Carlos Drumond de Andrade Contagem do Tempo
A beleza física é subjetiva e tem prazo de validade, enquanto que a interior se aprimora com o tempo e é vitalícia.
Como todos os outros povos no ocidente, os brasileiros seguiram a ideia de que não é o tempo presente que comprometemos para gerar o nosso futuro, mas é a penhora do tempo futuro que deve nos dar alguma sobrevivência no presente.
O trabalhador faz o que sobra para ele no mercado de trabalho, e não aquilo que melhor pode realizar as suas potencialidades.
Estamos enredados na complexidade de um capitalismo cuja lógica do mercado das finanças, e não mais a lógica do mercado em função da produção, dominou a sociedade.
Damos mais dinheiro aos monopólios (fornecendo dados que serão capitalizados) e mesmo assim não ganhamos nada por isso. É a extorsão máxima de mais-valia que temos hoje. Toda sua vida é capitalizada. Nossa vida é uma engrenagem. Mais um conjunto de dados para o capitalismo. Que nos faz pagar para acessar esses meios que nos espoliaram. Pagamos para trabalhar, pagamos para fazer cada atividade.
O Estado é privatizado para os bancos. No fim o que sobra é só a dívida da dívida. É como se começássemos a vida com o saldo negativo.
Convencem-se que toda a infosfera precisa ser utilizada por elas próprias para se projetarem e conseguirem trabalhar.
Acham-se na condição de dados e, mais ou menos conscientemente, se comportam como dados. São dados concorrenciais no mercado de trabalho que, enfim, se transforma em um mercado de dados, ou melhor, em uma nuvem de dados que, por mecanismos que estão muito além de mérito pessoal, as destacam no Youtube ou coisas semelhantes.
Todos precisam estar na internet oferecendo seus serviços, produtos, habilidades e, principalmente, falta de habilidades. Mas tudo na forma de dados.
O que é íntimo e o que poderia ser público se fundiram. Ninguém mais sabe o que é a privacidade ou intimidade. Todos, até em nome da ética, pedem transparência. Interessante: transparência. Seja um dado, mas seja visto tão rapidamente que vire algo transparente.
A padronização se acentua na infosfera, pois ela é um campo de mimetismo, de alta diversidade, porém padronizada.
A infosfera não é avessa à criação, mas a cada nova criação ela se satura pela repetição, pela mesmidade, pela velocidade do fluxo do mesmo. Talvez a pornografia seja o exemplo mais típico desse processo, mas todo e qualquer fluxo pode ser pornográfico, ou seja, explícito em demasia, repetido sem que o espírito possa ser chamado.
Cada eu que se apresenta na internet obedece, antes de tudo, a velocidade de uma capacidade perceptiva que impera o fugaz, a insaciabilidade, o que é viciante e sem qualquer reflexão.
O fluxo contínuo de imagens, dizem alguns psicólogos, tem função de dopamina.
No campo da política democrática, então, nasce a reclamação pela falta de propostas dos candidatos, mas se algum candidato não apresentar o comportamento pedido pela velocidade de fluxo e de imagens dos shorts do TikTok, e resolver realmente explicar uma proposta, não será ouvido.
Eles próprios, os que pensam comandar os investimentos e saber deles, os que operam as bolsas de valores, estão ali, feito idiotas, querendo nos convencer que sabem o que está ocorrendo. Acreditam que podem dar lição de economia financeira e investimentos. Não podem. Todos os cálculos e tendências são feitos por máquinas. E os algoritmos criam fluxos que escapam ao modo de entender humano. Esse modo de funcionar da máquina molda todos nós, e também o que esperamos da performance dos políticos. Não raro, os políticos se tornam caricaturas do que a internet fez deles naquilo que ela tornou o fixo, pela repetição. A função dos memes é exatamente essa.
Colecione memórias, meu amigo. Não bens que se desfazem com o tempo. Não há nada que valha mais a pena do que guardar momentos.
Guardados em caixinhas de madeira, cada lembrança é um tesouro a mais.
Não há nada que traga tanta alegria quanto recordar momentos de paz.
Esqueça as quedas, não há fracasso, apenas aprendizado, a cada tentativa, um novo resultado.
Não tema a incerteza, a mudança, pois é ela que traz a esperança.
Erguer-se com toda a disposição, é o que nos leva à superação.
Somos uma geração desnorteada, vítimas de uma era perdida e sem sentido. Nascidos em um tempo sombrio, em um mundo adoecido, crescemos sobre alicerces quebrados, e construímos uma realidade decaída.
O peso do mundo sobre nossos ombros é uma carga que nos corrói a alma, e nos deixa sem rumo, sem bússola, em um oceano de dor.
Cada dia que passa é uma luta, uma batalha que travamos sozinhos contra um sistema que nos esgota e nos consome.
A vida é uma luta constante contra a desesperança, cada dia é uma batalha que precisamos vencer, e o futuro parece cada vez mais sem esperança.
Seguimos como zumbis sem alma, sem vida, adaptados a uma sociedade doente, que nos estragou a saúde, e nos feriu desde a partida, e que ainda por cima lucra com a ausência de nossa saúde.
Somos a geração da adaptação, a mesma que se desfaz em desolação, porque adaptados ao que nos foi dado, nunca nos sentimos realmente presentes. Cada dia é uma luta para manter a compostura, enquanto a vida passa diante de nossos olhos.
Nos fazem acreditar que não temos alternativas a esse sistema, e que a única posição ética que temos é fazer de tudo para prosperarmos dentro dele. Dizem que a adaptação é a única forma de sobreviver, mas a que custo? Nossa sanidade é o preço a pagar.
Cresci em meio à confusão, com valores corrompidos e distorcidos. Tudo isso me afetou profundamente. Nascidos para a tragédia, somos vítimas de uma grande ressaca moral, que nos deixa sem esperança, e nos faz desejar um fim fatal. Sinto-me navegando pelas correntes turvas da vida, questionando constantemente o sentido de tudo isso que nos cerca. Os valores que nos foram transmitidos são questionáveis, a busca pelo sucesso é implacável e sem fim, e nós nos encontramos presos em um ciclo interminável.
Nós somos uma geração perdida, desesperadamente tentando encontrar um lugar ao sol nesse mundo caótico, mas as sombras nos seguem implacavelmente.
Será que algum dia encontraremos a paz?
Ou estamos fadados a viver em um estado perpétuo de conflito?
Somos prisioneiros de nossa própria criação, construímos uma sociedade doente, e agora sofremos as consequências de nossos próprios erros.
Será que nossa geração está destinada a seguir assim? A construir nossas vidas sobre alicerces quebrados? Onde ser jovem já não é uma benção, pois nascer nos estragou a saúde, a tristeza se tornou a nossa constante, um fardo que carregamos. Em que nos sentimos perdidos e sem direção, num mundo que nos cobra a perfeição, mas não nos oferece nenhuma solução. Ou será que podemos encontrar uma maneira de nos libertar, de escapar do ciclo e buscar algo mais autêntico?
Não sei a resposta, mas sinto que algo precisa mudar, não podemos continuar a viver em uma sociedade doente. Talvez precisemos nos afastar do que nos é familiar, para encontrar a verdadeira cura para nossa alma doente.
" Que tal esquecermos por um tempo o 64 e comemorarmos apenas o 69 que foi (é) sem dúvida muito melhor...
" sob o telhado, leopardo urbano mia de amor
a cidade dorme, o caos dá um tempo
solidão acorda o poeta
que acostumado torce para que o romance dê certo
mas parece que ela, hoje não quer
resignado,vaga pelos muros
cantando, madrugada afora
sua triste canção...
" Se ser pobre é ter pouco
lembro-te que o tempo pode estar escasso,
findando
então corre
ainda dá tempo para viver...
" Levemos em conta, aquele sentimento que diz que somos os mesmos, independente do tempo que passou...
" Saibam todos quanto este poema virem
ou conhecimento tomarem
que em determinado tempo, houve alguém
que por ser mais que meu bem
povoou-me de versos
e foi só o que pude fazer
transcender
dedicar-me ao querer
ser merecedor
caminhar
nesta estrada de carinho e ternura
decifrar
a eternidade e a beleza
do verbo amar...
" Dê um tempo para ela, faça um carinho, escute o que ela tem a dizer, ajude caso esteja com algum problema, faça entender o quanto ela é importante, especial e o quanto você a ama. Mulheres são sensíveis e um gesto de amor pode mudar tudo...
" Em tempo
ei tempo
dá um tempo vai
é que estamos ficando sem tempo
para curtirmos com mais tempo
o pouco tempo que nos resta
mas assim tempo
caso sua estratégia seja passar o tempo
tudo bem
daremos tempo ao tempo
por tempo indeterminado
apesar da vontade que temos
de matar o tempo...
" Rimos como se o tempo não existisse
nos olhamos, certamente como se olham os anjos
nos amamos, delicadamente e assustadoramente selvagens
nos permitimos e agora não somos mais apenas dois...
" Era um tempo bom
de só viver e sonhar
a vida calma na roça
a simplicidade do lugar
o pinhão na chapa
e a lenha no fogão
o amor fazendo arte
olhando para o grotão
tenho saudade daquela serra
onde nascia o nosso ribeirão
as flores eram nativas
não havia solidão
apenas o medo
de para o futuro olhar
de crescer, crescer
e sem querer
ver um dia tudo aquilo acabar...
" Se der tempo, meu amor
ainda direi que te amo,
olhando no fundo dos teus olhos
independente do que eles disserem para mim
se um abraço me for permitido
farei do desejo abrigo
e do momento
eternidade...
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