Carlos Drumond de Andrade Contagem do Tempo
Baú de recordações
Baú de espantos...
Baú de recordações...
Saudades de um passado sem volta
Resgate de um tempo perdido
Sem tristezas
Sem magoas
Pedras no caminho
Tropeços de um crescimento interior
Buscas externas
Procuras internas
Equilíbrio encontrado
Há muito tempo esquecido e adormecido...
Olho para o mundo e tenho medo dele. Acho que no fundo tenho medo da felicidade ou ela de mim. Sempre que estou muito feliz fico desconfiada. Desconfio secretamente e vou-me afastando para que ela não acabe por si só. Prefiro eu correr dela, assim não corro o risco da felicidade me deixar.
Fico em silêncio por um longo tempo e procuro saber o valor dele. Há tantas coisas que eu queria escrever, mas, não posso. As palavras me deixam com medo, por isso fico calada. Há tantas coisas que nunca escrevi e que morrerão comigo. Este silêncio é a minha garantia. Dentro dele está o meu EU gritante.
Quero explodir para que as palavras se libertem. Seria uma loucura as palavras soltas por aí. Ninguém entenderia nada, porque elas se misturariam. Às vezes quero a verdade outras vezes o oposto dela me alimenta. O cotidiano me mata de tédio, por isso me reservo e escrevo.
A vida é tão passageira! É como um sopro. Sopramos e ela se vai. Não entendemos nada da vida e isso me deixa angustiada. Pensar que a vida é um sopro, logo vem à minha mente uma bolha de sabão solta no ar. Tocamos nela e ela explode.
Ficam no ar apenas pedacinhos que vão se desintegrando um a um. Assim imagino o sopro da vida. Uma película muito fina, quase invisível, transparente, brilhante com multicores como se fosse um arco-íris. Duram apenas alguns segundos e explodem.
São os segundos mais belos que nossos olhos já fotografaram e guardaram na gaveta do tempo. Assim é o sopro da vida. Simples, intenso e belo. Se deixarmos passar em branco ele se vai sem deixar nenhum vestígio.
Quando o tempo e o espaço vos reservar apenas tropeços, aceitai-os. Eles servirão para vosso amadurecimento. Passai por eles com categoria. Não desamineis e voltai atrás para resgatar o que ficou num passado. Nada melhor que o tempo para curar as feridas que não estão ainda cicatrizadas.
Vivemos a mercê do ritmo do tempo. Tempo de espera, de escolhas, de elevação espiritual, de vida, de momentos. Medimos o tempo e não entendemos que o tempo somos nós quem o determinamos.
Eclesiastes 3.1 nos diz; Nessa vida tudo tem sua hora; há um tempo certo pra tudo! Quanto tempo estamos passando na presença do Eterno?
A vida é mesmo surpreendente, pois quando se imagina que nada mais poderia nos surpreender, somos surpreendidos. Seria tão bom se pudéssemos prever o futuro. Mas como saber do futuro se todos vivemos no passado? Mesmo a minha própria imagem refletida no espelho é uma visão do passado, pois temos que considerar o tempo que a luz leva para refleti-la, bem como a fração de segundo que meu cérebro leva para interpretá-la. Se pensarmos bem, não existe essa coisa de presente, temos apenas o passado e o futuro. Talvez por isso que seja tão difícil de se prever esse futuro, tão incerto, tão sombrio. É certo que vamos nos deitar a noite... que vamos dormir... mas nunca sabemos se vamos acordar ou onde vamos acordar. Sendo assim, é imperativo que se viva cada momento ao máximo, aproveitando cada oportunidade que a vida oferecer. Sempre temos uma segunda chance, sempre. Mas nem sempre essa segunda chance poderá ser tão prazerosa quanto ao que foi apresentado na primeira vez. A única convicção irrefutável sobre a vida é que um dia ela acaba!!!
O tempo é o nosso Mestre. Ele nos ensina a verdadeira essência da vida. Nos ensina que a paciência é uma das virtudes que deve ser cultivada ao longo da nossa caminhada. Manter-se firme e paciente em relação aos nossos propósitos sem receio de fraquejar, é um dos pontos principais para o nosso sucesso. Cultive a paciência, ela é a nossa arma para vencer os obstáculos e chegar ao nosso objetivo.
Houve um tempo em que partir era necessário. Outro, ficar era a solução. Hoje, refletir sobre as decisões a serem tomadas é o bastante.
O TEMPO
O tempo é leve, sutil e enigmático. Vive numa dimensão onde não podemos mensurá-lo. Ele voa como os pássaros no céu, como o vento, o rio que corre para o mar, como a intensidade da vida. O tempo tem seu tempo e ninguém consegue segurá-lo. Ele escapa das nossas mãos e voa alto. Tão alto, que o pensamento não o alcança. Assim é a nossa vida, depende do tempo e da intensidade para nortear seu destino...
O tempo independe da nossa vontade e da nossa luta. Ele é a duração que cria em nós a ideia do presente, passado e futuro.
Tempo de nascer, tempo de crescer, tempo de envelhecer, tempo de morrer. Mas viver tudo isso sem ao menos chegar o tempo de enriquecer! Assim não valeu apena, eu preciso renascer...
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