Carlos Drumond de Andrade Contagem do Tempo
O sistema entrou em decadência, se corrompeu. As instituições agem contra o povo e a natureza humana. As ciências, as artes e o conhecimento como um todo, se arruínam.
A Inversão mostra como o ser humano aprende a identificar amor com sofrimento, consciência com restrição, trabalho com sacrifício, honestidade e bondade com deixar-se prejudicar, falar a verdade com agressão e assim por diante.
Enquanto os mecanismos da inversão permanecerem “inconscientizados”, pois esta atitude impõe censura à Consciência, a humanidade vai continuar a desenvolver meios cada vez mais sofisticados e antinaturais de destruir a si mesma.
A Realidade da Vida consiste em Beleza, Bondade e Verdade – formas que haviam na Natureza antes de existir mentes humanas.
Todo homem possui inclinação para o que é belo, bom e verdadeiro, mesmo sem saber conceituar ao certo esses valores.
Quando se prefere a fealdade crê-se que aí deve ser encontrada alguma beleza e ao adotar o que é ruim é esperando que isto ocasione algo de bom.
As fronteiras civilizatórias modificaram-se de forma surpreendente. Surgem novos horizontes, realidades pouco conhecidas.
Os cientistas nunca atingiram a compreensão da Verdade. A busca mais eficiente coube aos místicos. Mas estes mutantes só conheceram suas próprias verdades.
A Verdade nunca foi alcançada, nem será. Não existe uma verdade objetiva e total se esta, por sua própria natureza, sempre será relativa, subordinada a sistemas e a interpretações humanos.
A criança e por vezes o adolescente ficam confusos ao descobrir que todos parecem possuir um lado bom e um lado mau e eles não conseguem atribuir uma dessas qualidades extremas, nem a si próprios.
Um maniqueísta pode ser manipulado porque enxerga o mundo por uma lente preto e branco. Não consegue distinguir, nos eventos, o que não se encaixa nos rótulos de Bem e Mal. Tudo o mais é ignorado.
O morto, um “ex-ilustre”, porque não existe dignidade na morte, pode virar tabuleta de logradouro e até de presídio, mas permanecerá esquecido.
Mesmo nos casos flagrantemente imorais, a "doutrina" tranquiliza porque a essência é que conta. E aí, “na essência”, garantem seus profetas e beatos, até os atos escancaradamente infames são excelentes!
A memória é algo que, quando não se abandona, se destrói. Como historiador de minha comunidade, fui testemunha deste contrassenso.
O pensamento alcançou a densidade da Filosofia mas, desde sua genealogia, o julgamento dos costumes tem promovido a inversão das categorias morais.
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