Carta a um Amigo Detento
Em Seus Braços
Deve haver um lugar para mim
que seja como em seus braços,
onde eu consiga ficar em paz.
Que seja parecido com você,
onde o silêncio me abrace
e eu não precise me perder.
Um lugar quentinho,
como o seu abraço,
onde os meus sonhos se acalmem
e o meu coração se sinta em casa.
Um canto quente e protegido
feito o teu aconchego,
onde os sonhos fazem ninho
e o amor vence o medo.
Deve haver um lugar pra mim
com cheiro do teu abraço,
onde o tempo anda devagar
e o silêncio não é cansaço.
Um canto manso pra deitar
os medos que eu não digo,
onde o sonho aprende a ficar
e a saudade dorme comigo.
Deve existir esse lugar,
mesmo longe do teu olhar,
onde o meu peito faz morada
até você voltar.
Se for preciso, eu vou
por caminhos sem direção,
só pra encontrar o calor
que acalma o meu coração.
Deve existir, sim, esse lugar
em algum canto, mesmo distante,
para que eu permaneça
até que eu te reencontre.
Final?
As pessoas estão pedindo um desfecho…
Imagino que este seja o fim:
um contrato onde ela voltaria,
pisaria novamente aquele solo —
e assim foi feito.
Não se trata de um filme de ficção,
com guerras e efeitos especiais.
Às vezes, só é preciso energia,
a frequência,
o brilho que emana da alma…
e isso basta.
Não com estrondo,
nem com sinais nos céus,
mas como a luz que atravessa frestas:
discreta, inevitável…
impossível de conter.
Não era luta,
não era espetáculo.
Era ajuste.
Pouco, talvez,
para um mundo sedento de ilusão —
mas suficiente para equilibrar uma situação.
Porque o verdadeiro embate
nunca foi visto,
nunca foi narrado.
Afinal, as maiores batalhas
não ocorrem neste plano…
E talvez — só talvez —
isso ainda esteja longe de acabar. 🌙
Luz que não se apaga
Lana e Ian,
um dia eu me escondi
para caber no mundo…
diminui quem eu era
para não incomodar.
Mas vocês foram criados diferentes.
Eu fiz o possível para que fossem pessoas radiantes,
confiantes e com personalidade...
A vida, às vezes, ensina pela dor —
mas eu peço a Deus
que vocês aprendam pelo amor.
Que a fé de vocês nunca se apague,
que a bondade não endureça
e que os seus corações
sempre reconheçam o que é verdadeiro.
Que rezem e agradeçam sempre.
Que orem pelas pessoas
e por todos os seres vivos,
para que fiquem sempre bem
e protegidos de todo o mal...
Nunca deixem de acreditar nas pessoas,
nunca guardem rancor
e ouçam os seus corações.
Que, com o tempo, aprendam
que as coisas ruins existem
para algo ainda maior...
Enfim, eu criei vocês para brilhar.
Que sejam sempre luz na vida de alguém.
Então, levantem sempre a cabeça,
estufem o peito
e andem como donos do mundo.
Não se diminuam.
Nunca.
Quem ama vocês de verdade
não caminha ao lado limitando —
corre para acompanhar.
E, se algum dia tudo parecer incerto,
olhem para dentro…
é lá que Deus sussurra.
No Reino de Deus,
nada se abaixa para caber —
só entra quem vibra na verdade.
Só quem for realmente capacitado fará parte.
Então, meus filhos, não se apaguem.
Brilhem e, simplesmente, sejam felizes...
Sabendo que sempre fizeram o melhor que puderam.
Eu amo vocês!
Edineurai SaMarSi
A teoria da pessoa que não ocupa espaços (by: franckles Werivan)
Existe um tipo de pessoa que atravessa o mundo como quem pisa em chão alheio: leve demais para deixar marcas, silenciosa demais para ser lembrada. Ela existe — respira, trabalha, observa — mas não faz questão de existir na vida de ninguém. Não ocupa espaços. Não constrói presença. Não deixa rastros.
É como se tivesse aprendido, em algum momento, que ser percebida é um risco.
Essa pessoa evita laços afetivos como quem evita um incêndio. Não por falta de desejo — talvez até exista, escondido, um desejo profundo de pertencimento — mas por medo das consequências. Ela não sabe dialogar porque, possivelmente, nunca se sentiu realmente ouvida. Não é recíproca porque talvez nunca tenha recebido o suficiente para aprender o que é troca. Então ela se fecha, se economiza, se retira.
E assim, vai vivendo uma vida paralela: está presente, mas ausente. Participa, mas não se envolve. Sente, mas não demonstra.
Mas por quê?
Do ponto de vista psicológico, podemos pensar em traumas silenciosos. Relações quebradas cedo demais. Afetos que não foram correspondidos. Ambientes onde falar era inútil ou perigoso. Aos poucos, a pessoa aprende que se expor dói — e então cria uma espécie de casca. Não é frieza: é defesa. Não é indiferença: é sobrevivência.
Já numa perspectiva mais espiritual, talvez seja uma alma que se desacostumou ao vínculo. Ou que carrega feridas de outras experiências, outras histórias, outros ciclos. Uma alma que teme se conectar porque sabe, de alguma forma, o peso que as conexões têm quando se rompem.
Mas existe um custo.
Porque viver sem ocupar espaços é, no fundo, aceitar uma existência sem testemunhas. É passar pela vida sem ser profundamente conhecido. Sem ser verdadeiramente amado. Sem deixar ecos.
E há uma tristeza nisso.
Uma tristeza quieta, quase invisível, mas constante. A tristeza de não ser esperado por ninguém. De não fazer falta. De não ser lembrado em detalhes, em histórias, em saudades. É como se a vida acontecesse, mas não se entrelaçasse com outras vidas.
E a gente precisa se perguntar: isso é escolha… ou é medo disfarçado?
Quantas vezes a ausência de alguém não é frieza, mas insegurança? Quantas vezes o silêncio não é desinteresse, mas incapacidade de se expressar? Quantas vezes o distanciamento não é falta de amor, mas medo de perdê-lo?
Talvez essa pessoa não ocupe espaços porque, no fundo, acredita que não merece ocupar.
E essa é a parte mais dolorosa.
Porque ocupar espaços não é invadir — é existir com coragem. É permitir-se ser visto, conhecido, tocado. É correr o risco de se conectar, mesmo sabendo que conexões podem falhar.
No fim das contas, a vida ganha sentido justamente nisso: no encontro. No olhar que reconhece. Na conversa que atravessa. No vínculo que, por mais breve que seja, transforma.
Tocar outra alma é uma das experiências mais bonitas que existem.
E agora, vale a pergunta — não sobre o outro, mas sobre você:
Será que, em algum nível, você também tem evitado ocupar espaços?
Será que tem se diminuído, se escondido, se poupado… por medo, por traumas, por insegurança?
Porque existir de verdade exige presença.
E talvez esteja na hora de deixar de apenas passar pela vida…
e começar, aos poucos, a fazer parte dela.
Existência
O paradoxo da vida
Emergiu a minha existência
Puro antítese da sorte
Um misto de lucidez e demência
Parar, pensar e agir sensitivamente...suave
Como os flocos da neve
Que flutuam pelo ar,
E repousam mansamente na relva
Que solitária está.
Eis que na minha existência
Houvera de cingir- te a tua
Resplandente como sol
Oculta como a lua
Lua, oh lua !
Guarda-te todos os seus mistérios.
Pedir-te-ei a tua alma
O teu coração!
E adentrarei na tua mente.
Aí; Todos os seus segredos
Serão desvendados.
PENSADOR
Um pensador quando expõe um pensamento, não relativisa à sua autobiografia, ou mesmo, o memorial da sua existência. Não refere-se ao seu passado distante muito menos recente. Na arte da redação, a mente do escritor viaja de modo sensato e ao mesmo tempo desvairadamente. Observa-se de tudo e a todos, para que a inspiração possa fruir e provocar o encantamento e o legado ficar eternizado.
Solidariedade humana
Muitas vezes um obstáculo que é titânico, algo praticamente insolucionável aos olhos de um determinado cidadão, é tão insignificante e facilmente solucionável para o outro. Mas tem um pequenino detalhe; O ser dotado de tal habilidade possui tamanha facilidade que esquece do mais óbvio e necessário: Praticar a solidariedade!
010822
MENTE ABERTA II
Só pode ser considerado um indivíduo de mente aberta, aquele que expõe o seu ponto de vista, sem a exigência da anuência por parte do outro. Mente aberta, tem aquela pessoa que acredita no poder do diálogo. Que vê neste, o melhor meio para a resolução dos conflitos.
281022
E o tempo?
Controlas o tempo feito um controlador de voos?
Controlas o tempo feito tu guias o teu automóvel, a tua motocicleta ou o controle remoto da tua televisão?
O tempo é o Senhor dos senhores, não é à toa que no senso comum é tido como o maior inimigo de toda a história da humanidade .
081222II
CRÔNICA DA VIDA
Quando permaneces por um longo período em um determinado lugar pode ser devido aos seguintes fatores: todo esse tempo que permaneceste, é porque és bom no que faz. É articulado , paciente e compreensivo.
Ou então é invisível, não é pário a ninguém e passaste despercebido. Por essa ótica é ruim. Mas quando não fores notado, significa que não fizeste nada de errado, não prejudicaste ninguém. Isso é positivo.
Não é crime e / ou pecado, ser um observador nato, que desdém a ambição, e notoriamente sabes a consequência disso? Essa é uma pergunta retórica.
É até admirável a busca pela excepcionalidade, a excelência em tudo que estas envolvido, contudo a vida de um obcecado e compulsivo, não é vida. É a guerra mais letal que existe. Porque não tens um inimigo, a sua maior batalha é consigo mesmo.
100124
A cultura modela a humanidade ao seu modo. No entanto, quem a controla é o homem. Quando um indivíduo, muda seu trajeto devido a figura de um gato preto, deixa subentendido, que tal animal é maligno, capaz de prover um efeito negativo e devastor. Porém é um animal dócil feito aos outros de outra cor. Façamos como os filósofos; não sejamos escravizados pelas convenções.
031125
Entre um ser humano egoísta e um indivíduo narcisista, atentem- se ao segundo. Aquele que não elogia a outrem, sem se autoelogiar, seguramente é narcisista. Pois apresenta um senso de superioridade e uma necessidade compulsiva de admiração e validação externa. Faz uso da manipulação, para estar no centro das atenções, e manter a imagem de grandeza.
231025 J E. TEIXEIRA
O paradoxo de um parasita reside na corrida evolutiva, explícito no controle da mente do organismo explorado. Viver galgando altos voos através da usurpacão da criatividade alheia, não faz sentido e por isso é insignificante. A partir deste princípio, é melhor a inexistência ou a permanência irrestrita em voos rasantes.
110126
**O Momento que Não Foi**
Guardei em silêncio
um instante que ainda não existia,
mas já tinha forma dentro de mim.
Não era pressa,
nem era urgência —
era cuidado com o sentir.
Eu sabia exatamente
como seria o primeiro toque,
o primeiro olhar,
o primeiro respirar daquele espaço.
Mas o tempo…
ah, o tempo não pediu licença.
Quando eu cheguei,
o momento já tinha passado por ali,
já tinha sido vivido,
já não era mais começo.
E o mais estranho é que, por fora,
nada faltava.
Mas por dentro,
ficou um vazio manso,
daqueles que não gritam,
só permanecem.
Não é sobre quem esteve,
nunca foi.
É sobre o significado
que morava ali antes de tudo.
Sobre o que eu esperei sentir
e não coube mais naquele instante.
Ainda assim, eu sigo.
Com o que restou,
com o que é,
com o que ficou em mim.
Porque nem todo começo
a gente consegue viver…
mas todo sentimento verdadeiro
a gente aprende a carregar.
Na ausência, teu nome é chama, que arde sem se apagar. Cada silêncio é um grito contido, cada noite, um mar sem fim.
Tentei vestir a razão, mas ela se desfaz em tuas lembranças. A maturidade é frágil diante do coração, que insiste em te chamar, mesmo no vazio.
A saudade é amante ciumenta, não aceita despedidas, não conhece limites. Ela invade como tempestade, me arrasta para o centro do teu olhar.
E eu, perdido em tua ausência, te encontro em cada sombra, em cada perfume esquecido, em cada palavra que não disse.
Se o tempo é cruel, o amor é eterno. E mesmo longe, teu abraço é o destino que nunca se desfaz.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Ser à prova de balas não é vestir ferro, é carregar no peito um coração que sangra e ainda pulsa. É chorar em silêncio e, mesmo assim, amanhecer. É ser ferido pelo mundo, mas não se deixar despedaçar.
A solidão pode ser um deserto, mas até no deserto há estrelas que brilham. E cada lágrima que cai é um rio secreto, que escava dentro de nós a coragem de continuar.
À prova de balas é ser humano em sua forma mais pura: errar, perder, sentir, e ainda assim resistir. Não para salvar o mundo inteiro, mas para salvar o próprio fogo que insiste em arder.
Porque vencer o mundo não é derrotá-lo, é aprender a dançar com suas tempestades, e transformar cada cicatriz em poesia.
Tatianne Ernesto S. Passaes
A dor é um idioma secreto, falado apenas dentro de nós. Não há tradução perfeita, não há ponte que permita ao outro atravessar e sentir exatamente o que sentimos. Ela é chama e sombra, é ferida e revelação. Surge como um sussurro no corpo, mas logo se torna grito na alma.
A ciência nos diz que a dor é um sinal, um circuito elétrico que percorre nervos e chega ao cérebro. Mas o que ela não explica é o silêncio que se instala depois, o vazio que se abre quando o sofrimento nos obriga a olhar para dentro. A dor não é apenas descarga neural: é memória, é emoção, é história.
E a filosofia nos lembra que a dor é inevitável, que ela nos acompanha como sombra fiel. Schopenhauer a via como essência da vida, Nietzsche como força que nos molda, Frankl como oportunidade de sentido. A dor é o peso que nos curva, mas também a pedra que afia nossa resistência.
No íntimo, a dor é paradoxal: ela nos isola, porque ninguém pode senti-la por nós, mas também nos aproxima, porque todos, em algum momento, conhecem sua presença. É universal e singular ao mesmo tempo.
E talvez seja justamente aí que reside sua intensidade: na impossibilidade de ser medida, comparada ou negada. A dor é verdade absoluta, uma chama que arde em cada ser humano de forma única. E, ao atravessá-la, descobrimos que não somos apenas frágeis — somos também capazes de transformar sofrimento em força, ausência em busca, ferida em poesia.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Reflexão sobre a Imaturidade
A imaturidade é um espelho turvo, onde o ego se contempla e se engrandece, mas não enxerga além da própria sombra.
É o grito infantil travestido de adulto, a paciência que nunca floresceu, a empatia que se dissolve como sal na água, o altruísmo congelado em um inverno sem fim.
Ser “mimado” não é apenas receber demais, é não aprender a dar, é não compreender que o mundo pulsa em outros corações, que a vida não se curva ao desejo de um só.
A falta de estrutura, a ausência de mãos que guiem, de vozes que instruam, gera um ser que caminha com pés frágeis, incapaz de sustentar o peso das próprias escolhas.
E assim, nega o outro, nega a realidade, nega a dor que não é sua, como se o universo fosse apenas um brinquedo particular.
Mas a verdade é dura: crescer não é apenas envelhecer, é aprender a suportar o silêncio, a ouvir o que não se quer, a aceitar que o mundo não gira em torno de nós.
A maturidade é o ato de abrir os olhos, de reconhecer que o ego é pequeno, que a vida é vasta, e que só quem se desfaz das correntes da infantilidade pode, enfim, tocar a liberdade de ser humano inteiro.
Tatianne Ernesto S. Passaes
O ciúme é uma sombra que se arrasta silenciosa pelo coração, um visitante indesejado que se instala nos cantos mais frágeis da alma. Ele nasce do medo, do vazio que insiste em nos lembrar que não somos donos de nada, nem mesmo do amor que recebemos. É como uma tempestade que se forma no horizonte: primeiro uma nuvem discreta, depois trovões que ecoam dentro da mente, até que o céu inteiro se cobre de desconfiança.
No ciúme, o amor se transforma em posse, o cuidado em vigilância, o afeto em prisão. É o desejo de segurar o pássaro com força, sem perceber que, ao apertar demais, suas asas se quebram. O ciúme não protege, ele sufoca; não fortalece, ele corrói. É o reflexo da insegurança, o espelho que mostra não o outro, mas a nossa própria fragilidade.
E, no entanto, há algo de humano nesse sentimento: ele revela o quanto desejamos ser únicos, o quanto tememos ser esquecidos. O ciúme é a confissão silenciosa de que precisamos do olhar do outro para nos sentir inteiros. Mas amadurecer é compreender que o amor não se sustenta em correntes, e sim em liberdade. É confiar que quem está ao nosso lado permanece não por obrigação, mas por escolha.
Superar o ciúme é aprender a soltar, é aceitar que o amor é rio e não lago, que precisa correr, fluir, encontrar caminhos. É reconhecer que a verdadeira força não está em vigiar, mas em confiar; não em prender, mas em permitir que o outro seja livre. Porque só na liberdade o amor se revela inteiro, e só na confiança o coração encontra paz.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Há corações que pedem validação a cada instante, como se o amor fosse um espelho que precisa refletir segurança o tempo todo. Mas quando o sentimento precisa ser confirmado a cada hora, ele deixa de ser encontro e se torna cobrança.
A insegurança veste a relação com correntes invisíveis, fazendo do outro não um companheiro, mas um guardião de certezas. E o amor, que deveria ser liberdade, se transforma em prisão de expectativas.
Quem exige presença constante esquece que maturidade é saber suportar o silêncio, é confiar mesmo quando o outro não está ao alcance da mão. Sem essa maturidade, o vínculo se desgasta, porque nenhum coração pode carregar sozinho o peso da insegurança alheia.
O estranho sentimento que nasce é o reflexo da desarmonia: um lado sufocado pela cobrança, o outro perdido na própria carência. E assim, o amor se torna frágil, não por falta de afeto, mas por excesso de exigência.
Amar não é pedir validação a cada segundo, é aprender a confiar naquilo que já foi dito, naquilo que já foi mostrado, naquilo que pulsa mesmo na ausência.
Que o amor seja chama que aquece, não fogo que consome. Que a presença seja escolha, não obrigação. Que a maturidade seja o solo onde o vínculo cresce, e não a insegurança que o corrói.
Tatianne Ernesto S. Passaes
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