja curta e logo acabe, vamos lá, com teus beijos minha boca cale. Não temos mais tempo para viver de promessa, vem hoje mesmo, e esse coração me entrega. E no futuro, assim me disse um anjo, cantarão nossa história de amor tocando um banjo.

Inserida por Haydensophie

ESQUINAS

Olhos de gato, mãos de fada, sonhos de mulher.
Ela caminha sozinha a espera de um futuro qualquer.
Qualquer dia, qualquer encontro, qualquer beijo. Aquele beijo.

Na rua, as gotas de chuva caem silenciosas e solitárias. E ela segue seu caminho, paciente, única, a espera.

A espera de olhos como os seus, olhos de gato, fulminantes, e a mão de um anjo com sonhos de homem, não qualquer homem, nem um para qualquer encontro. Aquele homem, aquele beijo.

E ele segue seu caminho, paciente, único, a espera. As gotas de chuva caem silenciosas e solitárias sobre ele também. Na mesma cidade, mesma realidade, mesmo desejo.

Na outra esquina.

Inserida por Haydensophie


Quem dera o tempo não existisse, fosse apenas uma ilusão
E que a vida fosse somente um simples passar das horas.
O medo da noite eterna me persegue na aurora,
Os vaga-lumes brilham como estrelas na minha noite.

No quarto o monstro da madrugada flutua perfumado,
Sinto o aroma da fronha nos meus sonhos verdejantes,
Nunca disseste que a vida era dura com quem vive,
Nunca sorriste para mim com a ternura de um olhar infantil.

Inserida por Morrot

⁠Todo poema necessariamente tem que ter poesia, porém nem toda poesia é um poema. Poema, sem poesia, não é poema é apenas um texto.
Posso encontrar a poesia numa crônica, numa carta, geralmente as cartas de amor carregam a poesia, as cartas de despedida também, mas nem todas cartas têm poesia.
Existe poesia em uma tela de pintura, numa construção arquitetônica.
Por fim, a poesia nos envolve como um plasma de uma física quântica , que por vezes percebemos existir, por vezes mesmo existindo nao percebemos.

Inserida por Morrot

⁠Vivemos em uma era singular, muitas vezes rotulada como a “Geração Floco de Neve”. Testemunhamos uma revolução global atípica, onde a menor das contrariedades parece nos ferir profundamente, fragmentando nossa resiliência emocional. Lágrimas são derramadas por trivialidades, como um suflê que não cresceu como esperado. Além disso, as amizades que cultivamos tendem a ser cada vez mais digitais e efêmeras, levantando questionamentos sobre sua autenticidade. A incerteza se faz presente: esses laços virtuais representam conexões verdadeiras?
Inadvertidamente, caímos em armadilhas de autossabotagem, infligindo danos a nós mesmos. Experimentamos uma solidão palpável no mundo concreto, onde o calor humano dos abraços e a contemplação de um pôr do sol sublime se tornam experiências raras. Quando olhamos para trás, somos tomados pelo arrependimento de não ter valorizado cada momento ao lado daqueles que amamos.

Inserida por danyllo_formiga

⁠Um homem, sentado em quietude, trava uma batalha interna. Seus pensamentos se entrelaçam,
ora em sofrimento, ora em fortaleza, buscando o caminho para te proteger.
Engano pensar que o silêncio é sinal de egoísmo. Muitas vezes, ele se revela como a mais
pura e genuína forma de amor. É nesse espaço de introspecção que o indivíduo se conecta
consigo mesmo, buscando a força e a sabedoria necessárias para oferecer o melhor aos que
ama.

Inserida por danyllo_formiga

Alma em Solidão

Na solidão, me refugio em um abraço macio,
Um vício reconfortante, mas vazio.
Almejo um sorriso que aqueça meu ser,
Um beijo de bom dia para florescer.

Um "eu te amo" sussurrado ao anoitecer,
Um ombro amigo para as lágrimas verter.
Compartilhar alegrias, tristezas e sonhos,
Com alguém que me complete, sem tronos.

Quem recusa esse amor, se priva de viver,
De sentir a chama do afeto arder.
Ignora o que é amar, sonhar e vibrar,
Em um dueto de almas que se vão encantar.

Solidão, adeus! Pois chegou a hora
De abrir meu coração para a aurora.
Buscar um amor que me faça transbordar,
E nesse encontro, a vida celebrar.

Inserida por danyllo_formiga

⁠Estava sentada sozinha naquela sala fria e solitária.
Você me encarava de longe com um olhar frio e áspero,
Sem um sorriso, nenhuma alegria, nada simpático.
Eu sentia ódio e desespero.

A vontade de fugir era grande, imensa.
Eu não aceitava, eu não podia aceitar.
Você era o reflexo de tudo,
Enterrado no beco mais profundo, mais profundo de todos.

O medo, a sociedade, as pessoas me fizeram te rejeitar.
Tudo me fez te rejeitar.
Mas fugir não existia essa opção,
Eu não podia fugir, pois onde eu ia, você estava.

Eu não queria ter essa relação,
Resmungava e rejeitava sempre.
Porque você existia? Porque me perseguia?
Era um mistério.

Eu só conseguia pensar ou pelo menos pensar em não pensar.
A dor me fazia agonizar por dentro,
Uma agonia estava te esmagando e você lutava
Para não ser esmagado.

A dor era porque você era eu.
Meu pior medo é ser como as outras pessoas,
Mas sempre acabo sendo igual.

Inserida por Gigiobservadora44

⁠Eu estava em um caminho desconhecido
Uma mão me segurava
E a fumaça era tão escura que eu não podia enxergar nada.
Onde estou?

Vivi tanto tempo
Tanto tempo
Tanto tempo na escuridão
Quando ouvi dizer que tinha algo
Algo que não era escuridão
Meu coração palpitou.

Existe a luz? Se ela existir
É oque eu mais desejo..
.
.

Existi em busca dessa luz
Só tinha vozes e mãos me guiando
Uma mão me segurava e me dizia o caminho
E eu apenas andava
Enquanto outra mão me segurava estava assegurando que eu não estaria só

Um dia
Uma das mãos que me seguravam
Desapareceu
Me vi perdida
Me vi sem rumo
Só restou uma mão
Mas ela eu não conseguia ouvir

Para onde vou?
Oque vou fazer?
.
.

Um cheiro de flor me encantou
No meio desta angústia
No meio desse caos
Uma flor

Essa flor me aconchegava
Eu sentia seu cheiro
E um desejo imenso de estar com ela
Procurei ela
Por todos
Todos
Os cantos....

Nunca consegui alcançar esta flor.

De repente uma mão agarrou meu braço
E decidiu que iria me guiar
Pois eu não tinha rumo.
Sem uma mão para me guiar
Para onde vou?

Eu sei que quero ir para a luz
Esse lugar que dizem ser maravilhoso
Onde não há essa escuridão
Onde eu posso viver sem essas vendas em meus olhos.

Essa mão me afastava e afastava dessa flor
Que tanto me acolhia
Meu coração entrou em desespero
Estava cansada de tanta loucura.
Tanta melancolia
Senti falta daquela mão quente que se foi
E que nunca vai voltar

O caminho era desconhecido
E eu não enxergava nada
Eu só queria um feixe
Um raio
Uma linha
Alguma coisa
Luz?

Onde está você?
Te procurei
Procurei
Procurei
E....
Onde está?

Agora não sei para onde vou
Só me resta seguir essa mão
Não enxergo nada.
.
.

Flor? Seu cheiro?
Onde está?
Meu pior medo é estar longe de ti
Você jurou
Que estaria comigo até o fim.

Estou cansada
Cansada de andar
Rumo ao desconhecido
Escuto promessas de encontrar o fim dessa escuridão.
Mas...

E agora?
Um raio
Um raio
Preciso de uma prova
Será que a luz realmente existe?
Ou foi um sonho de algum lunático?

Me vi perdida.
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Inserida por Gigiobservadora44

O MUNDO QUE GUARDEI

Havia um tempo que a lembrança traz.
Havia um tempo que não volta jamais:
Risos ao vento, infância fugaz,
Imagens pra reprisar.

Lembranças, amigos, tardes de alegria,
Brincando no pátio, pura nostalgia.
Risadas ecoam, corredores felizes.
No trilho, a infância, onde tudo era belo.

Memórias que ardem, pois ele cresceu;
Caminhos sem volta, o tempo não perdoa.
Nos olhos, saudade, reflexo de um mundo que não volta mais.

Lembranças, amigos, tardes de alegria.
Mas, dentro de si, guardo cada cena,
Como quem guarda o sol daquelas tardes tão serenas.

E, mesmo que o tempo insista em correr,
Há coisas que a alma não deixa esquecer.
Risadas ecoam, corredores felizes.
No trilho, a infância, onde tudo era belo.

Inserida por GoisDelValle