Caos
O caos nunca chega batendo à porta; ele entra pelos cantos, desalinha os quadros, derrama café sobre os planos e troca o nome das coisas dentro da gente. No começo, parece apenas ruína: gavetas abertas na alma, relógios mastigando pressa, pensamentos correndo descalços por corredores sem fim. Mas há uma inteligência secreta nesse desarranjo. Como a terra revolvida antes da semente, o caos fere a superfície para que algo mais vivo encontre passagem.
É nele que antigas versões de nós desmoronam feito casas cansadas, abrindo espaço para janelas que ainda nem sabíamos desejar. O coração, quando perde o mapa, aprende a ouvir estrelas invisíveis. E a dor, essa costureira impaciente, rasga primeiro para depois unir com linhas mais fundas.
Talvez criar seja isso: suportar a desordem sem fugir, permitir que o incompleto respire, aceitar que nem toda beleza nasce limpa. Há flores que só entendem o próprio perfume depois da tempestade. Há pessoas também. O caos não é o oposto da criação; é seu ventre escuro, quente e profundamente humano, onde tudo se quebra para finalmente começar de novo, em silêncio.
Entre delírios e suavidades, a vida tece sua poesia: nas asas do caos, encontramos a leveza e vileza de ser, e na quietude da alma, descobrimos o ouro escondido no voo dos instantes.
Tomar decisões quando o certo seria ter paciência e esperar é antecipar o caos de não ter escolhas lá na frente.
Ordem no Caos
um diálogo sobre gestão e liderança
Um dos maiores equívocos de quem lidera ou gerencia pessoas é esperar o momento ideal para organizar tudo.
O tempo mais calmo.
O dia mais leve.
A agenda mais vazia.
Como se a gestão acontecesse fora da realidade.
Mas não acontece.
A vida organizacional não pausa para ser organizada.
Ela exige organização enquanto tudo está acontecendo.
Existe uma tendência humana de buscar controle.
De querer solo firme antes do próximo passo.
Mas liderança não funciona assim.
Se olharmos para o universo, a lógica muda.
No céu, não existe simetria perfeita.
Existe movimento. Colisão. Expansão. Gravidade. Distância.
E ainda assim… existe ordem.
As galáxias não esperam o momento ideal para existir.
Elas se organizam em meio ao movimento.
As estrelas não param para se alinhar.
Elas permanecem em equilíbrio porque forças opostas atuam o tempo todo.
Talvez aqui esteja a chave:
Organização não é ausência de caos.
É capacidade de sustentar coerência dentro dele.
E quem lidera precisa entender isso.
Não se espera o cenário perfeito.
Se constrói no cenário real.
Se ajusta enquanto faz.
Se organiza enquanto avança.
Se corrige em movimento.
Liderança não é sobre controle total.
É sobre presença ativa no processo.
Porque é no agir contínuo que a força aparece — não como pressa, mas como direção.
Gestão organizacional é isso: fazer acontecer enquanto se organiza o caminho.
Em um mundo tão deformado,
onde o caos veste a máscara de razão
e a incoerência governa as veias do tempo,
ousar erguer um pensamento claro,
reto e lúcido...
é incendiar muralhas com a chama da palavra,
é rebelar-se contra a tirania do absurdo,
é gritar a verdade no ventre da escuridão.
Em um mundo
tão incoerente e ilógico,
expressar um simples pensamento
com coerência e lógica
é já um ato revolucionário.
✍©️@MiriamDaCosta
Revertério
Gametas que se cruzam e o aborto fatal
O avanço da ciência e o caos universal
A mesa farta, rica, a dinastia da nobreza
Uma imagem revelando a sua pobreza (de espírito!)
Um culto na sinagoga, crença em Messias
A descrença total de quem tirou tantas vidas
Nos campos de concentração, ali confinados
Crianças, idosos, mães, solteiros e casados
Que o revertério seja revertido em virtude
Que caia uma bomba atômica sobre o ódio
Noites mal dormidas sem o efeito do ópio
No terno dos malfeitores, alguma magnitude
O branco, o negro, o índio e o mameluco
Um relógio importado que parece caduco
Tempo incontável e tratamento diferenciado
De um ser humano cada vez mais desalmado
A oportunidade de ser oportunista e calculista
Está frequentemente ao alcance da nossa vista
Uma fantasia sem pudor chamada globalização
Com os desabrigados nas ruas de qualquer nação
Que o revertério seja revertido em sabedoria
Que caiam as tradições e ilumine-se a mente
Das pessoas comuns, gente como toda a gente
E então possamos ter de fato alguma alegria (será?).
Em meio caos
Nos conhecemos, nos apaixonamos
E mesmo sem saber se amanhã vou está vivo
Tenho esperança de que nós iremos seguir o mesmo caminho
Juntos de mãos dadas,
E em meio caos podemos ficar unidos
E enfrentar o perigo juntos,
Não sei se posso dizer que te amo
Mas nesse exato momento
Minha paixão queima por você
Silêncios Pesados
Sentir intenso
Letalidade da tua falta
Ecos da saudade
Caos de instantes distantes
Parte de nós se faz em atos de silêncios
Destruição das sensações inquietantes.
Por que todo mundo tá sorrindo?
O mundo tá um caos, preciso de alguém para me ajudar
Estou num buraco, preciso de um braço para me levantar
e um abraço para me fortalecer
talvez um chute para que eu finalmente acorde
um estalar de dedos para encontrar o acorde
minha mão não tá mais na sua
sua boca não tá mais na minha
onde nós estamos?
estamos?
tá tudo triste, sem graça, cinza
a apatia é companheira fiel
nesse mausoléu, só ela se faz presente
falando em presente, qual presente para sorrir no fim de ano?
Minha ex de volta seria o máximo, um presente e tanto.
Por que todo mundo tá sorrindo?
eu só vejo o sorriso dela, a alegria, a magia
eu te amo, te quero de volta, sinto saudades
esse ano não sorrirei, meu fim de ano será triste.
Sou a luz e a sombra
O bem e o mal
A união de todas as coisas
O caos e a paz
Sou o infinito de um universo
Finito em sua limitação
Em um mundo de prisões e correntes
Me jogo no mais profundo dos abismos
Para encontrar a libertação
Do caos, renasço em fogo e sangue
Trocando de pele como uma serpente
Mas mesmo que a essência se mantenha
Eu já não sou a mesma
Caminhando na escuridão da noite
Não aceito as algemas do carcereiro
E quando for o momento
Sairei do meu próprio jeito
Com a cabeça erguida
Por jamais ter sido submissa
E muito menos subordinada a todo esse teatro
A essa peça de marionetes mal acabadas.
- Marcela Lobato
Diante ao caos
tu és
tu as!
Quanta beleza
mas, onde tu estás?
Será se encontro..
encontrás oque?
A tua presença
que és difícil de ver.
No meio do caos
Navego nas maresias
Onde há mares agitados
Envolvo de uma intensidade
Onde busco sensações inquietantes
Demasiado do pulsar
Abraça a singularidade da aventura.
