Caminho
O caminho é necessário, mas a jornada compete ao ser predestinado, sob a fluidez do solo das suas conquistas interiores.
Buscar a liberdade através da escravidão das drogas, além de paradoxal, não é um caminho inteligente.
“A Alquimia é o caminho, o caminhar e o próprio caminhador. Mas, só aquele que lhe escuta o chamado está apto a trilhar essa senda. Acredito ter ouvido algo...”
O MENINO DO CÉREBRO EXPOSTO
O menino do cérebro exposto nunca teve caminhos prontos.
Cada manhã era um recomeço.
Andava como quem não deixa pegadas no chão,
como quem sabe que o destino não pertence a ninguém.
Dentro de sua cabeça latejavam memórias indesejadas,
toques que não deveriam ter existido,
palavras que nunca deveriam ter sido ditas.
Era chuva demais para tão pouca infância.
E, ainda assim, ele sonhava com o sol.
Um corpo que pudesse brilhar,
uma mente que pudesse incendiar de luz —
mas a tempestade parecia não cessar.
Os primeiros erros, ele carregava como feridas.
Não eram seus, mas o peso recaía sobre ele.
Chovia e chovia,
e o menino aprendia a sorrir sem vontade,
a se calar quando tudo gritava por dentro.
No silêncio, nascia a resistência.
No papel, surgia um idioma secreto,
em traços e cores que buscavam curar o que o mundo insistia em ferir.
Hoje, já homem em travessia para a terceira idade,
ele olha para trás e percebe:
se pudesse ver seu passado inteiro,
talvez fizesse parar de chover.
Talvez resgatasse a infância roubada.
Mas é exatamente na chuva que floresceu.
Cada gota se fez semente.
Cada sombra, terreno fértil para a imaginação.
O menino do cérebro exposto não é só dor.
É coragem.
É poesia insurgente contra o silêncio.
É música que se recusa a calar,
mesmo quando o mundo só oferece tempestade.
Eis o recado:
o sol ainda vive nele.
A chuva o formou, mas não o venceu.
Agora, literatura e música se entrelaçam para dizer sua verdade:
a mente que foi ferida é a mesma que cria,
o coração que foi exposto é o mesmo que pulsa,
e o homem que nasce dessa travessia é, ao mesmo tempo,
chuva e sol.
A luz a brilhar em meu olhar é o reflexo da minha jornada a trilhar.
Nesse caminho árduo que passei, levo no peito a colheita que há anos plantei.
"Não importa quantas vezes você já tentou...Persista! A inércia nunca foi um caminho para o sucesso."
Já tive urgência, hoje não mais. Caminho em passos lentos e acredito que o que é definitivo virá. De alguma forma virá. E sem pressa, vai encostar na minha vida, vai sentir a minha alma e gostar de ficar.
Cortar caminhos ao longo da trajetória parece algo fácil para atingir o sucesso, mas pagará um preço muito alto no futuro.
Hino de cura
Fazer do lar um ninho
Do amor, um caminho
Uma oração para a paz
Um afago que satisfaz
Um agora, inteiro e refeito
Sem nenhum preconceito
Água para lavar o passado
Flores para perfumar esse estado
De espírito.
Caminhei...
Me perdi
Reencontrei o caminho,
fiz acontecer,
duvidei,
achei,
recomecei.
Continuo buscando
