Carlos Drumond de Andrade Contagem do Tempo
O que é um "ideal moderno? Na cultura brasileira, temos necessidade urgente de nos reinventar, precisamos de uma "Semana de Arte", com mais disposição para o novo, um evento que supere o de 1922, resta nos perguntar? Temos, por ventura, um Manoel Bandeira, ou um Osvaldo de Andrade, Mário de Andrade, um Villa-Lobos, e outros tantos que se aventuraram contra o velho parnasiano?
"Pessoas comuns se casam e envelhecem juntas, não raro se tornam inimigas. Pessoas especiais e evoluídas emocionalmente se tornam irmãos. Contudo, as pessoas inteligentes se separam antes que aconteçam as duas coisas."
Nenhum homem é uma ilha," pobre John Donne.
"Todo homem é um oceano de imensidão e profundidade insondáveis. O homem só se revela quando ama e para quem ama.
Só conhecemos nós mesmo o próximo, quando estamos ligados pela força imensurável dos afetos verdadeiros, sejam estes de amor e de sublime amizade."
AOS AMIGOS QUE MORAM COMIGO NO LUGAR MAIS SECRETO DO MEU SER.
Somos nós que construímos, no coração dos amigos, a nossa própria morada.
Resta saber com material edificamos a nossa tenda no coração do amigo, com quem pretendemos conviver por longo tempo ou por uma eternidade. Algumas moradas são refúgios eternos, para onde corremos em épocas de fortes temporais.
Me alegro por ter encontrado espaço no coração de quem tanto respeito e admiro, meus amigos, embora poucos, são para mim abrigo contra as tempestades do mundo!.
E quantas casas cabem em nossos corações? Alguns, infelizmente, por imaturidade emocional não expandiram a área do coração afetivo, para abrigar mais de um amigo, e são muitas vezes até ciumentos e injustos.
Contudo, estes, às vezes impedem que pessoas boas de coração puro se acheguem ao porto deserto do seu coração e ali façam morada.
Quão bom é conviver com verdadeiros amigos, tê-los como amparo, em tempos de alegria e em tempos de aflição.
Evan do Carmo 11/08/2018
"Sou cético com relação a muitas coisas, este ceticismo me ajuda a ter clareza quanto ao que de fato acredito..."
SOMOS TODOS ZÉS-NINGUÉM
Por que deixamos de beber uma taça de vinho a mais, em público, pensando nas consequências? Por que nos importamos com o que outros dizem ou pensam sobre nós?
Somos todos Zés-ninguém, e quanto ao destino: iguais, com o mesmo fim caótico, irrefutável...
Meu pai, que era um nobre, porém indouto, dizia:
"Não devemos guardar para amanhá o prato feito para o dia de hoje ".
Que a vida é efêmera e sem garantias de final feliz, todos sabem, mas o que mais agrada aos seres humanos, isto de forma generalizada, é ser juiz da vida dos outros, embora pratiquem publicamente ou secretamente aquilo que condena nos outros.
MINHA MUSA
Ela era linda,
encantadora
em todos os sentido.
A ponto de me deixar mundo,
calado diante do abismo
que era sua alma
inteligente,meiga, doce
apaixonante, inesquecível
inebriante.
Era minha musa ,
vinho e fantasia
mulher proibida,
dela fiz um poema de morte,
e uma prosa de vida...
"O Poeta é um fingidor", Fernando Pessoa sabia bem o que quer dizer isso, pois levou a vida a inventar outras mil pessoas, com o fim de esconder quem de fato era: Um gênio incompreendido, um débil fingidor da sua real essência mortal e decadente... é dessa matéria que se forjam os poetas geniais.
VIDA DE CRIANÇA
Vida de criança
É pular brincar sorrir
Ir pra escola todo dia
Pro futuro garantir
Criança inteligente
Sabe as coisas dividir
Pois tem hora de estudar
E hora de se divertir
O papai e mamãe
Só precisam ajudar
A fazer dever de casa
Pra depois se esbaldar
Na piscina ou pula-pula,
Bicicleta ou futebol.
Depois do dever de casa
Você escolhe o melhor.
Pra Benício e Giovanna.
O IRREPETÍVEL
Há acontecimentos na vida que não admitem reedição.
Por mais que a memória tente rearrumar as peças, por mais que o coração procure réplicas, por mais que o desejo se vista de esperança, certos encontros pertencem a um único instante do universo, e jamais regressam com a mesma força.
Não porque falte coragem.
Não porque falte amor.
Mas porque o caos — esse dramaturgo secreto — escreveu um enredo que não se repete.
Há amores que não voltam porque não nasceram para durar: nasceram para revelar.
Há paixões que nos atravessam como relâmpagos — belas, breves, devastadoras — e deixam em nós uma claridade que nenhuma rotina suporta.
E, ainda assim, tentamos.
Tentamos reescrever a história.
Tentamos transplantar a emoção de um corpo para outro, como quem tenta acender uma fogueira com cinzas frias.
Tentamos encaixar um novo rosto no formato exato do antigo.
Tentamos repetir o gesto, o riso, o perfume, o tremor, como quem repete feitiços que perderam o encanto.
Mas o coração não aceita imitadores.
O que nos marcou não foi apenas a pessoa — foi o instante.
A circunstância.
O invisível.
Aquela interseção secreta entre tempo e alma, onde algo se abriu dentro de nós e nunca mais fechou no mesmo lugar.
É inútil reinventar o que foi único.
O universo emocional não admite plágio.
Há feridas que só aquele corpo sabia curar.
Há abismos que só aquela voz sabia atravessar.
Há silêncios que só com aquele olhar faziam sentido.
Há vertigens que só aquele toque despertava.
Transferir esse sentimento para outro contexto é como tentar mover uma constelação inteira para outro céu.
Nenhum encaixe funciona.
A geometria do amor é exata demais para ser manipulada.
Talvez seja essa a beleza brutal da experiência humana:
nem tudo é reaproveitável.
Nem todo amor é reciclável.
Nem toda paixão sobrevive à tentativa de repetição.
O que vivemos uma vez, vivemos uma vez apenas.
E é justamente essa precariedade que faz do instante um milagre.
Não caberá em outro corpo.
Não caberá em outra história.
Não caberá em outra tentativa.
O máximo que podemos fazer é honrar a verdade do que sentimos — e seguir.
Não como quem busca substituições, mas como quem reconhece que há acontecimentos que são portas: abrem-se uma vez e nunca mais se repetem no mesmo lugar.
E talvez seja assim que o caos nos ensina:
não para que reconstruamos o que acabou,
mas para que aceitemos que o irrepetível também é uma forma de eternidade.
O IRREPETÍVEL
Há coisas que não se repetem.
Não por falta de tentativa, mas porque o mundo não devolve o mesmo vento duas vezes.
Você até buscou a fresta que um dia se abriu — a mesma luz, o mesmo acaso, a mesma vertigem. Procurou outro corpo onde a memória coubesse, outra pele com o mesmo ritmo secreto, outro olhar capaz de fazer a respiração errar o passo.
Mas não havia réplica.
O que aconteceu — aconteceu numa combinação que não se fabrica:
um gesto que não estava previsto,
uma falha no tempo,
uma distração do destino.
Foi ali que algo passou por você e não voltou.
Depois disso, tentou reorganizar o enigma.
Mudou a cena, trocou os nomes, alterou o cenário — e o milagre permaneceu imóvel, como se dissesse: não me convoque.
Há eventos que não obedecem.
Você percebeu tarde que não buscava outra pessoa.
Buscava o ruído exato daquele instante — aquele som que só seu coração reconheceu e nunca mais ouviu.
Mas não se captura o eco de algo que só existiu no momento em que rompeu o silêncio.
O resto é tentativa.
E tentativa tem outro brilho.
O que ficou não é lembrança, é marca:
um leve desvio na alma, um lugar onde o mundo tocou e retirou a mão antes que você entendesse o gesto.
Não há como refazer isso.
O universo não trabalha com versões revisadas.
Há histórias que não querem continuação.
Querem apenas ser o que foram:
um rasgo preciso,
um acontecimento sem repetição,
um idioma que você só escutou uma vez
e nunca mais soube pronunciar.
Que você se apaixone por alguém que fale a sua língua, assim não passará a vida inteira tentando traduzir a alma dela.
Ela está viva… mas, para mim, é como se tivesse morrido. Caminha pelo mundo, respira o mesmo ar, talvez sorria para outros rostos... e ainda assim, dentro de mim, vive apenas o eco do que fomos. Eu a perdi não para a morte, mas para a distância, para o tempo, para o destino que decidiu que o meu amor seria eterno e silencioso. Vivo em luto por alguém que ainda existe.
A saudade me habita como uma doença que não mata, mas também não permite curar. Penso nela todos os dias, como quem toca uma ferida só para ter certeza de que ainda sente. É uma presença que não me abandona, entranhada (literalmente) na pele, nas lembranças, nos espaços entre um pensamento e outro. Ela é ausência e companhia ao mesmo tempo... o fantasma mais vivo que já existiu.
Não há rituais para esse tipo de morte. Ninguém me consola, porque ninguém entende que ela ainda está viva. Mas dentro de mim, algo se fechou... um túmulo de memórias onde repousa o amor que nunca deixou de respirar. A cada batida do meu coração, ouço o murmúrio de tudo o que poderia ter sido, e não foi.
O tempo tenta me convencer a seguir, mas o amor não obedece ao tempo. Ele é teimoso, indisciplinado, cruel. Cresce nas ruínas, floresce no impossível. E eu sigo, condenado a amar uma lembrança viva, a beijar um nome no silêncio, a conversar com uma ausência que me responde dentro da alma.
Há quem morra e deixe saudade; ela, não. Ela ficou viva, e isso é o que mais dói. Porque o mundo pode tê-la, mas eu a carrego no coração como se fosse minha morta particular... uma morta que respira em outro lugar, que sonha outro sonho, mas que nunca deixou de me habitar.
E assim vivo: metade homem, metade lembrança. Um viúvo de alguém que ainda está vivo. Um sobrevivente de um amor que o tempo tentou sepultar, mas que, teimosamente, insiste em renascer em cada amanhecer.
Alguns amores são maldições disfarçadas de bênçãos... tão intensos que machucam, mas tão belos que valem cada dor. É sobre o desejo de compreender o passado, mesmo sabendo que isso pode reabrir feridas; sobre a covardia e a coragem de amar, sobre o trágico e o poético de sentir demais.
Quando toquei novamente seus lábios...
Algo recomeçou..
Uma contagem incansável... de um antigo amor.
Uma pausa para confições... disse que eu deixei-me levar pra longe de ti, por algumas poucas razões..
Você com os olhos cheios ( de alegria por me ter de novo ) falou : eu esperarei você, sempre e sempre.. por que eu te amo.
Aquilo acalentou toda onda furiosa que tinha dentro de mim.. aquilo foi o porto seguro que eu precisava.. a página estava contigo..
só contigo eu vou escrever nessa página em branco o nosso fim..
Juntos.. perto.. sempre.
E se der errado, eu irei retentar e retentar.. de vc eu não desisto.. eu não paro.. eu insisto.
Por que eu não quero perder um amor.. doeu perder todas as ilusões..
imagina o estrago que faria perder o amor real.. os que eu sempre citei em versos e canções ?
me nego.. me proíbo.. não posso perder você..
Portanto é um pedido.. Não tenha medo de deixar tudo por que eu cuidarei de todos os detalhes (futeis e não futeis) pra te ter.
E se eu errar, me perdoa.. não quero que espere de mim a perfeição..
Mas mesmo com nossas diferenças, quero ser o encaixe perfeito sdo seu coração..
To esperando o dia.. pra fazer acontecer..
E quando quero algo..
Nada me para.. é um sonho.. que quero viver com você.
Vem cá e me ajuda a esquecer toda a dor que um dia deixei em seu coração..
Vem cá.. eu sigo todos os caminhos.. suporto todos os espinhos..
Só me dá a mão.!
Vem cá !!
9...8...7...6...
Viver é uma contagem regressiva para o inexorável fim.
Pessimistas, otimistas e realistas têm como denominador comum esse encontro fatal e estar preparado pode significar para o pessimista uma chance de viver mais e melhor, para o otimista uma desagradável surpresa e para o realista uma coisa esperada.
Além do resultado comum há para todos a ignorância do que virá e se virá algo mais ou não depois.
5...4...3...2...
Não tenho medo dos números. 19, 28, 35,49...
A vida é uma contagem progressiva...
Para alguns, regressiva.
Já que vivemos para sermos jovens para toda a eternidade.
Somos empurrados para ter corpo sarado,pele lisinha, cabelos brilhosos de seres inanimados das novelas.
Prefiro ter saúde, prefiro ter vitalidade.Prefiro ter tempo para caminhar a ficar presa numa sala com horas de botox.
Prefiro ter rugas de tanto rir de paz de espírito.
Prefiro viver.
Você liga na quarta me chamando para sair sexta e minha vida vira uma contagem regressiva. Perco a fome. O sono. Mas não reclamo, pelo contrário. Distribuo sorrisos, passeio com o cachorro, lavo a louça do jantar, chego animado no escritório e tudo é festa. A piada sem graça do colega de equipe me faz rir por minutos. Canto com gosto a música chata que toca no bar da esquina e, em vez de reclamar do calor escaldante que faz na noite de quinta, calço os chinelos, saio por aí, caminho pela orla, reparo na lua, sento no quiosque mais pé sujo da praia e tomo uma cerveja barata enquanto converso com alguém que nunca vi antes. Sorrio como se a vida tivesse antecipado meus créditos de felicidade. Daí o dia finalmente chega e, no metrô, todo mundo está animado, sem motivos, porque não precisa, esse dia é tradicionalmente leve, bom, contente, esperado. Mas ninguém sabe que para mim não é uma data qualquer. Torço para que a hora voe. Ela passa devagar. Crio diálogos, imagino abraços, prevejo beijos e, quando a noite cai, basta te ver vindo abrir o portão com o sorriso aberto no rosto, para que eu arremesse no espaço todos os meus ensaios. Aí você me abraça, dá um beijo na bochecha e pergunta como passei a semana com a inocência de quem não faz ideia de que foi dona de todos os meus dias. Eu respondo que correu tudo bem. E sorrio sem saber que esse dia é o mais aguardado do ano até o nosso próximo encontro. Naquela ligação você não me roubou só alguns dias, me roubou inteiro.
- Relacionados
- Poesias de Carlos Drummond de Andrade
- Poemas de Carlos Drummond de Andrade
- 37 poemas sobre o tempo para pensar na passagem dos dias
- 63 frases sobre o tempo para aproveitar cada momento
- Frases sobre processo para compreender o tempo certo das coisas
- Frases de Carlos Drummond de Andrade
- Textos de Carlos Drummond de Andrade
