Carlos Drumond de Andrade Contagem do Tempo
A avó e o Menino
A avó não tinha presente e tão pouco lhe vinha o futuro.
Vivia de si, num tempo em que os dias, só lhe prometiam o passado.
Pela manhã cantarolava cantigas de roda.
A tarde pedia chá e se ria sobre coisas desacontecidas.
Quando a noite lhe vinha, adormecia falando com invisíveis olhares.
Não tinha a estética da memória.
Seus ouvidos acordavam lembranças do sentir.
Suas mãos continham a fermentação das horas.
Seus braços acolhiam porções de vida refluídas.
E de si apenas se ouvia o balbuciar das palavras.
Assim, vivia sob o cuidado das crianças,
Que em certas ocasiões lhe contavam estórias.
Como aquela de uma sábia anciã,
Que para não morar com o tempo findo,
Decidiu torna-se novamente alguém para ser inventada.
Foi assim que numa fração, antes de partir, disse ao menino:
- Descobri que és tão grande, que não pude de ti, ausentar-me.
...Há entre mim e o tempo, uma refazença.
Uma compreensão de que quimera serei,
Um tão só colhedor de caminhos...
"...Nas sombras filtrei lume ao coração amainado.
E não me fui ser senão, outros caminhos vários,
A deslindar fragmentos que se entrecruzavam.
Egresso, fiz-me espera, para tantas vezes recontar-me.
Vaguei extensos sentimentos. Instaurei enternecimento.
Enxerguei um olhar. Cumpliciei ornamentos.
Modelei incertezas. Encontrei na travessia um amar.
Agora conspiro. Juntei-me ao tempo para atiçar infinidades..."
In Extrato Poema Travessia
"... A vida é como foz de tempo rio que se refaz.
Nascedouro de água que por terra se esvai,
Entremeando-se de raízes e de sais servidos.
A vida para ser colhida precisa estar sorvida,
Dessa necessidade do encantar-se..."
"...Trago em mim um desoculto apreço de desejar-te,
Mesmo quando me falta teu lábio tecido na palavra.
Insisto em desapressar o tempo e a esculpir tua memória..."
"... Sou péssimo em recomendar metades.
Apraz-me pretender atingir a inteireza.
Elevar-me a completude do sentir e bem dizer de sua amplidão.
Almejo postular sua infinitude, como tecelão do tempo que não esta à beira
da impermanência do fazer-se..."
In Fragmento Texto: Do Contamento do Sentir
"...Era assim que refundava-me em teu tempo.
Eu me acontecia de querer-te.
Eu me morria de não estar em ti.
Eu me vivia quando não me tocava tua ausência..."
".. E assim é que me percebo em vivência.
Registro vozes em afetos tangidos.
Ora as trago como uma junção do peito,
Ora as desejo andarilhas para se enlaçar nos dias..."
"... Da primeira vez que te vislumbrei,
Lembro-me de uma idade sem tempo,
Foi no dia em que deixaste teus olhos
Semeados na raiz de um beijo..."
A vida é feita de momentos bons ou ruins, depende do ângulo que olhamos para eles. Podemos fazê-los bons o tempo todo e viver em paz e harmonia, ou ruins e viver infeliz. Assim é a vida, feita de momentos. Cada um com a intensidade que colocarmos nele. Qual momento você escolhe para viver a sua vida?
Perdidos estão o vento, o tempo e a vida. Perdidos de amor, de cor, de intensidade. Segure nas asas do tempo, pegue uma carona com a vida e corra na direção do vento para alcançar os sonhos idealizados.
Sempre que olhamos para o futuro, ele muda. Muda porque olhamos para ele de uma forma diferente da realidade e isto, muda todo o resto. O futuro mora no futuro, onde tudo deverá acontecer no tempo determinado.
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