Cansei de Acreditar no Amor
Eu tinha tanta inocência.
E, não havia um instante, em que momentos ruins, me faziam entristecer por completo.
Quando a percepção chegar, ela sempre chega. Continue sendo você.
Não abra mão de nada que ama. Lute sempre, para nunca no futuro, imaginar que poderia haver outras possibilidades.
Viva a vida que deseja. Não se autossabote!
A gente escolhe sim, o nosso futuro!!
E, sim. A gente consegue ser o que a gente quiser, não falando materialmente, mas no nosso interior.
Nunca devemos deixar morrer a criança que existe em nós.
Eu nunca deixei.
Ela nos salva de muitas coisas.
Hoje, não tenho mais amigos daquela época, talvez nunca foram.
Elas queriam o meu brilho, acho que de algum jeito conseguiram tirar um pouco disso de mim.
Não deixe que tirem de você.
Te amo muito ❤️
Sempre acreditei que recomeços existem enquanto estamos respirando.
E, aqui estou eu, renascendo em todas as nuances da minha vida.
Às vezes, o sucesso está a uma linha de uma frase escrita com a alma.
Eu achei que tivesse perdido a inspiração.
Mas, com tudo o que aconteceu, eu renasci com minhas palavras, da forma mais forte possível.
Perder um blog com uma década de história, e ficar totalmente resiliente com isso, é uma forma de renascimento.
Eu encontrei o meu lugar, e estou feliz.
Há um dia na vida, que a vida vai te pregar peças.... E, você vai precisar ter muita resiliência para não desistir. Por isso, é importante sempre trabalhar a paz mental!! Ela nos salva de coisas absurdas da existência, nos piores momentos dela. Eu sou prova disso!
Morri, e renasci.
Sofrer um colapso séptico e sobreviver, é um milagre.
Passar por uma cirurgia de emergência, e depois mais outra, com sequelas terríveis no corpo, e estar de pé, me faz sentir que sou como um soldado na guerra, lutando até o último homem, mas nunca desistindo.
Restam as dores, mas cá estou eu.
Minha paz interior, está nas alturas!
Obrigada universo por tudo isso. Descobri que sou forte, sem nunca querer ter sido.
Legado não existe depois que morremos. Ele, é simplesmente o agora. Existir já é o legado de todos nós!
Estou escrevendo isso às 08:09 da manhã...
31 de outubro de 2025
Bom, essa noite sonhei que havia comprado uma tarrafinha de pesca pequena para piabinhas.
Fui pescar com meu marido no rio, nem precisamos jogar ela, só abrir e lá estava, cardumes de peixinhos, piauzinhos e ela pegou muitos. Ficamos muito felizes, mas ao olhar para o rio fiquei muito triste, pelo fato de ter muita poluição, a água estava totalmente barrenta, com muito esgoto descendo, o rio havia se tornado um canal por onde o esgoto passava.
No lugar que eu peguei os peixes, a água estava límpida e os peixes estavam saudáveis, mas quando comecei a observar ao redor, era muito lixo descendo em sacos de fibra fechados, de repente eu estava no começo da nascente do rio, e ela estava lotada de lixo, quase já não tinha água descendo, estava quase que totalmente seca.
Fiquei muito triste ao retornar para aquele local onde eu peguei os peixes e vi um peixinho gordinho, mas ele não estava nadando, eu me admirei da barriguinha dele ser bem estufada, foi quando percebi que não era porque ele estava gordinho, mas ele estava tendo uma convulsão, estava saindo baba de sua boquinha, enquanto ele estava virado para cima.
Ele estava em seus últimos momentos, percebi que a poluição estava muito grande, até os peixes que estavam saudáveis, estavam morrendo por falta de oxigênio.
Eu fiquei triste e quis desistir da pesca, porque não era justo, me alimentar daqueles peixinhos que estavam lutando para sobreviver.
Eu terminei o sonho, com um ar pesado...
Creio que refletiu a minha tristeza por ver o Rio Corda aqui da cidade, secando cada dia mais.
Acabaram com o leito do rio, construindo uma orla que tomou boa parte dele. Muito cimento, esquenta muito e vai sugando toda a água.
Os esgotos estão tomando conta do rio, a água sempre cheira a gordura, lixo descendo em todo momento, o rio está morrendo e os peixes vão desaparecer em pouco tempo.
Os lugares mais fundos do rio, estão visíveis e dá para atravessar caminhando em quase todos os pontos do rio.
É muito triste, ver que hoje ainda resta vida nele, mas será que daqui há algum tempo, os elementos desse sonho que tive, não será uma realidade??
Meu coração sangra, todas as vezes que vou ao rio com meu esposo, e vejo cenas de poluição, que destrói o meu coração.
Esse sonho, foi somente o reflexo da minha percepção.
#salveoriocordaemearim
Por: Alinny de Mello
Ela estava falando muito comigo e séria, ela estava linda, mas havia algo que a deixava reflexiva enquanto falava, ela olhava para o lado e baixava o olhar, em modo reflexão (mundo da lua)...
06:57 da manhã - 30 de outubro de 2025 sonhei outra vez...
Acabei de acordar, em meio á um Frenesi de um sonho muito real.
Eu estava me preparando com várias pessoas para ir para um retiro em uma chácara.
Quando cheguei nesse local, me deparei com ninguém mais e ninguém menos que a Eria... Mãe do "C".
Ela estava com um monte de bagagens e eu me surpreendi, porque quem também estava lá, era o "C". Ele estava de costas e não me viu.
Enquanto ele arrumava um monte de coisas, ele de repente olhou para trás e me me viu, começou a me olhar de forma doce, mas sem nenhum tipo de sentimento aparente.
A gente se dava aquela olhadinha inocente, com respeito aos nossos parceiros, sequer nos falamos, pois ambos éramos casados.
Creio que a sintonia do olhar, não passava de lembranças e gratidão.
Ele ia de um lado para o outro, e não deixava de me olhar, eu o olhava também, ele era aquele mesmo garoto da época em que a fantasia tomava conta.
Bom, de repente ele estava vestindo um short e por milésimos de segundos, ficou pelado na minha frente, e parou um pouco, enquanto pensava em alguma coisa, vestindo um short, eu não me senti constrangida e nem ele, foi algo comum.
Era como se dissesse "você lembra daquela noite?" Hahhahah
A expressão dele, era de vergonha ou expressão de quem poderia ter feito a coisa certa naquela noite. Em um passado muito distante.
Eu encontrei uma estátua de Santo Antônio no sonho, lembrei da minha avó e dizia para a estátua "Santo Antônio, o que está acontecendo, resolva o meu destino".
Porque lembrei da minha avó que sempre fazia isso hahahahah!!
Sonho maluco.
A nossa sincronia do olhar, era como se dissesse "ambos nos amamos, mas é tarde, estamos os dois casados, vamos seguir em frente".
Ele estava sozinho, pegou folga do trabalho no ex... Por isso, estava no mesmo retiro que eu.
Muitas bagagens que ele e a mãe estavam levando, tudo em sacos velhos. Parecia que passaria 1 ano inteiro!!
Ele ainda era o mesmo garoto pelo qual me apaixonei no passado.
Agora acordei e estou terminando de escrever esse sonho bem maluco. Hahahahah
Tem um momento na vida em que a gente para de ensaiar discurso no espelho e simplesmente envia. Sem revisão, sem filtro, sem aquela esperança secreta de que a outra pessoa vai ler e, num surto de lucidez romântica, mudar o roteiro inteiro. Eu fiz isso. Abri a alma, empacotei tudo que era sentimento acumulado, memória inflada, expectativa maquiada… e enviei. E curiosamente, não foi a resposta que me libertou. Foi o ato de parar de esconder de mim mesma o que eu já sabia.
Porque a grande virada não acontece quando o outro entende. Acontece quando eu entendo. E entender que a dor não estava na perda, mas no apego à ilusão, foi quase um tapa elegante da realidade. Daqueles que não deixam marca no rosto, mas reorganizam o cérebro inteiro. Eu não estava sofrendo por alguém que se foi. Eu estava sofrendo por uma história que eu não queria admitir que nunca existiu do jeito que eu contei para mim mesma.
E aí vem essa imagem perfeita, quase cruel de tão precisa. Um palco vazio. Luz acesa. Eu no centro, decorando falas, me entregando, esperando aplausos… de alguém que já tinha ido embora há muito tempo. E o mais impressionante é que eu sabia disso. Mas a gente insiste. Porque enquanto eu continuo atuando, eu não preciso encarar o silêncio da plateia vazia. E o silêncio, minha amiga… ele exige maturidade.
Quando ele disse que não me amaria, que já tinha alguém no coração, aquilo doeu, claro que doeu. Não existe dignidade emocional que impeça esse tipo de impacto. Mas junto com a dor veio uma coisa rara: liberdade. Porque ali não tinha mais espaço para dúvida, para interpretação criativa, para esperança teimosa. Era um não. Simples, direto, quase gentil dentro da brutalidade que um “não te amo” carrega. E foi exatamente isso que me soltou.
Agora, vamos rir um pouco da ironia da vida, porque ela merece. Tempos depois, outro homem me solta praticamente o mesmo discurso… que nunca amou ninguém. E hoje, olha só, me chama de primeiro amor. Eu fico entre lisonjeada e levemente desconfiada, pensando se o amor não é também uma construção que a gente vai entendendo melhor com o tempo. Porque no auge da minha ousadia juvenil, eu realmente achei que poderia conquistar qualquer coração. Que bastava insistência, charme, presença estratégica… quase uma espada lendária emocional, pronta para ser cravada no peito alheio. Olha a audácia. Eu, achando que amor era território conquistável.
Mas não é. E ainda bem que não é.
Porque se fosse, não teria valor nenhum. Amor não é sobre vencer alguém, é sobre encontrar alguém disposto a construir junto. E isso muda tudo. Eu não me arrependo de ter feito alguém me amar profundamente, porque ali também teve verdade. Mas hoje eu entendo que o que sustenta não é o encantamento inicial, é a construção diária, silenciosa, imperfeita e real.
E quanto ao primeiro… eu guardo com carinho. Não como quem ainda espera, mas como quem reconhece. Ele foi importante, foi intenso, foi necessário. Mas não foi definitivo. E tudo bem. Porque a vida não é sobre quem chega primeiro, é sobre quem permanece com verdade.
No fim, eu não perdi nada. Eu amadureci. Eu parei de tentar transformar ilusão em destino e comecei a viver o que é concreto, presente, possível. E isso, minha querida, vale muito mais do que qualquer história bonita que só existia na minha cabeça.
Se você também já tentou conquistar o impossível, já atuou em palco vazio ou já acreditou que amor era questão de estratégia… respira. A gente aprende. E aprende vivendo, errando, sentindo e, principalmente, aceitando.
Escrever, para mim, deixou de ser um capricho bonito de quem gosta de palavras e virou uma necessidade quase fisiológica, tipo respirar depois de subir uma ladeira enorme no sol do meio-dia. Eu estava há tanto tempo inspirando o mesmo ar pesado, reciclado pelas minhas próprias memórias, que quando finalmente escrevi, foi como escancarar uma janela e descobrir que o mundo ainda tinha vento. E não aquele vento dramático de novela, não. Um vento simples, honesto, que não promete nada além de movimento. E, naquele momento, movimento já era tudo que eu precisava.
O curioso é que eu não escrevi esperando resposta. Nem dele, nem da vida, nem do universo conspirador que a gente gosta de culpar quando está carente. Eu escrevi para me ouvir. Porque até então, eu estava cheia de vozes dentro de mim, menos a minha. Era lembrança falando alto, era saudade fazendo discurso, era ilusão pedindo mais um capítulo. E eu, coitada, só anotando, achando que aquilo era verdade absoluta. Quando eu finalmente me escutei de verdade, sem maquiagem emocional, sem aquele filtro poético que transforma sofrimento em obra-prima… foi desconfortável. Mas também foi libertador. Porque ali não tinha mais para onde fugir. Era só eu comigo mesma, sem plateia, sem roteiro, sem desculpa.
E a tal da lucidez… ah, essa não bate na porta, não pede licença, não manda mensagem antes. Ela entra como quem já mora ali há anos e só estava esperando eu parar de fazer barulho para se manifestar. E quando ela chega, desmonta tudo. Derruba cenários, apaga luzes, desmonta personagens. Aquilo que antes parecia gigante, intenso, insubstituível… vira só o que sempre foi: um capítulo. Importante, sim. Mas não eterno.
E é aí que entra a parte que mais assusta e mais alivia ao mesmo tempo: esquecer não é apagar. Eu não virei uma versão fria, sem memória, sem história. Eu virei alguém que olha para trás sem sentir aquele aperto no peito que parecia um lembrete constante de que algo estava inacabado. Não estava. Nunca esteve. Eu só demorei para aceitar que já tinha acabado há muito tempo. A gente sofre mais tentando reescrever o passado do que vivendo o presente. Porque o passado, minha querida, não aceita edição. No máximo, interpretação.
E essa lembrança… a ceia na casa da avó. Olha que cena sutilmente dolorosa. Um convite que parecia simples, mas que carregava um mundo inteiro de significado. E eu recusando. Não por falta de vontade, mas por excesso de consciência. Eu sabia que não cabia ali. E olha a maturidade disfarçada de tristeza. Às vezes, crescer é exatamente isso: reconhecer onde a gente não pertence, mesmo quando o coração quer dar um jeitinho de se encaixar.
Aquele abraço final, as lágrimas sendo enxugadas com uma delicadeza quase contraditória… como se o gesto dissesse “eu me importo”, enquanto a realidade gritava “mas não o suficiente para ficar”. E tudo bem. Porque naquele momento, sem perceber totalmente, eu já estava me despedindo de verdade. Não só dele, mas da versão de mim que ainda insistia.
E a vida, com seu humor meio irônico, meio genial, seguiu. Quase dois anos depois, eu casei. Escrevi uma nova história. Mas dessa vez, não foi sozinha. Não foi baseada em suposições, nem alimentada por silêncios interpretados. Foi construída. Tijolo por tijolo, dia após dia, com alguém que estava ali de verdade, não só na minha imaginação.
E isso muda tudo.
Porque no fim, não foi sobre esquecer alguém. Foi sobre parar de sofrer por algo que já não existia e abrir espaço para o que podia existir. Eu não apaguei o passado. Eu só parei de morar nele.
E hoje, quando eu lembro, não dói. Não pesa. Não chama. Só existe. Como uma página virada de um livro que eu não preciso reler para saber que já entendi a história.
Se você ainda está respirando esse ar pesado, talvez esteja na hora de abrir sua própria janela.
Seguir em frente nunca foi sobre apagar pegadas na areia como se o mar tivesse vindo com a missão de me inocentar da minha própria história. Não. Seguir em frente, eu descobri, é olhar para cada marca que ficou e dizer com uma calma quase desconcertante: você existiu, mas não manda mais em mim. E isso… isso é um tipo de poder silencioso, daqueles que não fazem barulho, mas reorganizam tudo por dentro.
Eu escrevi demais. Meu Deus, como eu escrevi. Parecia que cada palavra era uma tentativa desesperada de dar forma ao que eu sentia, como se organizar frases fosse o mesmo que organizar o coração. E eu chorei… chorei como quem rega um jardim que já não tinha mais raiz viva. E sonhei então, nem se fala. Sonhei tanto que, se sonho pagasse aluguel, eu já teria uma mansão emocional mobiliada com expectativas irreais. Só que eu sonhava sozinha. E essa é a parte que a gente demora para admitir, porque dói menos romantizar do que reconhecer a solidão dentro de algo que a gente chamou de amor.
E no meio desse excesso de tudo, eu fui me perdendo de mim. Porque quando a gente ama demais sem retorno, existe um risco silencioso e perigoso de se diminuir para caber. De negociar limites, de aceitar migalhas com cara de banquete, de se tornar… menor. E eu sei, com uma clareza que só vem depois, que eu não caberia ali. Não porque eu não fosse suficiente, mas porque aquele espaço nunca foi feito para me receber inteira. E quando a gente tenta se encaixar onde não cabe, a gente se dobra. E se dobra de novo. Até quase desaparecer.
E aí veio a escolha mais difícil e mais libertadora: escrever tudo e enviar. Não guardar, não suavizar, não transformar em poesia bonita para consumo próprio. Entregar. Colocar para fora, como quem finalmente solta uma mala pesada depois de uma viagem longa demais. E a resposta… ah, a resposta. Ela não foi mágica, não foi romântica, não foi aquilo que uma versão antiga de mim esperaria. Mas foi exatamente o que eu precisava no agora.
Porque ela encerrou.
E às vezes, o maior ato de amor que alguém pode nos dar é justamente mostrar que importamos e que nos considera especial. Porque apesar de nada mais existir entre ambos, existe o respeito pelo que foi vivido.
Foi ali que a serenidade começou a nascer. Não aquela alegria explosiva, mas uma paz mais quieta, mais madura. Uma dor diferente. Uma dor que não fere, mas ensina. Que não prende, mas organiza. Eu consegui olhar para tudo que vivi e reconhecer: foi pouco, foi breve, foi quase nada… mas dentro de mim virou tanto. E isso não me faz fraca. Me faz humana.
Eu inventei versões, criei histórias, ampliei gestos. Transformei fragmentos em universos inteiros. E tudo bem. Aquela era a minha forma de sentir, de tentar dar sentido. Mas hoje eu não preciso mais sustentar essas narrativas. Eu posso guardar tudo isso como se guarda uma relíquia antiga: com respeito, com cuidado… mas sem uso.
Essa ideia de almas que talvez não tenham se encontrado no tempo certo é bonita, eu admito. Tem um charme quase poético pensar que em outra vida poderia ter sido diferente. Mas a maturidade chega e sussurra uma verdade simples: é nesta vida que importa. É no agora. E o agora não tem espaço para fantasmas bem alimentados.
Então eu guardo. Coloco tudo naquele baú empoeirado, lá no fundo, naquele porão interno onde ficam as coisas que já foram importantes, mas não são mais necessárias. Não jogo fora, porque fez parte de mim. Mas também não deixo na sala, ocupando espaço, interrompendo o presente.
Porque o presente… ele exige presença. E eu tenho alguém ao meu lado agora. Uma história real, construída, imperfeita e viva. E talvez o maior aprendizado de todos seja esse: amar de novo, não como quem repete, mas como quem evolui. Amar com mais consciência, com mais limites, com mais verdade.
No fim, se libertar nunca foi sobre o outro. Nunca foi sobre fazer alguém entender, mudar, voltar ou sentir. Foi sobre eu parar de me prender. Foi sobre escolher não continuar sentindo algo que já não tinha para onde crescer.
E essa escolha… ela muda tudo.
Se você ainda está aí, segurando algo que já acabou, eu te entendo. Mas chega um momento em que continuar sentindo vira uma forma de não viver. E viver, minha querida, exige coragem.
Eu escolhi viver.
Tem dias em que eu paro e penso que amar é quase um esporte radical, daqueles que a gente entra achando que é caminhada leve e, de repente, já está pendurada num penhasco emocional, sem equipamento, só com fé e um pouco de teimosia. E eu amei… amei de um jeito que não cabe em explicação bonita, dessas que ficam bem em legenda de foto. Foi um amor que existiu, que teve voz, que teve troca, que teve vida em algum canto do mundo. Não foi invenção da minha cabeça, não. Foi real. E talvez justamente por isso tenha doído tanto.
E aí vem a vida, com aquela elegância duvidosa dela, e me coloca dentro de outro amor. Um amor que não nasceu perfeito, que não veio embalado em promessas cinematográficas, mas que foi sendo construído no meio dos cacos. Porque é isso que ninguém conta, a gente não constrói amor só com flores, a gente constrói com restos também. Com pedaços que sobraram de histórias antigas, com silêncios desconfortáveis, com verdades que poderiam muito bem ter sido escondidas, mas não foram.
Eu poderia ter guardado esse amor antigo como um segredo bonito, desses que a gente esconde numa gaveta interna e visita de vez em quando, em silêncio. Mas não. Eu escolhi abrir. Escolhi colocar na mesa, olhar de frente, dividir. E isso… isso não é simples. Não é leve. Não é coisa de gente fraca. É coisa de quem decidiu não viver pela metade.
E ele ficou. Olhou para tudo isso e não saiu correndo. Pelo contrário, teve a coragem de me perguntar por que eu não escrevo sobre isso. Como se, no meio de toda essa bagunça emocional, ele ainda enxergasse arte. Como se ele dissesse, sem dizer exatamente: transforma essa confusão em algo bonito.
E eu fico pensando… que tipo de amor é esse que não exige perfeição, mas presença? Que não pede um passado limpo, mas um presente honesto? Porque, vamos combinar, talvez muita gente não suportasse. Talvez muita gente preferisse a versão editada da história, aquela sem capítulos difíceis, sem sentimentos atravessados. Mas a gente… a gente escolheu ficar.
E não foi porque era fácil. Foi porque, de algum jeito meio torto e muito humano, ainda existia vontade. Vontade de tentar, de reconstruir, de olhar para os degraus quebrados e, ao invés de desistir da escada, começar a consertar um por um.
Eu não sei se isso é o tipo de amor que vira conto de fadas. Provavelmente não. Mas talvez seja o tipo que vira verdade. E no fim das contas, verdade sustenta muito mais do que qualquer ilusão bem contada.
Então eu escrevo. Escrevo porque viver isso tudo e ficar em silêncio seria quase um desperdício emocional. Escrevo porque, no meio de tanta coisa que poderia ter nos separado, a gente decidiu, de forma quase teimosa, continuar.
E se isso não é uma forma bonita de amor… eu sinceramente não sei o que é.
