Carlos Drumond de Andrade Contagem do Tempo
Intransponível
Muitas lutas, vários tombos, quantas cicatrizes visíveis!
Quantos dias e noites de vazio, silêncio e lágrimas invisíveis?
Depois de muito tempo me achando um simples retalho, consegui resistir e reagir a mudança que foi tão dramática e dolorosa.
É difícil sair de um problema, de uma crise, mas a rocha aqui não se quebra com água, fui lapidando as situações e hoje fiz de uma rocha um diamante.
Uma magia aconteceu, de um simples retalho nasceu uma armadura intransponível.
Em um mundo feito para o mais apto, quem sobreviverá? Mais cedo ou mais tarde, você entenderá que somos o resultado da seleção social, a culminação natural da ordem aceita por você e por todos. Somos o futuro, somos o inevitável.
Estou com saudades
estou com tanta saudade que tudo dói em mim
você me completa, essa é a verdade
raiva dessa distância, eu senti
Milhões de milhas nos separam
não sei como é seu toque, não sei como é seu beijo
antes com essa ausência, não nos importavam
mas agora é difícil não te ter assim perto, como eu desejo
Suas palavras ainda as quero escutar
e pensar em você noite, tarde, dia
fizemos o juramento de pra sempre nos amar
num dia calorosa, numa tarde amena ou numa noite fria
Você me dá forças para ir além
me incentiva a conquistar minha liberdade
não quero o todo perfeito, o todo errado, nem ninguém
que não seja você, minha outra metade
As horas passam devagar
quero logo, quero logo poder te ver
te tocar, te beijar e em teus braços me encaixar
esse amor, só a gente consegue entender
Não me achava uma mulher linda
até o dia em que elogiou o meu olhar
disse profundo em meus olhos, sem mentira
não sabia o que fazer então fiz é me apaixonar
Esse oceano vasto não me amedronta
as ondas derrubam mas tenho que enfrentar
vou estar esperando, sempre e pronta
por você e pra você, meu precioso pilar
Não sou um simples palhaço de hospital!
Fazer sorrir quem já não tem mais esperança de viver
é bem complicado!
Deuses, forças, almas de ciência ou fé
Deuses, forças, almas de ciência ou fé,
Eh! Tanta explicação que nada explica!
Estou sentado no cais, numa barrica,
E não compreendo mais do que de pé.
Por que o havia de compreender?
Pois sim, mas também por que o não havia?
Água do rio, correndo suja e fria,
Eu passo como tu, sem mais valer...
Ó universo, novelo emaranhado,
Que paciência de dedos de quem pensa
Em outras cousa te põe separado?
Deixa de ser novelo o que nos fica...
A que brincar? Ao amor?, à indif'rença?
Por mim, só me levanto da barrica.
Álvaro De Campos
"... poesia pra mim é a loucura das palavras, é o delírio verbal, a ressonância das letras e o ilogismo.
Sempre achei que atrás da voz dos poetas moram crianças, bêbados, psicóticos. Sem eles a linguagem
seria mesmal. (...) Prefiro escrever o desanormal."
(em "Ensaios fotográficos". 2000, p. 63.)
Ela indagou: — Quem és tu?
Respondeu: — Sou o demônio,
Nem me espanto com milagre,
Nem com reza a Santo Antônio!
Pretendo entrar no teu couro!
E nisto ouviu-se um estouro!
Gritou a velha: — Jesus!
Ligeira se ajoelhou
E, depois, se persignou
E rezou o Credo em cruz!
Nisto, o diabo fugiu.
E, quando a velha se ergueu,
Ele chegou de mansinho,
Dizendo logo: — Sou eu!
Agora sou teu amigo
Quero andar junto contigo,
Mostrar-te que sou fiel.
Minha carta, queres ver?
A velha pediu pra ler
E apossou-se do papel.
— Dê-me isto! grita o diabo,
Em tom de quem sofre agravo.
Diz a velha: — Não dou mais!
Tu, agora, és o meu escravo!
Minha vida,minha história
Só fez sentido, quando te conheci
Seus olhos,sua face,me levam além do que pensei
Se as vezes escondo em você,me acho
Nem dá pra disfarçar,ahh
Preciso dizer você faz muita falta
Não há como explicar..
Há dois tipos de pessoas: Aquelas que, quando levam uma bronca do professor, melhoram, e aquelas que ficam com raivinha dele e saem fazendo intriga com os pretextos mais edificantes do universo.
É preciso supor que, a natureza, ao conferir partes maiores a uns e menores a outros, quis dar espaço à afeição fraterna para que ela tivesse onde ser praticada, pois uns têm o poder de prestar ajuda, enquanto outros necessitam recebê-la
Eu não lhe pediria tão vivamente pra recuperar a liberdade se lhe custasse alguma coisa. Não existe nada mais caro para o homem do que readquirir o seu direito natural e, por assim dizer, de animal voltar a ser homem. Contudo, não espero dele ousadia tão grande. Nem quero que prefira a segurança duvidosa de viver miseravelmente a uma esperança incerta de viver como lhe agrada
O autoconhecimento não se esgota. É bom que seja assim.
Ser fonte inesgotável, permanecer inédito pra si mesmo, ir embora sem ter sido tudo.
Por mais que as cobras troquem de pele e sempre pareçam ter mudado mostrando novas aparências, elas sempre serão o que são. Portanto, independente do que elas aparentem por fora, elas nunca vão mudar o que realmente são por dentro... cobra é sempre cobra.
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