Cair
O céu se rasga ao cair da noite, sobre as nossas cabeças renasce a lembrança de outros tempos em que tudo o que fizéssemos se transformava em vivência perfeita.
Já vai o tempo decorando o céu com as suas cores reluzentes sobre o espetacular cair do sol e, numa alegria inexplicável, dou a minha alma ao vento para me deixar embalar numa paixão sem igual.
O amigo não nos pode ver cair e nos deixar estar estatelados no chão; deve nos dar a mão e nos ajudar a encontrar forças para trilhar um novo caminho, ainda que o novo caminho, seja tão somente o mesmo, que depois de refeito, se torna mais suave para ser trilhado.
A vida é assim,viver cair e levantar,e é isso que nos faz traçar o melhor e o verdadeiro caminho e a cada vez que levantamos nos tornamos mais fortes,sábios e felizes .
Eu me desnudo sem medo de cair, sem rede de segurança, sem véus para esconder. Minha alma é um abismo, profundo e escuro, onde apenas a verdade pode respirar.
Eu me exponho, como uma ferida aberta, sem curativos, sem disfarces, sem medo de sangrar. Meu coração é um grito, um berro de silêncio, um sussurro que ecoa, sem palavras para dizer.
Eu sou a minha própria sombra, a minha própria luz, a minha própria verdade, sem filtros, sem disfarces. Eu me desnudo, para me encontrar, para me conhecer, para me amar. Sem máscaras, sem véus, apenas a minha essência.
Eu me exponho, como um rio que flui, sem margens, sem fronteiras, apenas a corrente da minha alma. Meu ser é um espelho, que reflete a verdade, sem distorções, sem sombras, apenas a luz da minha existência.
Eu sou a minha própria criação, a minha própria destruição, a minha própria redenção, sem culpa, sem pecado. Eu me desnudo para me libertar, para me soltar das correntes que me prendem, das sombras que me cercam.
Eu sou a minha própria liberdade, a minha própria prisão, a minha própria escolha, sem medo, sem arrependimento.
(“Nudez”, de Douglas Duarte de Almeida)
Gratidão !
Hoje nasci de novo,
não de uma água batismal.
Mas porque cair de três metros,
e nada me aconteceu de mal.
Pedir os sentidos, meu corpo
veio ao chão.
Se não fosse o amor de Deus,
eu estaria em um caixão.
O impacto foi tão forte,
que minha vizinha despertou.
Meu Deus o que foi isso ?
Quando de mim se lembrou.
Veio preocupada, e logo me
perguntou : Vizinho eu ouvir um
barulho, foi o senhor que tombou ?
Lhe contei maravilhado,
o que Senhor fez por mim.
Não sofrir nenhum machucado,
mas despertei a Deus louvado.
Gratidão eu tenho por Deus,
porque minha vida ele poupou.
Preservando a minha carne, nenhum
osso só quebrou.
Por algumas horas
eu fraquejei
e cheguei a cair.
Não tinha força para levantar,
eu só pensava em desistir.
Uma força eu arranjei
com essa força eu levantei,
consegui ficar de pé
e em seguida eu andei...
recuperei minha fé.
Quando você se sentir sozinha
E o mundo cair em pedaços ao seu redor...
Lembre_ se, que você é o grande mundo
para alguém que te chama de mamãe...
Aquela mulher maravilha
Aquela heroína poderosa
Que mesmo triste
Mostra um sorriso
Para fazer seu filho
Feliz...
A morena toda donzela
Logo a vistei na janela
Ela deixou a toalha cair
Para eu passar
E logo seu perfume sentir
Eu olhei para ela
e ela ou para mim
Eu disse através de um sorriso
Quanta beleza existe em ti
Ela com aquele sorriso tímido
E as bochechas avermelhada
Me disse obrigada, toda apaixonada.
O Limo !
O Limo, que me fez cair, permanece
no mesmo lugar.
Te esperando meu amigo, pra também te derrubar.
O mundo dá muitas voltas, nunca parei pra contar, mas você que julga o seu próximo,
e tem prazer em difamar, uma coisa eu tenho certeza, o limo está a ti esperar.
Mesmo que não contemple a tua queda,
os teus ouvintes hão de ver, para bater em
teus ombros para lembrar de mim, pra você.
Vá trabalhar.
Deus te abençoe e não fique esperando, cair do céu e você mamando.
Vá trabalhar que Deus ajuda, se ficar em casa a sorte não muda.
"Não falemos mal do dinheiro!
Ele não tem culpa de cair em mãos mesquinhas e ambiciosas muitas vezes.
O seu bom uso não depende dele.
Depende da consciência de cada um de nós,
para onde tenda a nossa balança de valor, que ressalte o caráter que todo ser humano traz em si."
Não considere suas quedas mais suas conquistas, pois para cair basta um deslize mais para levantar é um desafio.
Não importa quantas vezes tropeça e tem de a cair, o importante é levantar se manter em pé e prosseguir.
PEREGRINAÇÃO
Ele...
Ontem, ao cair da noite
Saiu do mundo sem destino
Nem lua, só ele num afoite
Para beber tempos de menino.
Saltou caminhos, subiu montes
E relembrou visões fantasmagóricas
E sons de corujas a beber nas fontes
Das suas memórias pitagóricas.
Cansado, sentou-se numa pedra
Que teimosamente ali estava
Desde os tempos da sua medra
Como marco da sua vida brava.
Viu e chorou o casebre onde nasceu
E o espetro das casas das avós eternas
No vazio de já não ver o céu
Dos tempos de um ontem que morreu.
Meteu pernas de volta, mas não sozinho
Levava então com ele para casa
Naquele breve e longo caminho
Os lugares e rostos dos idos em brasa.
(Carlos de Castro, in Argoncilhe, 21-06-2022)
TRISTE QUIETUDE
As árvores cansadas da dor
Deixavam cair seus braços tão tristes
E o sol castigava as pedras do chão
Como ferro quente a marcar o gado,
Na tarde já morta de sede.
Só uns cabelos de oiro
Esvoaçavam loucos na brisa infernal...
Eram os teus procurando os meus,
Na triste quietude da tarde defunta.
Fugiram os pássaros e tudo o que é vida
Da vida que tem sangue nas veias.
Dolorosamente, em prantos de cinzas
As árvores tornaram-se pó
E os ramos partiram-se numa chuva
De mil pedaços queimados.
O sol escondeu-se amedrontado;
A tarde e a brisa quente
Feneceram de saudade.
Só ficaram os teus cabelos de oiro
Sempre à procura dos meus,
Revoltos na triste quietude...
Mas tudo tão inútil.
(Carlos de Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 27-08-2022)
ÉS TU
A pomba.
Da paz
Que não existe,
A não ser no dicionário
Antigo, a cair de podre,
Bafiento e de bichos
Repelentes,
Só lidos por cabrestões
De pitos de funil.
Escusas tu,
Minha pomba
Falsa,
De cor branca,
Comida pelos aventesmas
De mil palavras
De enganar,
Sim, tu:
Escusas de dar voltas
Nos ares a dizer
Que inventaste a paz,
Que ela, a paz, está feita
Em solfejos de mortes
Anunciadas.
E, cuidado,
És sempre tu a primeira
A abater,
Depois de mim,
Claro:
Eu, o agitador,
Conciliador.
(Carlos De Castro, " in Portugal Sem Censura, Brasil, Sim", Em 06-09-2022)
SINFONIA DE OUTONO
Que sons, que magia
Andam no ar todo o dia.
Cantam os frutos ao cair no chão
Toca ainda o vento suão
Nas luras das árvores da fornicação.
A terra farta de ser emprenhada
Pede ao lavrador a paz da enxada.
O lavrador, amealha o pão
Que a mãe terra lhe pôs na mão.
É pão, é fruto, é vinho de suor
E tanta gente a rezar pelo melhor.
Eu também rezaria a cantar
E, ai, se a natureza me desse voz
Eu cantaria para todos vós
Num canto pranto de arrebatar -
Corações do meu abono,
Nesta sinfonia de Outono.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 28-09-2022)
