Carlos Drumond de Andrade Contagem do Tempo
“Som”
“A música toca e toco a vida com o som
O som é bom anima as festas de montão
Gente bonita e com os interiores bons
Temos alegrias, muita paz, e diversão. ”
Seja o dia como ele for, apenas se lembre que o amanhã a Deus pertence, e nada que fizer poderá mudar o que já se passou.
Ñ JOGUE PEGRA NO TELHADO DE NINGUÉM SI O SEU E DE VIDRO ACREDITE Ñ FAÇA COM OS OUTROS OQUE Ñ QUEIRA QUE FAÇA COM VC BOA NOITE
Eu te aceito na forma que você é, isso é porque "VOCÊ É MEU AMIGO (a)". Se é para mudar, está mudado, se mudado e mudo!
Sentindo o coração, podemos observar,
Um lado bom e outro para amar.
Por outro lado vemos as partidas dos pedaços que faz o todo,
Vemos tambem o conteudo que sobra dos outros amores.
Observando atentamente ja não mas entendo,
E tenho delicadeza em dizer compreendo.
Este é o meu que esta em pedaços ou o seu que sobrou o meu espaço?
Aprendi por um descuido dos meus pensamentos que amar é mais do que um sentimento que falam por aí, hum!
Aprendi como um sopro de realidade, talvez um soco na cara mostrando a verdade que os laços criados não podem ser desfeitos; e por fim percebi que até a multiplicação por zero, de mim não posso tirar você.
Depois das vocações amputadas aos milhares nas áreas saqueadas pela ganância burguesa, aquele que poderia ser um advogado é transformado num traficante de drogas. Aquele que poderia ser um juiz é convertido num assaltante de bancos. Aquela que poderia ser uma médica é reduzida a garota de programa. Aquele que poderia ser um empresário de sucesso, gerador de oportunidades para os seus iguais, é metamorfoseado no servente de pedreiro ou no ajudante geral. Por fim, aquele que poderia ser um ser humano feliz e produtivo, engrossa as estatísticas das deficiências físicas dolosas ou das mortes violentas em consequência da GUERRA NÃO DECLARADA.
Pros filhos dos solos que se assemelham a Faixa de Gaza, a nossa pátria amada e idolatrada não é nem um pouco mãe gentil.
O Eduardo faminto e despolitizado não faz estragos consideráveis, entra num mercadinho na tentativa desesperada de suprimir uma de suas necessidades fisiológicas e termina num caixão, remontado em pequenos pedaços como um quebra-cabeça. Já o Eduardo faminto e pensante não age por instinto, é capaz de articular odeias e planejamentos e vir até a implodir o Congresso Nacional, com todas as suas toneladas de excremento em seu interior.
GARIMPAR ESTRELAS
Procurando o verso no peito
eu sou como um garimpeiro
cravado no ventre da terra
– em suor e solidão –
buscando sua salvação.
Tal qual esse homem de fé
não me falta esperança na lida
nem me tem o amor de partida:
a palavra é meu tesouro
e meu verso, meu ouro.
Cada dia é uma despedida
e cada queda uma ferida,
mas quem vive da busca não morre
– em tempo Deus socorre –
vai garimpar estrelas.
DIA A DIA
Queria ter uma orquestra de sapos, cigarras e grilos.
Queria um céu de vagalumes, borboletas, canarinhos.
Queria criar tigres, sereias e golfinhos.
Queria tanto, queria encanto.
Mas venha cá, não se assuste, seja amigo.
Vou contar-lhe um segredo, não espalhe, guarde consigo:
– Eu tenho isso e tenho mais, menos paz.
Converso com anjos e sinto demônios, dia a dia.
Vejo mundos, ouço cânticos, por mania.
Eu tenho um buraco embaixo da cama
que dá na rua, dá na lua, em Berlim.
E não adianta correr, esconder-me, está em mim.
Eu digo sim, abro o peito, abro a porta,
pra uma vida curta, pra uma vista torta.
A LUZ DO FAROL
Não te recitei poemas nem fiz juras de amor,
eu te ofereci meus dias e minha vida
como um criminoso buscando redenção.
E você me abrigou sob sua luz,
intensa e constante como um farol
invadindo o mar para salvar os esquecidos
e os desesperados.
Você calou meus demônios com sua ternura
e fendeu a sepultura onde jazia meu coração
com um simples olhar, com um simples estar.
Eu deixarei morrer cada entardecer
enquanto teu beijo amanhecer o dia.
Eu deixarei morrer cada dezembro
enquanto tuas palavras brotarem janeiros.
Eu deixarei morrer as flores do meu jardim
enquanto teu corpo ressuscitar a primavera.
Eu deixarei morrer silenciosamente
no teu seio minh’alma ou meu espectro,
pois em mim toda paz perde o reinado
(não há virtude sem o pecado).
NOITE DE ESTRELAS
Joguei fora o paraquedas e pulei,
voei como um míssil por entre as nuvens
espalhando no céu canções de paz
e lembranças de dias passados.
Tudo o que se tem é o agora
e cada momento será como uma ressurreição.
Darei à luz um campo de girassóis
e semearei palmeiras na lua,
para que não falte beleza e esperança.
Minha casa será uma noite de estrelas,
onde as crianças crescerão descalças
e cavalgarão unicórnios.
Com um grito lançado ao vento
rebatizarei o homem de errante,
pois suas perguntas só terão respostas
na ausência do medo de tentar
e na consciência de que só se pode ser sincero.
A única fome será de amor.
A única sede será de vida.
Não existirão horas e minutos, nem relógios,
o tempo se medirá em sorrisos e abraços
e em banhos de cachoeira,
sendo proibido não ter tempo.
Cada coração será uma janela aberta,
de onde se verá uma complacência fraterna
do homem para com tudo
que o cerca, que é vivo e sente,
que acaba e deixa saudade.
Nesse mundo de mãos dadas
num arco-íris esconderei minha derrota,
para que esse desejo egoísta de ficar
se mostre belo nos dias de garoa.
MINHA MELHOR ORAÇÃO
Eu rezava para Deus minha melhor oração
quando te obrigava a um sorriso ligeiro
por qualquer bobagem sem graça.
Eu bendizia ao Senhor
quando te levava à gargalhada,
sua irresistível gargalhada
que ecoava por horas no nosso bairro
como um desatino da felicidade.
Eu corria o meu terço mais puro e sagrado
quando caçava teus beijos entre os lençóis
e encontrava meu paraíso
fincado nos teus olhos de conivência.
Eu pedia devotamente ao Redentor
– na minha silenciosa súplica –
para que a eternidade
fosse o quintal dos nossos sonhos
ou um simples reflexo
das horas em que vivemos um do outro.
POEMA DAS PALAVRAS AUSENTES
Hoje, embebedado de sentidos, resolvi escrever sobre você.
Quis narrar como sua beleza agressiva furta toda a atenção
e como seu olhar está sempre a pedir um afago
e breguices de amor, que adoro dizer ao seu ouvido.
Decidi descrever como seu desajeito é todo complexo,
querendo ser companhia para o meu descompasso.
Quis divulgar como suas curvas delicadas revelam desejos meus
e se exibem de maneira solar à meia-luz.
Cambaleei entre palavras relembrando
como seu sorriso me traz um futuro bom
e como tenho em mim uma tempestade de você.
Recordei cada instante, todo o tempo,
calando meus versos, por breve momento.
Percebi que para você nenhum verso é decente
e que palavras não seriam suficientes.
Para falar de você
minha poesia deveria ter o cheiro da primavera
e a tenuidade de uma manhã de inverno;
teria de ser bela como um pôr-do-sol sobre o mar
e quente como um abraço de saudade.
Pediria a transparência da água de uma nascente
e a pureza de lugares desconhecidos.
Para falar de você
minha poesia deveria ter o gosto ingênuo das nuvens.
Não bastaria uma canção,
seria necessário compor uma sinfonia.
Eu teria de divulgar segredos
– sagrados segredos –
que te fizeram assim: tanto!
Para falar de você
eu teria de desvendar o encanto
que nos cerca e que nos uniu:
teria de justificar o incompreensível.
Por isso, para você eu escrevo sem palavras
e te dedico um silêncio profundo,
porque só o silêncio pode falar
quando as palavras não podem descrever.
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