Cansei de Acreditar no Amor
Aluna:
Por que escolhemos a psicologia como horizonte profissional?
Eu:
Somos psicólogos clínicos não apenas pela oportunidade de compartilhar histórias alheias, também por isso, mas porque gostaríamos que alguém nos ouvisse com o mesmo empenho que dedicamos aos nossos pacientes. Somos mendigos disfarçados, pedintes com ares de nobreza.
O presente pode apenas significar que uma longa história passada ainda não passou e que o futuro estará plenamente comprometido como uma velha carruagem envelhecida onde persistem os mesmos fantasmas.
Se acreditar na existência do amor é loucura, não acreditar na existência dele é loucura maior ainda.
Acreditar no amor é acreditar numa trajetória, sem medos e angústias, principalmente acreditar numa vida plena e abençoada ao lado de quem se torna cúmplice de nossos sonhos e dos momentos mais felizes de nossa história...
Porém, aos poucos me apagar
e entender que as coisas nunca serão o suficiente;
enquanto eu estiver em um subtópico,
abaixo da sub-opção,
na lateral de campo
da última percepção dos teus olhos me fitando
e me tornando distante de ser quem poderíamos [ser.]
Morada no Céu
Um homem muito rico morreu e foi recebido no céu. O anjo guardião levou-o por várias alamedas e foi lhe mostrando as casas e moradias. Passaram por uma linda casa com belos jardins. O homem perguntou: - Quem mora aí? O anjo respondeu: - É o Raimundo, aquele seu motorista que morreu no ano passado. O homem ficou pensando: "Puxa! O Raimundo tem uma casa dessas! Aqui deve ser muito bom!" Logo a seguir surgiu outra casa ainda mais bonita. - E aqui, quem mora? - perguntou o homem. O anjo respondeu: - Aqui é a casa da Rosalina, aquela que foi sua cozinheira. O homem ficou imaginando que, tendo seus empregados magníficas residências, sua morada deveria ser no mínimo um palácio. Estava ansioso por vê-la. Nisso o anjo parou diante de um barraco construído com tábuas e disse: - Esta é a sua casa! O homem ficou indignado: - Como é possível! Vocês sabem construir coisa muito melhor. - Sabemos - responde o anjo - mas nós construímos apenas a casa. O material é você mesmo que seleciona e nos envia lá de baixo. Você só enviou isso!
Moral da história: cada gesto de amor e partilha é um tijolo com o qual construímos a eternidade. Tudo se decide por aqui mesmo, nas escolhas e atitudes de cada dia.
Às vezes a chuva serve para lavar todas as impurezas. Porque sempre depois tudo parece renovado. O céu, o cheiro e o clima. Parece fantástico. Seria bom se fosse assim também com as pessoas.
Ninguém pode livrar-se do pecado que flui por suas veias. Podes ser sem pecado, mas quão pesado será o castigo de quem pecou?
@Ichihara__Yuuko
"Portanto, era verdade tudo o que eu estava pensando de mim mesmo. Todo mundo se imagina especial, privilegiado, isento. Até uma velha coroca horrorosa regando um gerânio na varanda pensa assim. Eu me achava especial porque tinha escapado das fábricas aos cinquenta e me tornado poeta. Grande bosta. Então, eu cagava na cabeça de todo mundo, igual aos chefões e capatazes tinham cagado na minha, quando eu vivia desvalido. Era a mesma coisa, só que ao contrário. Eu não passava de um bebum sacana e mimado com uma pequena, pequeníssima fama."
Ela contemplou a lua enquanto se acomodava na penumbra da janela.
Tentou encontrar significado mais profundo, em tudo aquilo que via diante dos seus olhos, apaixonados e submersos.
No entanto, já não existia significado algum dentro de si para projetá-lo.
Todos os dias foram os mesmos desde então... Existindo eternamente incapaz de enxergar dentro de si, algo que brilhasse tanto aos olhos quanto a humanidade, perdida em seu último tenebroso suspiro.
Não era capaz de amar e o tempo, sua bússola, lhe ensinará a dissuadir-se do desejo ardente, que mantinha o último enlace mortal em sua alma.
Era demasiado árduo, pois tudo em que seus olhos tocassem, a lembrariam da vida que jamais teria.
Da luz do sol que por ela não poderia sequer ser vista senão, por detrás de uma janela.
Do calor do fogo, que já não mais aqueceria sua pele, pálida e faminta de afeto.
Para ela, estes eram os pequenos milagres.
Deixava que a chuva espalhasse os cacos do seu coração pelo mundo, espalhando seu eterno sofrimento, e sofria, pois não era merecedora do amor.
Afinal, como poderia ser possível amar se nem mesmo seu coração era capaz de bater?
E a luz...
A única luz capaz de tirá-la da escuridão, era a mesma luz capaz de incinerá-la.
Morreu aos dezesseis anos de idade, mas sua vivência ultrapassa o infinito.
Humanos temem o desconhecido. E não há nada mais incerto do que nós humanos. Como espécie, somos imprevisíveis. Somos cruéis. Especialmente quando tentamos sobreviver.
Eu não fui capaz de proteger nada que era importante para mim, e pela minha vida fui incapaz de fazer o que devia.
ALONGANDO SARTRE POETICAMENTE : Solidão não faz bem a ninguém... se o inferno são ___ os outros !... o __PARAÍSO__ ...___ também !...
(...) e de gritar e gritar e gritar até eu não me escutar mais. E de chorar todos os oceanos que estão em mim. E existir no nunca, no breve, no fim.
