Carlos Drumond de Andrade Contagem do Tempo
Você vai se lembrar do dia de hoje por muito tempo. Mas, se fizer tudo certo, terá a chance de esquecê-lo.
Houve um tempo no qual a indústria da seca era o prato principal no restaurante Brasil. Hoje a indústria da arte domina o cardápio que está nas principais mesas de todas as filiais do Restaurante Brasil.
O PARADOXO DO INFINITO
(Um romance)
No vasto tecido do universo, onde o tempo é uma ilusão e o espaço apenas uma sombra do que somos capazes de sentir, existiam duas almas entrelaçadas desde o início dos tempos. Não eram corpos que se buscavam, mas partículas dançando na sinfonia cósmica, movidas por uma força tão antiga quanto o próprio Big Bang.
Cada encontro entre eles era um colapso quântico: um instante de possibilidade infinita que se condensava em uma realidade inevitável. Quando seus olhares se cruzaram, foi como se uma onda de probabilidade desmoronasse em certeza. Um portal se abriu entre as dimensões do "eu" e do "nós", e, naquele momento, tudo que existia era o agora – um agora que parecia eterno.
O amor que compartilhavam era uma singularidade, um ponto onde a paixão queimava tão intensamente que transcendia qualquer definição. Era um buraco negro emocional, sugando tudo ao redor, dobrando a gravidade de suas almas até que não houvesse espaço entre elas. Cada toque era uma explosão estelar, cada suspiro, uma supernova ecoando pelo vazio infinito.
Mas o tempo, essa teia ilusória, insistia em separá-los. Na linha cronológica dos mundos, suas existências eram ondas que se desencontravam, vibrando em frequências opostas. E, ainda assim, eles sempre encontravam um jeito de se alinhar, como pulsares sincronizados em galáxias distantes. Era o paradoxo quântico do amor: eles estavam juntos e separados ao mesmo tempo, vivendo todas as versões de si mesmos em universos paralelos.
Ele a via como a constante gravitacional que mantinha seu universo coeso, enquanto ela o sentia como o fóton que iluminava cada canto de sua existência. Eram opostos e iguais, caos e ordem, partícula e onda. A paixão entre eles era o fogo primordial, uma energia que não podia ser destruída, apenas transformada.
E, no fim, quando o espaço se dobrasse sobre si mesmo e o tempo cessasse sua marcha, eles ainda estariam lá. Não como corpos, não como memórias, mas como vibrações eternas na frequência do infinito. Porque o amor que compartilhavam não era governado pelas leis da física – ele era a própria essência delas.
"Tempo chuvoso, Amor ao longe
No tempo chuvoso, o amor se faz sentir,
Mesmo distante, ele não deixa de existir.
As gotas que caem do céu como lágrimas de saudade,
Aceleram o pulsar do meu coração, com intensidade.
Na chuva, imagino como será nossos momentos,
O som das gotas no telhado trazendo alento.
E mesmo que estejamos separados pelo destino,
O amor ao longe continua a ser meu abrigo divino.
As ruas molhadas se tornam nosso caminho,
E nas poças d'água, vejo o reflexo do teu carinho.
Cada gota que cai é um beijo que não posso dar,
Mas na minha mente, nosso amor continua a brilhar.
Então que chova, que o tempo seja chuvoso e sereno,
Pois no amor ao longe encontro paz e pleno.
E mesmo que a distância nos separe por agora,
Nosso amor resistirá.
Como uma chuva que não vai embora.
Que nunca vai cessar."
O trem
(Verso 1)
Num trilho sombrio, onde a noite persiste,
Um trem fantasma, onde o tempo desiste.
Carruagens de névoa, deslizando no ar,
Desejos tecendo o destino, num silencioso mar.
(Refrão)
No trem misterioso, onde o passado é presente,
Passageiros espectrais, rostos indiferentes.
Desejos dançam, tornam-se realidade,
Eu sou o único vivo, na eternidade.
(Verso 2)
Sombras dançam nos corredores sem fim,
Almas perdidas, buscando um destino enfim.
O condutor invisível guia a jornada,
Onde o desconhecido se torna uma estrada.
(Pré-Refrão)
No eco do apito, o tempo se congela,
Nesse trem de mistérios, a verdade se revela.
Olhares vazios, segredos entre suspiros,
Cada estação, um portal para devaneios.
(Refrão)
No trem misterioso, onde o passado é presente,
Passageiros espectrais, rostos indiferentes.
Desejos dançam, tornam-se realidade,
Eu sou o único vivo, na eternidade.
(Ponte)
A neblina se adensa, encobrindo a visão,
O trem se perde, na última estação.
Na penumbra, um sussurro, uma metamorfose,
Eu me vejo refletido, numa sombra que se propaga.
(Verso 3)
No vagão final, a névoa se entrelaça,
O tempo desvanece, a realidade embaraça.
Eu, outrora vivo, agora parte do espectral,
Numa jornada sem fim, onde tudo é celestial.
(Pré-Refrão)
No eco do apito, o tempo se congela,
Nesse trem de mistérios, a verdade se revela.
Olhares vazios, segredos entre suspiros,
Cada estação, um portal para devaneios.
(Refrão)
No trem misterioso, onde o passado é presente,
Passageiros espectrais, rostos indiferentes.
Desejos dançam, tornam-se realidade,
Eu sou o único vivo, na eternidade.
(Outro)
Na névoa dissipada, eu me reconheço,
Um passageiro etéreo, num destino confesso.
No trem misterioso, onde o tempo se desfaz,
Eu me torno sombra, na dança que nunca jaz.
OUTRAS GENTES...
Todo poeta é um sonhador admirável!
Viaja no tempo, e através de sua mente,
Sonda as estrelas... Pressente o futuro, e sente
O limiar de um mundo novo, mais estável!
Vê a humanidade mais séria, confiável,
Que acredita na igualdade e no amor, somente!
Um mundo sem ódio, sem guerras, coerente
Na igual atenção ao ditoso e ao miserável!
Nele, o homem é voltado para a caridade,
Para a harmonia, para a justiça e a bondade
Que são, no ser humano, virtudes latentes!
Reza, então, o vate... Que isso se torne real...
Que um dia, toda alma humana se canse do mal,
E a fraternidade alcance todas as gentes!
C O N F I N A M E N T O
Os dias se repetem, feitiço do tempo.
A face refletida no espelho, como um filme em pausa.
Entre a inocência da infância e a sabedoria da velhice, procuro respostas.
Pelo olhar do observador, na audição de outras gramáticas, meu exercício solitário.
Várias trilhas sobre um mesmo tema, sem a opinião prévia do que me contraria.
Metamorfose de atitudes, a certeza da dúvida.
Duvidar sobre tudo que me disseram, excluir o absurdo, baú de contradições e imperfeições.
Convenções e convicções ficaram no passado.
O alvorecer de um tempo que ainda não começou.
H Á T E M P O S
Tenho saudade daquele tempo em que tudo era possível.
Daquele tempo, sabe? De quando você é criança e sua única preocupação é a semana de prova.
Daquele tempo em que você pode ser um astronauta.
Bola, bicicleta, pipa, toda ingenuidade que nos acompanha.
Depois tudo muda: a paixão pela menina mais linda (para você) que nem te olha.
A sensação de ser um super homem (herói) e que nada de mal pode te acontecer.
Como continuamos ingênuos mesmo com outra capa.
O pior é desejar que esse tempo voe.
O final da história já sabemos?
Tudo depende de você.
Enquanto atribuímos o nosso infortúnio à falta de sorte ou à falta de ajuda, o tempo seguirá seu curso como se nada estivesse acontecendo. Somente as nossas atitudes ditarão o rumo da nossa vida.
A infância…
Foi o tempo, que o tempo passou.
Quanto tempo mais se espera?
A paciência é o limite da alma.
Outrora, pequena menina
Corria pelo campinho com vestido verde, buscava seu pipa.
Que voava pelo céu
Suavemente sorria, tamanha alegria.
Em um instante
Um menino no campinho corta seu pipa.
Ela chorou, chorou
Ele viu e nada fez.
Até hoje essa menina
Espera pelo peixinho voltar no vento.
Quem sabe um dia seu pequeno, pipa amarelo limão.
Volte pelo vento!
Shirlei Miriam de Souza
ASSINCRONIA
Eu não sou deste tempo!
Já fui; não sou mais.
Sou do tempo em que, por desnecessárias, as atuais leis estarão extintas.
Restará apenas o “Estatuto do Homem”, do Thiago de Mello.
E a legislação decorrente será feita com retalhos de poemas.
A fome durará o tempo de se ir para a casa.
A solidão, só o tempo de encontrar um vivente.
As pesquisas darão prioridades para a cura das doenças físicas e de caráter.
O trabalho será sinônimo absoluto de geração da riqueza.
Os esportes substituirão, definitivamente, as guerras.
Os animais serão livres e nunca submetidos aos caprichos das pessoas.
As terras, as águas e o ares serão abertos à passagem de todos.
A natureza será sagrada.
E a paz, uma criação coletiva.
Sérgio Antunes de Freitas
Janeiro de 2024
sabe? a nossa mente é mesmo um misterio um misterio maravilhoso viajamos num tempo inexplicavel mas o melhor de tudo isso é se queremos levarmos nessa viagem tudo do que melhor nós temos e comigo sempre levo você que bom que você veio em minha vida você não é um sonho é real gosto tanto de você quanto gosto de mim te adoruuuu!!!
Quando você poda uma árvore, percebe que, em pouco tempo, surgem novas ramificações em sua copa. Aproveito esse exemplo para refletir sobre nossas vidas: para evoluirmos, é preciso fazer certos sacrifícios, que exigem dedicação pessoal. As dificuldades nos impulsionam na direção das mudanças e melhorias.
Lágrima de Luz
Ao chorar, algo acontece no ar,
Como se o tempo parasse pra escutar.
A lágrima cai, mas não é só dor,
É semente de luz, é gesto de amor.
No instante do pranto, o mundo estremece,
Mas dentro do ser, a luz resplandece.
Seja na queda ou no recomeçar,
Há sempre um brilho a despertar.
No nascer do ser, há lágrima e luz,
Caminho aberto que a vida conduz.
Pois até na dor, o cosmos floresce,
E na alma que chora, a luz permanece.
E nunca, em tempo algum, devo pedir ou esperar justiça
de um semelhante, mesmo porque justiça é um atributo de
Deus Pai, e o homem comum só conhece vingança. Que eu
viva sempre pelo amor, pois não tenho sabedoria sequer
para julgar com convicção plena, então nunca posso
condenar – não devo confiar na justiça dos homens,
jamais. Devo viver unicamente pela fé.*
*[Mateus 15 : 14] "Deixai-os. São cegos e guias de cegos. Ora, se um cego
conduz a outro, tombarão ambos na mesma vala."
Envelhecer
Uma folha cheia de nervura
observa as risadas noturnas
do tempo e suas dobraduras
permitem-lhe amadurecimento
São fases de nuances implícitas
intrínseco à passagem do tempo
a vida deixa de ser estereótipo
e a essência perfuma os vincos
O vento que atravessou a mocidade
levou o frescor das curvas sinuantes
beijou o mar, perdeu o salto, fez artes
e no pouso da lua equilibrou-se
A mente titubeia nas recordações
nas noites escuras e trêmulas
um corpo revestido de ondulações
lateja calorosas maestrias
@zeni.poeta
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