Calar
Costumo ser verdadeira sempre, mas as vezes a gente deve calar e tomar cuidado para não magoar as pessoas, mesmo que depois elas nos machuquem. Personalidade e atitude é diferente de crueldade.
Quero gritar, mas a minha voz insiste em se calar
Meus poucos instantes de felicidade acabam
Murchos em algum canto da alma
Não sei lidar com esse vazio que cresce
Maltrata e me deixa seca como uma figueira
Que levou do tempo apenas o vento
Soprado nas noites quentes e adormecido
No quase nada de dias partidos
Iludir-me parecia ser a coisa certa a fazer
Mas como um vício, percebi que necessitava
Do estado de alma momentâneo para logo
Em seguida voltar a sofrer o vazio angustiante
Lamber as feridas causadas pelo orgulho e
Arrancar da pele as marcas deixadas por toques
Que dificilmente abandonarão os recônditos da memória
Ver-me sufocar na noite engolindo lágrimas
E acordar para o dia cinza com restos de ontem
Loucas as minhas vontades e absurdamente infeliz
Minha verdade transvestida de nada com luz
Bruxuleante e esmaecida
Pobre vida desperdiçada e esquecida.
Não, você não é obrigado a gostar das mesmas coisas que eu, mas é obrigado a calar a boca e a respeitar, simples né?
Calar-se perante uma calúnia é a maior demonstração de que você definitivamente tem sangue de barata!
Às vezes, você tem que calar a boca, engolir seu orgulho e aceitar que você está errado. Não é desistir, é crescer.
É pra falar? Eu falo! É pra calar? Eu calo! Mas não me peça pra deixar de sentir... Isso eu não faço não!
Calar-se ou não?Esconder o coração?
Ou ficar eternamente atrás da da paixão?
Gritar para o mundo e morrer de emoção?
Então concluo que o amor não é uma doce poesia,
mas sim uma poesia doce.
De que adianta a boca calar o que o coração esconde se os olhos gritam aos 4 ventos o que por ele é sentido!
Insônia
Andréia Clara Galvão
Noites e claros
A idéia sem querer calar
Os ritmos do relógio
O gato no telhado
O cheiro de jasmim
E manacá
Chá de erva doce
Leite com canela
Água de flor de laranjeira
Sono e quietude em infusão
Tudo em vão
Pra olhos que insistem em não fechar
Pro coração que não quer dormir
Nem descansar
Perfumes
Sabores
Silêncios
Saudades
E o som do derramado
E do quente
Devagar e suavemente
Enchendo a noite,
O coração,
A varanda e
A xícara.
