Carta a um Amigo Detento
Parceria é amor, é respeito, é estar lado a lado na estrada da vida. É construir um espaço onde ambos podem crescer e aprender, apoiando-se mutuamente em cada passo da jornada. Essa conexão se baseia na confiança, na comunicação e na empatia, criando um laço forte que resiste às adversidades.
Em uma verdadeira parceria, celebramos as vitórias juntos e encontramos força nas dificuldades. É um compromisso de estar presente, ouvindo e compreendendo as necessidades do outro. Essa união torna a caminhada mais leve e significativa, enriquecendo nossas experiências e nos ajudando a enfrentar os desafios com mais coragem e esperança.
Um dia, a fruta cai,
A saúde se esvai,
E o grande amor,
Como um sonho, se dissolve no ar.
Só então percebemos,
O valor das coisas simples,
A doçura de cada fruta,
Quando a colheita se torna distante.
A saúde, antes um tesouro,
Se revela frágil ao adoecer,
E lembramos do vigor,
Que antes não soubemos agradecer.
O amor, tão forte e vibrante,
Só é sentido na ausência,
Quando a saudade aperta,
E o coração busca sua essência.
Valorizamos o que se foi,
Quando a vida se torna um labirinto,
E nas complexidades do dia a dia,
Encontramos a beleza do que é simples e bonito.
Assim, que possamos aprender,
A cada instante, a cada olhar,
Apreciar as pequenas dádivas,
Antes que se deixem de amar.
Às vezes, é necessário limpar e soltar todas as formas de ser um porto seguro. É fundamental liberar os pesos e deixar para trás tudo aquilo que não nos serve mais. Precisamos aprender com os bambus, que se dobram ao vento sem quebrar, permanecendo vazios para serem preenchidos de amor.
É uma verdadeira beleza quando entendemos essa lição. Ao nos desapegarmos do que nos limita, abrimos espaço para novas experiências e sentimentos. Essa flexibilidade nos permite crescer e nos fortalecer, permitindo que o amor e a luz entrem em nossas vidas. Assim, podemos nos tornar mais leves e conectados com o que realmente importa.
Tudo nesta vida possui um propósito divino, e cada atraso que enfrentamos não acontece por acaso. Muitas vezes, nos sentimos frustrados ao ver nossos planos não se desenrolarem como desejamos, mas é importante lembrar que cada desafio traz consigo lições valiosas.
Esses momentos de espera e incerteza podem ser oportunidades disfarçadas, preparando-nos para algo maior. O universo tem seu próprio ritmo, e, muitas vezes, o que parece um obstáculo é, na verdade, um desvio necessário que nos leva a um caminho mais alinhado com nossa verdadeira essência.
Quando aceitamos que tudo tem um propósito, começamos a enxergar a beleza nas pequenas coisas e a confiar no processo da vida. Cada experiência, mesmo as mais difíceis, nos molda e nos ensina. Portanto, ao invés de resistir aos atrasos ou contratempos, abracemos a jornada, confiando que estamos exatamente onde precisamos estar para cumprir nosso verdadeiro destino.
Aprender a não se submeter a situações que não queremos é um exercício de respeito próprio. Durante muito tempo, confundimos educação com anulação, e gentileza com obrigação. Mas agradar os outros à custa da nossa paz não é virtude, é desgaste silencioso.
Dizer “não” quando algo nos deixa desconfortáveis não significa falta de amor, egoísmo ou frieza. Significa maturidade emocional. Significa reconhecer limites, necessidades e fases da vida. Há momentos em que cuidar de si, da família, do descanso e do equilíbrio é mais importante do que estar presente em todos os lugares.
Estar em paz não exige explicações longas. Relações saudáveis suportam limites e compreendem ausências. Quem se importa de verdade entende que presença forçada não é presença verdadeira.
Respeitar a si mesma é escolher, todos os dias, não se abandonar para caber nas expectativas alheias. É entender que a sua tranquilidade tem valor e que você não precisa se submeter para ser aceita. Cuidar de si é, muitas vezes, o maior ato de amor que existe.
Cachos
É um emaranhado de beleza. É quando seu cabelo vira mar. É um convite para carinho. São seus fios fazendo as curvas de um sorriso. É um cabelo volumoso de amor. É autoafirmação. São os anéis que entrelaçam os seus dedos e pedem meu cafuné em casamento.
É quando a raiz do seu cabelo floresce cultura.
Dentro dessas linhas
Você chegou como um cometa,
iluminando um céu que eu já achava apagado.
Rasgou a rotina,
fez meu coração repensar seus próprios passos.
Dentro dessas linhas,
eu caminho sem pressa, sem medo,
absorvendo cada instante que você me oferece.
E pela primeira vez,
sem a necessidade de estar armado,
sinto que posso, enfim,
ser amado.
Mostrei meu mundo em tão pouco tempo,
cada esquina, cada pedaço de mim.
E você, sem reservas,
abriu o íntimo que antes era ferida —
e transformou silêncio em confiança.
Até quando nos desencontramos,
o destino fez questão de nos juntar depressa,
como se dissesse que não há fuga
quando duas linhas foram feitas
para correr lado a lado.
Vejo você no amanhã que sempre temi,
como calor nos meus dias nublados,
como ar leve nos dias ensolarados —
onde antes havia peso,
agora existe respiro.
Nunca é tarde para nada.
Nem para uma graduação, um doutorado, aprender uma língua nova, abrir um novo negócio, uma mudança de rota, uma nova família ou filhos.
Começar/Recomeçar aos 20, aos 40 ou aos 60 diz menos sobre o tempo e mais sobre a coragem de finalmente escolher a si mesmo.
A vida não acontece de forma linear.
Ela acontece quando você para de pedir permissão para existir.
Sufocar a própria existência não deve ser uma opção. Jamais.
Um dos quereres
Já tive tempos, onde queria sucumbir,
mas hoje, deixe-me ver,
só quero viver, enquanto puder
pois, cabe a todos o partir,
embora dolorosa a vida que temos,
e ainda na felicidade e abundância,
não faz sentido viver sempre bem,
assim o requer a vida,
porque chegará uma parte dessa vida
que é retirado de nós essa tal felicidade,
dessa maneira, escolho viver
o tempo que me cabe,
mesmo com tons de felicidade e tristeza,
e findo a vida,
nem tristeza, nem felicidade
apenas paz...
Senhor Romeo
Senhor Romeo,
eu fiz isso de novo.
Um ano em cada dez
consigo lidar com isso.
Sou uma espécie de milagre ambulante
minha pele ainda intacta,
como se não tivesse aprendido
a lição do fogo.
Diga-me:
quantas vezes se pode morrer
dentro da mesma casa
sem que a vizinhança desconfie?
Colecionei pequenas mortes
como quem guarda cartas não enviadas.
Dobrei cada tentativa frustrada
e a escondi na gaveta do criado-mudo,
junto aos comprimidos
e aos retratos
onde ainda corríamos
como dois atores mal pagos
ensaiando eternidade.
Você dizia:
“amor é resistência.”
Eu resisti
até virar ruína.
Sempre havia um copo quebrado na pia,
uma frase suspensa no ar,
um silêncio armado
apontando direto para o meu peito.
Tentei ser um incêndio manso.
Tentei ser água morna.
Tentei ser o homem que não sangra
quando cortado por palavras.
Mas cada tentativa
Era um ensaio de funeral.
O primeiro amor morreu de frio
faltaram cobertores e coragem.
O segundo morreu de excesso
amor demais é veneno doce,
colherada de açúcar
numa garganta já em chamas.
O terceiro?
Ah, Senhor Romeo
o terceiro fui eu.
Enterrei minha voz no jardim.
Plantei rosas sobre os gritos.
Aprendi a sorrir de dentes cerrados
para que ninguém visse
a hemorragia discreta
escorrendo pela alma.
Quantas vezes se pode voltar?
Quantas vezes se reconstrói
uma casa incendiada
com os mesmos fósforos?
Você me chamava dramático.
Eu me chamava de sobrevivente.
Havia espetáculo na minha dor,
confesso.
Eu me levantava das cinzas
com as roupas ainda fumegando,
a barba desgrenhada
como se fosse condecoração.
Olhem
eu ainda estou aqui.
Mesmo depois de vocês.
Mas sobreviver
não é o mesmo que viver.
À noite
deito ao lado do vazio
e ele respira melhor que qualquer amante.
O vazio não promete.
Não mente.
Não diz “para sempre”
com a boca cheia de vento.
Senhor Romeo,
há um cemitério em meu peito
onde cada “nós” fracassado
Tem uma lápide discreta.
Aqui jaz
a tentativa de diálogo.
Aqui jaz
a paciência.
Aqui jaz
o homem que acreditava
que amor era salvação.
Aprendi tarde demais:
amar não ressuscita ninguém.
Amar não cura abismos.
Amar não transforma homens
em porto seguro.
Às vezes,
amar é apenas outro nome
para se oferecer em sacrifício
num altar que ninguém pediu.
E ainda assim
olhe para mim, Senhor Romeo
eu me levanto.
Com as mãos queimadas.
Com o coração em carne viva.
Com a dignidade remendada
como roupa antiga.
Eu me levanto
não por eles,
não por você,
mas por essa centelha obscena
que insiste em pulsar
mesmo depois de tantas mortes pequenas.
Talvez eu seja feito
de matéria reincidente.
Talvez eu goste
do gosto metálico do recomeço.
Ou talvez
apenas talvez
eu tenha descoberto
que a única relação que não fracassa
é esta:
entre mim
e o homem
que se recusa
a permanecer enterrado.
Poema V
"O Arquiteto de Si"
Um homem que pensagrande,
Cuja alma o orgulho nãocomanda.
Sem busca por aplausosvãos,
Nem cede ao medo que do mundoemana.
De olhos na realnecessidade,
Disciplina fora e dentro dolar.
Ouvindo anciãos comhumildade,
Aprendendo dia a dia aquestionar.
Tudo com zelo eprimor,
Como se para Deus fosse amissão.
Pois o Criador é o seuGestor,
Com excelência edireção.
Justiça faz aopartilhar,
Sua parte no fluxosagrado.
Pois sabia que, aoentregar,
O seu vaso seriarenovado.
Das sobras, o chão eleerguia:
Terras, mercadorias evalor.
No equilíbrio de quem sabia o quefazia,
Moldou-se um homemvencedor.
O que esperar, se na vida tudo é um breve,
Breve adeus, uma curta esperança.
Sem romper incertezas, espere,
Espere que venha uma grande bagunça.
Não espere, a vida precisa de ousadia,
Onde o adeus, não deve ter espaço.
Rompa com a insegurança e faça,
Seja o seu melhor não um tolo.
Esvazie- se e preencha os espaços,
Com amor e valor,
Com fervor e audácia.
Festeje, mesmo que sozinho, na dor,
Abrace a alegria da vida,
E faça valer seu maiores desejos.
O legado mais lindo que alguém pode nos deixar é o cuidado e o amor que um dia sentiu por nós, através do seu cuidado, exagero, implicância e nos ensinar a trabalhar e nos ensinar a lutar pelo que é nosso, esses foram as bases mas linda que tanto José Corrêa quanto Francisca Ferreira nos deixou, obrigada por tudo! E que seus filhos que já são pais passem para os filhos e netos a verdadeira riqueza: O trabalho, a dignidade! Obrigada meus avós e aos meus pais !
(TmCBelmiro)
Talvez o que escrevo, seja uma lembrança de um passado que fez-se inconsciente ou mesmo que eu tenha trazido de maneira latente em mim. Talvez o que escrevo, tenha o mesmo significado, a mesma luz, num outro olhar. Talvez o que escrevo, seja somente a tradução do que tua alma ensina-me.
Flávia Abib
O Hóspede das sombras
Desperta em mim um timbre industrial,
Gosto de ferro, nota aguda e fria,
Uma versão de traço não causal
Que ignora o sol e a própria luz do dia.
Tem o olhar cruzado, o norte em desatino,
Sabores amargos que a alma não traduz,
Habita o fosso, o avesso do destino,
E foge sempre que o afeto faz seu fluxo de luz.
À margem de tudo o que tento cultivar,
Ele se nutre do que eu quis esconder.
Sorri com o mal, sem medo de errar,
Pois não tem outro centro além do próprio ser.
Não guarda o peso da dor alheia no peito,
Não carrega a afeição, o laço ou o dever.
É gelo puro, instinto, um vácuo perfeito,
Um espelho cego que só quer se ver.
Eu sei, com clareza, que esse não sou eu,
Mas no cansaço de ser quem o mundo quer,
Invejo esse monstro que o abismo deu:
O lado de dentro que faz o que bem entender.
Dou ouvidos ao que desalinha o mundo,
e deixo um verso
decidir se vira riso ou lágrima.
Escrevo no improviso
bilhetes de poesia
que escorrem por frestas,
até cair nas mãos certas.
Às vezes me embaralho
e viro silêncio.
Faço do texto um abrigo,
e entre uma frase e outra
sussurro uma oração,
pedindo clareza para o coração
que insiste em cantar.
E mesmo torto,
mesmo simples,
sigo rabiscando.
Estás tentando esconder
o que eu já sei.
Vou te dizer:
não forçarei um relacionamento
onde o sentimento se esconde
atrás de silêncios.
Se desejas continuar assim,
guardando verdades
como quem fecha janelas,
eu não irei à guerra
para confrontar quem prefere esconder na sombra.
Mulher,
a decisão não pode ser apenas tua —
mas também não serei eu
a implorar permanência.
Só não demores demais…
porque até o mais paciente
cansa de esperar.
por quem nunca decide ficar.
O amor não esconde pra se proteger.
Ele é a liberdade de escolha.
Em um cesto, um único fruto, saudável, atraente, delicioso, agradável, desejável aos olhos de quem o vê. Ele está sempre ali, ao seu alcance, no entanto, o fruto cobiçado passou a ser aquele que está fora do cesto, doentio, contaminado, estragado, sem aparência viçosa ou de um agradável paladar, porém tentador.
Tudo porque o que é proibido é mais gostoso.
E isso não é sobre frutos.
O que acontece com um peixe se tirarmos da água?
Logicamente ele vai morrer, mas até que ele morra ele tem um tempo curto.
Nesse curto tempo ele tenta respirar encontrar água, salta desesperadamente para qualquer direção, sendo inútil ele ainda tenta se adaptar respirar lentamente, economizando esforço físico.
Agora ele sonha!
A poesia desce em cascata para o âmago da alma,
um sussurro divino que acalma e incendia o espírito.
É uma salada de letras,
tempestade suave,
banhada na essência pura da flor que desabrocha no silêncio do jardim,
no abraço etéreo da brisa que dança sobre o mar,
na luz solitária e prateada do luar que vigia os sonhos esquecidos.
Ela acaricia a mente como um toque celestial,
pintando com tintas invisíveis as paredes secretas do ser,
onde o infinito se revela em cada suspiro.
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