Camaleão
Camaleão no módulo sobrevivente
Aspirante de mim mesmo o meu poço
Fica bem mais além
Olho as prateleiras e o que elas tem para me dar Não encontro coisas raras
Tudo igual a todo mundo em todo lugar
Tô sabendo que influência virou profissão…..
Camaleão
Aprendi a vestir silêncios
pra não ferir o ar
Me tornei reflexo dos outros
pra não deixar de estar
Troquei de cor tantas vezes
que esqueci o tom da minha pele
Toda verdade desbotada
só pra caber no que me repele
E quando a noite me despinta
fico cru no que me restou
Sou um rascunho que respira
do que um dia já fui... ou sou
Não há nome pra quem muda
pra sobreviver em paz
Entre o que sente e o que mostra
quantos eus cabem atrás?
Sou disfarce em carne viva
eco de tudo que ouvi
As vozes que um dia calaram
ainda cantam dentro de mim
Talvez o amor me encontre
quando eu parar de me esconder
Ou talvez o mundo aprenda
a me enxergar sem me prender
Não há nome pra quem muda
nem espelho que traduza o que faz
Mas se a cor que eu tenho é nenhuma
então talvez... eu seja a paz
Um Leão anda num chão
Um Camaleão anda num tronco
Um Mico-Leão-Dourado anda num cipó
Um Mico-Leão anda num galho
Um Leão Marinho anda numa maré
O camaleão é mestre do disfarce; mas no excesso de cores alheias, desaparece. Isso não é sobre camaleões.
Camaleão
Camaleão...
Não tenho convicções,
me adapto a qualquer situação...
vou e volto,
dou a volta,
depois volto...
Passo por cima,
passo por baixo...
me encaixo.
Preto e branco?
Comigo não...
domina a razão,
quem manda é o coração.
Meus sonhos têm a cor da minha vida
... (des)colorida.
Repleta de contradições,
tudo me convence...
nada me vence...
começo e não termino
no meio do caminho...
largo tudo e volto
convenientemente
começo tudo novamente.
... mais uma vez.
Camaleão
mudado, transmutado...
(re+vestido de sonhos,
Disfarçado de (des)amores,
O que
Tem de ser feito faço...
‘Melhor feito do que perfeito’ é o meu lema...
Esqueço-me, se preciso for, de seguir qualquer esquema.
Mudo-me como sinto
ou, se acaso pressinto que mudar não é a solução,
simplesmente minto.
Camaleão, pele mudada
núcleo intacto, integro, só a casca desintegrada...
Sou o que preciso,
sem deixar de ser quem era,
ou de ser o que de mim se espera...
Estou aqui, estou lá.
Mudo sem mudar.
É inútil procurar um camaleão pela cor que alguém te descreveu, porque o camaleão não existe para confirmar a visão de quem o procura. Ele muda conforme o lugar, a luz e o momento. E, às vezes, só quando pensamos tê-lo encontrado percebemos que não estávamos à procura do camaleão, mas da realidade que alguém nos ensinou a enxergar.
Daniel Perato Furucuto, 2026
Assim como um camaleão muda de cor assumindo os tons do local onde está, os fracos se deixam moldar, modificando-se conforme a influência dos que os cercam.
Eu sempre fui um menino incomum minha mãe me disse que eu tinha alma de camaleão.
Sem uma bússola moral apontando para o norte, apenas uma insatisfação interna.
O camaleão é um animal que a sua aparência é influenciada pelo meio onde ele estiver inserido, ou seja, ele torna-se naquilo que vê ou o envolve.
É positivo quando imitamos boas coisas a partir dos outros. No entanto, quando imitamos coisas ruins abandonando nossas boas acções isto já caracteriza um aspecto negativo. Análogamente, com este ser do camaleão devemos aprender que nem tudo o que vemos ou identificamos nas outras pessoas é para ser imitado, como também, nem todo o conselho é para ser seguido.
Já fui criança, adolescente, adulta
e até uma ranzinza senil.
Já fui camaleão nas estações que a vida apresentou a mim.
Já provei muitas primaveras e algumas eternizei no toque, outras tantas no sorriso e muitas delas no olhar.
De alguns gostos eu abri mão e deixei que o vento levasse.
Já fui tantos personagens, que alguns até já esqueci.
Hoje quero ser apenas, eu mesma e andar lado a lado com tempo, nem à frente e nem atrás.
CAPTE-ME CAMALEÃO
Capte-me Camaleão.
Que tua linguagem me acaricia como o vento à flor
Que meu coração fica sem palavras e calor
Para te dizer que é tão grande o que eu sinto
Capte-me Camaleão.
Como desejo cada parte do teu corpo viril
Como latejam suas lembranças na minha alma fêmea
Quando penetra tua presença aqui no meu peito
Vem, derrama teu amor
Para aliviar a dor de não ter você
Para apagar com seus carinhos, em braille, os meus gemidos
Para semear mil novas amarantines em meu ventre
Vem, derrama teu amor
Que minha vida está em cada beijo para dar-te
E que se perca no passado essa aflição
Que o mundo inteiro não é o bastante para te amar
Capte-me Camaleão
Que é como um grito molhado
Quebrando o silêncio úmido
Esse vazio de só ter-te só em suaves sonhos irrigados
Enquanto meu coração clama e se entrega a ti
Capte-me Camaleão
Como sofro por apenas sonhar ser teus desejos
Quando me olhas sem saber que estou em latejos
Para te entregar a paixão que levo dentro do peito
Vem, derrama teu amor
Que estou disposta a me apaixonar sem restrições
Apagar pra sempre da minha vida
Todas as lágrimas que habitam
Toda solidão a luz da lua
Em cada noite sem seus beijos
Em cada canto dos meus lamentos.
Capte-me Camaleão
_____________Norma Baker
Que tenhamos cuidado com a velha empolgação. Pois ela bem se parece com um camaleão: embora ainda seja a mesma, se disfarça em muitas coisas.
Você precisa definir se você é o ambiente ou se você é o camaleão. Se o ambiente faz você ou se você define o ambiente aonde quer que você vá. Examine-se a si mesmo! Descubra-se!
Poema de amor confesso
Moça dos olhos-camaleão,
Saiba que a felicidade, verde-de-sol,
Faz pulsar meu enamoramento,
E por ser o presente nosso tempo,
não careço jurar,
o quão intenso é o
possível do amar.
Sou incansável, contudo,
na tarefa de fazer-te saber
Que aqui, neste mundo,
é todo teu o meu querer.
Na vida, assim, me acabo de amores.
Será esse meu desatino?
Pois não sou recatada, não tenho pudores,
Te peço: Fica!... em meu caminho!
Sem ti:
- eu vivo, mas que desgosto!
Passar a existência sem que ao ver-te se estampe em meu rosto,
O ímpeto febril de contentamento.
Dê-me a mão - assim de surpresa
E passeia comigo.
Garanto que verás a beleza
De ter no amor o amigo
E neste, fortaleza!
