Carlos Drumond de Andrade Contagem do Tempo

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A beleza é uma letra que se vence à vista, a sabedoria tem o seu vencimento a prazos.

A inveja, que abrevia ou suprime os elogios, é sempre minuciosa e prolixa na sua crítica e censura.

Perdoamos mais vezes aos nossos inimigos por fraqueza, que por virtude.

A chave de todas as ciências é inegavelmente o ponto de interrogação.

A modéstia é para o mérito o que as sombras são para um quadro. Dão-lhe forma e relevo.

A maioria das mulheres quase não têm princípios: conduzem-se pelo coração e, quanto aos seus costumes, dependem daqueles a quem amam.

O nosso bom, ou mau procedimento, é o nosso melhor amigo, ou pior inimigo.

Quem sem descanso apregoa a sua virtude, a si próprio se sugestiona virtuosamente e acaba por ser às vezes virtuoso.

Nós dois? - Não me lembro.
Quando era que a primavera
caía em setembro?

O pretexto normal dos que fazem a infelicidade dos outros é de quererem o bem deles.

Seja no que for, apenas poderemos ser julgados pelos nossos pares.

Admiramos o mundo através do que amamos.

Não existe vício que não tenha uma falsa semelhança com uma virtude e que disso não tire proveito.

Em grande parte, os maridos são como as mulheres os fazem.

A ambição sujeita os homens a maior servilismo do que a fome e a pobreza.

O fim da vida não é a felicidade, mas o aperfeiçoamento.

É a profunda ignorância que inspira o tom dogmático.

Os homens são poucas vezes o que parecem; eles trabalham incessantemente por parecer o que não são.

Nunca a polícia terá espiões comparáveis aos que se colocam ao serviço do ódio.

A avareza começa onde termina a pobreza.