Carne
Tirar a carne da mesa dos brasileiros pra alimentar os chineses é a mesma coisa de você vender seus mantimentos pro vizinho e deixar a sua família com fome. Descobrir um santo pra cobrir o outro, assim não dá. A "bondade" começa em casa, já diziam os antigos. Grr.
Hoje tem muita gente no Brasil se tornando vegano à pulso, porque a carne está custando os olhos da cara, se continuar do jeito que tá assim, daqui a pouco um quilo de carne vai valer a calota craniana inteira, completinha.
Cada um já nasce para comer um tipo de coisa, alguns animais são carnívoros e outros vegetarianos, os ursos pandas, por exemplo, apesar de grandes, só comem brotos de algumas espécies de bambus, e não dá pra comer outra coisa, porque isso já é da natureza deles, foram criados por Deus assim, desse jeito, e ninguém ensinou isso pra eles, já é próprio do organismo deles, é coisa de DNA, "tá no sangue", se forçá-los a comer outra coisa, provavelmente ficarão doentes, ou ficarão diferentes do que nasceram pra ser.
E assim somos nós também. Alguns de nós gostam de carne, e outros só gostam de folhinhas, talvez porque na infância não foram acostumados a comer carne, talvez a grana fosse curta, e não desse para comprar carne todo dia, ou talvez nasceram assim, sem gostar de carne, talvez o organismo rejeite a carne; já outros só comem folhinhas porque são "maria vai com as outras", e começaram a imitar os famosos que não comem carne, pode ser isso, eu imagino que seja isso, sei lá.
Mas isso não importa, cada um é cada um, e, do meu ponto de vista individual, não há mal nenhum em comer carnes, desde não seja proibida para o consumo, e não cause sofrimento ao animal na hora do abate, pra mim, tá tudo certo.E, digam o que quiserem, não há nada mais prazeroso do que reunir os amigos para saborear um bom e suculento churrasco na brasa!
"Ela é flor de carne e osso...
Nos seus olhos de flor manifestaram-se duas gotas...
Seriam lágrimas ou néctares?
E, sua boca de flor me sorriu!"
Haredita Angel
07.02.2023
"Ah, como eu gostaria
de te dar uns bons tapas.
Mas não vou perder tempo
amaciando carne de vaca!"
Haredita Angel
20.12.13
A deriva
A carne é santa ao mesmo tempo que é dinâmica e age na rebeldia,
Secreta, sagaz, solitária, fugaz, voraz na fulga, no poço è tenaz no despertar,
Sonoros são os desejos, tempestuosos são os significados,
Em terra ou mar o destino alimenta e da asas ao tempo que se perde em sensações e sentimentos,
Do carvalho ao baobá a carne ganha força e reage com vigor juvenil aos nuances e dejavus da vida,
Perdida na sede e na fome, vive intensa na arte de navegar entre corpos, paixões e lembranças.
Soneto da Vida Que Prossegue
De súbito, me vi sem forma ou chão,
Soltei o corpo, e a dor ficou pra trás.
Na paz sem voz, brilhou revelação:
Sou mais que a carne — sou essência e paz.
O tempo se desfez num só instante,
E vi a vida inteira, em luz, pulsar.
Os medos se calaram, tão distantes,
E o que era vão deixou de importar.
Mas voltei. E a vida me chamou.
Com nova fé, caminho o que é terreno,
Pois cada luta mostra o que sou,
E o amor que guia tudo é sempre pleno.
A vida segue — e sigo com firmeza:
Sou chama eterna em veste de beleza.
Têm gente que procura mesmo é ser pouco, pessoas que não vale a pena contrariar, ruins no existir e que gostam mesmo é de ser mal. Contra essas, tranquilidade, o tempo também é juiz, pois os carniceiros morrem engasgados com a própria carne, os mentirosos pela própria língua e os sanguinários se afogam no próprio sangue.
O primeiro pensamento é: 'Como vai ficar a cicatriz?'. Depois nos damos conta que a vida já nos deixa tantas cicatrizes. As piores, nem estão na nossa carne.
A metástase da carne tem início na alma. O vírus do câncer é quântico. Morte no multiverso, todas as réplicas tombando como peças de dominó.
Morremos em série, a nível cósmico. Apagados, obliterados, dizimados. O não-ser da mais infinita impossibilidade, nada pleno, oco perfeito.
Morremos molecularmente. No osso do átomo. Na estagnação do elétron. Deus cai na latrina e o Demônio toca a descarga. Morremos. Morremos.
Morremos e enquanto agonizamos a morfina do entretenimento nos distrai do estertor uníssono de células presas aos coágulos pastosos que somos.
A cultura da maldade, da imbecilidade e do vazio. A cultura da ausência de cultura. Não contra-cultura, mas a própria antimatéria da cultura.
Todo conhecimento convergindo para um fétido buraco-negro, ralo que suga mentes e amalgama cérebros perdendo-se no fomento do agora crônico.
Mas que dor seria legítima sem espectadores? Um ator não representa por detrás das cortinas. Toda calúnia há de ser lançada ao devido rosto.
Para que soro corrosivo da encenação grotesca carcoma a vil máscara do público, revelando a fealdade explícita por trás da maquiagem humana.
Gumes a pentear
a carne fria e magra.
Doce é o sabor da guilhotina.
O sol a se deixar levar
acabou engolido pelas trevas.
Sem renegar a lua se tornou imortal,
e as sombras eternas...
As retinas sem medo
perambulavam pela noite
a declamas suas poesias para a morte.
vitimas de seus pecados e desejos.
Enquanto uma brisa morbida
abraçava todos os que encontrava pela rua...
